Capítulo 1

  Agora Jeniffer estava sentada em um carro de luxo, indo de encontro ao seu futuro marido, seu pai havia lhe dado alguns poucos minutos pra jogar uma água no corpo e colocar a melhor roupa que tivesse, era um vestido florido meio largo que havia ganho de Natal da igreja, era simples, não estava devidamente ajustado as suas curvas, mas a estampa era bonita e a cor realçava seus olhos, não tinha dinheiro pra maquiagem mas todos sempre elogiaram sua beleza natural, amarrou o cabelo um pouco ressecado em um coque alto e colocou brincos de bijuteria em formato de pérola. Nem se lembrava de quando havia se arrumado pela última vez, sempre dando prioridade a trabalhar muito pra trazer o máximo que conseguisse pra casa, o carro para bruscamente a tirando de seus devaneios.

 - Chegamos – Victor diz quando a porta do lado de Jeniffer se abre, e ela sai se deparando com a fachada de um motel. Ela dá um passo pra trás, mas o pai a puxa pelo braço a arrastando pra dentro do local. Chegando lá depois de se identificar, a recepcionista que olha pra Jeniffer de cima a baixo com desprezo, lhe indica um andar e um código, eles entram no elevador e o botão da cobertura é acionado.

- Pai...

- Calada! A partir de agora você só fala quando falarem com você – a voz de Victor parecia dura e fria.

Sem falar na força que colocava no aperto que dava em um de seus braços. Estava nítido que aquela reunião significava vida ou morte pra ele.

Ao chegar no andar e o código ser digitado, as portas se abrem e uma parede de homens enormes e armados até os dentes aparece bem na frente deles.

- Sr., é o Victor – um deles avisa.

- Pode deixar passar.

Assim que um a um dos homens vão saindo do seu campo de visão, Jeniffer pode ver o homem que a aguardava. Ele estava sem camisa, com as várias tatuagens a mostra no peitoral largo e definido, o cabelo escuro e úmido, talvez de um banho recém tomado, milimetricamente escovado pra trás, apesar de um ou outro fio rebelde raspando nos olhos verdes intensos, tinha um charuto entre os lábios perfeitamente desenhados, era jovem mas seu rosto era másculo assim como todo o resto do seu corpo. Jeniffer nem ao menos piscava, sem sombra de dúvida era o homem mais lindo que já tinha visto em toda sua vida.

- É essa aí? – ele diz a olhando intensamente.

Parecia ser capaz de ver através de suas roupas, e tudo dentro dela se contorce, e as bochechas ficam vermelhas como um pimentão, o canto de sua boca repuxou alguns milímetros como quase um sorriso, fazendo o coração de Jeniffer errar uma batida, depois voltando a sua postura ameaçadora de sempre.

- Serve – ele diz voltando seu olhar pra uma pilha de cadernos a sua frente.

- Ótimo – diz Victor – O casamento será na sexta, às quatro da tarde, como pai da noiva, faço questão de oferecer a cerimônia.

- Com o que você está levando nesse acordo, Victor, não faz mais que a sua obrigação, só espero que quando encontrar a minha noiva de novo, ela esteja em trajes melhores, não quero que pensem que estou me unindo a uma mendiga.

Nessa hora Jeniffer se encolheu instintivamente, apesar de ter vindo de um lugar sem luxos, dentro do que pode sempre cuidou muito bem da própria aparência.

- Agora, deem o fora.

- Claro – Victor responde sendo escoltado pelos mesmos homens de volta ao elevador.

POV LEON

  Já fazia meia hora que a moça que Leon nem sabia o nome, havia deixado sua cobertura, e por mais que tentasse, não conseguia tirar seu rosto da cabeça. Mesmo quando investigou a fundo a vida de Victor Montana, não havia nenhum registro de uma filha, mas o surgimento dela permitiu um acordo que daria a família De Leon, um lugar na cúpula da máfia madrilenha. A vibração do celular o tira momentaneamente dos seus devaneios, era seu pai, Andreas.

- Victor trouxe a moça?

- Como combinado.

- E como ela é?

- Isso importa? É um casamento de conveniência.

- Pra mim certamente não faz diferença, mas pra você deve fazer, afinal é você que terá que ficar casado com ela.

- Pai, o senhor ignorou totalmente a minha opinião quando decidiu fechar esse acordo, e agora quer me convencer que se importa se eu vou ser feliz nesse casamento ou não?

- Só perguntei se ela era bonita, mas tem razão, o importante é que esse casamento pode ser realizado. Onde ela está agora?

- Ela e Victor voltaram provavelmente pro buraco de onde saíram.

- Você fez mal, não pode perder essa menina de vista até a cerimônia, nossos inimigos podem tentar algo pra que esse casamento não aconteça, quero ela sob nossa proteção até tudo estar oficializado.

- Mas não tenho a menor ideia de onde ela mora, a uma semana atrás, ninguém no nosso círculo nem se quer sabia que ela existia.

- Pôs descubra! – Andreas desliga o telefone de forma abrupta, deixando Leon exasperado.

Tinha herdado o gênio forte do pai, apesar de jamais admitir. Uma parte sua estava animada com a possibilidade de estar com a jovem novamente. Leon entrou em contato com Victor e fez questão de ir buscar a moça pessoalmente. Ficou chocado quando lhe foi passado o endereço da área mais pobre da cidade, sempre soube que Victor era um crápula, mas submeter a única filha a uma existência tão miserável, era um absurdo, até pra ele. Chegando no local arrombou a porta de madeira e ficou indignado com tamanha pobreza, não havia ninguém, então decidiram dar uma volta pelas redondezas afim de tentar encontrá-la.

POV JENIFFER

Depois de encontrar Jeniffer no beco, Leon a deixou na porta de casa, só saindo de lá quando a porta foi fechada, mesmo assim ela tinha vinte minutos pra pegar itens pessoais, depois seu motorista a levaria até o hotel onde se conheceram, ia passar a noite lá pra se arrumar pro casamento. Tirando seu livro favorito, e sua foto com a mãe, Clarice, não havia nada naquela casa que ela gostaria de guardar. Empurrou a parede falsa pra se despedir da mãe, que parecia apreensiva a sua espera.

- Jeniffer, eu te proíbo de fazer essa loucura!

- Mãe, tenho pouco tempo, não temos escolha.

- Essas pessoas são cruéis, você não deve confiar nelas, tenho medo que te machuquem.

- Eu sei me cuidar, os homens do Victor virão buscar a senhora assim que nós sairmos, só digo sim naquele altar, quando tiver certeza que a senhora está recebendo o tratamento que precisa. Esse foi o acordo.

- Tenha cuidado minha filha. Que nosso Senhor te proteja – Clarice beija suas mãos enquanto lágrimas escapam de seus olhos.

- Sinto muito Jen.

- Eu vou ficar bem, mãe. Prometo! Nós duas vamos.

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