No dia seguinte, Hugo acordou com a cama vazia. O cheiro de Jéssica estava impregnado em seu travesseiro. A cabeça estava muito pesada e o corpo, lento. Seja o que for que ela lhe deu, deixou uma sensação muito ruim.
Olhou para a mesa de cabeceira e viu um bilhete:
Nada de ir para o escritório hoje. Descanse.
Um recado sucinto. Sem beijos, sem emoção. Ele respirou fundo e pegou o travesseiro para sentir o cheiro dela.
— Jéssica, como vou te fazer entender? — Ele questionou, falando para o travesseiro e para a cama vazia.
Pensava no quanto ela estaria brava naquele momento.
Deveria ligar para tentar se explicar novamente?
“E você vai dizer o que para ela? Vai conseguir falar sem travar, igual a um inútil?”
A voz em seu interior estava especialmente severa naquele dia.
Hugo se arrastou até o banheiro com dificu
Marcelo estava radiante. Seu plano, elaborado com Nicole, parecia perfeito. Fingiriam ser um casal para justificar sua presença na casa de Jéssica e Hugo, facilitando sua aceitação como parte daquele ecossistema. Ele gesticulava animadamente, explicando para Jéssica como isso funcionaria bem.— Vai ser incrível! — Ele sorriu, empolgado. — Se nos apresentarmos como um casal, ficaremos muito mais próximos. As crianças não vão se afetar, será mais fácil para elas se acostumarem conosco.Jéssica mal ouvia Marcelo. Sua mente ainda girava em torno da conversa anterior, quando descobriu que Hugo acreditava que Jonathan era gay. Isso mudava tudo. Ela começava a repensar sua relação com Marcelo, a forma como ele havia conduzido certas situações, o que realmente esperava dela. Tudo parecia diferente agora.E ela não conseguia evitar a sensação de que tinha muito pouco para oferecer a ele, já que não sentia nenhuma culpa por ter se agarrado com Hugo na noite anterior.— Jéssica? — Marcelo franziu
Hugo estava inquieto. A conversa com Alexandre ainda martelava em sua mente. Ele tentava entender por que travou com Jéssica, por que não conseguiu agir de forma natural ao vê-la com Marcelo. Mas, quanto mais tentava encontrar respostas, mais sua mente o arrastava para o passado.Lembranças de Clara surgiam como flashes desconexos: o jeito que ela ria, como manipulava tudo ao redor, a forma como ele sempre se sentiu preso dentro do relacionamento. Tudo tinha que ser exatamente como ela queria.Era uma prisão que ele nunca percebeu e, quando notou, já estava completamente imobilizado, temendo que qualquer atitude sua pudesse prejudicar o bem-estar da casa.Teria Jéssica resgatado essa parte dele que ainda estava quebrada? Ele queria acreditar que estava pronto para algo novo, mas talvez ainda estivesse preso às amarras do passado.— Finalmente estamos fazendo algum progresso? — A voz &aacut
Marcelo conseguiu ser a estrela da noite. Com seu jeito extrovertido e falas bem ensaiadas, conquistou a atenção das crianças com facilidade.Caio e Breno se mostraram um pouco mais resistentes no início, mas, aos poucos, foram cedendo às brincadeiras. Maria, no entanto, manteve uma postura mais reservada, observando tudo com um olhar analítico, como se tentasse decifrar as intenções do convidado. Ela não era ingênua e já tinha aprendido a prestar atenção em detalhes que passavam despercebidos pelos irmãos. Havia algo em Marcelo que não parecia completamente genuíno. A forma como ele falava, como tentava agradar, como parecia forçar simpatia sem que houvesse uma conexão real.Enquanto interagia com as crianças, Marcelo não deixava transparecer o impacto que o luxo da casa causava nele. Foi a primeira vez que reparou no carro que J&e
Jéssica acordou às 5h40 com um barulho alto vindo da cozinha. Garantiu que Breno continuasse dormindo e foi ver o que estava acontecendo. Já podia prever a situação: Leonardo tinha chegado bêbado novamente. Essa situação se tornou frequente desde que se casaram.— Bom dia. — disse ela, chegando na cozinha para confirmar seu palpite. O marido estava caindo de bêbado. Mal se aguentava em pé. Tentava pegar um copo d’água, mas, apoiado na porta da geladeira, balançava muito e quase derrubou tudo o que tinha lá dentro. Um barulho que certamente acordaria o bebê.— Para com isso! — ela o sentou na cadeira e pegou a água para servi-lo, a fim de evitar o pior.— Meu anjo, Jéssica... — ele falava com a voz embargada pelo álcool. Não dava para saber se estava elogiando ou debochando da esposa. Ela o servia em partes para evitar o escândalo e, em parte, porque realmente acreditava que esse era o dever de uma boa esposa.— Qual é o problema com esse seu trabalho? Você é o único da banda que chega
