Melanie Pov
Noto minha irmã Bea voltando para o salão de festa após ter desaparecido por um tempo considerável. Seus cabelos estão um pouco desalinhados e há um brilho suspeito em seus olhos, um vestígio de satisfação mal contida. Meu olhar varre o salão, buscando Karl, mas ele também está ausente. Farejo, mesmo à distância, o cheiro dela misturado com o de Karl. O inconfundível aroma amadeirado dele agora está impregnado nela, se misturando ao doce perfume floral que Bea sempre usa. É nauseante. Nojo e raiva se chocam dentro de mim com uma violência esmagadora.
Os dois estão juntos desde o início. Meu coração se enche de raiva e ódio. Minha própria irmã tem planejado a minha morte há muito mais tempo do que eu imaginava. Por que ela me trairia assim? Depois de tudo o que fiz por ela… Depois de tudo o que suportei para protegê-la.
O que mais dói não é apenas a traição, mas o fato de que eu a amava. Eu a amava tanto. Minha irmã. Meu sangue. E, mesmo assim, ela escolheu ser a mão que tenta me destruir.
Durante o restante da festa, evito qualquer contato direto com Bea. Não posso olhá-la agora. Não posso enfrentá-la antes de ter certeza de como quero agir. Cada fibra do meu ser pede para que eu vá até ela e a confronte imediatamente, que grite, que a faça pagar por isso, mas preciso de controle. Então, engulo a raiva e forço um sorriso para aqueles que me rodeiam. Me divirto com Amelie, converso com outros convidados, deixo que a máscara de indiferença cubra o que estou sentindo. Mas, por dentro, estou queimando.
Quando a festa está se esvaziando e os últimos convidados começam a se despedir, Amelie se aproxima de mim com um brilho de expectativa nos olhos.
“Infelizmente não consegui conhecer o rei,” comento cabisbaixa para Amelie.
Amelie segura meu braço de forma encorajadora, tentando me convencer a ficar um pouco mais.
“Fique mais um pouco, Mel…” Amelie pede com a voz animada. “Talvez ele venha agora que a maioria das pessoas foram embora.”
Balanço a cabeça, negando o seu pedido. A tensão de tudo o que descobri esta noite me exaure, e cada minuto adicional nesta festa parece um peso maior do que posso suportar.
“Preciso ir, já está muito tarde e esses sapatos estão me matando,” respondo com cansaço na voz.
Me despeço dos meus convidados e também da minha família. Vou em direção ao estacionamento que agora já está praticamente vazio, sobrando poucos carros. A noite está um breu, sem uma lua no céu e a única fonte de luz são os postes mais afastados.
O som dos meus próprios passos ecoa contra o concreto frio, e um arrepio percorre minha espinha. Algo está errado. Meus instintos tentam me alertar, mas antes que eu possa reagir, mãos fortes me agarram por trás. Um pano áspero é pressionado contra meu rosto, e o cheiro químico invade minhas narinas, queimando minha garganta e me fazendo tossir.
Me debato com toda força que consigo reunir, tentando chutar e arranhar, mas meu agressor é implacável. Seus braços me envolvem como ferro, prendendo-me contra ele enquanto minha visão começa a se nublar. O desespero me engole e meu corpo luta por ar. Preciso reagir, preciso…
Mas antes que eu consiga fazer qualquer outra coisa, tudo ao meu redor se apaga.
Acordo com um sobressalto, puxando o ar em golfadas desesperadas. Meu corpo treme. Estou gelada. O frio se infiltra na minha pele, me fazendo arrepiar dos pés à cabeça. Tento me mover, mas algo impede. Minhas mãos. Estão amarradas. Meus pés também.
O pânico toma conta de mim em um instante, disparando meu coração em uma corrida desenfreada. Meus sentidos estão entorpecidos. É como se meu lado lobisomem estivesse… desligado. Não consigo acessar minha loba. Não sinto sua presença dentro de mim. E isso me apavora mais do que qualquer outra coisa.
Estou deitada em algo áspero, desconfortável. O colchão velho de uma cama de madeira que range a cada movimento meu. O cheiro de mofo e umidade invade minhas narinas e só agora percebo que o lugar onde estou é um quarto miserável, decadente. As paredes apresentam rachaduras profundas, e as janelas… Estão bloqueadas. Tábuas de madeira pregadas de qualquer jeito impedem qualquer visão do lado de fora.
