Melanie Pov
Há uma enorme locomoção em nosso território, papai tem instalado muito mais câmeras de segurança em nossa propriedade e também nas casas dos nossos membros da matilha após o meu sequestro. Já se passou um mês e Karl ainda se vangloria por ter supostamente me salvado, tentando ganhar a simpatia de meu pai e da alcateia.
“Isso é mesmo necessário, papai?” Bea questiona irritada. Um funcionário está instalando câmera no corredor dos nossos quartos.
“Sim, minha filha,” papai responde. “Não posso permitir outro ataque contra a vida da Melanie ou contra qualquer um de nós!”
“Já sabemos quem fez aquilo, algum suspeito?” pergunto curiosa. Não consegui reconhecer o cheiro dos lobisomens nem seus rostos, não saberia dizer de qual matilha eram.
“Eram desgarrados, mercenários provavelmente. Alguém havia contratado eles para levá-la,” Tyler explica com a voz contrariada. Os olhos do meu pai ficam sombrios com a declaração. “Temos inimigos, só preciso descobrir quais.”
Quero poder apontar para Karl, meu namorado e para Bea, só que isso ainda não é o correto. Preciso de provas concretas e sei que papai nunca acreditaria que sua doce e meiga filha Bea é capaz de tamanha atrocidade.
“Vamos descobrir, papai, tenho certeza,” digo por fim, dando um incentivo.
“Ah, esse papo já está chato demais. Vamos, Mel, precisamos escolher nossas roupas para o aniversário da matilha!” Bea declara, ela pega a minha mão e me puxa para longe de papai.
Tyler solta uma risada e eu fico com o corpo rígido ao sentir o toque traiçoeiro de minha irmã. Ela ainda tem se empenhado para parecer uma irmã gentil e amável, só que em algumas noites, eu sei que ela tem fugido de casa para encontrar Karl. Talvez seja por isso que ela não queira tantas câmeras vigiando-a.
Me deixo ser conduzida por ela até o seu quarto, manter a inocência e o afeto que um dia eu possui por Bea tem sido difícil. Meu coração ainda sofre pela perda do meu bebê e pela traição fatal que ela fez contra mim.
“Qual vestido você acha que combina mais comigo?” Bea diz, abrindo o guarda-roupa e a infinidade de opções.
Olho em sua direção e tento manter o meu papel de irmã mais velha, só que é difícil. Bea vai retirando opções e mais opções de vestidos para experimentar.
“Você ainda não quer se casar com o Karl?” Bea questiona de repente, me pegando desprevenida.
Qual é o plano dela? Karl a mandou perguntar isso? Saber como ainda me sinto?
Me sento no parapeito da janela, me afastando um pouco mais da presença traiçoeira de Bea.
“Sim, ainda acho que sou nova demais para isso,” respondo com frieza.
Preciso bolar um plano para conseguir terminar meu relacionamento com Karl de vez. Não quero ser sua esposa e com certeza não quero continuar sendo sua namorada.
“Mesmo depois de ele ter te salvado? Aquilo foi tão romântico, não acha?” Bea diz com o ar apaixonado.
“Não, não foi romântico,” rebato séria. “Foi assustador, achei que eu poderia morrer ali.”
Além de que nem foi Karl que me salvou. A imagem do homem misterioso e bonito volta à minha mente, meu coração se agita com a lembrança.
“É, mas não morreu, pare de ser dramática, Mel,” Bea responde. “Você tem sorte e não sabe valorizar isso. Karl é o primo do rei, a posição dele é da realeza. Você seria tratada como princesa!”
A menção ao rei me traz a lembrança do meu aniversário, quando Amelie comentou sobre o rei talvez comparecer à minha festa, isso não aconteceu. Entretanto, eu havia conseguido o número pessoal dele.
“Bea, preciso ir. Qualquer vestido que você escolher vai ser bonito,” digo apressada, já saindo do seu quarto com passos ligeiros.
Assim que chego na privacidade do meu quarto, fecho a porta e disco o número do rei no meu celular. Talvez ele não atenda, ele é um homem ocupado. Afinal, ele é o rei. Só que para a minha surpresa, ele atende.
“Quem é?” Sua voz ressoa firme e masculina do outro lado da linha, me causando um arrepio na nuca involuntário.
“Oi, é a Melanie O’brien. Sou filha do alfa Tyler O’brien da matilha Killmoon,” me apresento com certa timidez na voz. “Posso falar com o rei alfa Ryan Gordon, por gentileza?”
“É ele, o que você deseja?” Ryan responde com frieza.
Sinto o meu coração martelar em meu peito com ansiedade. Como posso explicar que preciso da sua ajuda?
“Eu gostaria de te pedir um favor, Majestade,” digo com nervosismo na voz. “É sobre seu primo, Karl.”
