Capítulo 2

Ao sair do trabalho, Sofia se deparou com sua tia Ellen esperando por ela.

— Oi, tia, veio buscar minha mãe?

— Sofia, entra no carro! — respondeu Ellen, de forma fria.

Sofia a olhou, mas a tia evitou encará-la. Percebendo o tom ríspido, obedeceu e entrou no carro. O silêncio as acompanhou durante todo o trajeto.

Quando chegaram ao hospital, Sofia franziu a testa, sentindo o coração acelerar.

— Por que estamos aqui, tia?

Mais uma vez, não obteve resposta. Apenas seguiu Ellen pelos corredores, até que pararam diante da mesma sala onde, um mês antes, havia visto seu pai pela última vez. Seu peito apertou.

— O que está acontecendo? — perguntou, sentindo o medo crescer dentro de si.

Ellen suspirou antes de falar:

— Sua mãe me pediu para cuidar de você. Ela estava com câncer há dois anos e, em vez de melhorar com a quimioterapia, só piorou. Sua mãe faleceu há uma hora... Eu sinto muito. Não pude trazê-la a tempo para uma última conversa.

Sofia começou a rir de forma histérica, incapaz de processar a notícia.

— Não pode ser verdade.

Antes que pudesse reagir, Ellen puxou o lençol que cobria o corpo. E então Sofia viu.

A visão da mãe, inerte, da mesma forma como encontrou o pai, fez com que perdesse o ar. Seu corpo ficou dormente, sua visão escureceu, e tudo ao seu redor desapareceu.

Ellen revirou os olhos ao ver Sofia desmaiar.

— Que saco... — murmurou. — Enfermeira, pode me ajudar?

— Claro, senhora, vou levantá-la do chão e...

— Não é isso — interrompeu Ellen, impaciente. — Deixe-a aí. O que preciso é que encaminhe o corpo da minha irmã para este endereço. O carro estará esperando nos fundos do hospital. Avise ao motorista que ele pode seguir direto para o local do enterro. As flores já estão pagas.

A enfermeira hesitou.

— Mas, senhora... e a garota?

— Um amigo meu está vindo buscá-la. Ele chega em cinco minutos.

Antes mesmo de terminar a frase, seu telefone tocou.

— Ah, finalmente! — disse, irritada. Ao atender, viu que Charles já estava lá.

Ele se aproximou e olhou ao redor.

— Cadê o pacote?

Ellen apontou para Sofia, ainda desmaiada no chão.

— Ali. E tenha cuidado... é mercadoria de primeira.

A dor latejava em sua cabeça e em seu cotovelo quando despertou. Piscou algumas vezes, tentando se situar.

— Esse não é o meu quarto. — sussurrou Sofia.

Olhou para a janela e percebeu que já era noite. Antes que pudesse pensar no que havia acontecido, sentiu uma mão afagar seus cabelos. Assustada, virou-se rapidamente e viu uma jovem loira, de olhos claros e aparência gentil.

— Quem é você?

— Me chamo Emilly, mas pode me chamar de Emi. E você é Sofia, certo?

— Sim... sou eu. — A memória voltou como um soco em seu peito. — Meu Deus... minha mãe! Onde ela está? Preciso vê-la!

Emilly abaixou a cabeça, demonstrando pesar.

— Eu sinto muito... mas ela já foi enterrada.

— Não! Isso é mentira! Minha mãe está bem, eu sei que está!

Antes que conseguisse dizer mais alguma coisa, Emilly a envolveu em um abraço apertado. Sofia chorou até adormecer novamente.

Na manhã seguinte, ao acordar, seguiu para o banheiro e tomou um banho quente. Saiu enrolada na toalha, prendeu o cabelo em um coque despojado e vestiu um vestido preto de alcinha, um casaquinho preto e um tênis All Star da mesma cor.

Ao descer para a sala, encontrou sua tia sentada no sofá.

— Bom dia, bela adormecida. Achei que fosse dormir para sempre.

