Capítulo 31Camila narrando Quando o Guilherme disse que eu podia ficar, senti um alívio tão grande que quase chorei de novo. Mas me segurei. Já tinha chorado demais por hoje.Me ajeitei no sofá, passando as mãos no vestido meio amassado. Minha cabeça ainda estava uma bagunça, e o silêncio do apartamento fazia tudo parecer ainda mais real.Guilherme sentou do meu lado, os olhos atentos em mim.— Quer falar sobre isso? — ele perguntou.Suspirei, apoiando os cotovelos nos joelhos.— Meu pai… ele não quer que eu escolha nada. Ele só decide e pronto. E eu não posso fazer nada, porque ele tem tudo planejado, tem o dinheiro, tem o poder… E eu? Eu sou só a filha dele, e tenho que obedecer.Senti a raiva crescendo dentro de mim, mas também uma tristeza imensa.— Ele acha que eu sou um objeto, que pode me dar pra quem ele quiser.Apertei as mãos com força. O rosto do Albert veio na minha mente, aquele jeito dele de achar que já tinha tudo garantido, como se eu fosse parte do contrato.— Eu nã
Capítulo 32 Guilherme narrando: Eu estava tão imerso em tudo o que estava acontecendo que quase não consegui processar o que estava ali. O olhar dela, o jeito que me tocava, parecia que o tempo tinha parado. Quando ela sorriu e se levantou, não pensei duas vezes. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela já estava nos meus braços, me envolvendo com força, como se tivesse medo de que eu pudesse sumir. Ela me olhou nos olhos, e eu vi algo ali. Algo que eu não sabia se era medo, insegurança ou um pedido silencioso para não deixá-la ir. A proximidade entre nós parecia aumentar a cada segundo, e, sem conseguir mais segurar, eu a beijei. A primeira vez foi como um alívio. A segunda, mais intensa, mais apaixonada, como se nossos corpos estivessem pedindo isso um do outro. Eu apertava sua cintura, a puxava para mais perto, querendo sentir sua presença de um jeito quase desesperado. Ela se entregou, e a sensação de tê-la ali, tão próxima, era tudo o que eu precisava. Tudo o que eu que
Capítulo 33Camila narrando:Acordei no outro dia escutando o despertador do Guilherme tocando. Ele logo desligou e me olhou, sorrindo.— Bom dia.— Bom dia — eu respondi, morrendo de preguiça. Ele me puxou pra um beijo demorado, e eu senti o corpo todo dolorido da noite passada, quase não dormimos essa noite, mas não queria reclamar. Aquele beijo era mais do que suficiente pra me fazer esquecer do cansaço.— Temos que ir pra escola — ele disse, ainda me abraçando.— Guilherme, eu não trouxe minha mochila... Acho que vou pra casa — eu falei, meio desconfortável com a situação.Ele me encarou, pensativo.— A gente tem que ver o que fazer. Não dá pra ficar assim, Camila — ele disse com um tom sério. Eu sabia que ele tinha razão.Suspirei e pensei por um momento, tentando organizar os meus pensamentos.— Eu sei disso, mas não adianta eu ficar fugindo do meu pai, isso não vai resolver nada — eu falei, e ele assentiu, concordando comigo. A sensação de estar perdida no meio dessa confusão
Capítulo 34Guilherme narrando:Peguei o ônibus e fui até o terminal, depois peguei mais um pra ir pra escola. O trajeto foi longo, mas minha cabeça tava longe dali. Pensava na Camila, no jeito que ela saiu, no medo nos olhos dela.Cheguei na escola e, logo que pisei no pátio, bateu o sinal. Respirei fundo e fui pro corredor. A aula não é a mesma sem a Camila. O tempo parece se arrastar, e eu só consigo me perguntar se ela tá bem. A aula foi passando, arrastada. Eu mal conseguia prestar atenção em qualquer coisa, minha cabeça tava em outro lugar. Quando chegou meio-dia, nem perdi tempo. Peguei minha mochila e saí dali direto pro café onde trabalho.O caminho até lá foi rápido, mas minha mente continuava pesada. Eu só queria resolver logo essa parada do celular e falar com a Camila. Saber se ela tava bem, se precisava de alguma coisa. Algo me dizia que as coisas na casa dela não tavam nada tranquilas.A tarde foi passando devagar, o movimento no café tava tranquilo, mas minha cabeça t
