Saí do restaurante ao lado de Kevin, sentindo o coração leve de uma forma que não acontecia há tempos. O almoço tinha sido descontraído e eu não conseguia parar de pensar em Mia. Seu sorriso era tão reconfortante, como um abraço silencioso que envolvia a alma. Aqueles olhos… tão sinceros, tão acolhedores. Era estranho, mas estar perto dela me dava uma sensação de segurança, como se, de alguma maneira, ela já fizesse parte da minha vida há muito tempo.— O que você tanto pensa? — perguntou Kevin, me lançando um olhar curioso enquanto caminhávamos até o carro.— Na Mia… — respondi, sorrindo suavemente. — Tem algo nela, não sei explicar, mas é como se ela fosse familiar, mesmo sendo uma estranha.Kevin assentiu, compreensivo.— Algumas conexões simplesmente acontecem. Honestamente, foi bom ver você tão à vontade hoje.Assenti, sentindo o mesmo. Durante todo o trajeto até minha casa, Kevin e eu conversamos sobre coisas triviais, rimos de bobagens e, por um momento, esqueci das preocupaçõ
Virei-me bruscamente, meu coração martelando descompassado e corri para o elevador mas a porta se fechou antes que conseguisse entrar. Um soluço silencioso escapou. Passei a mão pela barriga suavemente, sentindo meus bebês ali comigo.Eles nunca precisariam conhecer aquela dor.Fiquei ali, encostada na porta, tentando acalmar minha respiração. Meu coração ainda batia descompassado, cada pulsação ecoando a lembrança amarga do que acabara de acontecer. Meu pai, Emília, Thomas… Depois de tanto tempo, eles apareceram como se pudessem simplesmente invadir minha vida, como se pudessem apagar o passado com um sorriso falso e desculpas vazias.Passei as mãos pelo rosto, sentindo o calor das lágrimas que eu me recusava a derramar. Não mais. Eu não daria esse poder a eles.— Vai ficar tudo bem… — murmurei, mais para mim do que para os bebês. Deslizei a mão suavemente pela minha barriga, sentindo o leve movimento deles. — Eu prometo.Meu coração gelou. Ele continuava sem acreditar em mim. Sen
Mia caminhava ao lado de sua mãe, Katerina, pelo corredor repleto de cores suaves da loja de bebês. Os olhos das duas brilhavam de empolgação enquanto analisavam cada detalhe daquelas roupinhas minúsculas, sapatinhos delicados e brinquedos fofos espalhados pelas prateleiras.— Olhe isso, mãe! — Mia exclamou, segurando um macacãozinho azul com o desenho de um urso. — O Joshua vai ficar irresistível com isso!— Pense nele nesse conjuntinho de dinossauro — Katerina mostrou, com um sorriso largo. — Eu posso até imaginar aqueles pezinhos gorduchos correndo pela casa. Ah, mal posso esperar para segurar meu neto no colo!Mia riu, sentindo o coração transbordar de amor.— O Jacob nem imagina a quantidade de coisas que vamos comprar pra esse bebê, né? Aposto que ele acha que vai ter controle sobre isso.— Ah, coitado… — Katerina riu, balançando a cabeça. — Ele ainda não entendeu que nós sempre vencemos.Enquanto andavam pelos corredores, Mia avistou um conjunto de roupinhas metade rosa, metade
Jacob saiu do apartamento sem olhar para trás, sentindo o peso de cada palavra que Samantha havia gritado. O ar lá fora estava fresco, mas a cabeça dele latejava. Mia, ainda segurando as sacolas, o seguiu preocupada.— Jake… — chamou suavemente, mas ele apenas balançou a cabeça.— Só… vem comigo, Mia. Preciso sair daqui — respondeu ele, a voz cansada.Mia assentiu, guardou rapidamente os presentes no carro e entrou ao lado do irmão, que dirigiu em silêncio. O trajeto até o apartamento dela foi quase mudo, quebrado apenas pelo som baixo da rádio que preenchia o espaço. Ela observava Jacob pelo canto do olho, vendo o quanto ele estava esgotado. O semblante carregado, os ombros tensos e o olhar perdido, eram claros sinais de alguém no limite.Enquanto isso, Samantha continuava chorando nos braços da mãe, soluçando alto.— Por que ele não me entende, mãe? Por quê? Eu só quero o Jacob, eu o amo mais que tudo, preciso de um marido, mas ele só pensa no bebê! Eu não aguento mais!Sophie, com
