Ellora sabia que tinha algo estranho, mas só o seguia. Já conhecia bem alguns pontos enquanto saíam daquele espaço da bagagem. Mas depois percebeu que a direcionava para um lugar diferente e mais uma vez olhou desconfiada para Shan e sua cara de paisagem. Até ouvir alguém chamar o nome dela e nem imagina quem era, ou devia ser outra Ellora.Só olhou em volta procurando de onde vinha, ainda eram insistente e se aproximavam dela duas adolescentes quase correndo em direção a ela toda empolgadas, o braço de Shan já criava uma barreira entre as três. A fazendo parar de repente. – Que isso, Shan!? – Exclamava como se não entendesse mais nada, com aquela reação exagerada.– Você é a namorada do Príncipe Max. Não é? – Ela não tinha mais que 18 anos e era inglesa pelo sotaque e pelo jeito que a olhava parecia encantada em ver Ellora. Era assim que a conheciam? A namorada de alguém?Só olhou para as duas e depois para Shan que a agora parecia ter
A viagem era curta, e mesmo assim ele não contou nada a Lola, apenas disse que tudo seria surpresa e teria que confiar nele. A primeira coisa que fizeram assim que chegaram ao aeroporto era ir direto ao Hotel Le Walt Paris, bem na região central de Paris, tão antigo e até mais que a torre Eiffel. Da sacada do quarto parecia mais próximo ainda dela que se erguia imponente com o belo jardim crescendo na base dela, só pensava o quanto seria incrível passar a noite ali observando aquela vista. Cheio de vida e pessoas circulando, encantados com aquela estrutura metálica. Parecia que estava bem perto dela, como se pudesse tocá-la. A única coisa queria trocar aquelas roupas mais quentes e pesadas que achou que precisaria em Londres por algo fresco, para o outono que já estava terminando. Mas na cidade parecia mais vivo que nunca o calor. O objetivo dos dois era fugir dos lugares mais frequentados por turistas numa rota fora do comum. Até achar uma cafeteir
– Bom dia. – Alguém entrava tirando Ellora do transe e a voz familiar já quebrava a atenção dela sobre os pensamentos. Era Lídia do departamento de marketing também, porém ambas tinham funções diferentes na companhia. – Como foi Londres, princesa? Ela era legal, diferente dos demais gerentes, era a única mais próxima de idade de Ellora e claro que muitos estavam curiosos sobre eles. Devia ter visto o mesmo artigo e outras coisas mais ao longo do fim de semana, ao que parecia só se falava disso. Do sucesso do evento e da presença dela. Mas não soava com desdém. – Incrivelmente ensolarada. Dá para acreditar? – Educadamente, Lola respondia só esperando a próxima sequência de perguntas. – E você estava lindíssima. Elegante, como uma inglesa. Mas com aquele ar somente seu. Quero o link da camisa depois, viu. – Deixou claro a colega. – Vou ter que pedir a Bea, ela que se encarregou. Mas acho que dá para resolver sim. – Ela fa
É só uma festa, você merece. Se arrume, fique lindíssima, use aquele vestido azul que tanto ama. Beba alguns drinks, dance e ria com suas amigas. Era o que Ellora dizia para si enquanto terminava o banho. Apesar de estar exausta mentalmente depois da longa semana de projetos e testes-piloto de implantações que assumira nos últimos meses, esforçava-se para se animar e não desistir de última hora. Entre tantas responsabilidades, ainda era a única pessoa que deveria executar, mas almejava aquela promoção tão prometida pelo diretor. Então, tinha que encarar o desafio até o fim.Mesmo que sua vontade fosse vestir um pijama confortável e acompanhar a noite com uma panela de brigadeiro, ela iria sair. Havia prometido às amigas que se divertiria, não reclamaria e nem pensaria em trabalho. O melhor salto já estava separado, dançaria todas as músicas que quisesse e até paqueraria um cara bonito que chamasse sua atenção. Apenas por diversão, nada sério. Só por aquela noite, não precisava pensar
