**Benicio de Alcântara e Leão**Eu já estava farto de ser vigiado por aquela pessoa desconhecida. Seria algum guerreiro? Acredito que o cacique da tribo não deixaria alguém estranho rondando o seu espaço. Isso era óbvio. Quem quer que fosse que estivesse ali, estava com o consentimento deles. E ele sabia, sim, quem era.Corri para onde o homem estava e, como era de se imaginar, não tinha ninguém. Esse filho da puta sabia se esconder. A escuridão tornava tudo mais difícil, e não consegui ver se havia qualquer rastro. Voltei para onde a tribo estava reunida, sentindo os olhares curiosos que me seguiam, intrigados com a minha corrida repentina para fora da oca. O incômodo fervilhava em mim. Eu estava farto daquela sensação de ser caçado. Sem pensar duas vezes, fui até o cacique, decidido a obter respostas."Preciso falar com o senhor agora." Minha voz saiu firme, quase uma ordem disfarçada de pedido.Ele se levantou de onde estava vagarosamente e veio até mim. Seu olhar encontrou o meu,
**Benício de Alcântara e Leão** Eu não podia acreditar no que estava vendo. Era demais para mim. O rosto à minha frente era igual ao meu, pelo menos o pouco que eu conseguia ver na escuridão. Até pensei que estivesse em um sonho ou até mesmo delirando. “Quem é você?” Minha voz saiu trêmula, talvez pelo susto ou pela emoção do momento. O cacique olhou para nós dois e disse algumas palavras enigmáticas: “Eu lhe disse que o seu passado estava mais perto do que você esperava.”Meu coração acelerou ainda mais. Me virei novamente para o homem à minha frente, tentando encontrar alguma lógica no que estava acontecendo. “Quem é esse homem? Ele se parece muito comigo.”A resposta veio firme, carregada de um peso que eu ainda não compreendia: “Eu sou Matheus de Alcântara e Leão.”Senti um arrepio subir pela minha espinha. Isso não era possível. “Matheus? Mas… você está morto.”Ele sorriu de lado, um sorriso que eu já havia visto antes, em fotos antigas que meu pai guardava. Mas, ao
**Luana Sartori**Perdida. Essa era a única palavra que conseguia definir o que sentia naquele momento. Meu corpo doía, minha cabeça latejava, e o ambiente ao meu redor parecia flutuar em uma névoa desconhecida. O pânico tomou conta de mim assim que abri os olhos e percebi que não fazia ideia de onde estava. Tentei me levantar, mas uma tontura avassaladora me fez afundar de volta no colchão rudimentar. O desconforto físico era intenso, mas nada se comparava ao medo que se instalava no meu peito. O que tinha acontecido comigo? Como fui parar ali? E, acima de tudo… onde estava Benício? Meu coração acelerou ao lembrar dos flashes confusos que atormentavam minha mente. Fragmentos soltos de lembranças vinham e iam como um sonho quebrado. A água, a escuridão, o som abafado de vozes. E então, nada. O vazio. Será que ele estava ali, em algum lugar, machucado como eu? Ou… não, eu não podia pensar nessa possibilidade. Benício era forte, determinado. Ele sobreviveria. Ele tinha que sobre
“Luana Sartori”“Benício?” Ele não respondeu de imediato. Seu olhar perdido no horizonte parecia carregar o peso do mundo. A luz prateada da lua realçava as linhas do seu rosto, tornando-o ainda mais hipnotizante. Ele parecia uma estátua grega, esculpida à perfeição, um deus caído que encontrava refúgio na solidão do mar. As costas largas e musculosas brilhavam sob o luar, a pele morena reluzia com o reflexo prateado da água. Meu coração apertou. Ele estava ali, mas sua mente vagava longe. Eu queria ser capaz de alcançá-lo, de arrancá-lo do turbilhão que o prendia. O desejo de tocá-lo era tão forte quanto a ânsia de entender o que se passava em sua alma. “Posso ser eu mesmo com você, Luana?” A voz dele saiu rouca, carregada de algo que eu não conseguia definir. “Você não vai ter medo de mim?” Aquelas palavras soaram como um sussurro carregado de segredos, de dor e de uma sombra que parecia persegui-lo. “Eu nunca tive medo de você,” respondi, e minha mão, quase por instinto,
