Capítulo 32.Marcelo.— Quer que chamemos uma ambulância ou algo do tipo?— Não precisa, logo estarei melhor. — Foi Thalia quem respondeu.— Obrigado. Pode voltar a fazer o seu trabalho, peça desculpa a todos por nós, por favor. Sei o quanto é chato algo desse tipo quando se está fazendo uma refeição.— Não se envergonhem, isso é completamente normal na condição dela. Sua esposa está gerando uma vida e isso é uma dádiva, não há do que se envergonhar.Sorri, grato, tanto por suas palavras de compreensão como por ele dizer que Thalia era minha esposa.Isso parecia tão certo que me deixou com uma sensação boa no peito.— Me desculpe por isso. — Thalia parecia sentida.— Está tudo bem. — Falei, ajudando-a a ficar de pé e tocando seu rosto com delicadeza, lhe oferecendo um sorriso caloroso e reconfortante. Depois, virei-me para o garçom e o agradeci mais uma vez.O rapaz nos deixou sozinhos e fiquei confortando-a até que sua onda de enjoo passasse e ela pudesse se sentir melhor.— Vou te e
Marcelo.Vaguei pelas ruas de São Paulo por longos minutos, horas. Thalia mantinha sua atenção nas imagens que surgiam pela janela do carro, enquanto eu criava que sua mente vagava para longe dali. Estávamos em silêncio desde que saímos do restaurante e isso estava me deixando inquieto.Sempre que algo saía do controle, as pessoas surtavam, brigavam, falavam sem parar. Mas Thalia se fechava em si e repassava tudo em sua mente, discutindo consigo mesma o que errara para merecer isso. Sabia que essa era uma forma errada de agir e sentir.Falar, se expressar, dividir seus problemas não nos ajuda a resolvê-los, mas alivia o peso que eles causam em nós. Aprendi isso na prática. As dores nos sufocam e, sem alguém para nos estender a mão, tendemos a nos colocar em um precipício sem nem percebermos.Aconteceu exatamente isso comigo no passado e, se não fosse a minha família a me ajudar a sair da escuridão que me tomou, eu não saberia dizer o que seria de mim hoje. Talvez nem vivo eu estivesse
MarceloEla suspirou, parecendo carregar o peso de uma vida inteira naquele único gesto.— Você não me conhece. Não sabe o que eu carrego, Marcelo. Sua vida é perfeita, enquanto a minha... eu nem sei como será o dia de amanhã.— Você tem um emprego agora, não é? — Lembrei-a e ela abriu um sorriso tímido. — Pode achar que minha vida é perfeita, mas eu sei o que é ser traído, o que é sentir que o mundo inteiro virou as costas. Também sofri, Thalia. Meu passado é doloroso, sombrio até, mas ter pessoas ao meu lado me ajudou a superar e sei que isso também ajudará você.— Vivian me ajuda bastante. — sorri. Ela já tinha me falado de sua amiga.As duas eram próximas, mas Thalia escondia muita coisa. Ela buscava não levar seus problemas para sua amiga, pois acreditava que estava se aproveitando dela. Pelo que me falou, Vivian sempre a ajudava, mas a jovem diante de mim carregava um sentimento de culpa que a consumia. Era como se, ao aceitar ajuda, ela estivesse acrescentando mais peso à própr
Marcelo.— Por que essa dor parece não ter fim, Marcelo? — Sua voz saiu abafada por estar com o rosto grudado em meu peito. — Por que minha vida tinha que ser tão ferrada? Por que eu tive que engravidar de um homem casado? Por quê? Eu sou tão burra.Afastei-me e toquei seu rosto.— Você não é burra. Diego, que é um canalha, filho da puta.— Eu sei, é só que...Limpei suas lágrimas.— Essa sensação de tristeza, essa dor, é por ter sido enganada, Thalia, é culpa. Você se culpa por ter se deixado enganar, quando, na verdade, não teve culpa alguma.— Eu deveria ter investigado, buscado saber se ele era realmente solteiro. Deveria ter enrolado mais antes de ceder. Fui tão fraca em relação a isso, Marcelo. — Sua voz saiu angustiada. — Como pude me deixar envolver e cair tão fácil assim?Doeu-me a dor transmitida em sua voz, era a mesma dor que senti quando fui enganado por Andressa no passado. Deixar uma pessoa entrar em seu coração para depois descobrir que foi a pior escolha é terrivelmen
