Verônica Meu coração acelerou em meu peito. Que merda havia acontecido comigo? Porque eu estava dizendo aquelas coisas? O sorriso de Cadu se ampliou, seus olhos brilhando de um jeito que me fez corar. Ele se aproximou, e o cheiro de seu perfume, amadeirado e quente, me envolveu como um abraço. Seus dedos deslizaram pela minha bochecha, tirando uma mecha de cabelo que caía sobre meu rosto. A ponta do meu queixo ficou presa entre seu polegar e indicador e a sensação de seu toque me arrepiou.O ar ficou denso, a respiração de Cadu se tornou audível, e eu senti meu corpo inteiro se aquecer. Seus olhos âmbar e penetrantes me encaravam, deixando-me sem fôlego. Ele se inclinou, a distância entre nossos rostos diminuindo a cada segundo. Fechei os olhos, esperando o contato de seus lábios com os meus, mas, a poucos centímetros de distância, um estrondo abafado interrompeu o momento. Um husky siberiano, todo empolgado, se esfregou nas nossas pernas, lambendo a minha mão com entusiasmo. Sua p
Verônica Entramos na casa, e a porta se fechou com um baque seco, que ecoou no silêncio repentino que se instalou. — Que tempestade! — Cadu comentou, olhando pela janela. — É, parece que vai ser forte. Mal terminei a frase, e o vento lá fora se intensificou, sibilando pelas frestas da janela, um rugido baixo e constante que aumentava a cada segundo. As árvores do jardim se curvavam com a força do vento, as folhas se retorciam em redemoinhos verdes, arrancadas dos galhos e lançadas ao vento. A chuva começou a cair, primeiro em gotas esparsas, depois em torrentes que batiam contra as janelas, deslizando pela superfície como lágrimas geladas. A casa estremecia sob a fúria da tempestade, as paredes pareciam respirar com o vento, e as janelas tremiam como se estivessem prestes a explodir. Era assustador. Um raio rasgou o céu, iluminando por um instante o interior da casa, revelando a expressão de preocupação que com certeza estava estampada em meu rosto. Eu me encolhi com o estrondo
CaduCom seus olhos azuis brilhando sob a luz dos raios que cortavam o céu a cada instante, Verônica analisava a posição das peças com a mesma concentração de um general estudando um mapa de batalha. — Sua vez. — Ela disse, em um tom baixo e sexy.Porra! Vê-la mordendo o lábio era uma tentação.Olhei para o tabuleiro, a mente trabalhando febrilmente. As peças dançavam em minha cabeça, cada movimento uma possível ameaça ou oportunidade. A rainha de Verônica posicionada estrategicamente no centro, era uma ameaça constante, mas eu tinha um plano.Com um sorriso confiante, movi meu bispo para a diagonal que cortava o tabuleiro, ameaçando o seu cavalo. Verônica franziu a testa, o queixo apoiado na mão, como se estivesse ponderando as consequências da minha jogada. — Interessante. — Murmurou, os dedos deslizando sobre as peças brancas.Ela hesitou por um momento, antes de mover seu cavalo para uma posição segura. Era uma jogada esperta, mas eu já havia p
VerônicaO quarto estava abafado, o ar denso de calor e desejo. A respiração de Cadu era um sopro quente no meu pescoço, seu corpo quase colado no meu, a pele quente e úmida. A mão dele deslizava pela minha cintura me puxando para mais perto, a pressão suave, mas intensa, me fazendo estremecer. Seus dedos percorriam minha pele, traçando um caminho de fogo. Ele me olhava, os olhos escuros brilhando com uma intensidade que me deixava tonta. Eu me sentia como se estivesse flutuando, presa em um bilhão de sensações.— Você é tão linda, Verônica… — Ele sussurrou, sua voz rouca estava carregada de desejo. Senti um arrepio percorrer meu corpo. A boca dele, quente e úmida, encontrou a minha, e o mundo se dissolveu. Era só ele e eu, o calor dos nossos corpos se fundindo em um só, e a química inegável que nos consumia. Ele me beijava com uma intensidade que me deixava sem fôlego, as mãos dele percorriam meu corpo cheias de urgência, me levando ao limite. Eu me perdi naqueles lábios, naqueles