Minha respiração sai entrecortada quando percebo algo ainda pior. Estou nua. Completamente desprotegida. Um nó de puro terror se forma no meu estômago. Minha pele formiga e sinto meu rosto esquentar em um misto de vergonha e horror. Meus pulsos começam a doer conforme tento me soltar, puxando com toda a força que tenho. Mas as cordas são resistentes. Meus esforços só fazem com que elas se apertem ainda mais, cortando minha pele.
Ouço vozes. Elas vêm do lado de fora da porta. Pelo menos três homens estão ali, conversando entre si. Não consigo distinguir exatamente o que dizem, mas sei que não pode ser nada bom.
Engulo em seco, lutando para segurar o desespero. Minha mente trabalha freneticamente, tentando encontrar alguma saída. Mas estou impotente. Sem minha força, sem minha loba, sem sequer uma roupa para cobrir meu corpo, sou apenas uma mulher frágil e vulnerável.
Os três homens entram no quarto e me sinto mais uma vez apavorada com suas presenças. São homens musculosos e mascarados, imagino que sejam lobisomens iguais a mim.
“Hm… a princesinha finalmente acordou,” um deles declara com a voz rouca e grossa. Ele se aproxima de mim e sua mão passa pelo meu braço despido. “Sabe, você parece deliciosa demais para ficar apenas assim, acorrentada. Não acham, meninos?”
Os outros dois rapazes concordam com uma risada curta.
“Ouvi dizer que você é virgem,” o rapaz continua, ele se aproxima e puxa o ar com força perto do meu pescoço. Isso me causa repulsa e tento me esquivar da sua aproximação. “É, você tem cheiro delicioso de uma virgem. Faz tempo que não fodo com uma.”
Meu sangue gela e eu me debato para me afastar dele.
“Vocês não precisam fazer isso!” eu digo nervosa. “Minha família tem dinheiro, muito, mas muito dinheiro. Eu posso conseguir para vocês.”
Os três homens soltam uma risada áspera.
“Não queremos o seu dinheiro, princesa. Queremos você, do jeitinho que você está,” outro homem declara. Ele está de pé na frente da cama e começa a desvencilhar o cinto da calça.
É isso, eu vou ser violentada e morta essa noite! Tive uma nova chance na vida e já a perdi em menos de quarenta e oito horas. Mais uma vez, sendo morta de uma forma horrível e cruel.
O pânico aperta meu estômago, me deixando enjoada. Sinto minha visão turva, lágrimas se acumulando, mas não as deixo cair. Não posso demonstrar fraqueza, não posso dar a eles o prazer de verem meu desespero.
Os dedos rudes e frios percorrem minha pele sem o mínimo de delicadeza, me arrancando um arrepio de puro desgosto. Meu corpo se retrai involuntariamente, mas estou imobilizada. A repulsa me domina. O cheiro deles, uma mistura de suor, álcool e algo podre, enche minhas narinas, me fazendo querer vomitar. Quero gritar, quero lutar, quero fugir, mas as amarras são implacáveis.
Então, de repente, tudo muda.
A porta do quarto é arremessada para longe com um estrondo ensurdecedor. A madeira se parte ao colidir contra a parede, levantando uma poeira fina. Um rugido bestial ecoa pelo espaço, reverberando em cada canto do cômodo como um trovão.
O lobisomem que invade o quarto é colossal. Sua pelagem negra brilha sob a fraca luz do cômodo, os olhos dourados brilhando como brasas vivas, repletos de fúria. Cada músculo de seu corpo se move com precisão letal, transbordando poder. Ele é um predador supremo, uma máquina de destruição em sua forma mais pura. O ar se enche de um cheiro metálico e denso antes mesmo que os primeiros gritos soem.
Os três homens ao meu redor não hesitam, transformam-se imediatamente. Ossos se deslocam, músculos se expandem, garras surgem. Os rosnados deles enchem o ambiente, selvagens, prontos para lutar. Mas é inútil. O enorme lobisomem negro ataca como uma tempestade de lâminas e sombras. Seu corpo se move rápido demais para os olhos acompanharem. Ele despedaça um dos homens com um único golpe de suas garras afiadas, rasgando carne e osso como se fossem feitos de papel. O sangue espirra, quente e denso, respingando em mim.
Meu coração ameaça saltar do peito. Meu corpo treme, mas não consigo desviar o olhar. A cena diante de mim é brutal, visceral. O som da carne sendo dilacerada, os estalos dos ossos se quebrando, os uivos de dor e desespero dos homens sendo aniquilados — tudo se mistura em uma cacofonia horripilante.
