O tempo parecia suspenso dentro daquela maternidade. A chuva continuava castigando as janelas, e o silêncio sombrio do corredor contrastava com o turbilhão de emoções que se desenrolava em cada canto do hospital.No berçário, um ato irreversível acabava de acontecer. A enfermeira hesitou, seus olhos indo do médico para Sophie, sentindo o peso do pedido absurdo que acabara de ouvir. O médico suspirou pesadamente, ciente da gravidade da situação.— Senhora, isso é ilegal!— murmurou ele, em um tom baixo.Sophie, ainda com os olhos marejados, apertou os lábios com força e se aproximou do doutor tocando seu braço com delicadeza.— Ilegal é ver minha filha definhar em dor e não fazer nada — sussurrou, com a voz embargada. — Samantha não pode perder esse bebê. Isso a destruiria e também Jacob.O nome de Jacob pairou no ar, como se tivesse o poder de persuadi-los. Sophie olhou através do vidro do berçário mais uma vez. O pequeno menino na incubadora era pequeno, mas forte. Suas feições eram
Do outro lado do hospital, Jacob, Liam, Kaleb e Antony aguardavam ansiosos. Jacob, que andava de um lado para o outro, parou abruptamente ao ver a enfermeira sair e dar um leve aceno para ele.— O senhor pode entrar agora — informou ela.Jacob respirou fundo, sentindo o coração bater disparado. Entrou no quarto, encontrando Samantha com o bebê nos braços. As lágrimas ainda corriam pelo rosto dela, mas havia um alívio, uma felicidade misturada à dor.— Nosso filho, Jacob… — Samantha sussurrou, estendendo o pequeno para ele.Com as mãos ainda trêmulas, ele pegou o bebê nos braços, sentindo o coração apertar. Um amor avassalador tomou conta dele, o menino era perfeito, mas Jacob não conseguia afastar um leve desconforto, uma sensação que não sabia explicar.— Ele é lindo… — Jacob disse baixinho, forçando um sorriso.Sophie, observando tudo, sentiu um nó no estômago, mas manteve a fachada, aliviada por seu plano ter dado certo.Naquela mesma noite, enquanto Jacob segurava aquele bebê, seu
Luna ficou sozinha novamente. O vazio ao seu redor parecia aumentar, a dor em seu peito era sufocante. Sua alma gritava por seus filhos, o silêncio do quarto devolvia apenas a angústia.Ela fechou os olhos, tentando encontrar um fragmento de paz, mas tudo o que encontrou foi a imagem dos dois pequeninos que carregou por meses, movendo-se dentro dela, respondendo ao seu toque, ao seu amor. Agora, ela não podia senti-los. Não podia ouvi-los. Apenas o eco da sua dor preenchia o espaço vazio.A chuva continuava a cair, pesada e implacável, como se refletisse a dor silenciosa que preenchia o hospital. Luna estava deitada, imóvel, com o olhar fixo no teto branco. A porta do quarto se abriu suavemente e Kate entrou, estava encharcada, molhada da cabeça aos pés, os cabelos grudados no rosto, o casaco pingando no chão. Seus olhos estavam vermelhos, a expressão carregada de culpa. — Luna… — sussurrou, a voz falhando.Ao ouvir a voz da amiga, Luna virou o rosto lentamente, quando viu Kate para
Kate segurava Luna nos braços, sentindo o peso esmagador da dor da amiga. Se pudesse, pegaria para si. O quarto parecia congelado no tempo, como se o mundo inteiro tivesse parado apenas para testemunhar o luto de uma mãe que acabara de perder parte de sua alma. O silêncio era cortante, interrompido apenas pelos soluços quebrados de Luna, que tremia como uma folha frágil ao vento.Kate apertou os lábios, lutando contra as próprias lágrimas. O sofrimento de Luna era o tipo de dor que não se traduzia em palavras, não se media em gestos. Era um abismo escuro e sem fundo. Ela sabia que não havia nada que pudesse dizer para fazê-la emergir de lá tão cedo. Mesmo assim, ela precisava tentar.Com cuidado, afastou-se levemente e segurou o rosto de Luna entre as mãos, forçando-a olhar para ela.— Luna… — sua voz era suave, mas firme, carregada de todo o amor e força que sendo sua melhor amiga, precisava transmitir naquele momento. — Eu sei que agora, tudo parece insuportável. Sei que a dor pare
