Os olhos de Clarice se arregalaram de repente. — Tudo bem, estou indo agora mesmo! Ela sequer teve coragem de perguntar o que havia acontecido exatamente. Jaqueline percebeu a expressão dela e se aproximou, alarmada: — Clarinha, o que aconteceu? Clarice segurava o celular com força, suas mãos tremiam ligeiramente. Havia uma sensação ruim crescendo dentro dela, um pressentimento de que a situação de sua avó não tinha mais salvação. — Clarinha, fala comigo! Não me assusta assim! — Jaqueline segurou o rosto dela com delicadeza, mas sua voz saiu mais alta, carregada de preocupação. Clarice finalmente voltou a si. Seus olhos encontraram os de Jaqueline, e ela respondeu com dificuldade: — Minha avó foi para a sala de emergência. Eu preciso ir até o hospital! — Eu vou com você! — Jaqueline largou tudo, ignorando até o incômodo físico que sentia, e ajudou Clarice a sair de casa. Elas pegaram um táxi, e Clarice se apoiou em Jaqueline, sentindo como se todas as suas forças
— Volte para casa e espere notícias. Amanhã eu te ligo. — Disse Teresa, tentando conter a fúria que ardia em seu peito, falando em um tom pausado. — Sra. Teresa, pelo amor de Deus, me dê pelo menos alguma coisa! Se eu voltar sem dinheiro, vão me matar! — Implorou Dayane, que sabia muito bem que aquelas palavras de Teresa eram apenas uma desculpa para se livrar dela. Se tivesse que esperar até o dia seguinte, provavelmente não veria um centavo. Pior ainda, poderia acabar sendo assassinada por aqueles que estavam cobrando a dívida. Ela precisava levar qualquer quantia que fosse, naquele momento. — Eu não tenho dinheiro agora! — Teresa respondeu, decidida a não lhe dar nada. — Você não tem medo de que eu volte para casa e espalhe tudo? Imagine se as nossas transações caírem na internet. Como você vai lidar com isso? — Dayane ameaçou com a única arma que tinha. Não iria embora sem conseguir algum dinheiro. Por mais cruel e perigosa que Teresa fosse, ela sabia que os agiotas que c
Teresa olhou para Clarice com um sorriso sarcástico no rosto. — Sua avó está deitada naquele hospital há anos. Já passou da hora de morrer. Eu só dei uma ajudinha. Não precisa me agradecer! Ela nunca fez questão de esconder suas ações na frente de Clarice. Sabia que, mesmo que Clarice contasse tudo para Sterling, ele jamais acreditaria nela. Isso dava a Teresa toda a confiança para agir sem medo. Clarice ficou parada ao lado da cama, encarando Teresa de cima, com os olhos vermelhos de raiva e uma aura pesada, quase mortal. — Teresa, você é mesmo um ser humano? Como consegue dizer algo assim? Sua avó ainda estava na sala de emergência. O aviso de estado crítico já tinha sido assinado, e o médico havia pedido que ela se preparasse para o pior. Clarice tinha certeza de que a avó estava vivendo seus últimos momentos. Ela passou muito tempo do lado de fora da sala de emergência tentando entender como sua avó, que parecia um pouco melhor recentemente, de repente teve uma recaída
— Clarice, estou grávida. Você precisa se divorciar do Sterling o quanto antes, senão, quando a criança nascer, vai crescer sem pai. Que crueldade seria! — A voz chorosa da mulher ecoava pelo telefone.Clarice Preston apertou as têmporas com os dedos, o rosto impassível enquanto respondia com frieza:— Teresa, quer dizer mais alguma coisa? Fale logo, assim eu gravo tudo de uma vez. Vai ser útil no processo de divórcio para eu pegar mais dinheiro dele.— Clarice, sua desgraçada! Está gravando?! — Teresa gritou, furiosa, antes de desligar abruptamente.O som do telefone mudo ficou no ar. Clarice abaixou o olhar para o teste de gravidez que segurava nas mãos. As palavras "quatro semanas" saltavam da folha como se estivessem em negrito. Aquilo parecia um golpe, mas, ao mesmo tempo, uma chance de redenção.Ela havia planejado contar a Sterling sobre a gravidez naquela mesma noite, mas agora sabia que isso era desnecessário. A decisão já estava tomada: aquele filho, apesar de vir em um momen