Há um silêncio do outro lado da linha, não sei se isso é bom sinal ou não. Porém, continuou a falar:
“Karl e eu estamos juntos já faz um tempo, entretanto, eu não tenho conseguido achar uma maneira de encerrar essa nossa aproximação, entende, Majestade?”
“E o que eu tenho a ver com isso, senhorita Melanie?” Ryan responde.
“O senhor é o rei, primo de Karl. Acredito que sua influência teria muito peso nessa situação, Karl ficaria extremamente constrangido, porém, eu ficaria extremamente grata e lhe devendo um enorme favor.”
“Não é prudente dever favores para reis, senhorita Melanie,” Ryan declara sério.
“Compreendo, Majestade. Mas prefiro dever ao senhor do que me manter em uma relação que não tem me trazido nada além de frustrações. Acredito que você conheça a verdadeira natureza de seu primo…” insinuo. “Vossa Majestade acha correto eu me manter ao lado dele?”
“Como seu rei, senhorita Melanie, no momento oportuno, irei cobrar de você o favor. Irei comparecer ao aniversário da sua matilha, até breve.”
Ryan desliga a chamada antes que eu pudesse agradecer por sua ajuda. Uma onda de alegria percorre o meu corpo. O rei alfa, Ryan Gordon, vai me ajudar a dar um pé na bunda de Karl, essa notícia é boa demais!
Melanie Pov“Por que você está olhando tanto para a porta de entrada?” Amelie pergunta curiosa.Estamos sentadas na mesa principal, junto com a minha família e a dela, já que Amelie é filha do beta Henry. A cerimônia de aniversário da minha matilha já iniciou. Até mesmo o beta Laios da alcateia Nightfall está presente e nada do rei Ryan. Será que ele repensou melhor e decidiu não me ajudar?“Por nada, apenas estou distraída,” respondo com um sorriso amistoso nos lábios.Até que anunciam a chegada do rei. Todos nós ficamos de pé para recebê-lo, fico ansiosa e na expectativa para conhecê-lo finalmente. Assim que o rei Ryan passa pela porta principal, meu coração gela, meu corpo inteiro se enrijece e uma mistura caótica de choque e descrença explode dentro de mim.É ele.O homem que me salvou. Agora, no entanto, ele não está coberto de sangue ou envolto em sombras ameaçadoras. Meu salvador não é um guerreiro qualquer, um lobo perdido nas sombras. Não. Ele é o rei. O alfa supremo. O líde
Ryan Pov“Por que a gente está aqui, Ryan?” A voz de Logan, meu lobo, ecoa dentro da minha mente, carregada de impaciência e frustração. “Não estamos dormindo direito já faz três noites. Uma cerimônia de aniversário é o pior lugar em que deveríamos estar.”Ao ouvir sua reclamação, respiro fundo e tento ignorar o cansaço que pesa sobre meus ombros. Meus músculos estão tensos, minha cabeça lateja de exaustão, e por um breve momento, fecho os olhos, lutando contra a necessidade de soltar um bocejo que ameaça escapar. Meu corpo pede descanso, implora por algumas horas de sono profundo, mas minha mente se recusa a ceder.Já faz um mês desde que comecei a sonhar com ela. Todas as noites, sem exceção, sua imagem invade meus pensamentos, como se estivesse gravada em minha alma. Aqueles cabelos ruivos, tão vibrantes quanto chamas dançando ao vento, aqueles olhos esverdeados intensos. Ela me persegue nos sonhos, me atormenta com sua presença etérea, e agora, nesses últimos três dias, tudo parec
Ryan Pov A simples ideia me desestabiliza. Meu peito sobe e desce com a respiração pesada, e meus punhos se fecham involuntariamente. O calor do meu próprio corpo se torna incômodo, como se uma febre surgisse do nada, incendiando minhas veias. Meus sentidos, já aguçados, se expandem ainda mais. Consigo ouvir o som de risadas e conversas ao redor, o tilintar de taças se encontrando no ar, a melodia suave tocada pelos músicos no canto do salão, e no meio de tudo isso… o batimento cardíaco dela.Rápido. Errático. Ela também está sentindo isso.“Majestade, temos uma mesa reservada para o senhor,” um funcionário diz, me puxando de volta para a realidade.Respiro fundo e volto minha atenção para a cerimônia. Conversarei com Melanie ao fim da festa, é o mais correto. Vou em direção à mesa onde sou designado. Muitos nobres vêm falar comigo e eu mantenho uma conversa educada e gentil.Meus olhos, no entanto, se recusam a desviar de Melanie. Ela está sentada na mesa principal, cercada por figu
