Ao sair do trabalho, Sofia se deparou com sua tia Ellen esperando por ela.
— Oi, tia, veio buscar minha mãe? — Sofia, entra no carro! — respondeu Ellen, de forma fria. Sofia a olhou, mas a tia evitou encará-la. Percebendo o tom ríspido, obedeceu e entrou no carro. O silêncio as acompanhou durante todo o trajeto. Quando chegaram ao hospital, Sofia franziu a testa, sentindo o coração acelerar. — Por que estamos aqui, tia? Mais uma vez, não obteve resposta. Apenas seguiu Ellen pelos corredores, até que pararam diante da mesma sala onde, um mês antes, havia visto seu pai pela última vez. Seu peito apertou. — O que está acontecendo? — perguntou, sentindo o medo crescer dentro de si. Ellen suspirou antes de falar: — Sua mãe me pediu para cuidar de você. Ela estava com câncer há dois anos e, em vez de melhorar com a quimioterapia, só piorou. Sua mãe faleceu há uma hora... Eu sinto muito. Não pude trazê-la a tempo para uma última conversa. Sofia começou a rir de forma histérica, incapaz de processar a notícia. — Não pode ser verdade. Antes que pudesse reagir, Ellen puxou o lençol que cobria o corpo. E então Sofia viu. A visão da mãe, inerte, da mesma forma como encontrou o pai, fez com que perdesse o ar. Seu corpo ficou dormente, sua visão escureceu, e tudo ao seu redor desapareceu. Ellen revirou os olhos ao ver Sofia desmaiar. — Que saco... — murmurou. — Enfermeira, pode me ajudar? — Claro, senhora, vou levantá-la do chão e... — Não é isso — interrompeu Ellen, impaciente. — Deixe-a aí. O que preciso é que encaminhe o corpo da minha irmã para este endereço. O carro estará esperando nos fundos do hospital. Avise ao motorista que ele pode seguir direto para o local do enterro. As flores já estão pagas. A enfermeira hesitou. — Mas, senhora... e a garota? — Um amigo meu está vindo buscá-la. Ele chega em cinco minutos. Antes mesmo de terminar a frase, seu telefone tocou. — Ah, finalmente! — disse, irritada. Ao atender, viu que Charles já estava lá. Ele se aproximou e olhou ao redor. — Cadê o pacote? Ellen apontou para Sofia, ainda desmaiada no chão. — Ali. E tenha cuidado... é mercadoria de primeira. A dor latejava em sua cabeça e em seu cotovelo quando despertou. Piscou algumas vezes, tentando se situar. — Esse não é o meu quarto. — sussurrou Sofia. Olhou para a janela e percebeu que já era noite. Antes que pudesse pensar no que havia acontecido, sentiu uma mão afagar seus cabelos. Assustada, virou-se rapidamente e viu uma jovem loira, de olhos claros e aparência gentil. — Quem é você? — Me chamo Emilly, mas pode me chamar de Emi. E você é Sofia, certo? — Sim... sou eu. — A memória voltou como um soco em seu peito. — Meu Deus... minha mãe! Onde ela está? Preciso vê-la! Emilly abaixou a cabeça, demonstrando pesar. — Eu sinto muito... mas ela já foi enterrada. — Não! Isso é mentira! Minha mãe está bem, eu sei que está! Antes que conseguisse dizer mais alguma coisa, Emilly a envolveu em um abraço apertado. Sofia chorou até adormecer novamente. Na manhã seguinte, ao acordar, seguiu para o banheiro e tomou um banho quente. Saiu enrolada na toalha, prendeu o cabelo em um coque despojado e vestiu um vestido preto de alcinha, um casaquinho preto e um tênis All Star da mesma cor. Ao descer para a sala, encontrou sua tia sentada no sofá. — Bom dia, bela adormecida. Achei que fosse dormir para sempre. Sofia ignorou o tom sarcástico e foi direto ao ponto: — Tia, são sete horas da manhã. E tenho uma pergunta... Por que não participei do enterro da minha mãe? Era meu direito como filha. Ellen suspirou revirando os olhos, como se já esperasse essa pergunta. — Amorzinho, você não se lembra? Você teve uma crise nervosa e foi medicada. A médica disse