Guilherme narrando:Esses sete anos passaram voando, mas também, cada um deles foi uma eternidade. Eu nunca consegui esquecer a Camila, nem por um segundo. No começo, cara, foi difícil demais. Eu me sentia perdido, vazio, sem rumo. Tudo o que eu mais queria era voltar no tempo, voltar pra ela, aceitar as desculpas, tentar consertar o que tinha acontecido. Mas eu sabia que não tinha mais jeito, que ela tinha me traído e que eu tinha que esquecer ela. A dor era constante, tipo uma faca no peito que não parava de apertar. Tentei seguir minha vida, estudar, trabalhar, mas tudo parecia sem sentido.Minha mãe sempre foi minha conselheira. Ela via o quanto eu sofria e tentava me dar força, dizia que eu tinha que seguir em frente, que a vida ia me mostrar o caminho. Ela até tentou me arranjar umas namoradinhas, mas eu não conseguia gostar de ninguém como eu gostava da Camila. Não era nem questão de comparações, era que no fundo eu sabia que ela era única pra mim. O amor que eu sentia por ela
Guilherme narrando :Continuação :Eu fico pensando, com certeza a Camila deve ter casado com algum filho de papai, desses caras que só querem ostentar, vive de luxo e vida fácil. Acho que ela deve estar por aí, vivendo a vida de dondoca, sem ter que se preocupar com nada. Deve estar em algum apartamento cheio de regalias, comendo fora todo dia, indo a eventos chiques, enquanto eu aqui, construí minha vida do zero. Sei que ela deve ter se acomodado, trocado as dificuldades por um mundinho perfeito, onde tudo é fácil e confortável.Eu até fico pensando se ela se arrependeu de não ter ficado comigo, mas sei lá... talvez ela tenha encontrado alguém que a preenche de um jeito que eu nunca conseguiria. Ela, que sempre quis uma vida boa, sempre sonhou com o melhor, deve ter encontrado seu príncipe encantado, alguém que a tratasse como ela achava que merecia. Eu, no fim das contas, estou aqui, construindo um império, mas me falta o que mais importava, o que sempre esteve na minha mente: ela.
Camila narrando :Eu dei um beijo na testa da Gabi antes de vê-la correr pro pátio da escola. Ela estava crescendo rápido demais, já não precisava que eu a acompanhasse até a sala. Me dava um orgulho enorme ver minha filha ali, estudando, sonhando, sendo feliz.Respirei fundo e ajeitei a bolsa no ombro antes de seguir meu caminho. Ainda bem que meu trabalho ficava perto e eu não precisava gastar com passagem. Cada centavo que eu economizava era pra garantir que nada faltasse pra Gabi.O sol ainda tava ameno, e o vento da manhã fazia meu cabelo voar um pouco enquanto eu caminhava. Eu gostava desse trajeto, por mais simples que fosse. Era um momento meu, em que eu podia respirar, pensar, organizar na minha cabeça tudo o que eu precisava fazer no dia.Trabalhar como copeira não era o que eu sonhei pra mim, mas era um emprego digno, e eu fazia tudo com capricho. Eu nunca tive luxo, mas também nunca fui preguiçosa. Já lavei banheiro, já limpei chão, já fiz de tudo um pouco. O que importava
Camila narrando :Segui meu trabalho normalmente, tentando esquecer a conversa com o rapaz do administrativo. Mas era difícil. Sempre que passava por aquela sala, sentia os olhares dele sobre mim.Mais tarde, quando já estava organizando as coisas na copa, um dos assistentes administrativos apareceu na porta.— Camila, o Eduardo pediu um café.Parei o que estava fazendo e assenti.— Já vou levar.Preparei a bandeja com a xícara, um pires e uma jarra de café fresco. Caminhei até a sala onde ele estava, batendo levemente na porta antes de entrar.— Com licença, senhor Eduardo. Seu café.Ele levantou os olhos do computador e sorriu.— Ah, que bom. Já estava sentindo falta.Coloquei a bandeja sobre a mesa, mas quando fui me afastar, ele me chamou:— Camila, né?Parei e olhei para ele.— Sim, senhor.Eduardo se recostou na cadeira, ainda me observando.— Você trabalha aqui há muito tempo? Estou aqui a dois dias e nunca te vi antes.— Já faz uns três anos. Mas eu fico mais na copa e nas ent
