Melanie PovKarl não vai deixar a situação do noivado barato. Ele nunca aceita perder, nunca deixa algo passar sem uma resposta. O orgulho ferido dele é como uma fera acuada, e isso o torna ainda mais perigoso. Sinto seu olhar queimando sobre mim durante toda a festa, como se estivesse me estudando, analisando cada movimento meu, buscando alguma brecha para agir.Assim como também sinto o olhar de Ryan sobre mim. Ele não tenta disfarçar. Há intensidade na forma como seus olhos me seguem, algo que faz minha pele arrepiar, mesmo contra a minha vontade.“Ele é nosso companheiro, Mel! Devíamos conversar com ele, agora!” Faith insiste dentro da minha mente, sua voz carregada de súplica e urgência. Sua necessidade de se conectar a Ryan é quase palpável, uma fome insaciável que me sufoca.“Eu não tenho tempo para isso, Faith. Amor não é mais minha prioridade, lembra como foi da última vez? Nós perdemos nosso bebê!” Declaro magoada e ressentida. “Ryan Gordon é primo de Karl, ninguém me garante
Melanie povEle abaixa a cabeça, seus lábios se aproximam dos meus. Não há ternura, não há carinho—apenas a pressão brutal de sua boca tentando reivindicar algo que nunca foi dele. O cheiro forte de álcool e arrogância me envolve, e minha náusea se intensifica.“Eu não quero me deitar com você. Me larga,” digo com raiva, sabendo que isso apenas vai atiçar ainda mais a vontade de Karl.Karl gira o meu corpo, me pressionando contra uma árvore. De costas para ele, eu retiro a seringa do decote do meu vestido.“Foda-se o que você quer, Melanie! Você é minha e vai me obedecer a partir de agora!” Ele declara com raiva.Assim que ouço ele mexer na própria calça, giro meu corpo e enfio a seringa em seu ombro com força, depositando todo o sedativo em seu corpo. A reação de Karl é me dar um forte tapa no rosto, me deixando desnorteada e eu perco o equilíbrio, quase caindo no chão.“Sua vagabunda!” Ele grita para mim, me segurando para que eu não fuja dele.Sua respiração se torna errática, seus
Melanie PovA rapidez com que a notícia do rompimento do meu relacionamento com Karl se espalha pela minha alcateia me surpreende. O que antes era um relacionamento estável e, aos olhos de muitos, inabalável, agora se tornou um escândalo que ecoa em cada canto do território. É como se eu tivesse cometido um crime imperdoável, uma traição à ordem natural das coisas.Por semanas, ouço meu nome ser murmurado em tons reprovadores sempre que passo. Os olhares que antes me recebiam com respeito e familiaridade agora carregam desaprovação e desapontamento.E essa hostilidade crescente começa a se manifestar não apenas em olhares e murmúrios. Os membros da minha matilha tornam-se mais ríspidos. Pequenos gestos que antes eram amigáveis, como um aceno ou um sorriso, agora se tornam inexistentes.É durante minha corrida matinal pelo território da Killmoon que algo me chama a atenção. Um movimento entre as árvores. É Bea, minha irmã. Ela se move sorrateiramente, esgueirando-se entre os troncos da
Melanie PovQuando finalmente chega o momento de me dirigir à reunião, Bea aparece ao meu lado com sua expressão perfeitamente ensaiada de preocupação fraternal.“Maninha, não se preocupe. As coisas vão melhorar, tenho certeza,” ela diz com uma voz dócil e fingida. “Você fez a coisa certa com o Karl.”Meu rosto exibe um sorriso polido, treinado, mas dentro de mim, minha fúria borbulha como um vulcão prestes a entrar em erupção. Minhas mãos formigam com a necessidade de confrontá-la, de jogá-la contra a parede e fazê-la confessar tudo diante de todos.Acompanho Bea até nossos lugares. Minha mãe está sentada ao lado dela, serena como sempre, sem suspeitar da serpente que cria dentro de nossa casa. Meu pai, em sua posição de Alfa, mantém sua postura firme e imponente, pronto para liderar a reunião.Assim que os membros da matilha se acomodam, a discussão começa. O assunto? Meu rompimento com Karl. De novo. Sinto como se estivesse presa em um pesadelo interminável, sendo julgada repetidas
