Luna ficou sozinha novamente. O vazio ao seu redor parecia aumentar, a dor em seu peito era sufocante. Sua alma gritava por seus filhos, o silêncio do quarto devolvia apenas a angústia.Ela fechou os olhos, tentando encontrar um fragmento de paz, mas tudo o que encontrou foi a imagem dos dois pequeninos que carregou por meses, movendo-se dentro dela, respondendo ao seu toque, ao seu amor. Agora, ela não podia senti-los. Não podia ouvi-los. Apenas o eco da sua dor preenchia o espaço vazio.A chuva continuava a cair, pesada e implacável, como se refletisse a dor silenciosa que preenchia o hospital. Luna estava deitada, imóvel, com o olhar fixo no teto branco. A porta do quarto se abriu suavemente e Kate entrou, estava encharcada, molhada da cabeça aos pés, os cabelos grudados no rosto, o casaco pingando no chão. Seus olhos estavam vermelhos, a expressão carregada de culpa. — Luna… — sussurrou, a voz falhando.Ao ouvir a voz da amiga, Luna virou o rosto lentamente, quando viu Kate para
Kate segurava Luna nos braços, sentindo o peso esmagador da dor da amiga. Se pudesse, pegaria para si. O quarto parecia congelado no tempo, como se o mundo inteiro tivesse parado apenas para testemunhar o luto de uma mãe que acabara de perder parte de sua alma. O silêncio era cortante, interrompido apenas pelos soluços quebrados de Luna, que tremia como uma folha frágil ao vento.Kate apertou os lábios, lutando contra as próprias lágrimas. O sofrimento de Luna era o tipo de dor que não se traduzia em palavras, não se media em gestos. Era um abismo escuro e sem fundo. Ela sabia que não havia nada que pudesse dizer para fazê-la emergir de lá tão cedo. Mesmo assim, ela precisava tentar.Com cuidado, afastou-se levemente e segurou o rosto de Luna entre as mãos, forçando-a olhar para ela.— Luna… — sua voz era suave, mas firme, carregada de todo o amor e força que sendo sua melhor amiga, precisava transmitir naquele momento. — Eu sei que agora, tudo parece insuportável. Sei que a dor pare
Do Outro lado da MaternidadeA noite estava silenciosa no quarto da maternidade quando Jacob entrou suavemente, tentando não fazer barulho. Samantha dormia profundamente após o parto difícil que teve, o rosto ainda pálido, mas sereno. Ao lado dela, em um pequeno berço transparente, estava seu filho.Jacob ficou parado por um momento, apenas observando o pequeno ser que respirava suavemente, envolto em uma manta azul. O coração dele, tão pesado nos últimos meses, pareceu derreter naquele instante. Aproximou-se devagar, como se temesse quebrar a delicadeza do momento e inclinou-se para pegar o bebê nos braços.Assim que o segurou, sentiu um nó na garganta. O peso leve, o cheiro suave, os dedos minúsculos que se mexiam levemente, as perninhas encolhidas… tudo isso fez algo dentro de Jacob se romper. Ele se sentou ao lado da cama, segurando o filho com cuidado e com os olhos marejados disse:— Oi, pequeno… — sussurrou, com a voz trêmula. — Sou eu… seu pai.Uma lágrima solitária escorreu p
A chuva ainda tamborilava suavemente nas janelas do hospital quando David chegou apressado. Seu coração batia disparado dentro do peito e seu olhar era um misto de preocupação e medo. Ele pegou o primeiro voo de volta, assim que recebeu a notícia do parto prematuro de Luna, mas nada o preparou para o que estava por vir.Ao entrar no quarto, viu Luna sentada na cama, com os olhos inchados de tanto chorar, abraçada a Kate. O peito dele apertou imediatamente e ele se aproximou devagar.— Luna… — David chamou suavemente.Luna levantou o olhar ao ouvir sua voz e o que David viu nos olhos da amiga o destruiu. A dor era avassaladora, crua, quase insuportável de se testemunhar. Sem pensar duas vezes, ele correu até ela, envolvendo-a em um abraço apertado.— Ele… ele se foi, Benjamim… David… — Luna sussurrou entre soluços, agarrando-se a ele como se temesse se perder no abismo de sua dor.David fechou os olhos com força, segurando-a ainda mais firme.— Eu sei… — murmurou, a voz embargada. — Pe
