Guilherme narrando :Fiquei ali, olhando pro celular, girando ele entre os dedos. Esses anos todos, nunca movi um dedo pra saber da Camila. Enterrei esse passado, ou pelo menos tentei. Mas agora, sabendo que eu tava indo pra cidade dela, alguma coisa dentro de mim despertou.Soltei um suspiro pesado e desbloqueei o telefone. Rolei a lista de contatos até encontrar o número do Medeiros, meu advogado de confiança. Apertei pra ligar e esperei.— Doutor Medeiros falando.— Medeiros, sou eu, Guilherme. Preciso que você descubra uma coisa pra mim.— Claro, Guilherme.O que seria?Passei a mão no rosto antes de falar.— Quero que descubra tudo que puder sobre uma pessoa, vou te mandar o nome dela completo e o endereço que eu sabia de uma casa de praia da família dela. Eu quero saber de tudo, onde mora, o que faz da vida… qualquer informação.Houve um breve silêncio do outro lado da linha antes dele responder.— Entendido. Vou levantar essas informações e te retorno assim que tiver algo.— Óti
Guilherme narrando :Na manhã seguinte, acordei mais cedo do que o normal. A verdade é que mal consegui dormir. A ideia de descobrir qualquer coisa sobre Camila estava me corroendo por dentro.Fiz minha rotina sem pressa, vesti um terno escuro e saí em direção ao escritório. Assim que entrei, pedi um café forte pra secretária e fui direto pra minha sala.Poucos minutos depois, Medeiros chegou. Ele era discreto, eficiente e não fazia perguntas desnecessárias, o que era exatamente o que eu precisava.— Conseguiu alguma coisa? — perguntei, tentando parecer indiferente, mas minha mão fechada em punho sobre a mesa mostrava o contrário.Medeiros abriu uma pasta e puxou alguns papéis.— Consegui sim. Meu coração ainda tava acelerado com a informação sobre a Camila, mas tentei manter a expressão neutra enquanto Medeiros continuava.— O pai dela vendeu tudo, está completamente falido. O outro filho dele, Marcelo, morreu assassinado por causa de dívidas.Eu encarei ele, absorvendo cada palavra
Guilherme narrando :Peguei o celular e abri a conversa com Medeiros. Ele ainda não tinha me mandado nenhuma atualização sobre Camila, e isso estava começando a me incomodar.Resolvi ligar. Ele atendeu no segundo toque.— Alguma novidade? — fui direto ao ponto.— Ainda nada concreto, Guilherme. Meu contato no Rio tá levantando umas informações, mas me garantiu que até amanhã me manda alguma coisa.Fechei os olhos e passei a mão no rosto, respirando fundo.— Amanhã eu já tô no Rio. Se precisar, eu mesmo vou atrás.— Acho que não vai ser necessário, mas qualquer coisa eu te aviso.— Beleza.Desliguei a chamada e encostei na cadeira, encarando a vista pela janela do meu escritório.Sete anos. Sete anos sem saber nada sobre ela. E agora, de repente, eu estava voltando pro lugar onde tudo começou.Levantei e peguei meu paletó. Se minha mãe já tinha arrumado minha mala, eu podia ir direto pra casa, tomar um banho, descansar um pouco e seguir pro aeroporto.Saí do escritório decidido. Eu ia
Camila narrando :O dia no trabalho foi como sempre: corrido, mas tranquilo. Passei a tarde servindo café, organizando as coisas na copa e ouvindo as conversas que rolavam pelos corredores. A fofoca do momento era sobre o novo dono da empresa, que chegaria em breve pra assumir tudo. Algumas funcionárias estavam animadas, outras preocupadas, mas eu só queria continuar fazendo meu trabalho e garantir meu salário no fim do mês.Quando bateu o horário, fui até o vestiário, troquei de roupa e saí. Caminhei até o elevador e, assim que as portas abriram, dei de cara com Eduardo. Ele tava escorado no fundo, mexendo no celular, mas assim que me viu, abriu um sorriso.— Oi, Camila. Tá indo embora agora?— Sim, tô indo pra casa — respondi, me encostando na parede do elevador.Ele guardou o celular no bolso e me olhou com atenção.— Quer carona? Tô com o carro lá embaixo.Balancei a cabeça.— Não precisa, eu moro perto, vou caminhando.— Ah, mas eu insisto — ele sorriu de lado. — Não custa nada t