Clarice olhou para o homem que havia falado. Era Callum Martinez, amigo de infância de Sterling. A família Martinez era uma das mais tradicionais de Londa, e Callum sempre desprezara Clarice por sua origem humilde. Contudo, aquele típico playboy arrogante não passava de uma ferramenta nas mãos de Teresa, constantemente usado por ela para atacá-la.Pensando nisso, Clarice esboçou um leve sorriso. Seus lábios vermelhos se moveram com delicadeza, e sua voz soou suave:— A senhora Teresa de quem você fala é a esposa legítima do irmão mais velho do Sterling. Se alguém ouvir o que você acabou de dizer, pode acabar pensando que existe algo... Inapropriado entre eles.Callum havia falado de propósito para irritá-la, mas Clarice não via necessidade de poupar Sterling na frente de seus amigos. Ela o amava, sim, mas não ao ponto de aceitar humilhações.Teresa, que até então parecia satisfeita, imediatamente apertou os punhos ao ouvir aquelas palavras. Uma expressão sombria passou rapidamente por
— Você não disse que alguém queria te matar? Só liguei para confirmar se você já morreu. — A voz do homem era carregada de sarcasmo. Clarice apertou o celular com força, respondendo palavra por palavra: — Eu sou dura na queda. Não vou morrer tão fácil! Assim que terminou de falar, desligou a ligação e bloqueou o número de Sterling em um movimento rápido e decidido. …Na suíte VIP de um hospital pertencente ao Grupo Davis, Teresa estava deitada na cama. Sua pele parecia pálida demais, quase translúcida, como se uma brisa pudesse derrubá-la. Sterling estava encostado em uma das paredes, segurando o celular. Seu rosto estava impassível, difícil de ler. Teresa, nervosa, tentou medir suas palavras: — Sterling, a Clarice está bem? Ele guardou o celular no bolso, sem mudar a expressão: — Ela está bem. Por dentro, Teresa amaldiçoava Clarice, mas manteve a voz doce e preocupada: — Você deveria ir para casa ficar com ela. Aqui tem médicos e enfermeiros, não precisa se preoc
— Ela sofreu um acidente de carro? — Sterling perguntou, franzindo os lábios enquanto seus olhos escuros pousavam em Jaqueline. De repente, ele se lembrou da ligação que havia recebido de Clarice na noite anterior. E se fosse verdade...Nesse momento, a porta do quarto foi aberta. Clarice entrou com sua habitual elegância fria, irradiando uma aura distante. Teresa, ao vê-la, deixou transparecer por um breve momento uma expressão sombria, mas rapidamente a substituiu por uma máscara de preocupação. — Eu ouvi dizer que você sofreu um acidente! Venha cá, deixa eu ver se está tudo bem. Foi grave? — Teresa falou com uma urgência exagerada, como se realmente estivesse preocupada. Os olhos de Sterling escureceram ainda mais. Para ele, aquilo só podia significar uma coisa: Clarice e Jaqueline haviam se unido para enganá-lo. Clarice caminhou até Jaqueline e, com um gesto protetor, puxou-a para trás de si. — Volte para casa. Deixe isso comigo. — Disse ela com firmeza. Jaqueline, in
— Sacrificar a mim para ajudar Teresa? Nem sonhe, Sterling! — Clarice falou com um sorriso no rosto, mas com a dor rasgando seu peito. — Além disso, já decidi: quero o divórcio. Me diga quando terá tempo para irmos ao cartório resolver isso. O sorriso dela era radiante, mas quanto mais brilhava, mais dolorido era o vazio dentro dela. Ela sempre soube que Sterling favorecia Teresa, mas nunca imaginou que a preferência dele fosse tão descarada. No entanto, deixar Teresa se aproveitar dela para subir na vida? Nunca! — Quer o divórcio? Então resolva primeiro o assunto do trending topic de Teresa. Depois disso, eu te dou o que você quer. Mas se eu tiver que agir, não será tão simples quanto você fazer uma retratação. — Sterling respondeu com firmeza, sem nem pensar duas vezes. Para ele, o pedido de divórcio de Clarice era apenas uma estratégia para chamar sua atenção. Ele não acreditava que ela realmente quisesse terminar o casamento. Afinal, três anos atrás, Clarice havia usado t