Do outro lado da cidade, Hugo e Clara estavam discutindo sobre a campanha que Clara estrelaria. O sonho dela de se tornar uma influencer famosa parecia finalmente estar dando os frutos desejados.— Não podemos colocar cerveja numa campanha de carros, Clara!. O cliente já especificou o que gostaria que tivesse no comercial. — Hugo estava exausto nesse momento. Estava há horas tentando convencer a esposa a fazer exatamente o que o cliente queria, e não havia nenhum sinal de que ela tivesse entendido o que precisava.— Uma campanha com amigas se divertindo vai parecer muito mais legal. E vai atrair os jovens. As amigas, com roupas bem sensuais, bebendo muito... — Ela divagava, como se não estivesse falando nenhum absurdo. O problema é que o principal posicionamento das redes dela era a família. Mudar assim não fazia sentido para ninguém.— Clara, é um carro para família! Não tem nada de sensual nessa campanha! Você pelo menos leu o briefing? — Hugo parecia um pouco exasperado. Clara tem
Leonardo olha a notificação no celular com expressão neutra. Manter Clara por perto tem suas vantagens e desvantagens. Ele observa o vestido que tem nas mãos com atenção, lembrando das curvas de sua esposa. Precisa agradar a Jéssica hoje.Sabe que passou do limite, pois a vizinha veio reclamar da barulheira de bêbado que ele fez. Foi muito gentil com a vizinha, pediu um milhão de desculpas e prometeu que nunca mais iria acontecer.Não é que ele sinta arrependimento pelas suas ações. Acontece que precisa criar uma boa imagem pública, pois será uma estrela do rock algum dia. Leonardo jamais deixa qualquer coisa ao acaso. Sempre faz tudo projetando o futuro que deseja para si mesmo.Conferiu todo o cenário que montou para esposa. Se tinha flores o suficiente, se os doces estavam bem atrativos, se o cheiro traria boas lembranças. Precisava seduzir para ter o que queria. O perdão da esposa. Pediu pra mãe ficar com Breno durante a noite. Queria que a surpresa fosse completa e planejou leva
Depois da festa, Jéssica e Leonardo voltaram para casa e o clima de romance continuava. Leonardo estava sendo o melhor marido do mundo naquela noite. Tudo perfeito e muito romântico, exatamente como Jéssica sempre sonhou.Nem as grosserias de Clara conseguiram ofuscar o brilho daquela noite. ela conseguiu descansar um pouco e foi para o trabalhar.No trabalho, Jéssica estava nas nuvens, toda distraída, lembrando-se da noite passada.— Mulher, que isso? Hoje você parece tão... leve — Janete falou com um leve deboche, que Clara não percebeu.— E estou mesmo. As coisas parecem que vão melhorar — Jéssica nunca falava da vida pessoal no trabalho e foi a única coisa que disse para Janete, por mais que a amiga insistisse.— O que aconteceu que te deixou assim tão feliz? — Janete procurava saber qualquer coisa sobre a vida de Jéssica. Não entendia o porquê de Luan falar tanto com ela todo dia à tarde e pensava que estivessem tendo um caso.— Coisa minha. Nada demais. Agora, deixa eu passar as
Hugo ficou muito incomodado quando viu os vídeos de Clara na festa. Ela não havia falado nada com ele sobre a presença vip, não seguiu o combinado no posicionamento da marca e apareceu bebendo e sensualizando sozinha. Os patrocinadores estavam reclamando, o telefone não parava de tocar.Há alguns meses, Clara vinha agindo de forma estranha. Inventando coisas fora do nicho, com uma ideia fixa de baladas e saídas misteriosas, das quais ele não sabia nada. E tem o fato de que alguns pagamentos estavam completamente errados. Quando questionados, os clientes disseram que pagaram na conta que Clara mandou. Acontece que ele descobriu que essa conta era só dela, e ele não tinha acesso. Coisas estranhas que ela deveria explicar de uma vez por todas.— Que raios você estava fazendo na boate do clube de madrugada? — Ele invadiu o quarto, que, em plenas duas da tarde, estava escuro e em silêncio total.— O quê? Que droga, Hugo, eu estava dormindo! Tem alguma coisa pegando fogo pra você entrar ass