Marcelo.— Eu conheci a Thalia no hospital no dia em que fui conhecer seu filho, Mateus. — Olhei para o meu irmão.Ele havia se sentado na cadeira vaga ao lado de Catarina.— Ela estava passando mal, então a ajudei.— Um bom samaritano? — Meu irmão debochou e eu lhe dei o dedo.Algo muito maduro, eu sei.— Por que não a levou para ser atendida por um médico ou enfermeiro? — questionou minha prima.Soltei um suspiro, eu queria fazer isso, mas a teimosa da Thalia não aceitou.— Ela havia acabado de sair de uma consulta médica e se recusou a voltar para a sala do médico que a havia atendido. Então, apenas a auxiliei para que não desmaiasse e algo mais grave acontecesse. — Isso foi gentil da sua parte, mano. Mamãe sempre nos ensinou a ajudar e respeitar o próximo. — Podia sentir o orgulho na voz de meu irmão.Assenti e meus olhos focaram em Catarina. Ela era mais arredia, desconfiada, então eu sabia que iria tirar tudo que pudesse de mim para ter a certeza de que eu não havia caído em u
Marcelo.— Sei disso e preciso contar a verdade, mas estamos nos dando tão bem e construindo uma linda amizade que agora temo que se afaste quando souber a verdade. Thalia não se permite ser ajudada, ela acha que precisa lidar com tudo sozinha. Não é uma aproveitadora, mas pensa que é se aceitar algo. Saber que sou o dono do hotel pode fazer com que se afaste e não quero ficar longe dela.— Isso é fodido, irmão. — Concordei com um meneio de cabeça.— Sei que devia ter sido honesto desde o início, mas agora... — me calei. Estava em conflito interno e temia perder Thalia. Eu havia me apegado a ela e só a possibilidade de não a ter mais me sufocava.— Não acredito que ela vá deixá-lo. — Minha prima tentou ser positiva. — Se Thalia é como diz, irá entender. Você não a enganou, apenas deixou as coisas seguirem seu rumo. Ela perguntou em que você trabalhava? — Neguei com a cabeça. — Então, se ela tivesse perguntado, você teria dito.— Sim, mas também poderia ter dito quando a encontrei no
Thalia.Dois dias depois...Acordei com o estômago revirado. Desde que amanheceu, eu estava debruçada no vaso, colocando tudo o que eu não tinha para fora. Minha cabeça estava doendo e parecia que um carro havia passado por cima de mim.— Deus, eu não aguento mais.Fechei a tampa da privada e dei descarga. Sentei-me e comecei a chorar.— Thalia? — ouvi meu nome ser chamado, mas me mantive no mesmo lugar, chorando e pedindo a Deus que a ânsia parasse.— Thalia?!Não demorou para que Marcelo surgisse na porta do meu quarto e corresse até mim. Não me ative ao fato de ele ter entrado na minha casa sem que eu tivesse aberto a porta para ele, mas sim agradeci por ter alguém para me ajudar.Eu estava morrendo.— O que houve? — Ele me ajudou a levantar.— Não aguento mais vomitar. — Meu choro se tornou alto e ele me abraçou. — Minha cabeça está doendo muito e minha barriga também.— Calma. Vamos tomar um banho e eu vou te levar para o hospital, tudo bem?— Não, eu tenho consulta hoje. — Tente
Thalia Retirei o sabão do meu corpo e ele me enrolou na toalha. Saímos do banheiro.— Se sente melhor? — Me sentou na cama.— Sim. — Falei para não o deixar tão preocupado, mas a verdade era que minha cabeça ainda está um pouco pesada.— Já tomou café? — Me entregou outra toalha para secar os cabelos.— Não. Não consegui comer. — Levantei-me e fui até o guarda-roupa. Peguei o sutiã, a calcinha, um short e um vestido longo, com estampas de flores brancas com o fundo azul.Marcelo se manteve de costas enquanto eu me trocava.— E comeu que horas ontem?Fiquei calada porque não havia comido. Estava enjoada e nada do que havia aqui em casa me agradou.— Thalia...— Eu almocei a comida que você pediu para mim, mas estava sem fome à noite, então só tomei um copo de suco de laranja e fui dormir.— Céus... — Ele se virou quando disse que já havia me trocado.— Está grávida, mulher teimosa. Não pode ficar sem comer. — brigou e meus lábios tremeram. Estava sensível e tudo era motivo para chorar