Melanie PovKarl não vai deixar a situação do noivado barato. Ele nunca aceita perder, nunca deixa algo passar sem uma resposta. O orgulho ferido dele é como uma fera acuada, e isso o torna ainda mais perigoso. Sinto seu olhar queimando sobre mim durante toda a festa, como se estivesse me estudando, analisando cada movimento meu, buscando alguma brecha para agir.Assim como também sinto o olhar de Ryan sobre mim. Ele não tenta disfarçar. Há intensidade na forma como seus olhos me seguem, algo que faz minha pele arrepiar, mesmo contra a minha vontade.“Ele é nosso companheiro, Mel! Devíamos conversar com ele, agora!” Faith insiste dentro da minha mente, sua voz carregada de súplica e urgência. Sua necessidade de se conectar a Ryan é quase palpável, uma fome insaciável que me sufoca.“Eu não tenho tempo para isso, Faith. Amor não é mais minha prioridade, lembra como foi da última vez? Nós perdemos nosso bebê!” Declaro magoada e ressentida. “Ryan Gordon é primo de Karl, ninguém me garante
Melanie povEle abaixa a cabeça, seus lábios se aproximam dos meus. Não há ternura, não há carinho—apenas a pressão brutal de sua boca tentando reivindicar algo que nunca foi dele. O cheiro forte de álcool e arrogância me envolve, e minha náusea se intensifica.“Eu não quero me deitar com você. Me larga,” digo com raiva, sabendo que isso apenas vai atiçar ainda mais a vontade de Karl.Karl gira o meu corpo, me pressionando contra uma árvore. De costas para ele, eu retiro a seringa do decote do meu vestido.“Foda-se o que você quer, Melanie! Você é minha e vai me obedecer a partir de agora!” Ele declara com raiva.Assim que ouço ele mexer na própria calça, giro meu corpo e enfio a seringa em seu ombro com força, depositando todo o sedativo em seu corpo. A reação de Karl é me dar um forte tapa no rosto, me deixando desnorteada e eu perco o equilíbrio, quase caindo no chão.“Sua vagabunda!” Ele grita para mim, me segurando para que eu não fuja dele.Sua respiração se torna errática, seus
Melanie PovA rapidez com que a notícia do rompimento do meu relacionamento com Karl se espalha pela minha alcateia me surpreende. O que antes era um relacionamento estável e, aos olhos de muitos, inabalável, agora se tornou um escândalo que ecoa em cada canto do território. É como se eu tivesse cometido um crime imperdoável, uma traição à ordem natural das coisas.Por semanas, ouço meu nome ser murmurado em tons reprovadores sempre que passo. Os olhares que antes me recebiam com respeito e familiaridade agora carregam desaprovação e desapontamento.E essa hostilidade crescente começa a se manifestar não apenas em olhares e murmúrios. Os membros da minha matilha tornam-se mais ríspidos. Pequenos gestos que antes eram amigáveis, como um aceno ou um sorriso, agora se tornam inexistentes.É durante minha corrida matinal pelo território da Killmoon que algo me chama a atenção. Um movimento entre as árvores. É Bea, minha irmã. Ela se move sorrateiramente, esgueirando-se entre os troncos da
Melanie PovQuando finalmente chega o momento de me dirigir à reunião, Bea aparece ao meu lado com sua expressão perfeitamente ensaiada de preocupação fraternal.“Maninha, não se preocupe. As coisas vão melhorar, tenho certeza,” ela diz com uma voz dócil e fingida. “Você fez a coisa certa com o Karl.”Meu rosto exibe um sorriso polido, treinado, mas dentro de mim, minha fúria borbulha como um vulcão prestes a entrar em erupção. Minhas mãos formigam com a necessidade de confrontá-la, de jogá-la contra a parede e fazê-la confessar tudo diante de todos.Acompanho Bea até nossos lugares. Minha mãe está sentada ao lado dela, serena como sempre, sem suspeitar da serpente que cria dentro de nossa casa. Meu pai, em sua posição de Alfa, mantém sua postura firme e imponente, pronto para liderar a reunião.Assim que os membros da matilha se acomodam, a discussão começa. O assunto? Meu rompimento com Karl. De novo. Sinto como se estivesse presa em um pesadelo interminável, sendo julgada repetidas
Melanie PovTodos os anos ocorre o treinamento anual entre as alcateias mais importantes. A Killmoon, Greenshadow, Nightfall e a Mount. Em minha antiga vida, nunca quis fazer parte do treinamento por achar desnecessário e nenhum pouco feminino saber lutar e saber estratégias. Como eu era inocente e burra!“Para que devemos ir para esse maldito treinamento?” Bea reclama, contrariada.Já estamos na arena onde ocorre o treinamento anual. Esse ano será em nosso território. Já há carros estacionados e muito integrantes das outras alcateias reunidas, conversando entre si.“Porque precisamos mostrar para o nosso povo que estamos aptas a liderá-los,” respondo com calma.“Isso mesmo, minha princesa. Nossos súditos precisam ver que você tem tudo o que é necessário para se tornar a próxima alfa da nossa matilha,” papai declara com orgulho na voz.Noto Bea revirar os olhos de descontentamento.“Será que conseguiremos ver o alfa Alex?” Indago curiosa, olhando ao redor pelos integrantes da alcateia