O bangalô em Bora Bora era um refúgio isolado, cercado por águas cristalinas que refletiam o brilho prateado da lua. As portas de vidro estavam abertas, permitindo que a brisa salgada entrasse suavemente, balançando as cortinas de linho branco que separavam o quarto do deque sobre o mar.Jacob estava sentado na poltrona de couro próxima à cama, com os olhos perdidos na escuridão do horizonte. A lua cheia se refletia nas águas calmas, mas nada dentro dele refletia paz. Nada daquilo parecia real, embora ele estivesse preso àquela mentira que agora fazia parte da sua vida.O casamento, a recepção, os olhares julgadores, os sorrisos falsos, o brinde ao amor que não existia. Tudo um teatro cruel, orquestrado pela sua própria fraqueza em enfrentar a verdade.Soltando um suspiro pesado, ele passou a mão pelos cabelos, tentando ignorar o peso opressor daquela decisão. O motivo que o prendeu a Samantha era o mesmo que o destruía por dentro.Samantha surgiu alguns minutos depois, vestindo um rob
O tempo passou mais rápido do que Jacob esperava. Três meses de casamento. Três meses de convivência.Ele realmente tentou. Tentou ser o marido que todos esperavam que fosse. Tentou se conectar com Samantha, encontrar algo além do contrato que os unia. Tentou convencê-la e a si mesmo, de que poderiam fazer aquilo funcionar.Não conseguiu.O relacionamento deles era feito de momentos, não de sentimentos. Noites quentes, intensas, seguidas de manhãs frias e vazias. Samantha queria mais, sempre mais, mas Jacob simplesmente não conseguia dar.Naquela noite, não foi diferente.— Diga logo, Jacob! — Samantha gritou, jogando um copo contra a parede do quarto. Os cacos se espalharam pelo chão, refletindo a luz do abajur como pequenos estilhaços de sua paciência. — Você nunca me quis de verdade, não é?Jacob cerrou a mandíbula, respirando fundo. Quantas vezes já tiveram essa discussão?— Não faça drama, Samantha.Ela riu, uma risada amarga, cortante, carregada de ressentimento. — Drama?! — el
Já se passaram dois meses depois que eu descobri que estava grávida. Muitas surpresas aconteceram desde então, uma delas foi ter reencontrado minha madrinha. Quando ela me viu, chorou dizendo que eu estava muito parecida com minha mãe. Chorei também. Passamos a tarde juntas. Ela ficou radiante quando viu minha barriga enorme. Estou com dezesseis semanas de gestação, um pouco mais de quatro meses, mas na última consulta pré-natal, tive uma surpresa.Estou grávida de gêmeos! Eu já estava apavorada com a espera de um bebê, nem sei descrever como estou agora. Pra variar, chorei muito quando descobri. Já estava achando difícil cuidar de uma criança quem dirá duas? Mas, graças aos meus amigos, Kate e Kevin, tudo tem sido mais fácil.Optei por transferir meu curso para a Universidade de Londres, apenas para garantir nunca mais cruzar com Thomas, sei que será inevitável encontrar com ele ou com meu pai mas, enquanto puder evitar, assim o farei! Acabo de sair da boate e David está me ajudand
Jacob sentou-se à sua mesa, a caneta deslizando lentamente sobre o papel enquanto assinava uma pilha de documentos. O silêncio do escritório era quebrado apenas pelo leve som do relógio na parede. Seus olhos estavam cansados, a mente dispersa, mas, de repente, sem aviso, uma sensação inesperada tomou conta dele. Uma alegria genuína invadiu seu peito, preenchendo-o com uma paz que há semanas parecia inalcançável. Jacob encostou-se na cadeira, fechou os olhos e deixou-se levar por aquela sensação rara. Respirou fundo, como se o peso que carregava nos ombros tivesse sido momentaneamente aliviado.Nos últimos dias, a convivência com Samantha estava cada vez mais difícil. Desde que a gravidez foi descoberta, as cobranças aumentaram, as discussões tornaram-se rotina e o respeito que compartilhavam parecia sufocado pelo estresse. Jacob sentia-se pressionado, perdido entre o desejo de ser um bom marido e a exaustão em tentar não falhar. No entanto, tudo mudou na semana anterior, quando um
