Dois meses se passaram e a rotina de Jacob e Samantha parecia mais frágil do que nunca. As brigas intensas deram lugar a um silêncio incômodo, quase ensurdecedor. Eles não discutiam mais, mas também mal se falavam. As poucas conversas que tinham giravam apenas em torno de Joshua, o filho que estava prestes a nascer. Jacob fazia de tudo para manter a harmonia entre eles, mas cada dia ao lado de Samantha parecia uma batalha silenciosa. Ele se perguntava quanto tempo mais conseguiria sustentar aquela convivência delicada.Enquanto Jacob lutava com seu próprio mundo desmoronando, Mia parecia, finalmente, viver um conto de fadas que nem sabia estar esperando. Depois de semanas com olhares, mensagens trocadas e encontros casuais, Liam finalmente criou coragem e a convidou para sair. O sorriso de Mia quando contou a novidade para Katerina e Jacob foi suficiente para iluminar até o dia mais cinzento.— Até que enfim, hein! — Jacob brincou, enquanto Mia revirava os olhos, mas sorria de orelha
Um mês havia se passado.Luna carregava orgulhosamente sua barriga de oito meses. Os gêmeos, Benjamin e Valentina, eram tudo, menos tranquilos. Chutes constantes, reviravoltas inesperadas e noites sem dormir eram parte de sua rotina diária, mas ela sorria mesmo assim. Cada movimento era um lembrete de que logo teria seus dois pequenos milagres em seus braços.Felizmente, Luna não estava sozinha. Kevin, Kate e Mia eram sua rede de apoio constante. Kevin a mimava com presentes e surpresas. Kate era a parceira inseparável para maratonar séries durante as noites de insônia enquanto Mia se tornara não apenas uma amiga, mas uma irmã de alma, sempre por perto com palavras de conforto e carinho genuíno. A presença deles fazia Luna sentir-se amada e acolhida.Além deles, alguém mais havia se aproximado, David. Ele estava cada vez mais presente em sua vida. O veterinário gentil e paciente que sempre aparecia nos momentos certos, oferecendo apoio sem pedir nada em troca. Todos sabiam dos sent
A noite estava densa, envolta pelo som incessante da chuva que caía torrencialmente sobre Londres. O céu escuro era cortado por relâmpagos e o vento uivava pelas ruas movimentadas da cidade. Luna, com oito meses de gestação, saía da universidade após uma breve reunião com seu orientador. Estava cansada, ansiosa para chegar em casa, colocar os pés para cima e descansar. No entanto, ao dar o primeiro passo para fora do prédio, uma dor aguda no baixo ventre a fez parar imediatamente.— Não… não, por Deus não! — murmurou, sentindo o coração acelerar.Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, sentiu um líquido quente escorrer entre suas pernas. O pânico a atingiu como uma onda avassaladora. Sua bolsa havia estourado.— Meu Deus… isso não pode estar acontecendo! Ainda faltam duas semanas! — disse para si mesma, tentando respirar fundo, mas o nervosismo já tomava conta.Tremendo, puxou o celular do bolso e discou para Kate.— Atende… por favor, atende! — implorou baixinho.— Lun
Jacob, que vinha atrás delas em seu próprio carro, também estava ansioso, mas mantinha o foco. Mal sabia ele que, naquela mesma maternidade, o destino preparava um encontro que mudaria sua vida para sempre.Quando Mia e Jacob finalmente chegaram ao hospital, Samantha foi rapidamente levada para a sala de parto. Sophie e Katerina já estavam esperando por eles. — Mãe, eu estou com medo! — Samantha falou, logo que viu a mãe.— Calma, minha filha. Vai correr tudo bem. O médico Obstetra se aproxima de Samantha e com uma pasta nas mãos.— Boa noite, senhorita Lancaster, sou Dr Young. A Dra Tomei já me telefonou pedindo que eu fique responsável pelo seu parto. — Doutor, ela vai ficar bem? — perguntou Sophie acariciando os cabelos da filha. Jacob se aproximou de Samantha que ao ver o esposo, chorou buscando sua mão. Jacob levou a mão dela aos lábios.— Vai dar tudo certo, amor. Logo estaremos com nosso filho nos braços — ele sussurrou contra sua pele, tentando transmitir segurança.— Você