que não podíamos demorar muito para enterrá-la, por causa do motivo da morte. Sofia sentiu o estômago revirar, mas assentiu, relutante. — Tudo bem, tia... Me desculpe se fui grossa. — Tudo bem, amorzinho. Agora somos só nós duas. Vou cuidar muito bem de você. Vem cá, me dá um abraço. Sofia hesitou antes de aceitar o abraço. Mas, ao ser envolvida pelos braços da tia, sentiu algo diferente... Como se estivesse caindo em um abismo sem volta. E no fundo dele, o que a esperava? Ao se afastar de Sofia, Ellen seguiu até seu escritório, onde Soraya já a esperava. — O que foi, Ellen? Pode falar. Ellen sorriu, cruzando as pernas. — Minha sobrinha inútil está morando comigo agora. Mas a garota parece doce e inocente... o que significa que é uma mina de ouro. Antes de qualquer coisa, quero que se aproxime dela. Quero que vire amiga dela. Soraya arqueou uma sobrancelha. — Amiga? — Sim. Quero saber tudo sobre ela. Se ainda é virgem, se tem namorado... Quanto mais informações conseguirmos, melhor para mim. Além disso, leve-a para comprar roupas novas. Algo sexy. Depois a leve para o salão. Vou te dar meu cartão de crédito. Quando terminarem, me entregue. Soraya riu. — Você vai gastar seu dinheiro com essa garota? Está doida? Ellen deu um sorriso malicioso. — Eu vou ganhar muito mais do que vou gastar. Especialmente se ela for "pura". Soraya arregalou os olhos e depois sorriu. — Agora sim, entendi. — Então, ande logo. Não quero que ela passe tempo demais com a Emilly. Aquela menina é mole demais. Enquanto Sofia encarava a parede da sala, viu uma mulher morena e muito bonita entrar no ambiente. — Olá. Procura alguém? Qual é o seu nome? — Me chamo Soraya. E você deve ser Sofia. Muito prazer! — Ela sorriu. — Vim te levar para o shopping. Você precisa sair um pouco dessa casa. Já faz quase dois meses que está aqui. Vai ser legal, confia em mim. Sofia piscou, surpresa. — Dois meses...? Nossa, não tinha percebido. Mas antes preciso passar na escola, ver se passei de ano. — Sem problemas! Ah, e não se preocupe com dinheiro. Sua tia me deu o cartão dela e disse que você pode usar à vontade. Sofia hesitou. — Você trabalha para a minha tia? — Sim, mas hoje estou de folga. Então, vamos? Ela concordou, sem energia para discutir. Após passar na escola e descobrir que havia concluído o ensino médio, foram ao shopping. Soraya era animada e convincente. Se estivesse sozinha, Sofia jamais teria comprado aquelas roupas — eram muito mais provocantes do que estava acostumada. Depois seguiram para a uma loja de fast food. — Então, me conta sobre você... Está namorando? Já passou para a próxima base? Sofia corou. — Nunca namorei ninguém. Sempre estive focada nos estudos e no trabalho. Soraya riu. — Então, você é virgem? — Ei! Não fala isso alto! — Desculpa, gata. Mas você é linda, achei que já estivesse "rodando" por aí. Sofia ficou vermelha de vergonha. — Não! Nunca fui para a cama com ninguém. Vamos embora. Ao se encontrar com Soraya, Ellen perguntou ansiosa: — E então? Soraya sorriu. — Ela é virgem como a Virgem Maria. Ellen sorriu de volta. — Perfeito. Vamos começar os preparativos para o leilão. Ellen esfrega as mãos animada.Ellen está ansiosa para colocar seu plano em prática. Então chama Soraya.— Soraya, vá até minha casa e prepare minha sobrinha para esta noite. Diga a ela que haverá uma festa importante aqui na Oásis e que precisarei da ajuda dela. Ela é tão ingênua que nem imagina que será leiloada.— Pode deixar, Ellen. Ela acha que sou sua melhor amiga, acredita em tudo o que digo quando faço cara de inocente... Tonta.— Ótimo. Ah, você não vai acreditar em quem virá hoje... Convidei o Dwayne, e você sabe, né? Se ele vem, o Luca com certeza aparece. Quanto mais homens ricos, melhor. Uma virgem é uma raridade hoje em dia.Longe dali os melhores amigos, chefe e subchefe da máfia Moretti conversam.— Dwayne, você sabe que não gosto de pagar mulheres para essas coisas. Até porque nem preciso. — Ele apontou para si mesmo, sorrindo.— Irmão, sei que você não curte, mas a boate é boa, e esta semana foi um inferno. Precisamos relaxar um pouco, né?— Certo, irmão. Vou ir para beber e dançar um pouco. Porqu