Marcelo.Sem domínio próprio, juntei nossos rostos e tomei seus lábios nos meus. Thalia abriu os lábios, dando-me acesso ao interior de sua boca gostosa. Ao sentir seu sabor em minha boca, foi como atingir o céu. Meu corpo entrou em combustão e meu pau pulsou na cueca. Senti seus braços em meu pescoço e seu corpo colar no meu, sua boca emitia sons baixos. Eram gemidos de deleite. De prazer. Devorei seus lábios como um sedento por água em meio ao deserto escaldante. Fazendo-a andar para trás até estar presa entre mim e o carro. Minha língua brincava com a dela, duelando por espaço, eu queria mais, queria tomá-la por inteiro.Segui beijando-a, tomando tudo dela. Minhas mãos desceram para sua bunda farta e a pressionei, flexionando um pouco os joelhos e fazendo meu pau roçar na frente de seu jeans. Ergui uma de suas pernas e ela a prendeu em minha cintura, deixando nossos sexos encaixados, embora ainda estivéssemos vestidos.Queria estar nu e poder me enfiar nela até que estivesse sem f
Thalia.Finalizei a ligação para Vivian assim que a viatura parou em frente à delegacia. Ela me disse que entraria em contato com Arthur. Marcelo também já havia ligado para seu advogado, ele iria nos encontrar aqui.O guarda que nos atuou abriu a porta para descermos. Marcelo desceu primeiro e depois estendeu a mão, ajudando-me a sair do carro. Ao estar do lado de fora do automóvel, projetei meu corpo para trás do de Marcelo, na tentativa de me proteger e me esconder da vergonha, ao mesmo tempo. O outro policial se aproximou e nos mandou seguir para dentro da delegacia. Lá, encontramos alguns delinquentes algemados e mais alguns policiais. Ele seguiu para dentro da delegacia e nos levou direto para a sala do delegado. Bateu na porta e depois a abriu quando a autoridade maior daquele lugar o mandou entrar.— Senhor, detivemos esses dois indivíduos por ato obsceno. Eles estavam transando em rua pública.— Não estávamos transando na rua! — Marcelo nos defendeu. Ele apertava a minha mão
Thalia.Ao chegarmos ao lado oeste da delegacia, Garcia me empurrou e me prendeu contra a parede.— Se for boa comigo, não te farei mal. — Seu sorriso me deu nojo. Sua mão pousou no meu peito direito e fui tomada por uma onda nauseante. Tive que me esforçar para não vomitar sobre ele.— Posso deixar você e aquele mauricinho do seu namorado livres e sem processo algum se me chupar como a boa vadia que é. Poderia te foder e mostrar como um homem de verdade come uma mulher como você, mas não temos tempo. — Meus olhos queimavam e as lágrimas caíam livres.Quantas mulheres ele não já havia submetido a isso com a esperança de salvar quem elas amavam da cadeia? Mas ele não detinha esse poder, era somente mais um policial, quem ditava as ordens era o delegado. Agora eu conseguia pensar direito e buscaria um jeito de fugir dele.— Seja uma cadelinha obediente e mame o meu pau.Nojo, foi o que senti diante de suas palavras sujas. Da sua boca só saíam coisas nojentas.Ele era nojento.
Thalia Nós nos viramos e seguimos para fora da delegacia. Já estava alcançando os degraus quando Vivian surgiu em meu campo de visão, correndo e sendo seguida por seu marido.— Ai, meu Deus, amiga. — Me abraçou. Apertei meus braços ao redor de seu corpo magro e desfrutei de seu abraço reconfortante.— Vim o mais rápido que pude. — Tocou meu rosto e me deu mais um abraço.— Obrigada, tudo já está resolvido. — Afastei-me e olhei para Marcelo, que assentiu.— Como você está? — perguntou, segurando minha mão esquerda. Ela me abraçava de lado.Seguimos em direção ao carro e comecei a relatar tudo o que passei nas últimas horas. Vivian quase entrou na delegacia só para socar a cara do policial que me atacou.— Eu quero matá-lo. — grunhiu.— Digo o mesmo. Perderia meu réu primário com alegria se pudesse enviar aquele miserável para o inferno. — Marcelo seguia furioso.— Já passou, não quero mais pensar nisso. Quero apenas um banho, comer e dormir.— Céus, você deve estar a ponto de desmaiar