Guilherme narrando :Eu cheguei no Rio já tarde, o voo tinha se atrasado um pouco, mas nada que me tirasse do sério. O importante era que eu estava ali, pronto para resolver o que precisava. Quando desembarquei, vi o Eduardo esperando por mim, aquele cara sempre foi bem pontual.— E aí, irmão, tudo certo? — Ele perguntou, puxando minha mala.— Tudo certo, mano. Vamos logo que tenho que resolver um monte de coisa — respondi, ajeitando minha jaqueta. O Rio já estava silencioso, a cidade parecia que já estava adormecida. O som do carro na estrada e as ondas ao fundo eram tudo o que eu ouvia.— Eu já reservei o hotel, mas se você preferir ir direto para a empresa amanhã, podemos passar lá primeiro — Eduardo sugeriu, olhando de vez em quando para o retrovisor.— Não, vou descansar hoje. Amanhã a gente resolve isso. Preciso estar de boa para encarar tudo — falei, mais para mim mesmo do que para ele. Não estava no clima de correr atrás de mais nada agora.Quando chegamos no hotel, me despedi
Camila narrando :Acordei cedo, como sempre. O sol ainda estava fraco, mas a rotina não esperava. Levantei da cama e fui direto para o banheiro, tomei um banho rápido, tentando despertar de vez. Quando saí, Gabi ainda estava dormindo, abraçada ao ursinho de pelúcia. Fiquei ali por um instante, admirando a carinha tranquila dela, até que decidi acordá-la.Chamei ela baixinho, mexendo no cobertor para que ela despertasse aos poucos.— Gabi, filha... já tá na hora de acordar, vamos tomar banho, menina.Ela abriu os olhinhos, me olhou com aquele olhar preguiçoso de quem não queria sair da cama e fez aquele biquinho. Eu ri, porque sabia que em instantes ela estaria pulando de um lado para o outro, cheia de energia.Fui pegar a toalha e, enquanto ela ainda estava se espreguiçando, fui ligando a água do chuveiro. A água morna logo fez ela sorrir e, antes que eu percebesse, já estava me pedindo para jogar a espuma do sabonete na parede, como sempre fazia.— Mãe, olha, tô fazendo a parede vira
Camila narrando :Eu entrei na sala, equilibrando a bandeja com as xícaras de café. O Eduardo estava conversando com um homem moreno, de costas para mim. Eles pareciam concentrados no assunto e nem notaram minha presença.Coloquei as xícaras sobre a mesa com cuidado, sem querer interromper. Mas, no instante em que olhei para aquele homem, meu coração deu um salto. Tinha algo familiar nele. O jeito de se movimentar, a postura… Me lembrou o Guilherme.Engoli seco. Não podia ser. Era só impressão minha. Fazia anos que eu não via ele. O Eduardo me lançou um olhar rápido e fez um sinal com a mão, um simples gesto de agradecimento. Sem dizer nada, virei e saí da sala, mantendo a calma.Saí da sala sem fazer barulho, mas meu coração batia acelerado. Voltei para a copa e tentei me concentrar no trabalho. Mas a curiosidade ficou ali, me incomodando. Por que justo hoje, com a chegada desse novo dono, eu tive que lembrar do passado?Continuei minha rotina, limpando as bandejas e organizando tudo
Guilherme narrando :A manhã passou rápido, entre uma reunião e outra. As discussões sobre a nova gestão da empresa estavam a todo vapor, e eu precisava me concentrar. O Eduardo estava lá, como sempre, tomando as rédeas da situação e fazendo com que tudo se encaixasse. Eu só estava ali pra dar as ordens finais, como sempre.Já estava dando o horário do almoço, eu estava com fome, sai pra almoçar em algum lugar e depois ia atrás de notícia da Camila. Sai da empresa e entrei no carro ainda com a cabeça cheia. O trânsito do Rio estava infernal, mas nem era isso que me incomodava. Quando de repente uma doida entrou na frente do carro e eu quase atropelei ela.Era ela.Camila.Eu tinha certeza que era ela. Mesmo depois de tantos anos, eu reconheceria aquele rosto em qualquer lugar.Apertei o volante com força. O que ela tava fazendo aqui? Como uma mulher que cresceu cercada de luxo agora tava com uma roupa simples andando a pé.Bati a mão no painel do carro, frustrado. O destino tinha um