Jacob acordou com a luz suave entrando pelas frestas da cortina. Sua cabeça latejava, resultado inevitável da quantidade de whisky que bebeu na noite anterior. Esfregou os olhos lentamente, tentando se situar, percebeu que estava na casa de Mia. O cheiro de café fresco invadiu o quarto, antes mesmo que ele pudesse se levantar.Minutos depois, a porta se abriu devagar e Mia entrou com uma bandeja nas mãos, equilibrando uma xícara de café fumegante, um copo de suco e alguns analgésicos.— Bom dia, Bela Adormecida — brincou ela, colocando a bandeja sobre o criado-mudo. — Achei que fosse dormir o dia inteiro.Jacob soltou um riso rouco, ainda sonolento e pegou o copo com os analgésicos.— Valeu, Mia — disse, olhando para a irmã com um sorriso cansado, mas sincero. — Obrigado pela noite.Mia revirou os olhos, mas sorriu de volta. Pegou uma toalha e jogou em direção a ele.— Vai tomar um banho gelado, irmãozinho. Vai te fazer bem. Além disso, você tá precisando… e muito.— Entendido, chefi
Dois meses se passaram e a rotina de Jacob e Samantha parecia mais frágil do que nunca. As brigas intensas deram lugar a um silêncio incômodo, quase ensurdecedor. Eles não discutiam mais, mas também mal se falavam. As poucas conversas que tinham giravam apenas em torno de Joshua, o filho que estava prestes a nascer. Jacob fazia de tudo para manter a harmonia entre eles, mas cada dia ao lado de Samantha parecia uma batalha silenciosa. Ele se perguntava quanto tempo mais conseguiria sustentar aquela convivência delicada.Enquanto Jacob lutava com seu próprio mundo desmoronando, Mia parecia, finalmente, viver um conto de fadas que nem sabia estar esperando. Depois de semanas com olhares, mensagens trocadas e encontros casuais, Liam finalmente criou coragem e a convidou para sair. O sorriso de Mia quando contou a novidade para Katerina e Jacob foi suficiente para iluminar até o dia mais cinzento.— Até que enfim, hein! — Jacob brincou, enquanto Mia revirava os olhos, mas sorria de orelha
Um mês havia se passado.Luna carregava orgulhosamente sua barriga de oito meses. Os gêmeos, Benjamin e Valentina, eram tudo, menos tranquilos. Chutes constantes, reviravoltas inesperadas e noites sem dormir eram parte de sua rotina diária, mas ela sorria mesmo assim. Cada movimento era um lembrete de que logo teria seus dois pequenos milagres em seus braços.Felizmente, Luna não estava sozinha. Kevin, Kate e Mia eram sua rede de apoio constante. Kevin a mimava com presentes e surpresas. Kate era a parceira inseparável para maratonar séries durante as noites de insônia enquanto Mia se tornara não apenas uma amiga, mas uma irmã de alma, sempre por perto com palavras de conforto e carinho genuíno. A presença deles fazia Luna sentir-se amada e acolhida.Além deles, alguém mais havia se aproximado, David. Ele estava cada vez mais presente em sua vida. O veterinário gentil e paciente que sempre aparecia nos momentos certos, oferecendo apoio sem pedir nada em troca. Todos sabiam dos sent
A noite estava densa, envolta pelo som incessante da chuva que caía torrencialmente sobre Londres. O céu escuro era cortado por relâmpagos e o vento uivava pelas ruas movimentadas da cidade. Luna, com oito meses de gestação, saía da universidade após uma breve reunião com seu orientador. Estava cansada, ansiosa para chegar em casa, colocar os pés para cima e descansar. No entanto, ao dar o primeiro passo para fora do prédio, uma dor aguda no baixo ventre a fez parar imediatamente.— Não… não, por Deus não! — murmurou, sentindo o coração acelerar.Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, sentiu um líquido quente escorrer entre suas pernas. O pânico a atingiu como uma onda avassaladora. Sua bolsa havia estourado.— Meu Deus… isso não pode estar acontecendo! Ainda faltam duas semanas! — disse para si mesma, tentando respirar fundo, mas o nervosismo já tomava conta.Tremendo, puxou o celular do bolso e discou para Kate.— Atende… por favor, atende! — implorou baixinho.— Lun