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Renascida para ser sua Luna
Renascida para ser sua Luna
Por: Cassia Lanemy
Capítulo 1: Traição e Morte

Melanie Pov

Ouço o som de uivos e tiros ressoar por toda a propriedade da nossa alcateia Killmoon, um concerto aterrorizante de destruição que se mistura ao estalar das chamas vorazes. O cheiro acre de fumaça invade minhas narinas, queimando minha garganta, e meus olhos lacrimejam, lutando para enxergar através da névoa espessa que toma os corredores. O calor sufocante me envolve, cada lufada de ar quente parece rasgar meu peito. Meu coração dispara, batendo tão forte que parece ecoar em meus ouvidos, rivalizando com o caos que se espalha ao meu redor.

Cada fibra do meu ser grita por sobrevivência. Meu corpo treme, mas não por medo—pelo menos não apenas por medo. O desespero, a necessidade de proteger a pequena vida que cresce dentro de mim, é o que me mantém correndo, impulsionando minhas pernas, mesmo quando sinto que posso desabar a qualquer momento. Nem tive tempo de contar a Karl, meu companheiro, meu marido, que eu estou grávida. 

Meu marido… Será que ele está bem? Será que ele está procurando por mim, tentando me encontrar no meio desse inferno que virou minha alcateia?

Eu mal herdei a posição de alfa aqui em Killmoon após o falecimento de meu pai e essa emboscada terrível aconteceu. Preciso me manter viva pelo bem do meu bebe e do meu marido, preciso encontrá-lo.

“Mel, aqui, entre aqui!”

O som da voz de Bea, minha irmã, corta o caos como um raio de esperança. Meu coração salta, uma onda de alívio percorre meu corpo, aliviando um pouco o terror que me sufoca. Eu a vejo através da fumaça, seus olhos fixos em mim, urgentes, chamando-me para um refúgio seguro.

Sem pensar duas vezes, corro em sua direção. Meus pés descalços arranham contra o chão repleto de cacos de vidro e destroços, mas a dor é um detalhe insignificante agora. Tudo o que importa é alcançar minha irmã. Encontrá-la em meio a esse inferno é uma dádiva. Ela vai me ajudar. Ela vai me salvar.

Assim que me aproximo, Bea estende a mão para mim, puxando-me para dentro de um quarto. O alívio preenche-me, e pela primeira vez desde que a invasão começou, sinto que posso respirar. Mas antes que eu possa agradecer ou perguntar o que está acontecendo, algo acontece. Um estampido ensurdecedor ecoa no cômodo, e um segundo depois, uma dor ardente explode em meu abdômen.

Meu corpo congela. O mundo ao meu redor desacelera, como se tudo estivesse se movendo em câmera lenta. Meus olhos se arregalam, buscando uma explicação, tentando entender a dor lancinante que me rasga por dentro. Levo a mão trêmula até minha barriga, e quando a retiro, meus dedos estão cobertos de sangue quente. Meu sangue. Meu bebê.

“Bea?” Minha voz sai entrecortada, incrédula, frágil. Eu quero acreditar que foi um erro, um acidente. Talvez alguém tenha atirado do lado de fora e a bala me atingiu por acaso. Mas então, eu vejo.

Um sorriso. Não um sorriso de alívio, nem de preocupação. É um sorriso cruel, perverso, carregado de algo sombrio e maligno que nunca antes havia visto no rosto de minha irmã. Meu estômago se revira. Um arrepio gélido percorre minha espinha, contrastando com o calor sufocante do fogo que ruge lá fora. Algo está terrivelmente errado.

Antes que eu possa reagir, outra figura entra no cômodo. Meu coração se enche de uma esperança desesperada ao ver Karl. Meu amor, meu companheiro, a única pessoa que pode me salvar agora. Tento falar, mas minha garganta queima. Meu corpo vacila. Meu bebê… preciso proteger meu bebê.

“Karl…” minha voz sai fraca, mas carrega todo o desespero que me consome.

