Sterling franziu o cenho e demonstrou irritação. — Vovô, o que o senhor quer dizer com isso? Como ele poderia querer se divorciar de Clarice? E quanto a casar com Teresa, isso era ainda mais impossível! Ele e Teresa não tinham esse tipo de relação. Túlio encarou o rosto dele com seriedade e disse: — Primeiro me responda. Ele havia conversado com Clarice da última vez, e ela mencionou que daria uma chance a Sterling. Mas, depois do que aconteceu hoje, Túlio não tinha certeza se Clarice já tinha tomado a decisão definitiva de se divorciar. — Eu nunca cogitei me divorciar de Clarice! — Sterling respondeu com firmeza. Ele jamais faria algo tão absurdo. Além disso, ele só sentia atração física por Clarice. Se eles se divorciassem, ele teria que se contentar com métodos solitários para satisfazer suas necessidades, e isso, com o tempo, certamente o deixaria com problemas na cabeça. De qualquer forma, ele não tinha a menor intenção de se separar dela. — Mas o que você e Teresa
Naquele momento, ela estava tão focada em fingir que estava desmaiada que nem percebeu como estava a saúde de Túlio. — Clarinha, não se preocupe com meu corpo. Eu estou bem, muito bem. Mas e você? Já foi ao hospital fazer um exame? Está tudo bem com a sua saúde? — Túlio perguntou com um tom calmo e suave, como se estivesse com medo de assustar Clarice do outro lado da linha. — Eu estou ótima, vovô. Não preciso ir ao hospital e gastar dinheiro à toa. — Respondeu Clarice com uma risada leve. — Estou guardando dinheiro para comprar coisas boas para o senhor! Túlio soltou uma gargalhada feliz. — Você é mesmo uma menina muito boa e dedicada! Clarice sempre foi assim: carinhosa, gentil e altruísta. Para Túlio, ela nunca falava sobre os problemas que enfrentava, apenas sobre as coisas boas. — Vovô, muito obrigada pelo jantar de aniversário que o senhor preparou para mim hoje. Apesar de o final não ter sido tão bom, eu preciso agradecer. Obrigada por cuidar tão bem de mim! Se não
Clarice fez seu desejo: que ela e Sterling se divorciassem o mais rápido possível e que os bebês em seu ventre viessem ao mundo com saúde, para que ela pudesse finalmente conhecê-los. Após fazer o pedido, ela soprou as velas de uma vez. Jaqueline tirou as velas do cupcake e as jogou no lixo. Em seguida, entregou uma colher para Clarice. — Já estava tarde e só consegui comprar esse cupcake. Vai ter que se contentar com ele. Clarice pegou a colher e, com um sorriso, tirou um pedaço do bolinho. Em vez de comer, ela estendeu a colher na direção de Jaqueline. — A primeira mordida é sua. Jaqueline tentou recusar, mas, ao olhar para os olhos esperançosos de Clarice, não conseguiu dizer não. Sem escolha, abriu a boca e comeu o pedaço de bolo. — Espere aí, vou preparar uma lasanha para você. Quando terminar o bolo, a lasanha já estará pronta! — Disse Jaqueline, saindo apressada em direção à cozinha. Clarice desviou o olhar de Jaqueline e voltou a encarar o pequeno cupcake à sua
— O que o médico disse? Ele falou algo específico sobre cuidados com os gêmeos? — Jaqueline colocou a taça de vinho sobre a mesa e se aproximou, pousando a mão gentilmente na barriga de Clarice. Sua voz saiu baixa, quase um sussurro. Ela ainda não conseguia acreditar que Clarice estava grávida de dois bebês. Só de imaginar como seria quando eles nascessem, Jaqueline já achava a ideia divertida. — O médico enfatizou bastante que eu não posso ter relações. — Clarice suspirou enquanto pensava que, vivendo na mesma casa que Sterling, ele provavelmente tentaria algo. Ela sabia que não conseguiria recusar. Sterling era muito mais forte que ela e, nesse aspecto, sempre foi extremamente insistente. A frequência com que ele a procurava só reforçava isso. — E se você voltar para casa, acha que Sterling vai conseguir se controlar? Se você recusar, que desculpa vai usar? — Jaqueline franziu a testa, preocupada. — Quer saber? Por que você não se muda para cá? Essa casa é grande, tem espaço de