Marcelo.Thalia estava cada vez mais pálida e isso já começava a me deixar aflito. Sabia que vomitar nos primeiros meses de gravidez era normal, presenciei a gravidez de Mariah e até sei que isso é um dos sintomas de gravidez, mas não do modo como ela estava vomitando.Nada parava em seu estômago e ela começava a perder peso.Hoje seria seu primeiro dia de pré-natal e eu iria acompanhá-la, já havia acertado tudo e ela não havia me negado isso. Acredito que gostou do meu oferecimento, pois não havia ninguém para acompanhá-la. Vivian não podia se ausentar da creche de cachorro e Thalia não possuía mais amigos.Assim que acordei, liguei para Raquel e pedi que desmarcasse todos os meus compromissos de hoje, pois passaria o dia com Thalia. Depois de falar com minha secretária, tomei banho, me troquei e tomei café. Dispensei o motorista e segui no meu carro direto para a casa de Thalia, apenas parando em uma padaria para comprar bolo, pão, queijo, leite e suco de laranja. Havia visto que su
Marcelo.— Oi, mano, como está? — Mateus, meu irmão mais velho, chegou quando a enfermeira levava Thalia para a ala médica. Eu já estava passando os dados dela para a recepcionista.— Preocupado. Thalia tem passado muito mal desde que descobriu a gravidez.Seu rosto se tornou pesaroso.Ele tocou meu ombro.— De quantos meses ela está?— Dois, parece que vocês medem as gestações por semanas e ela está para completar doze semanas.— Sim, isso corresponde a dois meses mais ou menos. O que ela tem sentido? Não quer entrar com ela?— Eu posso? — Meu tom se elevou um pouco. — Não sou nada dela e... não sei se ela me quer lá dentro.— Você me disse há dois dias que iria acompanhá-la no pré-natal, você a trouxe e está quase tendo um treco de tão preocupado, acha mesmo que, estando tão mal, ela vai querer ficar sozinha?Soltei um suspiro.— Tem razão. Ela tem vomitado muito e tem sentido muita dor de cabeça. Quase desmaiou também.— Certo. Tem mulheres que têm o que chamamos de hiperêmese grav
Thalia.A enfermeira me ajudou a deitar na maca e depois me cobriu da cintura para baixo, depois pegou meu braço e colocou o acesso do soro. Aplicou um conteúdo no cateter que se conectava à bolsa de soro e pediu que eu ficasse quieta e descansasse, que ela logo voltaria para me ver e conferir se os remédios estavam fazendo efeito.— Eu... o rapaz que veio comigo não pode ficar aqui? Não queria ficar sozinha.— Acredito que a doutora o deixe entrar. Mas não se esforce, está fraca e precisa repousar.Assenti e ela saiu da sala.Fechei os olhos, levei a mão à barriga. Estava tonta e a ânsia de vômito não havia passado. Andreia Monteiro, a médica que me atendeu, disse que passaria um remédio para dor de cabeça e outro para o vômito. Eram remédios que eu poderia tomar, mesmo estando gestante, e esperava que logo fizessem efeito. Ela me dissera que a dor de cabeça se dava ao esforço para vomitar e pela falta de água no meu organismo. Estava desidratada e precisava repor os sais minerais pe
Marcelo.Thalia seguiu dormindo por algumas horas enquanto eu velava seu sono. A médica havia vindo vê-la, mas, como ela estava dormindo, preferiu não acordá-la. Trocou seu soro e nos deixou sozinhos. Sua palidez havia dado uma pequena melhora e isso era um bom sinal.Soltei um suspiro e recostei minha cabeça na cadeira. Ouvi a porta ser aberta e ergui a cabeça, vendo meu irmão passar por ela.— Como ela está?Esfreguei o rosto com as mãos e me levantei.— Bem. Já está dormindo há mais ou menos duas horas. Ela estava exausta.— Também precisa descansar. Vamos tomar um café.Olhei para Thalia. Não queria deixá-la sozinha.— Ela está bem, irmão. Se você quer seguir com isso, se está de fato gostando dela e pretende seguir com, seja lá o que estão tendo, tem que ficar bem. Pelo que me contou, ela não tem muitas pessoas para se apoiar e você está se tornando uma peça fundamental na vida dela.— Sei que sim. Tudo entre nós foi tão repentino e, ao mesmo tempo, tão certo, irmão. Eu... Gosto