O homem diante de mim era um estranho. O Benício que eu conhecia parecia ter desaparecido, consumido por algo primitivo e sombrio. Ele urrava enquanto me tomava com uma brutalidade que beirava a loucura, seu corpo dominando o meu sem hesitação. Eu não estava confortável, mas tampouco recuei. Deixei que ele continuasse, queria vê-lo despido de qualquer máscara, queria entender o monstro que habitava dentro dele.Não posso negar que o medo rastejava pela minha pele, uma sombra gelada que contrastava com o calor da nossa união. Meus dedos cravaram em seus braços, deixando marcas profundas em sua pele. Era um misto de dor e prazer, uma linha tênue que eu nunca pensei em atravessar. Mas ali estava eu, perdida nesse abismo de sensações. Será que eu estava me tornando como ele? Será que, ao provar desse lado obscuro, algo dentro de mim também havia mudado?Senti seu gozo quente escorrer dentro de mim, acompanhando o ritmo das últimas pulsações de seu corpo. Seu aperto em meu pescoço se inten
Capítulo 31**Luana Sartori**Estapeei seu rosto com toda a força que ainda restava em mim. Como uma louca. Como alguém que segurou essa dor por tempo demais.Benício não reagiu.Ele me deixou fazer aquilo.Me deixou colocar para fora toda a raiva que eu guardei por anos.Respirei fundo, sentindo as lágrimas arderem nos meus olhos. Mas eu não ia chorar. Não mais.Virei-me para ir embora.Dei dois passos antes de sentir sua mão forte agarrar meu braço, me puxando de volta para ele. Meu corpo colidiu contra o seu, e seu olhar queimava sobre mim.“Me solta, Benício.” Minha voz saiu baixa, quase um sussurro.Ele não obedeceu. Pelo contrário, se aproximou mais, seu rosto a centímetros do meu.“Você quer me odiar, mas seu corpo diz outra coisa.” Sua respiração quente roçou minha pele.Meu coração martelou no peito.Ele inclinou o rosto, e por um segundo, achei que fosse me beijar.Mas então ele parou.Sorriu de lado, cínico.E sussurrou algo que fez meu sangue gelar:“Você não sabe nem meta
**Luana Sartori**Como eu era inocente… Pensar que meu príncipe encantado estava bem ali, diante dos meus olhos, fazendo aquilo com outra mulher, me fez sentir como se estivesse vivendo um pesadelo. Não podia ser real. Minha mente lutava contra as imagens que se desenrolavam à minha frente, tentando me convencer de que era apenas uma alucinação, um engano, uma distorção cruel da realidade. Mas não era. O quarto onde Benício entrou com aquela mulher era envolto por uma meia-luz avermelhada, que projetava sombras longas e sinuosas pelas paredes. Aquilo me causava um arrepio na espinha, como se eu tivesse atravessado uma fronteira invisível e agora estivesse em um território desconhecido, proibido. Mas o que mais me chocou não foi a penumbra sedutora, e sim a completa ausência de qualquer indício de que aquele lugar fosse um quarto comum. Não havia cama, nem móveis convencionais, nem nada que lembrasse o aconchego de um lar. O que havia ali era algo completamente diferente. N
O JUIZ - Tio do Meu FilhoCapítulo 1Eu sou mais uma Maria na multidão, aquela que não deu certo na vida. Assim como tantas outras, vou levando, dia após dia, matando um, dois, três leões por dia. Tento ser mãe, provedora, trabalhadora, mas o mundo parece sempre estar contra mim. Eu sou apenas mais uma Maria lutando para sobreviver no cruel mundo dos humanos.******Maria Silva**"Até mais, meninas. Bom descanso." Deixei o trabalho aliviada por ter sobrevivido a mais uma noite na boate. Os saltos altos e a minissaia de couro, que eu era obrigada a usar, pareciam instrumentos de tortura. Cada passo doía, cada movimento parecia exibir uma ferida que eu escondia. Quando finalmente troquei aqueles sapatos desconfortáveis pelos meus velhos tênis de guerra, senti um alívio imediato. Estava livre, ainda que por algumas horas."Cansada... Como estou cansada," murmurei para mim mesma enquanto caminhava até o ponto de ônibus.O ônibus estava lotado como de costume, repleto de trabalhadores que