Jacob saiu do apartamento sem olhar para trás, sentindo o peso de cada palavra que Samantha havia gritado. O ar lá fora estava fresco, mas a cabeça dele latejava. Mia, ainda segurando as sacolas, o seguiu preocupada.— Jake… — chamou suavemente, mas ele apenas balançou a cabeça.— Só… vem comigo, Mia. Preciso sair daqui — respondeu ele, a voz cansada.Mia assentiu, guardou rapidamente os presentes no carro e entrou ao lado do irmão, que dirigiu em silêncio. O trajeto até o apartamento dela foi quase mudo, quebrado apenas pelo som baixo da rádio que preenchia o espaço. Ela observava Jacob pelo canto do olho, vendo o quanto ele estava esgotado. O semblante carregado, os ombros tensos e o olhar perdido, eram claros sinais de alguém no limite.Enquanto isso, Samantha continuava chorando nos braços da mãe, soluçando alto.— Por que ele não me entende, mãe? Por quê? Eu só quero o Jacob, eu o amo mais que tudo, preciso de um marido, mas ele só pensa no bebê! Eu não aguento mais!Sophie, com
Jacob acordou com a luz suave entrando pelas frestas da cortina. Sua cabeça latejava, resultado inevitável da quantidade de whisky que bebeu na noite anterior. Esfregou os olhos lentamente, tentando se situar, percebeu que estava na casa de Mia. O cheiro de café fresco invadiu o quarto, antes mesmo que ele pudesse se levantar.Minutos depois, a porta se abriu devagar e Mia entrou com uma bandeja nas mãos, equilibrando uma xícara de café fumegante, um copo de suco e alguns analgésicos.— Bom dia, Bela Adormecida — brincou ela, colocando a bandeja sobre o criado-mudo. — Achei que fosse dormir o dia inteiro.Jacob soltou um riso rouco, ainda sonolento e pegou o copo com os analgésicos.— Valeu, Mia — disse, olhando para a irmã com um sorriso cansado, mas sincero. — Obrigado pela noite.Mia revirou os olhos, mas sorriu de volta. Pegou uma toalha e jogou em direção a ele.— Vai tomar um banho gelado, irmãozinho. Vai te fazer bem. Além disso, você tá precisando… e muito.— Entendido, chefi
Dois meses se passaram e a rotina de Jacob e Samantha parecia mais frágil do que nunca. As brigas intensas deram lugar a um silêncio incômodo, quase ensurdecedor. Eles não discutiam mais, mas também mal se falavam. As poucas conversas que tinham giravam apenas em torno de Joshua, o filho que estava prestes a nascer. Jacob fazia de tudo para manter a harmonia entre eles, mas cada dia ao lado de Samantha parecia uma batalha silenciosa. Ele se perguntava quanto tempo mais conseguiria sustentar aquela convivência delicada.Enquanto Jacob lutava com seu próprio mundo desmoronando, Mia parecia, finalmente, viver um conto de fadas que nem sabia estar esperando. Depois de semanas com olhares, mensagens trocadas e encontros casuais, Liam finalmente criou coragem e a convidou para sair. O sorriso de Mia quando contou a novidade para Katerina e Jacob foi suficiente para iluminar até o dia mais cinzento.— Até que enfim, hein! — Jacob brincou, enquanto Mia revirava os olhos, mas sorria de orelha
Um mês havia se passado.Luna carregava orgulhosamente sua barriga de oito meses. Os gêmeos, Benjamin e Valentina, eram tudo, menos tranquilos. Chutes constantes, reviravoltas inesperadas e noites sem dormir eram parte de sua rotina diária, mas ela sorria mesmo assim. Cada movimento era um lembrete de que logo teria seus dois pequenos milagres em seus braços.Felizmente, Luna não estava sozinha. Kevin, Kate e Mia eram sua rede de apoio constante. Kevin a mimava com presentes e surpresas. Kate era a parceira inseparável para maratonar séries durante as noites de insônia enquanto Mia se tornara não apenas uma amiga, mas uma irmã de alma, sempre por perto com palavras de conforto e carinho genuíno. A presença deles fazia Luna sentir-se amada e acolhida.Além deles, alguém mais havia se aproximado, David. Ele estava cada vez mais presente em sua vida. O veterinário gentil e paciente que sempre aparecia nos momentos certos, oferecendo apoio sem pedir nada em troca. Todos sabiam dos sent