Mia caminhava pelo campus de Cambridge, ainda se acostumando ao novo ambiente. Havia trocado Oxford por Cambridge para ficar mais perto de Jacob, especialmente depois de tudo o que o irmão estava passando. Apesar da mudança repentina, sentia-se aliviada por estar mais próxima da família. O sol suave iluminava os jardins bem cuidados e o burburinho dos estudantes ao seu redor trazia uma sensação de novidade que, aos poucos, começava a gostar.No auditório, depois de um leve suspiro, Mia procurou um lugar vazio. Sentou-se ao lado de uma garota morena de olhos claros e sorriso acolhedor que imediatamente transmitiu uma vibração amigável.— Oi, sou Mia — disse, com um sorriso tímido, puxando conversa.— Kate — respondeu a outra, sorrindo de volta. — Você é nova aqui, né?— Sim, acabei de me transferir.— Que coincidência, também sou nova. Veio de Oxford, imagino?Mia assentiu e as duas logo engataram em uma conversa descontraída sobre a vida universitária, professores exigentes e o char
Saí do restaurante ao lado de Kevin, sentindo o coração leve de uma forma que não acontecia há tempos. O almoço tinha sido descontraído e eu não conseguia parar de pensar em Mia. Seu sorriso era tão reconfortante, como um abraço silencioso que envolvia a alma. Aqueles olhos… tão sinceros, tão acolhedores. Era estranho, mas estar perto dela me dava uma sensação de segurança, como se, de alguma maneira, ela já fizesse parte da minha vida há muito tempo.— O que você tanto pensa? — perguntou Kevin, me lançando um olhar curioso enquanto caminhávamos até o carro.— Na Mia… — respondi, sorrindo suavemente. — Tem algo nela, não sei explicar, mas é como se ela fosse familiar, mesmo sendo uma estranha.Kevin assentiu, compreensivo.— Algumas conexões simplesmente acontecem. Honestamente, foi bom ver você tão à vontade hoje.Assenti, sentindo o mesmo. Durante todo o trajeto até minha casa, Kevin e eu conversamos sobre coisas triviais, rimos de bobagens e, por um momento, esqueci das preocupaçõ
Virei-me bruscamente, meu coração martelando descompassado e corri para o elevador mas a porta se fechou antes que conseguisse entrar. Um soluço silencioso escapou. Passei a mão pela barriga suavemente, sentindo meus bebês ali comigo.Eles nunca precisariam conhecer aquela dor.Fiquei ali, encostada na porta, tentando acalmar minha respiração. Meu coração ainda batia descompassado, cada pulsação ecoando a lembrança amarga do que acabara de acontecer. Meu pai, Emília, Thomas… Depois de tanto tempo, eles apareceram como se pudessem simplesmente invadir minha vida, como se pudessem apagar o passado com um sorriso falso e desculpas vazias.Passei as mãos pelo rosto, sentindo o calor das lágrimas que eu me recusava a derramar. Não mais. Eu não daria esse poder a eles.— Vai ficar tudo bem… — murmurei, mais para mim do que para os bebês. Deslizei a mão suavemente pela minha barriga, sentindo o leve movimento deles. — Eu prometo.Meu coração gelou. Ele continuava sem acreditar em mim. Sen
Mia caminhava ao lado de sua mãe, Katerina, pelo corredor repleto de cores suaves da loja de bebês. Os olhos das duas brilhavam de empolgação enquanto analisavam cada detalhe daquelas roupinhas minúsculas, sapatinhos delicados e brinquedos fofos espalhados pelas prateleiras.— Olhe isso, mãe! — Mia exclamou, segurando um macacãozinho azul com o desenho de um urso. — O Joshua vai ficar irresistível com isso!— Pense nele nesse conjuntinho de dinossauro — Katerina mostrou, com um sorriso largo. — Eu posso até imaginar aqueles pezinhos gorduchos correndo pela casa. Ah, mal posso esperar para segurar meu neto no colo!Mia riu, sentindo o coração transbordar de amor.— O Jacob nem imagina a quantidade de coisas que vamos comprar pra esse bebê, né? Aposto que ele acha que vai ter controle sobre isso.— Ah, coitado… — Katerina riu, balançando a cabeça. — Ele ainda não entendeu que nós sempre vencemos.Enquanto andavam pelos corredores, Mia avistou um conjunto de roupinhas metade rosa, metade