Os sonhos vinham todas as noites.Serena fechava os olhos e lá estava ele: Dominic, com aqueles olhos intensos que pareciam perfurar sua alma, seu corpo imponente e quente encostando no dela, seus lábios roçando em sua pele, sua respiração pesada e dominadora. Cada sonho era uma variação daquele momento proibido que haviam compartilhado. Em alguns, Dominic a puxava para si e a tomava sem reservas; em outros, ela tentava resistir, mas o desejo era mais forte. No entanto, todas as vezes ela acordava sobressaltada, ofegante e quente, o coração disparado como se tivesse acabado de correr quilômetros.Era como se sua mente não permitisse que esquecesse o que havia acontecido entre eles naquela noite. Mas o mais estranho era que Dominic parecia ter desaparecido desde então.Quatro dias se passaram, e ela não o viu nem uma única vez.No início, tentou ignorar a ausência dele. Disse a si mesma que não deveria ir atrás, que daria espaço para que ambos processassem o que havia acontecido entre
A noite anterior ainda estava gravada na pele de Dominic. O corpo de Serena estava marcado pelos rastros de sua devoção, assim como o dele próprio carregava os vestígios da paixão feroz que haviam compartilhado. Eles haviam feito aquilo diversas e diversas vezes, até que ambos estivessem completamente exaustos. Só quando o último resquício de desejo foi saciado e os corpos estavam incapazes de continuar, finalmente cederam ao sono.Quando o sol começou a invadir o quarto pelas frestas da cortina, Dominic despertou primeiro. Seu olhar pousou imediatamente sobre Serena, ainda adormecida ao seu lado. Seu peito subia e descia em um ritmo tranquilo, os cabelos bagunçados espalhados pelo travesseiro, os lábios entreabertos, convidativos.Por um momento, ele se permitiu apenas observá-la.Era estranho como aquela mulher conseguia fazê-lo sentir tanto ao mesmo tempo. Ela o levava ao limite – no desejo, na fúria, na necessidade incontrolável de tê-la por perto. E, ao mesmo tempo, o fazia sentir
O dia estava estranhamente silencioso na sede da matilha.Serena tomou um banho demorado, tentando processar os acontecimentos das últimas horas. Seu corpo ainda carregava as marcas da noite intensa que tivera com Dominic, e sua mente era um turbilhão de pensamentos. Desde que entrara na vida dele, tudo parecia acontecer rápido demais. Primeiro, descobrira que era uma Luna—uma linhagem rara e valiosa—, depois, passou a ser protegida pela matilha mais poderosa do país e, agora, estava dividindo um quarto com Dominic como se já pertencesse a ele há muito tempo.O jeito possessivo e intenso do alfa a deixava confusa. Ele a queria ao seu lado, sem questionamentos. Mas e quanto a ela? O que Serena realmente queria?Soltando um suspiro pesado, saiu do chuveiro e vestiu uma roupa confortável. Dominic havia dito que ela estava dispensada do treinamento naquele dia, então talvez fosse um bom momento para explorar a propriedade e tentar entender melhor a vida na matilha.☽❂☾Ao descer para a co
O silêncio da noite era cortado apenas pelo crepitar da lareira no quarto. A sede da matilha estava imersa na escuridão, mas ali dentro, entre aquelas paredes de pedra fria, Serena sentia um calor inquietante crescendo dentro de si.Sentada na beirada da cama, observava Dominic próximo à janela. Ele parecia perdido em pensamentos, os olhos prateados refletindo a luz bruxuleante do fogo. Havia uma tensão em seus ombros largos, um peso que ele tentava esconder dela, mas que Serena percebia com clareza.— Você tem estado diferente — Ela comentou, cruzando os braços.Dominic demorou um momento para responder.— Muita coisa na cabeça — Dominic disse simplista.Serena arqueou uma sobrancelha.— Isso é óbvio. O que não é óbvio é o motivo.Ele desviou o olhar para ela, analisando-a em silêncio.A verdade pulsava dentro de Dominic. Ele sabia que havia um traidor dentro da matilha, alguém repassando informações para os inimigos. Cada movimento que fazia precisava ser calculado, cada decisão tom