A noite estava densa, envolta pelo som incessante da chuva que caía torrencialmente sobre Londres. O céu escuro era cortado por relâmpagos e o vento uivava pelas ruas movimentadas da cidade. Luna, com oito meses de gestação, saía da universidade após uma breve reunião com seu orientador. Estava cansada, ansiosa para chegar em casa, colocar os pés para cima e descansar. No entanto, ao dar o primeiro passo para fora do prédio, uma dor aguda no baixo ventre a fez parar imediatamente.— Não… não, por Deus não! — murmurou, sentindo o coração acelerar.Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, sentiu um líquido quente escorrer entre suas pernas. O pânico a atingiu como uma onda avassaladora. Sua bolsa havia estourado.— Meu Deus… isso não pode estar acontecendo! Ainda faltam duas semanas! — disse para si mesma, tentando respirar fundo, mas o nervosismo já tomava conta.Tremendo, puxou o celular do bolso e discou para Kate.— Atende… por favor, atende! — implorou baixinho.— Lun
Jacob, que vinha atrás delas em seu próprio carro, também estava ansioso, mas mantinha o foco. Mal sabia ele que, naquela mesma maternidade, o destino preparava um encontro que mudaria sua vida para sempre.Quando Mia e Jacob finalmente chegaram ao hospital, Samantha foi rapidamente levada para a sala de parto. Sophie e Katerina já estavam esperando por eles. — Mãe, eu estou com medo! — Samantha falou, logo que viu a mãe.— Calma, minha filha. Vai correr tudo bem. O médico Obstetra se aproxima de Samantha e com uma pasta nas mãos.— Boa noite, senhorita Lancaster, sou Dr Young. A Dra Tomei já me telefonou pedindo que eu fique responsável pelo seu parto. — Doutor, ela vai ficar bem? — perguntou Sophie acariciando os cabelos da filha. Jacob se aproximou de Samantha que ao ver o esposo, chorou buscando sua mão. Jacob levou a mão dela aos lábios.— Vai dar tudo certo, amor. Logo estaremos com nosso filho nos braços — ele sussurrou contra sua pele, tentando transmitir segurança.— Você
O tempo parecia suspenso dentro daquela maternidade. A chuva continuava castigando as janelas, e o silêncio sombrio do corredor contrastava com o turbilhão de emoções que se desenrolava em cada canto do hospital.No berçário, um ato irreversível acabava de acontecer. A enfermeira hesitou, seus olhos indo do médico para Sophie, sentindo o peso do pedido absurdo que acabara de ouvir. O médico suspirou pesadamente, ciente da gravidade da situação.— Senhora, isso é ilegal!— murmurou ele, em um tom baixo.Sophie, ainda com os olhos marejados, apertou os lábios com força e se aproximou do doutor tocando seu braço com delicadeza.— Ilegal é ver minha filha definhar em dor e não fazer nada — sussurrou, com a voz embargada. — Samantha não pode perder esse bebê. Isso a destruiria e também Jacob.O nome de Jacob pairou no ar, como se tivesse o poder de persuadi-los. Sophie olhou através do vidro do berçário mais uma vez. O pequeno menino na incubadora era pequeno, mas forte. Suas feições eram
Do outro lado do hospital, Jacob, Liam, Kaleb e Antony aguardavam ansiosos. Jacob, que andava de um lado para o outro, parou abruptamente ao ver a enfermeira sair e dar um leve aceno para ele.— O senhor pode entrar agora — informou ela.Jacob respirou fundo, sentindo o coração bater disparado. Entrou no quarto, encontrando Samantha com o bebê nos braços. As lágrimas ainda corriam pelo rosto dela, mas havia um alívio, uma felicidade misturada à dor.— Nosso filho, Jacob… — Samantha sussurrou, estendendo o pequeno para ele.Com as mãos ainda trêmulas, ele pegou o bebê nos braços, sentindo o coração apertar. Um amor avassalador tomou conta dele, o menino era perfeito, mas Jacob não conseguia afastar um leve desconforto, uma sensação que não sabia explicar.— Ele é lindo… — Jacob disse baixinho, forçando um sorriso.Sophie, observando tudo, sentiu um nó no estômago, mas manteve a fachada, aliviada por seu plano ter dado certo.Naquela mesma noite, enquanto Jacob segurava aquele bebê, seu