Do Outro lado da MaternidadeA noite estava silenciosa no quarto da maternidade quando Jacob entrou suavemente, tentando não fazer barulho. Samantha dormia profundamente após o parto difícil que teve, o rosto ainda pálido, mas sereno. Ao lado dela, em um pequeno berço transparente, estava seu filho.Jacob ficou parado por um momento, apenas observando o pequeno ser que respirava suavemente, envolto em uma manta azul. O coração dele, tão pesado nos últimos meses, pareceu derreter naquele instante. Aproximou-se devagar, como se temesse quebrar a delicadeza do momento e inclinou-se para pegar o bebê nos braços.Assim que o segurou, sentiu um nó na garganta. O peso leve, o cheiro suave, os dedos minúsculos que se mexiam levemente, as perninhas encolhidas… tudo isso fez algo dentro de Jacob se romper. Ele se sentou ao lado da cama, segurando o filho com cuidado e com os olhos marejados disse:— Oi, pequeno… — sussurrou, com a voz trêmula. — Sou eu… seu pai.Uma lágrima solitária escorreu p
A chuva ainda tamborilava suavemente nas janelas do hospital quando David chegou apressado. Seu coração batia disparado dentro do peito e seu olhar era um misto de preocupação e medo. Ele pegou o primeiro voo de volta, assim que recebeu a notícia do parto prematuro de Luna, mas nada o preparou para o que estava por vir.Ao entrar no quarto, viu Luna sentada na cama, com os olhos inchados de tanto chorar, abraçada a Kate. O peito dele apertou imediatamente e ele se aproximou devagar.— Luna… — David chamou suavemente.Luna levantou o olhar ao ouvir sua voz e o que David viu nos olhos da amiga o destruiu. A dor era avassaladora, crua, quase insuportável de se testemunhar. Sem pensar duas vezes, ele correu até ela, envolvendo-a em um abraço apertado.— Ele… ele se foi, Benjamim… David… — Luna sussurrou entre soluços, agarrando-se a ele como se temesse se perder no abismo de sua dor.David fechou os olhos com força, segurando-a ainda mais firme.— Eu sei… — murmurou, a voz embargada. — Pe
Alguns dias depois no apartamento de LunaA chuva havia dado lugar a um dia cinzento, típico de Londres, mas dentro do apartamento de Luna, o ambiente era acolhedor, cheio de amor e vida. Valentina, com apenas alguns dias de vida, já era o centro de todo o universo de Luna e de seus amigos, que se revezavam para garantir que ela nunca se sentisse sozinha.Kate estava sentada no sofá, balançando suavemente a pequena Valentina nos braços, enquanto falava com a bebê de forma animada.— Olha só pra você, florzinha… tão pequenininha e já mandando em todos aqui! Aposto que já sabe que é a dona do pedaço, né? — Kate sorriu, encantada com os olhinhos atentos da bebê. — E essa boquinha? Igualzinha à da sua mamãe! — Kate deu um beijo suave na testa de Valentina, que respondeu com um bocejo adorável.No quarto, Luna finalmente tomava um banho quente, tentando aliviar o cansaço dos últimos dias. A água corria pelo seu corpo, levando consigo parte da dor e do peso que ela ainda carregava no peito.
Jacob estava sentado no sofá da sala, balançando suavemente o pequeno Joshua em seus braços. O bebê dormia tranquilamente, alheio ao mundo ao seu redor. Mia entrou silenciosamente, sentando-se ao lado do irmão, observando-o com um sorriso suave.— Ele é tão pequenininho… — Mia sussurrou, admirando o sobrinho.Jacob assentiu, sem desviar o olhar do filho.— É… às vezes, nem acredito que ele tá aqui — respondeu, com a voz baixa, como se falasse para si mesmo. — E pensar que… eu quase o perdi.Mia ficou em silêncio por um momento, refletindo sobre o quanto a vida era frágil. Ela respirou fundo, sentindo o peito apertar. A lembrança de Luna invadiu seus pensamentos e a culpa a corroía por dentro. Já tinha se passado dias e ela não teve coragem de visitar a amiga, não saberia o que dizer diante de uma situação tão frágil e delicada. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou Jacob percebendo a mudança no semblante da irmã.— Sim… — ela começou, hesitante.— O que foi? — ele desviou o olhar par