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Capítulo 4: Crueldade Planejada

Karl Pov 

 Observo Melanie de longe após sua rejeição. Meus olhos acompanham cada um de seus movimentos enquanto ela se afasta, e algo dentro de mim se remexe com inquietação. Ela não parece abalada. Não há hesitação em seus passos. Seu rosto não demonstra confusão ou arrependimento. O que diabos aconteceu? Como isso é possível? Bea me garantiu dias atrás que sua irmã mais velha aceitaria sem pestanejar. Disse com todas as letras que Melanie sempre foi obcecada por mim, que sonhava com o dia em que eu a tomaria como esposa. Mas agora… agora ela está diferente. Distante. Reservada. Como se não fosse mais a mesma garota que sempre me olhava com adoração.

Meus punhos se fecham ao lado do corpo, e a irritação começa a borbulhar em meu peito. Para onde foi a minha lobinha ingênua e apaixonada? O que aconteceu com aquele olhar brilhante que sempre me buscava na multidão, como se eu fosse o único homem que importava no mundo? O que será que está se passando em sua mente? Seja lá o que for, uma coisa eu sei: logo, logo, irei descobrir. Melanie será minha novamente, ajoelhada diante de mim, me idolatrando. E dessa vez, ela não terá outra escolha.

Igual à irmã mais nova dela, Bea. Minha atenção se desvia para a multidão de convidados, e logo meus olhos percorrem os rostos até encontrá-la. O rostinho travesso de Bea se destaca no meio das mulheres bem-comportadas da festa. Ela não tenta disfarçar a faísca de provocação em seu olhar, e isso me arranca um sorriso de canto. Bea é tudo o que Melanie não é. Selvagem. Impulsiva. Insaciável. Onde Melanie é doce e tímida, Bea é puro fogo e desejo. Eu sei disso porque já provei. Já senti seu corpo quente se arquear sob o meu, já ouvi sua voz suplicante me chamando no meio da noite. Já fiz com ela tudo o que Melanie, com sua moral inquebrantável, se recusa a me permitir.

E ainda assim, a maldita Melanie é a que eu quero mais. O contraste entre as duas sempre me divertiu. Apesar de serem irmãs e terem apenas um ano de diferença, Bea e Melanie são como o sol e a lua. Bea tem cabelos escuros, curtos, e olhos castanhos que brilham como ouro líquido quando ela está excitada. Seu corpo é um convite ao pecado, curvilíneo, moldado para o prazer. Adoro a forma como ela se entrega sem resistência, como me permite tomar tudo o que quero sem questionar. Diferente de Melanie.

A bela ruiva que insiste em manter sua pureza intacta, me testando, me provocando sem nem perceber. Seus longos cabelos volumosos são como chamas vivas, e seus olhos verdes, brilhantes e intensos sempre carregaram um misto de inocência e fascínio quando pousavam sobre mim. Eu nunca a vi nua. Nunca toquei sua pele da forma como desejo. Ela insiste em esperar até o casamento, como se isso mudasse alguma coisa, como se fosse me impedir de possuí-la por completo quando chegar a hora. A simples ideia de ser o primeiro, o único a dominá-la, a quebrá-la e moldá-la para mim sempre me fascinou. Sempre me fez desejar mais.

E agora ela me rejeitou. Minha mandíbula se contrai, a frustração pulsando em minhas têmporas. Algo está errado. Algo mudou. Mas eu não aceito perder. Não aceito que Melanie, minha doce e obediente Melanie, de repente tenha decidido que não me quer. Isso não vai ficar assim.

Minhas lembranças divagam para os momentos em que estive com Bea. O calor de sua pele, a forma como se entrega a mim sem resistência. Meu corpo reage à lembrança, meu membro se enrijecendo sob o tecido da minha calça. Um desejo primitivo percorre minha espinha. Talvez eu devesse procurá-la agora. Talvez eu devesse afogar essa irritação em seu corpo macio e complacente. Mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, uma voz se intromete nos meus pensamentos.

“Ficou sabendo, Karl?” Tyler surge ao meu lado junto com o seu beta Henry.

Me viro para encará-lo e manter o ambiente cordial. Arqueio a sobrancelha em sua direção, indicando que não sei o que ele está insinuando.

“Seu primo, o rei Ryan, logo mais estará aqui,” Tyler anuncia, e há um traço de satisfação em seu tom.

A simples menção ao nome de Ryan faz meu sangue ferver. Um gosto amargo se instala na minha boca. Bastardo inútil. Filho de uma vadia qualquer que meu tio teve a audácia de reconhecer. Ryan nunca deveria ter herdado o trono. Nunca deveria ter sido nada além de um erro vergonhoso escondido nos cantos sombrios do castelo. Mas não. Ele está no poder. Ele ocupa o lugar que deveria ser meu.

“É uma notícia incrível, alfa Tyler. O aniversário de Melanie só tem melhorado.” Minha voz é cortês, meu tom falsamente modesto. Mas, por dentro, estou fervendo.

Do outro lado do salão, um aroma doce e familiar invade minhas narinas. O cheiro inconfundível de Bea. Meus olhos varrem a multidão até encontrá-la, e quando nossos olhares se cruzam, ela me lança um sorriso cheio de segundas intenções. Então, discretamente, faz um pequeno gesto com a mão.