Os outros dois tentam contra-atacar, mas são esmagados com a mesma facilidade impiedosa. Sangue escorre pelo chão de madeira, formando poças espessas. O último grito agonizante ecoa antes de ser silenciado para sempre. O único som que resta é minha própria respiração errática e o gotejar do sangue das garras do lobisomem. Ele para na minha frente, o rosto ainda tingido de vermelho. Os olhos dourados, selvagens e implacáveis, se fixam em mim. Um arrepio percorre minha espinha. O que vem agora? Ele também vai me matar? Sou apenas uma presa indefesa diante de uma criatura tão poderosa.
Ele se move. Os passos pesados fazem o chão ranger. Ele se inclina sobre mim, sua respiração quente e carregada do cheiro metálico do sangue. Meu corpo enrijece. Ele está tão perto que posso sentir o calor irradiando dele, um contraste gritante contra minha pele fria. Seu olhar percorre minhas amarras, sua expressão mudando de feroz para algo indecifrável.
Com um movimento ágil, suas presas se cravam nas cordas que prendem meus pulsos. O som das fibras se rompendo ecoa pelo quarto. Minha pele está marcada pelos nós apertados, o sangue mal circulando, mas estou livre.
O enorme lobisomem negro começa a mudar. Seu corpo se contrai, os ossos estalando à medida que ele retorna à forma humana. Observo, fascinada e, ao mesmo tempo, aterrorizada, cada detalhe do processo. Quando a transformação termina, um homem surge diante de mim. Ele é imponente, absurdamente alto, com músculos esculpidos como pedra. Seu cabelo negro cai sobre o rosto, bagunçado, quase cobrindo seus olhos. Mas quando ele me encara, tudo ao meu redor desaparece. Seus olhos, azuis como gelo, intensos como um oceano revolto. Há algo neles que me faz prender a respiração. Uma força avassaladora, um poder bruto e incontrolável.
Ele não diz nada. Apenas me observa, seu olhar perfurando minha alma. Meu corpo inteiro treme, mas não apenas pelo medo. Há algo nele que me desestabiliza de uma forma diferente, algo além da situação terrível em que me encontro.
Então, sem quebrar o contato visual, ele desliza as mãos para a fivela de seu sobretudo escuro e o remove. O casaco é pesado, grosso, com o cheiro cítrico dele impregnado no tecido. Lentamente, ele se aproxima e o coloca sobre meus ombros. O gesto é surpreendentemente gentil, cuidadoso. O calor do tecido me envolve, me protegendo do frio.
“Obrigada,” sussurro em sua direção.
O rapaz levanta o olhar e, no instante em que nossos olhos se encontram, sinto um arrepio intenso percorrer meu corpo. Ele é impressionante. Mesmo com a cicatriz que atravessa a lateral de seu olho esquerdo, não há nada que diminua sua beleza devastadora. Até que ele sai do quarto, me deixando completamente sozinha. Meu salvador não diz uma única palavra, apenas me encara, como se estivesse lendo cada pedaço da minha alma, absorvendo tudo o que sou.
Então, sem aviso, ele se afasta. Seus passos são firmes, pesados, um contraste gritante com a suavidade inesperada do seu gesto ao me cobrir com seu sobretudo momentos antes. Ele simplesmente sai do quarto, deixando-me ali, sozinha, envolta no calor de seu casaco e no eco sufocante do que acabou de acontecer.
Meus músculos ainda estão tensos, como se meu corpo não tivesse entendido que o perigo imediato já passou. Mas ele passou? Meus dedos tremem enquanto luto para desamarrar as cordas que ainda prendem meus tornozelos. Assim que consigo me livrar completamente das amarras, me impulsiono para frente, o sobretudo deslizando um pouco pelo meu ombro. Meu único pensamento agora é ir atrás dele.
Mas antes que eu possa sair do quarto, um vulto familiar surge na porta. Karl. Meu namorado está afoito, nervoso. Ele me puxa para os seus braços, me envolvendo em um abraço exagerado.
“Pelos deuses, você está a salva agora! Está tudo bem, minha querida,” Karl declara eufórico e nervoso. Ele ajeita o sobretudo em meu corpo. “Eu estou aqui, está tudo bem. Eu estou aqui!”
Mas não está tudo bem. Meu coração ainda martela contra minhas costelas, meu corpo ainda carrega o peso do terror que acabei de enfrentar. E o abraço dele, ao invés de trazer conforto, me faz sentir presa.
Tento me afastar, preciso sair dali, preciso ver quem mais está por perto. Quero encontrar aquele lobisomem de olhos azuis. No entanto, Karl me impede. Suas mãos continuam firmes em meus ombros, como se estivesse tentando me ancorar ali, sem me deixar escapar.
