Collin* Eve e Collin estavam ocupadas organizando a aldeia. O abrigo dentro do templo já começava a se encher de mulheres e crianças, todas movidas pelo mesmo instinto de sobrevivência e pela fé na deusa. Algumas murmuravam preces baixas, outras caminhavam de um lado para o outro, inquietas. O ar estava carregado de medo e incerteza.Collin passou os olhos pelo salão, observando os rostos tensos ao redor. Suspirou e se aproximou de Eve, que estava imóvel ao lado da porta, o olhar fixo nos portões da aldeia.— Quanto tempo acha que isso vai durar? — perguntou.Eve não respondeu. Continuou encarando o horizonte, os braços cruzados sobre o peito, como se pudesse sentir fisicamente a ausência de Jhon.— Eve?A amiga piscou, despertando do transe.— O quê?— Perguntei quanto tempo isso vai levar… A luta, eles lá fora…Eve demorou a responder, como se precisasse reunir forças para dizer as palavras.— Não há um tempo determinado. Eles precisam encontrar Maden e os lupinos dele antes de tud
Collin*A floresta estava escura e fria, o vento cortante passando por entre as árvores fazia o corpo inteiro de Collin tremer. Ela abraçou a si mesma, tentando afastar a sensação gélida que se infiltrava em sua pele. Seus olhos percorriam o breu à sua frente, mas a escuridão parecia engolir tudo ao redor.— Eve! — sua voz ecoou na noite silenciosa.Nenhuma resposta.Ela olhou por cima do ombro. A aldeia já estava distante, as luzes das tochas quase invisíveis.Se quisesse fugir, aquele era o momento. Poderia simplesmente correr. Ninguém a encontraria. Todos estariam ocupados demais tentando encontrar Eve.A ideia pairou em sua mente por alguns segundos, um pensamento sedutor. A liberdade estava ali, ao alcance de suas mãos.Mas então, sua mandíbula se contraiu.Não.Eve precisava dela.Bufando, ela balançou a cabeça e continuou caminhando, forçando os pés a se moverem sobre a terra úmida.— Eve? Onde você está? — insistiu, sua voz saindo mais baixa agora, quase uma súplica.Nada. Ape
Collin*Eve puxou Collin para trás de uma árvore grossa, ambas ofegantes, seus corpos pressionados contra a casca áspera. Os gritos ecoavam cada vez mais altos, misturados ao som de madeira se partindo e ao cheiro de fumaça.Collin sentia o coração martelar dentro do peito, tão forte que parecia prestes a saltar pela boca. Ela virou-se para Eve, seus olhos arregalados pelo pavor.— Onde estão os outros batedores? — sussurrou, a voz quase inaudível em meio ao caos.Eve olhou ao redor rapidamente, os punhos cerrados.— Eu não sei. Devem estar se preparando para o combate.Collin engoliu em seco. Seu estômago se revirava.— Eve... Eles morreram.A outra garota congelou, os músculos tensos como se tivessem sido esculpidos em pedra.— Não! — respondeu entre dentes. — Não diga isso. Eles não morreram!Collin sentiu as lágrimas molharem seu rosto, mas nem percebeu quando começaram a cair.— Eles vão matar todos nós.Antes que o desespero a dominasse por completo, Eve segurou seus ombros com
Collin*O ar estava pesado, carregado pelo cheiro metálico do sangue e pelo calor do fogo que queimava algumas estruturas mais distantes. Collin deslizou silenciosamente pelas sombras das casas, seus pés mal tocando o chão de terra batida. O templo não estava longe, mas o silêncio repentino a fez hesitar.Os gritos haviam cessado.E aquilo a aterrorizava mais do que qualquer outro som.Ela escalou a lateral de uma das casas e forçou a janela de madeira até que ela cedeu. Entrou com cuidado, o ambiente imerso em escuridão. O cheiro de mofo misturado ao sangue ressecado invadiu suas narinas, e ela prendeu a respiração, tentando ignorar o frio que rastejava por sua espinha.Tateou o quarto em busca de algo – qualquer coisa – que pudesse usar como arma. Seu coração batia tão alto que temia que alguém pudesse ouvi-lo.Seus dedos tocaram algo sólido debaixo da cama.Um baú.Ela o puxou para fora, os dedos tremendo enquanto destravava a fechadura. A tampa rangeu ao se abrir, e dentro, reflet