O tempo parecia ter desacelerado na sede da matilha. Após semanas de tensão, Serena notou uma mudança sutil na rotina de Dominic. Embora ele ainda estivesse atento a qualquer movimentação suspeita, a inquietação que antes endurecia sua postura agora parecia mais controlada, como se ele tivesse conseguido, ao menos temporariamente, equilibrar o peso sobre seus ombros.Os dias passaram com uma cadência quase pacífica. Serena se acostumava, aos poucos, à nova dinâmica de sua vida dentro da matilha. Pela manhã, tomava café da manhã ao lado de Seth e Jeremy, que nunca perdiam a oportunidade de provocá-la sobre sua relação com Dominic.— Dormir no quarto do alfa não te dá certos privilégios? — Jeremy brincou em um tom sugestivo.Serena, que levava uma xícara de café aos lábios, arqueou uma sobrancelha antes de responder:— Claro. Agora posso pegar qualquer livro da biblioteca sem precisar pedir.Seth caiu na risada, enquanto Jeremy revirava os olhos.— Não foi exatamente isso que quis dizer
A lua cheia pairava no céu como um olho prateado, banhando a paisagem de Pembrokeshire com sua luz espectral. Serena puxou o casaco mais rente ao corpo, tentando afastar o frio cortante que invadia a noite. Caminhava lentamente pela trilha que levava de seu escritório até sua casa alugada, um trajeto que ela já conhecia de cor. As ruas estavam vazias, apenas o som distante das ondas quebrando contra as rochas ecoava na escuridão.Desde pequena, Serena sentia um magnetismo estranho em noites como essa. Era como se algo dentro dela estivesse inquieto, ansioso por algo que nem mesmo ela sabia nomear. Mas ao contrário dos alfas da matilha local, que celebravam a lua cheia como um momento de conexão com suas naturezas lupinas, ela preferia ignorar. Não era parte daquilo. Nunca fora.Suspirando, acelerou o passo. Ainda sentia os efeitos do longo expediente no escritório de arquitetura, onde passou o dia ajustando os detalhes de um novo projeto para um restaurante sofisticado no centro da ci
O dia amanheceu com o cheiro da chuva pairando no ar, as nuvens ainda carregadas no horizonte. Serena despertou com a mente embaralhada, a lembrança dos olhos prateados ainda vívida em sua memória. Tinha sido real? Ou apenas um devaneio causado pelo cansaço?Tentando afastar a sensação estranha, levantou-se e seguiu sua rotina matinal. O aroma forte de café preencheu sua pequena casa enquanto ela se sentava à mesa, distraída, rolando o feed do celular sem realmente absorver o conteúdo. Mas sua mente insistia em voltar à noite anterior.Quando chegou ao escritório, ainda se sentia inquieta. O prédio era moderno e minimalista, com paredes de vidro que permitiam a entrada de luz natural. Seus colegas já estavam em suas mesas, imersos em projetos e conversas. Laura, sua colega mais próxima, percebeu seu olhar distante.— Você está bem? — perguntou, franzindo o cenho. — Parece que viu um fantasma.Serena hesitou antes de responder:— Não é nada. Só não dormi muito bem.Laura estreitou os o
A brisa fresca da tarde soprou contra o rosto de Serena enquanto ela se apoiava na parede do lado de fora do escritório, tentando processar a presença intimidadora de Dominic. Era como se o ar ao redor dele estivesse carregado de algo que mexia com seus instintos, deixando-a inquieta. Dominic se mantinha a poucos passos de distância, com uma postura relaxada, mas ao mesmo tempo predatória, como se estivesse sempre pronto para agir.Seus olhos prateados pareciam ainda mais hipnotizantes sob a luz difusa do fim de tarde. Os cabelos negros caíam sobre sua testa de forma despreocupada, e a camisa escura, justa ao corpo, destacava cada contorno de sua musculatura. Ele não precisava dizer nada para exalar domínio. Estava no jeito como se movia, no peso de seu olhar, até mesmo no cheiro amadeirado e profundo que Serena ainda tentava ignorar.Ela cruzou os braços, num gesto defensivo.— Você parece tensa — Dominic quebrou o silêncio, inclinando a cabeça de leve, observando-a com um sorriso qu