Guilherme narrando :Jamile estava sentada à minha frente, folheando o cardápio com um sorriso satisfeito. Eu, por outro lado, não conseguia me concentrar em nada. Meu humor já não estava dos melhores, e a viagem para o Rio na próxima semana só piorava tudo.— Você tá com a cara fechada de novo, Guilherme — ela disse, pousando o cardápio. — Tá pensando no trabalho?— Sempre, né? — respondi, pegando meu copo d’água.— Você anda estranho esses dias. Desde que soube que vai pro Rio, aliás — ela disse, me encarando.Fechei os olhos por um instante, respirando fundo.— Eu não gosto daquele lugar, Jamile. Você sabe.— Mas já faz sete anos, amor. Você precisa superar.Soltei uma risada sem humor.— Superar? Acha que é simples assim?— Você tá namorando comigo há mais de um ano, tem um império nas mãos, pode ter qualquer mulher que quiser… E ainda se deixa afetar pelo passado?A forma como ela falou me irritou.— Não é só sobre o passado. É sobre tudo que aquele lugar me lembra.Ela bufou, cr
Guilherme narrando :Fiquei ali, olhando pro celular, girando ele entre os dedos. Esses anos todos, nunca movi um dedo pra saber da Camila. Enterrei esse passado, ou pelo menos tentei. Mas agora, sabendo que eu tava indo pra cidade dela, alguma coisa dentro de mim despertou.Soltei um suspiro pesado e desbloqueei o telefone. Rolei a lista de contatos até encontrar o número do Medeiros, meu advogado de confiança. Apertei pra ligar e esperei.— Doutor Medeiros falando.— Medeiros, sou eu, Guilherme. Preciso que você descubra uma coisa pra mim.— Claro, Guilherme.O que seria?Passei a mão no rosto antes de falar.— Quero que descubra tudo que puder sobre uma pessoa, vou te mandar o nome dela completo e o endereço que eu sabia de uma casa de praia da família dela. Eu quero saber de tudo, onde mora, o que faz da vida… qualquer informação.Houve um breve silêncio do outro lado da linha antes dele responder.— Entendido. Vou levantar essas informações e te retorno assim que tiver algo.— Óti
Guilherme narrando :Na manhã seguinte, acordei mais cedo do que o normal. A verdade é que mal consegui dormir. A ideia de descobrir qualquer coisa sobre Camila estava me corroendo por dentro.Fiz minha rotina sem pressa, vesti um terno escuro e saí em direção ao escritório. Assim que entrei, pedi um café forte pra secretária e fui direto pra minha sala.Poucos minutos depois, Medeiros chegou. Ele era discreto, eficiente e não fazia perguntas desnecessárias, o que era exatamente o que eu precisava.— Conseguiu alguma coisa? — perguntei, tentando parecer indiferente, mas minha mão fechada em punho sobre a mesa mostrava o contrário.Medeiros abriu uma pasta e puxou alguns papéis.— Consegui sim. Meu coração ainda tava acelerado com a informação sobre a Camila, mas tentei manter a expressão neutra enquanto Medeiros continuava.— O pai dela vendeu tudo, está completamente falido. O outro filho dele, Marcelo, morreu assassinado por causa de dívidas.Eu encarei ele, absorvendo cada palavra
Guilherme narrando :Peguei o celular e abri a conversa com Medeiros. Ele ainda não tinha me mandado nenhuma atualização sobre Camila, e isso estava começando a me incomodar.Resolvi ligar. Ele atendeu no segundo toque.— Alguma novidade? — fui direto ao ponto.— Ainda nada concreto, Guilherme. Meu contato no Rio tá levantando umas informações, mas me garantiu que até amanhã me manda alguma coisa.Fechei os olhos e passei a mão no rosto, respirando fundo.— Amanhã eu já tô no Rio. Se precisar, eu mesmo vou atrás.— Acho que não vai ser necessário, mas qualquer coisa eu te aviso.— Beleza.Desliguei a chamada e encostei na cadeira, encarando a vista pela janela do meu escritório.Sete anos. Sete anos sem saber nada sobre ela. E agora, de repente, eu estava voltando pro lugar onde tudo começou.Levantei e peguei meu paletó. Se minha mãe já tinha arrumado minha mala, eu podia ir direto pra casa, tomar um banho, descansar um pouco e seguir pro aeroporto.Saí do escritório decidido. Eu ia