Capítulo 35Camila narrando :Uma semana. Sete dias presa dentro desse quarto, sem poder sair nem pra respirar. Meu pai pegou meu celular e não devolveu mais. Ele trancou a porta e disse que era pro meu próprio bem, mas eu sabia que era só pra me punir.No começo, eu gritava, pedia pra abrir a porta, mas só serviu pra ele entrar aqui e me bater. Duas vezes. Depois disso, aprendi a ficar quieta, mas a raiva e o medo ainda estavam aqui dentro comigo. Nem pra escola eu fui mais. Nem sei como tá minha vida lá fora.A única pessoa que entra aqui é a dona Maria. Ela vem todo dia, traz comida e tenta me consolar, mas não pode fazer nada além disso. São ordens dele. E todo mundo nessa casa obedece ele.Eu me sinto sufocada. Sem celular, sem contato com ninguém, sem saber do Guilherme… Só queria que isso acabasse.Eu tava sentada na cama, chorando baixinho, quando a porta se abriu de repente. Meu pai entrou e me encarou com aquele olhar frio que me dava arrepios.— Marquei seu casamento pra da
Capítulo 36Jorge Sanches narrando:Meu nome é Jorge Sanches, tenho 53 anos. Fui casado por anos até minha mulher morrer e me deixar com dois filhos, Camila e Santiago.Santiago sempre foi igual a mim. Gosta dos negócios, entende como o mundo funciona e sempre fez o que eu mandei, sem questionar. Já a Camila... Bom, Camila sempre foi geniosa, teimosa, cabeça dura. Tudo isso era coisa da mãe dela.Desde pequena, nunca aceitou minhas ordens sem contestar. Sempre querendo escolher o próprio caminho, ser dona do próprio nariz. Mas isso acabou. Ela precisa entender que, no meu mundo, não existe espaço pra mulher fazer o que bem entende. Eu decido o que é melhor pra ela. E esse casamento que arranjei vai garantir que ela tenha um futuro seguro, longe de más influências.Não vou deixar que ela estrague tudo por causa daquele favelado.Santiago sempre foi meu orgulho. Meu sucessor, meu braço direito nos negócios. Mas eu fui burro... Cego.Quando percebi, já era tarde demais. Ele tava se perde
Guilherme narrando : Eu sabia que aquele dia não seria como os outros. Desde o momento em que acordei, uma sensação estranha me acompanhava, como se algo estivesse prestes a acontecer. Algo ruim. O meu instinto gritava, mas eu ignorei. Estava ansioso para ver Camila, para sentir o seu cheiro, para tê-la nos meus braços mais uma vez. Era como um vício, uma obsessão que eu não conseguia controlar. A casa de praia da família dela era o nosso refúgio, o lugar onde podíamos nos esconder do mundo. Onde ela me dizia, entre suspiros e beijos, que nunca sentiu nada igual. E eu sempre acreditei nisso. Eu acreditei que ela era minha, assim como eu era dela. Cheguei lá com o coração disparado. A porta estava entreaberta, como se estivesse me esperando. Algo no silêncio do lugar me incomodou. O som das ondas parecia distante, abafado pela sensação sufocante que tomou conta de mim. Um arrepio percorreu minha espinha. — Camila? — chamei, a minha voz soando estranha até para mim. Nenhuma
Camila narrando :Acordei cedo com o barulho da porta do quarto se abrindo e Maria entrando.— Bom dia, minha filha. — Ela sorriu.— Bom dia, Maria.Ela se aproximou, ajeitando a cortina, e soltou um riso baixo.— Seu pai acordou de bom humor hoje. Acredita que ele mesmo preparou seu café? Disse pra você se arrumar, que vão sair.Achei estranho, mas deduzi que fosse para ver o vestido de noiva.— Tá bom, Maria. Obrigada.Ela saiu do quarto, e eu fui direto pro banheiro. Tomei um banho demorado, deixando a água quente relaxar meus ombros. Depois, vesti uma lingerie preta e um vestido soltinho, confortável. Soltei os cabelos, ajeitei os fios com os dedos e finalizei com meu perfume preferido.Sentei na cadeira da mesinha do quarto e comecei meu café da manhã. Peguei o suco e dei um gole, enquanto mordia o misto quente que Maria havia deixado pra mim. O dia mal tinha começado, mas eu sentia que algo estava diferente. Sabia que hoje ele ia me levar pra escolher o maldito vestido e eu ia p