O tempo parecia suspenso dentro daquela maternidade. A chuva continuava castigando as janelas, e o silêncio sombrio do corredor contrastava com o turbilhão de emoções que se desenrolava em cada canto do hospital.No berçário, um ato irreversível acabava de acontecer. A enfermeira hesitou, seus olhos indo do médico para Sophie, sentindo o peso do pedido absurdo que acabara de ouvir. O médico suspirou pesadamente, ciente da gravidade da situação.— Senhora, isso é ilegal!— murmurou ele, em um tom baixo.Sophie, ainda com os olhos marejados, apertou os lábios com força e se aproximou do doutor tocando seu braço com delicadeza.— Ilegal é ver minha filha definhar em dor e não fazer nada — sussurrou, com a voz embargada. — Samantha não pode perder esse bebê. Isso a destruiria e também Jacob.O nome de Jacob pairou no ar, como se tivesse o poder de persuadi-los. Sophie olhou através do vidro do berçário mais uma vez. O pequeno menino na incubadora era pequeno, mas forte. Suas feições eram
Do outro lado do hospital, Jacob, Liam, Kaleb e Antony aguardavam ansiosos. Jacob, que andava de um lado para o outro, parou abruptamente ao ver a enfermeira sair e dar um leve aceno para ele.— O senhor pode entrar agora — informou ela.Jacob respirou fundo, sentindo o coração bater disparado. Entrou no quarto, encontrando Samantha com o bebê nos braços. As lágrimas ainda corriam pelo rosto dela, mas havia um alívio, uma felicidade misturada à dor.— Nosso filho, Jacob… — Samantha sussurrou, estendendo o pequeno para ele.Com as mãos ainda trêmulas, ele pegou o bebê nos braços, sentindo o coração apertar. Um amor avassalador tomou conta dele, o menino era perfeito, mas Jacob não conseguia afastar um leve desconforto, uma sensação que não sabia explicar.— Ele é lindo… — Jacob disse baixinho, forçando um sorriso.Sophie, observando tudo, sentiu um nó no estômago, mas manteve a fachada, aliviada por seu plano ter dado certo.Naquela mesma noite, enquanto Jacob segurava aquele bebê, seu
Luna ficou sozinha novamente. O vazio ao seu redor parecia aumentar, a dor em seu peito era sufocante. Sua alma gritava por seus filhos, o silêncio do quarto devolvia apenas a angústia.Ela fechou os olhos, tentando encontrar um fragmento de paz, mas tudo o que encontrou foi a imagem dos dois pequeninos que carregou por meses, movendo-se dentro dela, respondendo ao seu toque, ao seu amor. Agora, ela não podia senti-los. Não podia ouvi-los. Apenas o eco da sua dor preenchia o espaço vazio.A chuva continuava a cair, pesada e implacável, como se refletisse a dor silenciosa que preenchia o hospital. Luna estava deitada, imóvel, com o olhar fixo no teto branco. A porta do quarto se abriu suavemente e Kate entrou, estava encharcada, molhada da cabeça aos pés, os cabelos grudados no rosto, o casaco pingando no chão. Seus olhos estavam vermelhos, a expressão carregada de culpa. — Luna… — sussurrou, a voz falhando.Ao ouvir a voz da amiga, Luna virou o rosto lentamente, quando viu Kate para
Kate segurava Luna nos braços, sentindo o peso esmagador da dor da amiga. Se pudesse, pegaria para si. O quarto parecia congelado no tempo, como se o mundo inteiro tivesse parado apenas para testemunhar o luto de uma mãe que acabara de perder parte de sua alma. O silêncio era cortante, interrompido apenas pelos soluços quebrados de Luna, que tremia como uma folha frágil ao vento.Kate apertou os lábios, lutando contra as próprias lágrimas. O sofrimento de Luna era o tipo de dor que não se traduzia em palavras, não se media em gestos. Era um abismo escuro e sem fundo. Ela sabia que não havia nada que pudesse dizer para fazê-la emergir de lá tão cedo. Mesmo assim, ela precisava tentar.Com cuidado, afastou-se levemente e segurou o rosto de Luna entre as mãos, forçando-a olhar para ela.— Luna… — sua voz era suave, mas firme, carregada de todo o amor e força que sendo sua melhor amiga, precisava transmitir naquele momento. — Eu sei que agora, tudo parece insuportável. Sei que a dor pare