CaduPuta que pariu! Ter a Verônica ali, com aquela camisola branca… quase transparente… me deixou completamente sem fôlego. A renda abraçava as curvas do corpo dela, criando sombras e luzes que me hipnotizaram. Se ela soubesse o quanto essa imagem me excitava, se ela soubesse que em meus sonhos mais íntimos ela sempre usava branco… provavelmente não me provocaria desse jeito. Mas, diabos, que provocação deliciosa!O brilho malicioso nos olhos dela, a maneira como ela segurava o talher… era uma tortura para mim. A colher, ainda com vestígios do mousse, tão próxima aquela pele… meu sangue ferveu. Eu precisava sentir, provar…Com um movimento lento, quase hesitante, abaixei a cabeça, sentindo o aroma inebriante do chocolate, misturado ao perfume único de Verônica. A textura macia da pele dela sob meus dedos, era uma explosão de sensações. Eu não pude resistir. Minha língua tocou a pele dela, levemente, explorando o caminho que a colher havia deixado. O mousse, frio e cremoso, se misturo
Verônica A claridade fraca da manhã entrava pelas frestas da cortina, pintando faixas de luz no rosto do Cadu. Ele dormia profundamente, sua respiração era pesada. Um fio de cabelo escuro caindo sobre a testa. Os lençóis emaranhados em minhas pernas eram a prova inegável do sexo selvagem que tínhamos feito. Ainda sentia a ardência entre minhas coxas. Ontem à noite… foi uma explosão. Uma explosão de sensações, de toques, de beijos que me deixaram completamente desnorteada. Ele não foi tímido, não hesitou. Ele sabia o que queria, e foi atrás disso com uma determinação que me surpreendeu, e me encantou. Sua mão na minha cintura, a respiração ofegante perto do meu ouvido, a voz rouca sussurrando o quanto me desejava… tudo aquilo foi a minha perdição. Eu me entreguei totalmente, sem reservas, sem arrependimentos. Ainda estava tentando entender o que tinha acontecido comigo. A Verônica que eu era, a Verônica que planejava cada passo, que calculava cada palavra, havia sido dominada por uma
CaduQuando a Verônica saiu do quarto, batendo a porta com força, eu quase ri alto. A fúria dela era óbvia. Ciúmes. Ela estava com ciúmes, e isso me deixou excitado. E, eu adoraria ter evidenciado os fatos, mas ela ficaria ainda mais irritada, então contive meus comentários. No momento certo eu não perderia a oportunidade.Pedi para a Sophia me avisar quando ela descesse. De alguma forma, eu tinha certeza que ela tentaria sair sem que eu a visse. E eu não estava errado. Pouco tempo depois, meu celular vibrou: “Verônica desceu”. Já pronto, peguei minha mochila e saí do quarto.— Verônica, querida, espero que tenha dormido bem. Volte mais vezes, viu? Sentimos sua falta. — As palavras de minha mãe me alcançaram, enquanto eu apontava no topo da escada. Verônica a abraçou com carinho, e depois estendeu a mão para meu pai, em um gesto educado.Antes que ela pudesse se despedir completamente, me juntei a eles, anunciando:— Já estou pronto. Podemos ir.Os olhos dela se fixaram em mim, uma mi
Verônica Sentada numa poltrona macia, em um apartamento gelado pelo frio de fevereiro e perdida em pensamentos, eu observava os flocos de neve que caíam do lado de fora da janela, enquanto desenhava nossas iniciais no vidro embaçado por minha respiração, e pelo vapor quente, que saia da xícara de café fresco que eu segurava em uma das mãos, recordando-me dos bons momentos que vivi ao lado de meu namorado, Miguel.Senti um aperto no peito ao lembrar-me de sua insistência para que eu ficasse no Brasil e me peguei imaginando como teria sido se eu tivesse atendido a seu pedido… será que ele estaria vivo? Eu poderia ter evitado aquela tragédia? É… eu acho que não. Afinal, implorei inúmeras vezes para que ele deixasse as corridas clandestinas, mas ele nunca me ouviu. Os rachas eram sua vida, até que eles a tiraram.— Outra vez pensando no mesmo assunto, Vê? Não gosto de te ver deprimida! — Minha prima anunciou sua presença, enquanto caminhava até mim.Eu umedeci as mangas do moletom, ao enx