Era notável a intenção da amiga ao ajustar o vestido preto e brilhante, tentando destacar ainda mais o decote. Como se as quase duas horas que passou se arrumando não tivessem sido suficientes. Lola sempre agradecia por cada uma ter seu próprio espaço e quarto, pois, nesse ponto, eram muito diferentes. Ela era racional, via tudo preto no branco, sem floreios ou ilusões. Sempre dizia a si mesma que, se não houvesse um bom motivo, não valia a pena continuar. Já tinha aprendido essa lição na última vez em que se deixou levar apenas pelo coração e pela emoção. Patrícia, por outro lado, era pura adrenalina, loucamente apaixonada pela vida, pelos riscos e por tudo o que pudesse proporcionar diversão. Enquanto a observava se arrumar, Ellora já sabia: lá pelas 1h da manhã, a amiga estaria bêbada e aos pés dele, mesmo que o visse com outras mulheres. Era sempre a mesma história. E ela nem tentaria intervir. Já estava cansada de discutir horas e horas com Patrícia, que ignorava todos os avis
Depois de mais dois drinks, tudo estava um pouco fora de controle. Como esperado, Lola já tinha perdido uma das amigas de vista na pista de dança. Andrea sempre era a mais ávida em encontrar um par para a noite. Não demorou muito para Lola avistá-la alguns degraus acima, agarrada a um homem alto, de pele escura e completamente careca. O tipo dela. De onde estava, e pelo jeito como se agarravam, era difícil diferenciar quem era quem — pareciam uma coisa só.Lola, por outro lado, não estava interessada nessas aventuras momentâneas. Desviou o olhar, deixando as amigas à vontade para se divertir enquanto se mantinha o mais sóbrio possível. Só queria voltar à mesa após se livrar dos caras inconvenientes que cruzavam seu caminho. Aquele não era o tipo de lugar que frequentava para conhecer alguém.— Menos uma. Quem é a próxima? — apontou para as duas amigas à sua frente, que já tinham pedido outra rodada e viravam mais duas doses com entusiasmo.Seria uma longa noite.Entre idas e vindas at
Era naquele momento que ela esquecia do mundo, ouvindo suas músicas preferidas e dançando livre, sem se importar com quem estava ao redor. Ainda mais quando se juntava à amiga, que compartilhava o mesmo sentimento, e as duas moviam-se em perfeita sincronia, como se fossem uma só. O calor abafado do ambiente as envolvia, e os rostos desconhecidos ao redor se transformavam em borrões. A cada batida da música, sentia o corpo vibrar, como se fosse parte da melodia. A pele queimava e, quanto mais tempo passava ali, mais ela se entregava àquela sensação única de liberdade. Mas quando se virou para abraçar a amiga, ainda empolgada, já desistiu.Naquele instante, apenas as costas de Patrícia e o rosto familiar que não queria ver – Mauro. Ele estava ali, mais uma vez, a abraçando e beijando como se nada tivesse acontecido. No fundo, ela sabia que era apenas questão de tempo até que os dois se encontrassem de novo e começassem a mesma história. Até que demorou para acontecer.Ellora franziu o c
— Grego? – A pergunta dele parecia genuína, fazendo Lola rir enquanto o olhava.Como sempre, alguém perguntaria de onde vinha aquele nome. E, obviamente, ela não parecia uma pessoa de ascendência grega.— Hebraico ou celta, até hoje não sei. – Ela abriu um sorriso, fazendo eco de sua resposta.O que realmente chamava mais a atenção eram os olhos dele, que alternavam entre verdes e castanhos. Com a pouca luz, era difícil identificar, mas a gentileza no olhar quando ele sorria para ela era clara. Os cantos dos olhos se apertavam um pouco ao sorrir, e ele se inclinava para ouvir melhor, respondendo-lhe com suavidade, antes de retornar à pergunta anterior.— Mas, de qualquer forma, mesmo que soubesse dançar, não danço com desconhecidos. Não assim. Valeu pela intenção. – A atenção de Lola se voltava para a garrafa recém-aberta e gelada. Estava quente demais, e a presença dele parecia intensificar o calor. Ele não desistia e, mais uma vez, chamava sua atenção.— Uma pena, adoraria umas auli