Max me observou com um sorriso no rosto, a diversão estampada nos olhos.
— E quanto a mim? Quão perto você acha que eu moro daqui? — perguntou ele, a voz carregada de ironia.
Franzi a testa, começando a perceber onde ele queria chegar. Eu revirei os olhos, já adivinhando o que viria a seguir.
— Ah, isso é coisa da sua possessividade, não é? — respondi, tentando disfarçar o riso nervoso que estava surgindo.
Ele soltou uma gargalhada baixa, o som ecoando pela sala de forma agradável e segura.
— Talvez um pouco — admitiu ele, sem se importar em esconder o sorriso travesso. — Mas, sim, sou possessivo. E você ainda vai ter que se acostumar com isso.
Eu dei um passo para trás, ainda pro
Dois meses se passaram desde que aceitei o apartamento de Max. A mudança havia sido mais tranquila do que eu imaginava, embora eu ainda estivesse me acostumando com o espaço imenso que agora chamava de lar. A cada canto que eu explorava, o lugar parecia mais novo para mim, como se, apesar de já estar mobiliado, eu ainda precisasse deixar minha marca ali.Hoje, estava limpando os poucos detalhes que me restavam, tentando organizar tudo e deixar cada cantinho com a minha cara. Nunca imaginei que teria um closet tão grande — ele era tão amplo que, até agora, minhas coisas mal ocupavam 50% do espaço. A ideia de um dia preencher aquele espaço parecia quase um desafio, mas, por enquanto, eu estava mais concentrada no simples ato de me acostumar com o tamanho do meu novo mundo.A cozinha, com seus armários que nunca vi tão vazios, a sala que parecia quase surreal de tão grande e a piscina lá fora que, em muitos dias, parecia distante, porque eu ainda não conseguia me ver vivendo daquele jeit
Aquele sorriso enigmático que sempre me deixava com uma sensação de expectativa. Ele ficou em silêncio por um momento, observando minha expressão antes de falar.— Eu tenho uma surpresa para você. — A voz dele estava baixa, mas cheia de uma suavidade quase imperceptível.Minha curiosidade foi imediatamente despertada, e eu parei de limpar, deixando o pano de lado enquanto me voltava para ele.— Uma surpresa? — perguntei, arqueando uma sobrancelha. Eu não sabia se devia me empolgar ou não. Max tinha a tendência de surpreender, mas às vezes suas surpresas eram um pouco… exageradas.Ele deu um sorriso, aquele tipo de sorriso que era mais uma promessa do que uma explicação.— Confia em mim? — ele perguntou, com aquele olhar intenso que não deixava espaço para dúvidas.Eu respirei fundo e assenti, já sentindo uma sensação estranha no estômago. Max me levou até o segundo andar, como se fosse um mistério que ainda estava por ser desvendado. Eu já estava mais do que acostumada com a casa, ma
Max se aproximou ainda mais, com aquele olhar tranquilo que eu já conhecia tão bem. Ele parecia tão seguro de si, mas havia algo ali, algo que eu não conseguia identificar, que me fez sorrir levemente.— Ah, e tem mais. — Ele disse, abrindo uma gaveta do closet. — Eu coloquei algumas opções bem confortáveis ali, coisas para os dias mais tranquilos, sem pressa. Você vai ver.Quando ele puxou as gavetas, encontrei camisetas de algodão, calças de moletom e shorts macios, tudo em tons suaves e agradáveis ao toque. Eu ri baixinho, imaginando Max escolhendo tudo aquilo para mim, tão atencioso, tão… ele.Mas não era só isso. Na gaveta ao lado, havia uma linha inteira de lingeries. Desde modelos mais simples e confortáveis até os mais sensuais, em rendas e tecidos que pareciam ser feitos para caírem perfeitamente sobre a pele. Cada peça estava ali, organizada com uma perfeição que só Max poderia ter feito.— Max, isso é… muito. Eu não sei nem por onde começar. — Eu disse, sorrindo e ainda mei
Ele repousou a cabeça no meu ombro, com o braço ao meu redor, como se não quisesse se afastar nem por um segundo. Não importava o que eu fizesse — ele estava lá, quase como uma sombra.— Você está bem aí? — Perguntou ele, sua voz suave, o tom casual, mas ainda assim com aquela marca de possessividade que eu já começava a reconhecer.— Sim. — Eu respondi, me virando um pouco para olhar para ele, e sorri, sem conseguir conter o quanto aquele comportamento me divertia. — Mas você está me grudando demais, sabia?Ele deu um leve sorriso e apertou ainda mais o braço em volta de mim, como se fosse a coisa mais natural do mundo.— Eu gosto de estar perto de você. — Ele disse, como se fosse óbvio. — É difícil ficar longe.Eu ri, mas não consegui negar o quanto eu gostava de tê-lo tão perto, de sentir a presença constante dele. Às vezes, ele se tornava tão pegajoso, tão envolvente, que parecia que nada mais importava além de nós dois naquele momento.Em algum momento, ele se sentou mais perto,
