O limite entre a vida e da dor

Endi não tentou explicar que não era como as pessoas que feriram a garota, pareceu quase cruel tentar se defender diante de alguém que carregava tanta dor sem derrubar uma única lágrima.

Mel estava chorando muito antes de Dállia terminar, mas a esposa de Russo continuava narrando a própria vida como quem detalha fatos em uma delegacia.

— Onde? De que bairro você veio, menina?

— Sunnyside, Houston

— Vamos cuidar de você. Pode ir com a Mel se sentir mais segura, ninguém mais vai te fazer mal, Dállia.

A garota não respondeu, mas pensou que não tinha mais nada que pudesse perder, já tinham tirado absolutamente tudo dela. Lembrou de Tank e um arrepio gelado pareceu sair do seu coração e se espalhar pelo corpo.

Puxou o ar tentando controlar o que sentiu, mas lembrou do jeito que ele a abraçava, como beijou a sua mão o dia em que ela se cortou preparando o almoço.

Desde que foi levada a casa de Endi, aquela foi a primeira lágrima que derramou e não era pela dor do passado, era pela dor de te
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