“Ela está aqui! Eu a salvei, ela está bem!” Karl grita em direção à porta e eu arqueio a sobrancelha em sua direção.
Antes que eu possa dizer algo, Karl em um movimento rápido, me pega no colo e sai do quarto comigo em seus braços. Vejo no corredor vários integrantes da minha matilha Killmoon.
“Oh, graças aos deuses, você a salvou, Karl!” Meu pai diz aliviado.
Melanie PovHá uma enorme locomoção em nosso território, papai tem instalado muito mais câmeras de segurança em nossa propriedade e também nas casas dos nossos membros da matilha após o meu sequestro. Já se passou um mês e Karl ainda se vangloria por ter supostamente me salvado, tentando ganhar a simpatia de meu pai e da alcateia.“Isso é mesmo necessário, papai?” Bea questiona irritada. Um funcionário está instalando câmera no corredor dos nossos quartos.“Sim, minha filha,” papai responde. “Não posso permitir outro ataque contra a vida da Melanie ou contra qualquer um de nós!”“Já sabemos quem fez aquilo, algum suspeito?” pergunto curiosa. Não consegui reconhecer o cheiro dos lobisomens nem seus rostos, não saberia dizer de qual matilha eram.“Eram desgarrados, mercenários provavelmente. Alguém havia contratado eles para levá-la,” Tyler explica com a voz contrariada. Os olhos do meu pai ficam sombrios com a declaração. “Temos inimigos, só preciso descobrir quais.”Quero poder aponta
Melanie Pov“Por que você está olhando tanto para a porta de entrada?” Amelie pergunta curiosa.Estamos sentadas na mesa principal, junto com a minha família e a dela, já que Amelie é filha do beta Henry. A cerimônia de aniversário da minha matilha já iniciou. Até mesmo o beta Laios da alcateia Nightfall está presente e nada do rei Ryan. Será que ele repensou melhor e decidiu não me ajudar?“Por nada, apenas estou distraída,” respondo com um sorriso amistoso nos lábios.Até que anunciam a chegada do rei. Todos nós ficamos de pé para recebê-lo, fico ansiosa e na expectativa para conhecê-lo finalmente. Assim que o rei Ryan passa pela porta principal, meu coração gela, meu corpo inteiro se enrijece e uma mistura caótica de choque e descrença explode dentro de mim.É ele.O homem que me salvou. Agora, no entanto, ele não está coberto de sangue ou envolto em sombras ameaçadoras. Meu salvador não é um guerreiro qualquer, um lobo perdido nas sombras. Não. Ele é o rei. O alfa supremo. O líde
Ryan Pov“Por que a gente está aqui, Ryan?” A voz de Logan, meu lobo, ecoa dentro da minha mente, carregada de impaciência e frustração. “Não estamos dormindo direito já faz três noites. Uma cerimônia de aniversário é o pior lugar em que deveríamos estar.”Ao ouvir sua reclamação, respiro fundo e tento ignorar o cansaço que pesa sobre meus ombros. Meus músculos estão tensos, minha cabeça lateja de exaustão, e por um breve momento, fecho os olhos, lutando contra a necessidade de soltar um bocejo que ameaça escapar. Meu corpo pede descanso, implora por algumas horas de sono profundo, mas minha mente se recusa a ceder.Já faz um mês desde que comecei a sonhar com ela. Todas as noites, sem exceção, sua imagem invade meus pensamentos, como se estivesse gravada em minha alma. Aqueles cabelos ruivos, tão vibrantes quanto chamas dançando ao vento, aqueles olhos esverdeados intensos. Ela me persegue nos sonhos, me atormenta com sua presença etérea, e agora, nesses últimos três dias, tudo parec
Ryan Pov A simples ideia me desestabiliza. Meu peito sobe e desce com a respiração pesada, e meus punhos se fecham involuntariamente. O calor do meu próprio corpo se torna incômodo, como se uma febre surgisse do nada, incendiando minhas veias. Meus sentidos, já aguçados, se expandem ainda mais. Consigo ouvir o som de risadas e conversas ao redor, o tilintar de taças se encontrando no ar, a melodia suave tocada pelos músicos no canto do salão, e no meio de tudo isso… o batimento cardíaco dela.Rápido. Errático. Ela também está sentindo isso.“Majestade, temos uma mesa reservada para o senhor,” um funcionário diz, me puxando de volta para a realidade.Respiro fundo e volto minha atenção para a cerimônia. Conversarei com Melanie ao fim da festa, é o mais correto. Vou em direção à mesa onde sou designado. Muitos nobres vêm falar comigo e eu mantenho uma conversa educada e gentil.Meus olhos, no entanto, se recusam a desviar de Melanie. Ela está sentada na mesa principal, cercada por figu