“Se vocês me dão licença, preciso resolver um assunto, já venho,” declaro para o alfa Tyler e seu beta Henry.

Não dou a eles tempo para questionamentos. Apenas me afasto, ajeitando o punho da camisa sob o paletó perfeitamente alinhado ao meu corpo. Meu faro já captou o cheiro que procuro, aquele aroma inebriante e viciante que me leva direto para o que quero. Bea.

Sigo o rastro dela sem hesitação, afastando-me gradualmente do burburinho da festa. Os sons das conversas e risadas se tornam abafados, distantes, até desaparecerem por completo quando entro em um corredor pouco iluminado e quase deserto.

O silêncio aqui é denso, envolvente, e a excitação dentro de mim se intensifica ao vê-la ali, parada, encostada contra a parede, os braços cruzados sobre o peito, um sorriso malicioso nos lábios. Seus olhos castanhos brilham, predatórios, enquanto me observam me aproximar.

Assim que me aproximo dela, Bea me puxa pela gravata para dentro de um escritório espaçoso. Nossos lábios logo se encontram em um beijo fervoroso.

Assim que estou perto o suficiente, Bea não perde tempo. Seus dedos ágeis se fecham ao redor da minha gravata, puxando-me com um movimento firme para dentro do escritório, e antes que eu possa dizer qualquer coisa, sua boca se choca contra a minha. O beijo é urgente, devorador, carregado de desejo e necessidade. Ela sabe o que quero. E sabe que quero agora.

Meus dedos se enterram na sua cintura fina, puxando seu corpo contra o meu, sentindo cada curva deliciosa pressionada contra mim. O perfume dela me embriaga, e um rosnado rouco escapa da minha garganta enquanto desço os lábios para o seu pescoço, mordiscando sua pele quente.

“Estava louco para te ter, minha gostosa.” Minha voz sai carregada de desejo, de posse, de domínio.

Ela suspira contra meu ouvido, os dedos já explorando meu corpo com pressa, sem hesitação. Suas mãos deslizam para minha calça, enquanto as minhas sobem pela lateral do seu vestido justo, sentindo a pele macia sob os dedos. E então percebo. Nenhuma calcinha.

O simples fato de saber que ela veio me encontrar assim, pronta para mim, já me deixa em um estado de excitação intensa. Um sorriso arrogante surge em meus lábios enquanto a viro de costas, prendendo-a entre meu corpo e a mesa atrás dela.

O tempo parece se dissolver enquanto tomo o que é meu, enquanto imponho meu domínio sobre ela, enquanto a faço se entregar completamente, sem hesitação, sem reservas. O escritório silencioso se torna nosso mundo particular, onde só existe luxúria, desejo e a certeza de que Bea sempre estará à minha disposição.

Quando tudo termina, me afasto, ajeitando meu paletó com movimentos calculados, minha expressão já voltando ao controle frio e impecável de sempre.

“Eu te vejo hoje mais tarde?” A voz dela é suave, melosa, e seus dedos traçam círculos no meu pescoço, tentando me puxar para outro beijo.

Mas eu já me cansei. Bea sempre fica insuportavelmente pegajosa depois do sexo, e isso me irrita profundamente. Seu toque insistente, sua necessidade de afeto, sua tentativa frustrante de criar alguma conexão além do que temos… Tudo isso me dá vontade de mandá-la embora no mesmo instante.

Me afasto sem delicadeza, pegando meu celular no bolso e verificando as horas. Ainda tenho um assunto mais importante para resolver.

“Não.” Minha resposta é curta e fria. “Tenho coisas melhores para fazer mais tarde.”

Vejo o brilho de expectativa no olhar dela se apagar no mesmo instante, mas isso não me comove nem um pouco.

“Preciso garantir que sua irmã se case comigo, como você disse que ela faria.”

Bea aperta os lábios, visivelmente contrariada. Seus braços se cruzam e seu olhar, antes cheio de desejo, agora carrega uma sombra de irritação.

“Ela decidiu hoje cedo que não iria se casar, que está nova demais para isso.” O tom dela é de frustração, como se estivesse desapontada com a irmã. “Tentei fazê-la mudar de ideia, mas não consegui.”

Minha mandíbula se contrai, mas logo um sorriso divertido surge em meus lábios. Ah, Melanie. Acha mesmo que pode escapar de mim assim? Que pode simplesmente decidir o que quer e o que não quer? Que ilusão ridícula!

“É, mas eu consigo, não se preocupe,” digo com orgulho. “Agora volte para a festa. Preciso fazer uma importante ligação.”

Ela hesita por um segundo, mas obedece. Assim que a porta se fecha atrás dela, solto um suspiro impaciente, passando a mão pelos cabelos para afastar qualquer vestígio da nossa rápida diversão. Então, pego meu telefone e disco um número já muito familiar.

“Preciso que vocês façam o seguinte. Essa noite, sequestrem a minha namorada, Melanie O’brien ao sair da festa.”

Toda mulher gosta de um herói. Gosta de se sentir protegida, resgatada, cuidada. E eu serei isso para Melanie. Ela só não sabe ainda. Mas em breve, muito em breve, ela vai entender que não tem escolha. Ela será minha. Para sempre.

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