Sofia ignorou o tom sarcástico e foi direto ao ponto:

— Tia, são sete horas da manhã. E tenho uma pergunta... Por que não participei do enterro da minha mãe? Era meu direito como filha.

Ellen suspirou revirando os olhos, como se já esperasse essa pergunta.

— Amorzinho, você não se lembra? Você teve uma crise nervosa e foi medicada. A médica disse que não podíamos demorar muito para enterrá-la, por causa do motivo da morte.

Sofia sentiu o estômago revirar, mas assentiu, relutante.

— Tudo bem, tia... Me desculpe se fui grossa.

— Tudo bem, amorzinho. Agora somos só nós duas. Vou cuidar muito bem de você. Vem cá, me dá um abraço.

Sofia hesitou antes de aceitar o abraço. Mas, ao ser envolvida pelos braços da tia, sentiu algo diferente...

Como se estivesse caindo em um abismo sem volta.

E no fundo dele, o que a esperava?

Ao se afastar de Sofia, Ellen seguiu até seu escritório, onde Soraya já a esperava.

— O que foi, Ellen? Pode falar.

Ellen sorriu, cruzando as pernas.

— Minha sobrinha inútil está morando comigo agora. Mas a garota parece doce e inocente... o que significa que é uma mina de ouro. Antes de qualquer coisa, quero que se aproxime dela. Quero que vire amiga dela.

Soraya arqueou uma sobrancelha.

— Amiga?

— Sim. Quero saber tudo sobre ela. Se ainda é virgem, se tem namorado... Quanto mais informações conseguirmos, melhor para mim. Além disso, leve-a para comprar roupas novas. Algo sexy. Depois a leve para o salão. Vou te dar meu cartão de crédito. Quando terminarem, me entregue.

Soraya riu.

— Você vai gastar seu dinheiro com essa garota? Está doida?

Ellen deu um sorriso malicioso.

— Eu vou ganhar muito mais do que vou gastar. Especialmente se ela for "pura".

Soraya arregalou os olhos e depois sorriu.

— Agora sim, entendi.

— Então, ande logo. Não quero que ela passe tempo demais com a Emilly. Aquela menina é mole demais.

Enquanto Sofia encarava a parede da sala, viu uma mulher morena e muito bonita entrar no ambiente.

— Olá. Procura alguém? Qual é o seu nome?

— Me chamo Soraya. E você deve ser Sofia. Muito prazer! — Ela sorriu. — Vim te levar para o shopping. Você precisa sair um pouco dessa casa. Já faz quase dois meses que está aqui. Vai ser legal, confia em mim.

Sofia piscou, surpresa.

— Dois meses...? Nossa, não tinha percebido. Mas antes preciso passar na escola, ver se passei de ano.

— Sem problemas! Ah, e não se preocupe com dinheiro. Sua tia me deu o cartão dela e disse que você pode usar à vontade.

Sofia hesitou.

— Você trabalha para a minha tia?

— Sim, mas hoje estou de folga. Então, vamos?

Ela concordou, sem energia para discutir.

Após passar na escola e descobrir que havia concluído o ensino médio, foram ao shopping. Soraya era animada e convincente. Se estivesse sozinha, Sofia jamais teria comprado aquelas roupas — eram muito mais provocantes do que estava acostumada.

Depois seguiram para a uma loja de fast food.

— Então, me conta sobre você... Está namorando? Já passou para a próxima base?

Sofia corou.

— Nunca namorei ninguém. Sempre estive focada nos estudos e no trabalho.

Soraya riu.

— Então, você é virgem?

— Ei! Não fala isso alto!

— Desculpa, gata. Mas você é linda, achei que já estivesse "rodando" por aí.

Sofia ficou vermelha de vergonha.

— Não! Nunca fui para a cama com ninguém. Vamos embora.

Ao se encontrar com Soraya, Ellen perguntou ansiosa:

— E então?

Soraya sorriu.

— Ela é virgem como a Virgem Maria.

Ellen sorriu de volta.

— Perfeito. Vamos começar os preparativos para o leilão.

Ellen esfrega as mãos animada.

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