Alguns dias depois no apartamento de LunaA chuva havia dado lugar a um dia cinzento, típico de Londres, mas dentro do apartamento de Luna, o ambiente era acolhedor, cheio de amor e vida. Valentina, com apenas alguns dias de vida, já era o centro de todo o universo de Luna e de seus amigos, que se revezavam para garantir que ela nunca se sentisse sozinha.Kate estava sentada no sofá, balançando suavemente a pequena Valentina nos braços, enquanto falava com a bebê de forma animada.— Olha só pra você, florzinha… tão pequenininha e já mandando em todos aqui! Aposto que já sabe que é a dona do pedaço, né? — Kate sorriu, encantada com os olhinhos atentos da bebê. — E essa boquinha? Igualzinha à da sua mamãe! — Kate deu um beijo suave na testa de Valentina, que respondeu com um bocejo adorável.No quarto, Luna finalmente tomava um banho quente, tentando aliviar o cansaço dos últimos dias. A água corria pelo seu corpo, levando consigo parte da dor e do peso que ela ainda carregava no peito.
Jacob estava sentado no sofá da sala, balançando suavemente o pequeno Joshua em seus braços. O bebê dormia tranquilamente, alheio ao mundo ao seu redor. Mia entrou silenciosamente, sentando-se ao lado do irmão, observando-o com um sorriso suave.— Ele é tão pequenininho… — Mia sussurrou, admirando o sobrinho.Jacob assentiu, sem desviar o olhar do filho.— É… às vezes, nem acredito que ele tá aqui — respondeu, com a voz baixa, como se falasse para si mesmo. — E pensar que… eu quase o perdi.Mia ficou em silêncio por um momento, refletindo sobre o quanto a vida era frágil. Ela respirou fundo, sentindo o peito apertar. A lembrança de Luna invadiu seus pensamentos e a culpa a corroía por dentro. Já tinha se passado dias e ela não teve coragem de visitar a amiga, não saberia o que dizer diante de uma situação tão frágil e delicada. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou Jacob percebendo a mudança no semblante da irmã.— Sim… — ela começou, hesitante.— O que foi? — ele desviou o olhar par
Mia LancasterNo caminho para o apartamento de Luna, o som suave da chuva batendo no pára-brisa parecia amplificar o turbilhão de pensamentos na minha mente. As palavras de Jacob ecoavam em minha cabeça como um mantra silencioso.“Às vezes, não precisa dizer nada… só estar lá já é suficiente.”Por dias, me torturei tentando encontrar o que dizer, o que fazer para amenizar a dor da minha amiga e agora, dirigindo pelas ruas molhadas de Londres, percebi que o que Luna precisava não eram palavras perfeitas, era minha companhia. Ela precisava saber que eu estava ali, ao seu lado.Suspirei fundo, sentindo o coração bater mais rápido &agrav
Dei um sorriso tímido, enxugando as lágrimas que ainda teimavam em cair e voltei minha atenção para Valentina que soltou um bocejo adorável. Meu coração derreteu no mesmo instante, como se fosse feito de chocolate quente em um dia frio.— Ah, meu Deus, você é mesmo um pacotinho de amor! — murmurei, balançando-a suavemente nos braços, completamente encantada.Foi nesse momento que a porta se abriu com um estrondo digno de filme de ação e Kate entrou esbaforida, carregando uma bolsa tão grande que parecia estar transportando suprimentos para uma expedição ao Everest.— Finalmente! Londres inteira resolveu sair de casa hoje? &m