CharlotteA pilha de papéis nos meus braços era ridiculamente grande, quase um insulto pessoal. Maximilian Steele tinha feito isso de propósito, eu sabia. Ele sabia. Documentos do mês passado? Sério? Era só mais uma das formas dele de testar minha paciência. Como se não bastasse lidar com sua presença intimidadora e aquele olhar frio que me fazia sentir como uma funcionária dispensável, agora eu também tinha que carregar peso extra logo de manhã.Eu atravessava o lobby da Steele Medical Supplies, a empresa de vendas para hospitais onde eu trabalhava há anos, tentando equilibrar os documentos e o copo de café sem derramar nada. O som dos saltos ecoava pelo chão de mármore e, quando cheguei ao elevador, não precisei olhar para saber que alguns olhares estavam sobre mim. Todos conheciam Maximilian Steele. E todos sabiam que, de alguma forma, ele tinha um prazer sádico em me sobrecarregar.— Precisa de ajuda? — uma voz masculina perguntou.Olhei de lado e vi Daniel Reed, o melhor amigo de
Suspirei pesadamente e, antes que percebesse, já estava planejando formas sutis — e não tão sutis assim — de me vingar. Nada muito grave. Só o suficiente para que ele sentisse o peso do inferno que eu chamava de "meu humor ruim". Talvez trocar o açúcar do café dele por sal. Ou… quem sabe… adicionar algumas gotas de laxante?A ideia me fez sorrir. Imaginar Maximilian Steele, o todo-poderoso CEO, correndo para o banheiro no meio de uma reunião importante? Ah, isso era quase poético.— Charlotte Grant, você é um gênio.Mas, infelizmente, minha moral (e minha vontade de continuar empregada) ainda eram um obstáculo. Então, minha vingança teria que esperar.Pelo menos por enquanto.Com minha pequena vingança mental me dando um alívio temporário, finalmente cheguei ao restaurante. Escolhi uma mesa perto da janela e pedi um prato que não apenas me enchesse, mas também compensasse o estresse matinal.Enquanto esperava a comida, aproveitei para checar meu celular. Nenhuma mensagem importante, e
A reunião começou de maneira tensa, como eu já imaginava. Richard Donovan entrou na sala com sua equipe, a postura arrogante de sempre, como se a qualquer momento ele fosse começar a dar ordens em vez de negociar. O homem exalava poder, mas também tinha algo de irritante que me fazia querer ignorá-lo a todo custo. Max estava no seu melhor comportamento corporativo, mas eu sabia que ele não gostava da forma como Donovan tratava as coisas, como se tudo fosse simples, como se ele estivesse no controle o tempo todo.Nos cumprimentamos, e a assistente de Donovan começou a falar sobre o plano de vendas. Eu estava prestando atenção, mas ao mesmo tempo me perguntava o que ele realmente queria, e o que Max achava que deveria ser feito para que isso fosse fechado da forma mais vantajosa possível. Claro, a resposta para isso eu já sabia. Maximilian não se contentava com qualquer coisa; ele precisava de detalhes, de uma análise minuciosa, de uma visão que fosse mais além do que só números e proje
Maximilian ficou em silêncio por um instante, os olhos fixos em mim como se estivesse tentando processar o que acabara de acontecer. A tensão no ar era palpável, e eu me senti estranha, como se algo tivesse mudado entre nós. Mas, ao invés de um gesto de agradecimento, ele se levantou abruptamente da cadeira, seus olhos agora mais intensos e carregados de raiva.— Você não tinha que ter feito isso, Charlotte! — A voz dele cortou o ar, fria e venenosa. — Não era da sua conta. Eu não precisei da sua ajuda. Você se meteu onde não devia e, pior, foi completamente desrespeitosa!Eu recuei um passo, surpresa com a ferocidade das palavras. Max avançou um passo em minha direção, e pude ver a raiva queimando em seu olhar. Ele estava visivelmente irritado, seus músculos tensos como se estivesse pronto para explodir a qualquer momento.— Você se acha no direito de intervir e falar por mim? Eu sou perfeitamente capaz de lidar com essa situação sozinho, Charlotte. Não precisava da sua interferência