Melanie PovKarl não vai deixar a situação do noivado barato. Ele nunca aceita perder, nunca deixa algo passar sem uma resposta. O orgulho ferido dele é como uma fera acuada, e isso o torna ainda mais perigoso. Sinto seu olhar queimando sobre mim durante toda a festa, como se estivesse me estudando, analisando cada movimento meu, buscando alguma brecha para agir.Assim como também sinto o olhar de Ryan sobre mim. Ele não tenta disfarçar. Há intensidade na forma como seus olhos me seguem, algo que faz minha pele arrepiar, mesmo contra a minha vontade.“Ele é nosso companheiro, Mel! Devíamos conversar com ele, agora!” Faith insiste dentro da minha mente, sua voz carregada de súplica e urgência. Sua necessidade de se conectar a Ryan é quase palpável, uma fome insaciável que me sufoca.“Eu não tenho tempo para isso, Faith. Amor não é mais minha prioridade, lembra como foi da última vez? Nós perdemos nosso bebê!” Declaro magoada e ressentida. “Ryan Gordon é primo de Karl, ninguém me garante
Melanie povEle abaixa a cabeça, seus lábios se aproximam dos meus. Não há ternura, não há carinho—apenas a pressão brutal de sua boca tentando reivindicar algo que nunca foi dele. O cheiro forte de álcool e arrogância me envolve, e minha náusea se intensifica.“Eu não quero me deitar com você. Me larga,” digo com raiva, sabendo que isso apenas vai atiçar ainda mais a vontade de Karl.Karl gira o meu corpo, me pressionando contra uma árvore. De costas para ele, eu retiro a seringa do decote do meu vestido.“Foda-se o que você quer, Melanie! Você é minha e vai me obedecer a partir de agora!” Ele declara com raiva.Assim que ouço ele mexer na própria calça, giro meu corpo e enfio a seringa em seu ombro com força, depositando todo o sedativo em seu corpo. A reação de Karl é me dar um forte tapa no rosto, me deixando desnorteada e eu perco o equilíbrio, quase caindo no chão.“Sua vagabunda!” Ele grita para mim, me segurando para que eu não fuja dele.Sua respiração se torna errática, seus
Melanie PovA rapidez com que a notícia do rompimento do meu relacionamento com Karl se espalha pela minha alcateia me surpreende. O que antes era um relacionamento estável e, aos olhos de muitos, inabalável, agora se tornou um escândalo que ecoa em cada canto do território. É como se eu tivesse cometido um crime imperdoável, uma traição à ordem natural das coisas.Por semanas, ouço meu nome ser murmurado em tons reprovadores sempre que passo. Os olhares que antes me recebiam com respeito e familiaridade agora carregam desaprovação e desapontamento.E essa hostilidade crescente começa a se manifestar não apenas em olhares e murmúrios. Os membros da minha matilha tornam-se mais ríspidos. Pequenos gestos que antes eram amigáveis, como um aceno ou um sorriso, agora se tornam inexistentes.É durante minha corrida matinal pelo território da Killmoon que algo me chama a atenção. Um movimento entre as árvores. É Bea, minha irmã. Ela se move sorrateiramente, esgueirando-se entre os troncos da
Melanie PovQuando finalmente chega o momento de me dirigir à reunião, Bea aparece ao meu lado com sua expressão perfeitamente ensaiada de preocupação fraternal.“Maninha, não se preocupe. As coisas vão melhorar, tenho certeza,” ela diz com uma voz dócil e fingida. “Você fez a coisa certa com o Karl.”Meu rosto exibe um sorriso polido, treinado, mas dentro de mim, minha fúria borbulha como um vulcão prestes a entrar em erupção. Minhas mãos formigam com a necessidade de confrontá-la, de jogá-la contra a parede e fazê-la confessar tudo diante de todos.Acompanho Bea até nossos lugares. Minha mãe está sentada ao lado dela, serena como sempre, sem suspeitar da serpente que cria dentro de nossa casa. Meu pai, em sua posição de Alfa, mantém sua postura firme e imponente, pronto para liderar a reunião.Assim que os membros da matilha se acomodam, a discussão começa. O assunto? Meu rompimento com Karl. De novo. Sinto como se estivesse presa em um pesadelo interminável, sendo julgada repetidas