Melanie PovTodos os anos ocorre o treinamento anual entre as alcateias mais importantes. A Killmoon, Greenshadow, Nightfall e a Mount. Em minha antiga vida, nunca quis fazer parte do treinamento por achar desnecessário e nenhum pouco feminino saber lutar e saber estratégias. Como eu era inocente e burra!“Para que devemos ir para esse maldito treinamento?” Bea reclama, contrariada.Já estamos na arena onde ocorre o treinamento anual. Esse ano será em nosso território. Já há carros estacionados e muito integrantes das outras alcateias reunidas, conversando entre si.“Porque precisamos mostrar para o nosso povo que estamos aptas a liderá-los,” respondo com calma.“Isso mesmo, minha princesa. Nossos súditos precisam ver que você tem tudo o que é necessário para se tornar a próxima alfa da nossa matilha,” papai declara com orgulho na voz.Noto Bea revirar os olhos de descontentamento.“Será que conseguiremos ver o alfa Alex?” Indago curiosa, olhando ao redor pelos integrantes da alcateia
Melanie povPuxo Bea para cima, me fazendo parecer que perdi o equilíbrio em cima dela e tombei para o chão. Fazendo com que pareça que Bea conseguiu se libertar da minha dominação com um golpe proibido.“BEA! Você quase quebrou o meu nariz!” Digo com a mão no rosto, me retorcendo no tatame.Antes que eu possa sequer levantar o rosto do tatame, sinto um par de mãos fortes segurando minha cintura.O cheiro de Ryan invade meus sentidos antes mesmo que eu veja seu rosto. Seu toque quente é firme, protetor, e a forma como ele me segura me faz sentir algo que não deveria sentir no meio de uma arena de luta.“Melanie, você está bem? Está machucada?” Ryan questiona, preocupado e, por um momento, esqueço onde estou.Meus olhos se cruzam com os dele e fico por um instante sem fôlego. Pelos deuses, como ele é bonito!“Estou, apenas… Bea fez alguma coisa que me deixou desnorteada e acho que quebrei o nariz.”O olhar de Ryan se volta para Bea, e posso ver seu maxilar se retesando. Ele não gosta d
Bea Pov “Aquela piranha precisa morrer, Bea!” Vicky, minha loba, sibila com um rosnado envenenado em minha mente, sua fúria pulsando em meu sangue.Meus músculos ainda estão tensionados, doloridos pelo embate. Sinto os poderes de lobo começarem a agir nas feridas que Melanie fez contra mim. Minha paciência está se esgotando. Aquela garota irritante, estúpida e infantil que insiste em se colocar no meu caminho.“Precisamos nos encontrar com ele,” Vicky sugere. “Ele veio com essa nova leva de membros para treinar.”“Vai ser perigoso,” murmuro em pensamento, sentindo o peso do risco latejar em minha consciência. “Melanie já sabe que eu e Karl estamos tramando algo.”“É, mas ela não sabe do nosso espião.” Vicky rebate, e posso sentir seu deleite em sua voz, impregnado de orgulho. “Melanie ainda é uma garota burra e ingênua!”Minhas sobrancelhas se franzem. Algo naquelas palavras ressoa errado. Me jogo sobre a cama, os olhos fixos no teto e deixo o pensamento se desenrolar. Há algo… estra
Melanie Pov Estou transformada em minha loba Faith. Ela é veloz e muito silenciosa, suas habilidades lupinas sempre me impressionam.“Não podemos chegar muito perto para ela não suspeitar de nós,” digo preocupada, mesmo sabendo que minha loba já entende a necessidade do sigilo.Faith uiva em resposta, uma melodia sombria que se entrelaça com os uivos dos outros lobos espalhados pela floresta. Somos apenas mais uma entre as sombras, apenas mais um par de olhos cintilantes no escuro.“Bea não consegue diferenciar os cheiros de nós lobos, estamos seguras,” Faith responde, e sua voz em minha mente carrega um tom de satisfação, quase arrogância.Nos aproximamos do local onde Bea se esgueirou na floresta. Pensei no início que seria com Karl que ela estaria se encontrando, fiquei surpresa ao descobrir que era um ômega de outra alcateia.“Nesse final de semana, usarei um veneno no alfa Tyler. Isso será o momento ideal para o alfa Phill vir e atacar a alcateia e subjuga-la,” Bea declara com u