Ao chegar em casa, Luca desceu do carro e pegou Sofia nos braços. Dwayne parou logo atrás dele, observando com preocupação.— Irmão, ela está fria... E o olhar dela está vazio, sem emoção. Melhor chamar um médico.— Concordo. Vou ligar para o doutor Lewis agora mesmo.Sem perder tempo, Luca levou Sofia para um quarto em frente ao seu. Achou mais seguro mantê-la por perto, caso ela precisasse dele.— O médico chegará em vinte minutos — informou Dwayne. — E agora? Como vai ser? Você pagou caro por ela... Ela vai ser sua mulher ou o quê?Luca suspirou, passando a mão pelo rosto.— A garota é virgem. E não, ela não vai ser minha mulher. Pelo que percebi, não tem pai nem mãe. A única parente de sangue quis prostitui-la. Eu... Eu não sei o que deu em mim, mas algo mais forte do que eu não me deixou ficar ali parado, assistindo o terror nos olhos dela. Cara, não sei explicar.— Então ela está livre para ir embora?— Não! — Luca respondeu de imediato. — Não dá, irmão. Não posso deixá-la ir. E
De repente, mais uma garota chegou, dizendo ser amiga de Sofia. Mas Luca não se deixou enganar. Diferente de Emi, que tinha um olhar doce e sofrido, essa nova garota transbordava ambição e desejo.Ainda assim, ele se manteve em silêncio. Se Sofia ficava feliz ao vê-la, não era hora de intervir. Mas manteria os olhos bem abertos.— Emi, você sabia o que minha tia ia fazer comigo? E você, Soraya, sabia? — Sofia perguntou, sua voz carregada de incerteza.— Não, amiga! Ela não é de contar nada para ninguém! — Emi respondeu prontamente.— V-verdade... Ela nunca fala o que pensa ou o que vai fazer. — Soraya acrescentou, hesitante.Sofia suspirou, confusa.— E agora, o que eu vou fazer? Ela me vendeu para ele, disse que agora ele é meu representante legal... E eu nem o conheço. Estou nessa casa enorme e não conheço ninguém.Um brilho surgiu nos olhos de Soraya quando ela se aproximou.— Eu tive uma ideia... E se você pedisse para ele deixar eu vir morar aqui? Assim, te faço companhia e você
Sofia voltou para a sala um pouco mais animada com a notícia boa, mas na sua mente o beijo de Luca não a deixava em paz.— Meninas, ele deixou, mas, por favor, não podemos abusar. Ele é um homem bem sério.Soraya sorriu animada e puxou Emi pelo braço.— Vamos, Emi, buscar nossas coisas! Amiga, tem algum motorista que possa nos levar e trazer de volta?Sofia hesitou.— Eu não sei...Antes que ela pudesse responder, Luca interveio:— Tem sim, o Eron. Mas, a partir de hoje, ele é motorista da Sofia. Então, ela decide se vocês podem usar o carro.Sofia assentiu.— Tudo bem. Peça para ele levá-las, por favor.Luca chamou o funcionário.— Eron, venha aqui, por favor.— Sim, senhor Moretti. O que deseja?— A partir de hoje, você será o motorista da Sofia. O que ela pedir, faça.— Ok, senhor Moretti. E a senhora, algum pedido?Sofia sorriu gentilmente.— Sim, por favor, leve-as onde precisarem e as traga de volta. Ah, e pode me chamar de Sofia.As meninas partiram, e, logo depois, Dwayne tamb