Ele olha para mim. Mas não há pânico, não há preocupação em seus olhos. Não há amor. Em vez disso, vejo algo que me destroça mais do que a dor do tiro. Desprezo. Um olhar gélido, impiedoso, que faz meu coração se partir em mil pedaços.

“Meu amor, cuidado!” tento avisá-lo, minha mente ainda lutando para juntar as peças, para entender por que Bea me atacou. Mas antes que eu possa me aproximar, antes que eu possa alertá-lo… ele se move.

Karl me chuta. Com força.

O impacto me lança ao chão, e minha cabeça b**e contra o piso de madeira com um estrondo forte. A dor latejante explode em minha nuca e tudo gira ao meu redor. As sombras e as luzes das chamas dançam em minha visão turva. A realidade se despedaça em um turbilhão de agonia e choque.

Não… não pode ser real. Isso é um pesadelo. Precisa ser um pesadelo.

Com esforço, forço meus olhos a focarem novamente. E então vejo. Karl abraça Bea pela cintura, seu corpo pressionado contra o dela, como se fossem amantes. Como se fossem cúmplices. Como se fossem um.

“Conseguimos, minha gatinha!” Karl exclama, sua voz exalando triunfo e prazer. Antes que eu possa sequer processar suas palavras, ele a beija. Não um beijo rápido, não um beijo de desespero em meio ao caos. É um beijo profundo, carregado de desejo.

O gosto amargo da traição se espalha por minha boca. Meu estômago se revira e não sei se é pelo sangue que continuo perdendo ou pelo horror absoluto que me domina.

“Finalmente! Já não aguentava mais!” Bea responde, ofegante, contra os lábios de Karl, seus olhos brilhando com pura excitação. “Agora todo o reino é nosso e você é todinho meu!”

Não… não pode ser. Isso não pode estar acontecendo. Meus pensamentos são um borrão, confusos e desesperados. Tento falar, tento entender, tento respirar.

“O quê? O que está acontecendo?” Minha voz sai fraca, fraturada, sufocada pelo medo e pela dor.

Minhas mãos tremem enquanto tento me erguer, cada movimento enviando uma onda de agonia através do meu corpo. Mas antes que eu possa me colocar de pé, Bea levanta a arma novamente. O brilho metálico da pistola reluz diante das chamas que devoram o ambiente. E então, sem hesitação, sem remorso, ela atira outra vez.

A dor explode em minha barriga novamente, arrancando-me um grito sufocado. Meu corpo tomba para trás, e o chão duro me acolhe como um túmulo frio. Meus dedos se agarram à madeira, tentando encontrar algo, qualquer coisa que possa me manter aqui, me manter viva.

O rosto de Bea paira acima de mim, seus olhos cintilando com uma satisfação sombria.

“Que os deuses te levem, irmã,” ela diz, sua voz carregada de veneno e desdém.

Os dois saem do quarto, me deixando jogada no chão frio, à beira da morte. Meu corpo estremece, tomado por uma dor lancinante que rasga cada fibra do meu ser. Minhas mãos tremem ao pressionar os ferimentos abertos em meu abdômen, numa tentativa inútil de conter o sangue que se recusa a parar. Minha respiração está errática, curta, dolorosa. Cada vez que inspiro, parece que o ar se recusa a preencher meus pulmões.

“Por favor, por favor…” minha voz sai como um sussurro rouco, mal audível no meio do caos que ainda ressoa do lado de fora. Explosões, gritos, uivos, o estalar da madeira sendo consumida pelas chamas. O cheiro de queimado invade minhas narinas, mas está fraco agora, distante, como se eu já estivesse deixando este mundo para trás. “Por favor, me salvem. Deuses, me salvem, por favor. Faço qualquer coisa, apenas salvem a mim e ao meu bebê.”

Mas o silêncio é tudo que recebo. Nenhuma resposta divina, nenhuma mão celestial se estendendo para me tirar dessa agonia. O mundo continua girando, ignorando minha dor, indiferente ao meu sofrimento.

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