Os olhos de Clarice se arregalaram de repente. — Tudo bem, estou indo agora mesmo! Ela sequer teve coragem de perguntar o que havia acontecido exatamente. Jaqueline percebeu a expressão dela e se aproximou, alarmada: — Clarinha, o que aconteceu? Clarice segurava o celular com força, suas mãos tremiam ligeiramente. Havia uma sensação ruim crescendo dentro dela, um pressentimento de que a situação de sua avó não tinha mais salvação. — Clarinha, fala comigo! Não me assusta assim! — Jaqueline segurou o rosto dela com delicadeza, mas sua voz saiu mais alta, carregada de preocupação. Clarice finalmente voltou a si. Seus olhos encontraram os de Jaqueline, e ela respondeu com dificuldade: — Minha avó foi para a sala de emergência. Eu preciso ir até o hospital! — Eu vou com você! — Jaqueline largou tudo, ignorando até o incômodo físico que sentia, e ajudou Clarice a sair de casa. Elas pegaram um táxi, e Clarice se apoiou em Jaqueline, sentindo como se todas as suas forças
— Clarice, estou grávida. Você precisa se divorciar do Sterling o quanto antes, senão, quando a criança nascer, vai crescer sem pai. Que crueldade seria! — A voz chorosa da mulher ecoava pelo telefone.Clarice Preston apertou as têmporas com os dedos, o rosto impassível enquanto respondia com frieza:— Teresa, quer dizer mais alguma coisa? Fale logo, assim eu gravo tudo de uma vez. Vai ser útil no processo de divórcio para eu pegar mais dinheiro dele.— Clarice, sua desgraçada! Está gravando?! — Teresa gritou, furiosa, antes de desligar abruptamente.O som do telefone mudo ficou no ar. Clarice abaixou o olhar para o teste de gravidez que segurava nas mãos. As palavras "quatro semanas" saltavam da folha como se estivessem em negrito. Aquilo parecia um golpe, mas, ao mesmo tempo, uma chance de redenção.Ela havia planejado contar a Sterling sobre a gravidez naquela mesma noite, mas agora sabia que isso era desnecessário. A decisão já estava tomada: aquele filho, apesar de vir em um momen
Clarice olhou para o homem que havia falado. Era Callum Martinez, amigo de infância de Sterling. A família Martinez era uma das mais tradicionais de Londa, e Callum sempre desprezara Clarice por sua origem humilde. Contudo, aquele típico playboy arrogante não passava de uma ferramenta nas mãos de Teresa, constantemente usado por ela para atacá-la.Pensando nisso, Clarice esboçou um leve sorriso. Seus lábios vermelhos se moveram com delicadeza, e sua voz soou suave:— A senhora Teresa de quem você fala é a esposa legítima do irmão mais velho do Sterling. Se alguém ouvir o que você acabou de dizer, pode acabar pensando que existe algo... Inapropriado entre eles.Callum havia falado de propósito para irritá-la, mas Clarice não via necessidade de poupar Sterling na frente de seus amigos. Ela o amava, sim, mas não ao ponto de aceitar humilhações.Teresa, que até então parecia satisfeita, imediatamente apertou os punhos ao ouvir aquelas palavras. Uma expressão sombria passou rapidamente por
— Você não disse que alguém queria te matar? Só liguei para confirmar se você já morreu. — A voz do homem era carregada de sarcasmo. Clarice apertou o celular com força, respondendo palavra por palavra: — Eu sou dura na queda. Não vou morrer tão fácil! Assim que terminou de falar, desligou a ligação e bloqueou o número de Sterling em um movimento rápido e decidido. …Na suíte VIP de um hospital pertencente ao Grupo Davis, Teresa estava deitada na cama. Sua pele parecia pálida demais, quase translúcida, como se uma brisa pudesse derrubá-la. Sterling estava encostado em uma das paredes, segurando o celular. Seu rosto estava impassível, difícil de ler. Teresa, nervosa, tentou medir suas palavras: — Sterling, a Clarice está bem? Ele guardou o celular no bolso, sem mudar a expressão: — Ela está bem. Por dentro, Teresa amaldiçoava Clarice, mas manteve a voz doce e preocupada: — Você deveria ir para casa ficar com ela. Aqui tem médicos e enfermeiros, não precisa se preoc