Collin*As mãos de Collin tremiam enquanto encarava a criatura diante dela.O lupino era enorme. Seus músculos se projetavam sob a pele grossa, e os olhos eram duas fendas escuras e brilhantes. Os dentes, expostos em um rosnado baixo, gotejavam saliva. Ele parecia se divertir com o medo dela.Ela deu um passo para trás, sentindo as fêmeas presas atrás de si. Não podiam ficar ali.— Corram. — murmurou, sem tirar os olhos da besta.Elas hesitaram.— Corram, caramba! — gritou, a voz carregada de urgência.Dessa vez, as fêmeas não pensaram duas vezes. Seguraram seus filhos e dispararam para os fundos do templo, os pés mal tocando o chão.O lupino inalou profundamente, como se absorvesse cada partícula do cheiro dela.— Você… me é familiar. — a voz gutural rasgou o silêncio, carregada de curiosidade.Collin continuou recuando.— Tem um cheiro estranho... — ele sibilou, os olhos se estreitando. — Algo que eu conheço… muito bem.Ela apertou a adaga escondida atrás das costas. Se ele chegasse
A floresta ainda estava mergulhada na penumbra quando encontraram as fêmeas. Elas estavam reunidas em meio às árvores, os corpos trêmulos e os olhos arregalados de medo. Algumas ainda choravam baixinho, segurando seus filhotes contra o peito, como se temessem que o pesadelo daquela noite terrível voltasse a se repetir.Collin olhou ao redor, sentindo o peso da tragédia sobre os ombros. O cheiro de sangue e fumaça ainda impregnava o ar.Quando voltaram para a aldeia, o sol já se erguia no horizonte, tingindo o céu com tons alaranjados. Collin parou por um instante na entrada da aldeia e voltou o olhar para a floresta, incapaz de afastar a sensação de que não estavam seguras.Foi quando algo se moveu entre as árvores.Seu coração parou por um segundo.Um vulto emergiu da mata, mancando. O jovem lupino que havia atraído os inimigos para longe surgiu ensanguentado, cambaleando como se cada passo fosse uma luta.— Não… — murmurou Collin, correndo até ele.Os joelhos do jovem cederam antes
A chuva ameaçava cair desde o amanhecer, mas ainda não havia despencado. O cheiro de terra molhada pairava no ar, misturado ao ferro do sangue seco e à fuligem das casas queimadas.Após a chegada dos lupinos sobreviventes, a aldeia se encontrava mergulhada em uma mistura de alívio e luto. As fêmeas que reencontraram seus companheiros correram para abraçá-los, lágrimas e soluços se misturando a palavras de gratidão. Mas algumas apenas ficaram paradas, os olhos vasculhando entre os que retornaram… e não encontrando aqueles que esperavam.Liam observava tudo em silêncio. Seu rosto estava endurecido, mas as veias saltadas em suas mãos cerradas denunciavam a raiva e a culpa que o consumiam. Seu olhar percorreu as casas destruídas, os corpos cobertos por panos, e ele soltou um longo suspiro antes de erguer a voz.— Todos para o templo.Sua ordem ecoou forte e, mesmo sem mais explicações, todos obedeceram.O templo estava lotado. O clima ali dentro era um misto de esperança e pesar. Alguns o
A água morna ainda os envolvia, os corpos colados em um encaixe perfeito. O silêncio agora só era quebrado pelas respirações entrecortadas de ambos. O choro de Collin havia cessado, mas sua mente ainda estava um turbilhão.Liam apertava sua cintura, os dedos firmes segurando-a como se temesse que ela desaparecesse. Ele suspirou contra seu pescoço, a respiração quente arrepiando cada centímetro da pele sensível.Collin sentiu um leve tremor atravessar seu corpo quando ele inclinou o rosto e inalou seu cheiro profundamente.— Liam… — sua voz saiu fraca, quase um sussurro.Ele não respondeu. Ao invés disso, sua língua quente deslizou sobre a marca fraca que ele deixara em seu pescoço antes. Collin se arrepiou dos pés à cabeça, mordendo o próprio lábio para conter um gemido.Sem aviso, Liam segurou seu queixo com firmeza e virou seu rosto. Seus olhos estavam intensos, escuros, famintos.E então ele a beijou.Não havia delicadeza, não havia hesitação. O beijo era bruto, faminto, uma colisã