Luca estava irritado.— Essa Soraya me tira do sério, mas Sofia precisa enxergar com os próprios olhos que essa garota não presta.Dwayne cruzou os braços, pensativo.— Só que a Sofia tem uma essência muito boa, irmão. Vai ser difícil, hein.— Está tudo certo para a festa no sábado? — Luca perguntou, mudando de assunto. — Não quero que nada saia errado. A ONG Novo Florescer precisa dessa arrecadação para expandir e receber mais crianças.— Sim, irmão. Está tudo organizado. Repórteres, buffet, associados... tudo certo.Luca assentiu, satisfeito.— Vou falar com Sofia para comprar um vestido longo para ela e para as amigas. Quero que minha dama seja a mais linda da festa.Dwayne sorriu.— Manda elas para o ateliê Montserrat. O Antuane vai cuidar bem delas. Diz pra ele caprichar na Sofia e na Emi. Aliás, vou convidar a Emi para ser minha acompanhante.Noite da Festa…Dwayne olhou para a escada impaciente.— Nossa, como elas estão demorando.Draco bufou.— Nem me fala. Ainda vou ter que f
Luca acordou com a cabeça a mil e o corpo estranho, formigando. Olhou ao redor e viu Draco e Dwayne dormindo no sofá. Quando olhou para si mesmo, percebeu que estava coberto apenas por um lençol e completamente nu. Franziu a testa, confuso, e virou o rosto para a cama, onde viu uma pequena mancha de sangue misturada a outros fluidos. Ele sabia bem o que aquilo significava.Seu peito se apertou.— Vocês podem me dizer o que aconteceu aqui? — perguntou, alto o suficiente para acordá-los no susto.Dwayne piscou algumas vezes antes de responder.— Irmão, que susto, cara. Vai com calma.Draco coçou a nuca.— É, cara... A noite não foi fácil.Luca sentiu um peso no peito.— Onde está Sofia? E por que estou nu?Draco e Dwayne se entreolharam antes de responder.— Você foi drogado por alguém. Ainda não descobrimos quem foi porque ficamos aqui cuidando de você. Encontramos você nesse estado.Luca passou o dedo pela mancha de sangue na cama, sentindo uma angústia crescente.— Então vocês não s
Soraya passou o dia fora e, quando chegou no meio da madrugada, Irina comentou que ela estava andando de maneira estranha.Sofia tomou um banho e seguiu para o closet, onde escolheu um vestido preto com um decote pequeno e justo no busto, mas soltinho na parte de baixo. Pegou um tênis e uma jaqueta de couro preta. Depois de se arrumar, penteou o cabelo e fez um rabo de cavalo, deixando algumas mechas soltas próximas às têmporas. Finalizou com uma maquiagem leve, pegou o celular e a mochila.Antes de descer, deu algumas batidinhas na porta do quarto de Sofia, mas não recebeu resposta. Então, seguiu para o café, pois não queria se atrasar.— Bom dia, amiga! Boa sorte no primeiro dia — disse Emi, ao abraçá-la.— Bom dia! E onde você vai toda arrumada desse jeito?Emi sorriu animada.— Agora que sou namorada do Dwayne, não posso mais trabalhar na Oásis. Então saí de lá e consegui um emprego em uma loja no Shopping StarRed. Começo hoje. Dwayne me ajudou.Sofia arqueou as sobrancelhas.— Im
Depois da merda que tinha feito, Luca se trancou no escritório e começou a beber. Não percebeu o tempo passar e, depois da quinta garrafa de uísque, viu Sofia entrar no cômodo. Estava apenas de camisola.Ele piscou algumas vezes, tentando focar a visão. Aquilo só podia ser sacanagem.Ela se aproximou, sentando-se de frente para ele, com as pernas abertas. Começou a beijá-lo enquanto puxava a camisola para cima, deixando-se nua em seu colo.Mas algo estava errado.Não, Sofia não faria isso.Ele sacudiu a cabeça para afastar o torpor do álcool e, ao focar melhor a visão, percebeu a verdade. Não era Sofia. Era Soraya.Nua.Se esfregando nele.O nojo e a repulsa tomaram conta de Luca, que imediatamente a empurrou, fazendo-a cair sentada no chão.— Eu sei que você me quer, Luca. Você me deseja, e eu estou aqui para ser sua. Vem, faça comigo o que quiser — sussurrou ela, sedutora, antes de se levantar e tentar se aproximar novamente.Dessa vez, ele não hesitou. Segurou-a pelo braço com firm