capítulo 3
Noite.

O mordomo esperou até que todos na mansão estivessem dormindo e caminhou até a garagem.

Antes mesmo de se aproximar do carro, um odor insuportável invadiu suas narinas.

Quanto mais avançava, pior ficava.

No chão, um líquido escuro e viscoso já começava a se mover.

Vermes rastejavam por entre as frestas do porta-malas.

Um pressentimento horrível lhe subiu à cabeça.

Meu espírito se colocou na frente dele.

— Volta.

Minha voz foi firme.

— Não olha. Vai se arrepender. Nunca mais vai conseguir comer na vida.

O mordomo sempre foi um homem bom.

Tentou interceder por mim antes…

Mas era um empregado e precisava daquele trabalho. Não podia fazer nada.

Por um instante, hesitou.

Depois, deu alguns passos para trás e virou as costas. Se foi, sem olhar para trás.

Manhã seguinte.

O dia amanheceu, e meu pai estava de ótimo humor.

Depois do café da manhã, pegou um presente cuidadosamente embrulhado.

Esperou o momento certo e, quando Mafalda não estava prestando atenção, colocou a caixa diante dela.

— Mafalda, feliz aniversário.

— Olha seu presente.

Os olhos dela brilharam de empolgação.

— Obrigada, papai!

Ela rasgou o papel ansiosamente.

Dentro, uma chave de carro.

Um modelo muito mais caro e luxuoso que o meu.

— O carro da Taiane já estava velho. Você merece algo novo, não um veículo de segunda mão. Escolhi esse para você. Veja se gosta.

Mafalda pegou a chave, sorrindo satisfeita.

— Eu adorei!

O mordomo se aproximou.

Parecia… contido.

— Senhor… — Sua voz soou tensa.

— Acho que já está na hora de soltar a senhorita Taiane.

A expressão do meu pai se fechou.

— Você está falando demais.

O mordomo não recuou.

Engoliu em seco.

— Senhor, hoje já faz oito dias. Com esse calor… qualquer um teria sucumbido.

Ele já sabia.

O cheiro de ontem disse tudo.

Agora, sabia que ali perto, a poucos metros…

… havia um cadáver em decomposição.

E só de pensar nisso…

A bile subiu em sua garganta.

— Sim, Taiane com certeza já refletiu sobre seus erros. Solte-a logo.

Mafalda sorriu, angelical.

Meu pai, ao ouvi-la, amoleceu imediatamente.

— Está bem. Vou perdoá-la.

Fez uma pausa.

— Mas assim que sair, cancelo todos os cartões dela. Ela que vá trabalhar e ganhar o próprio dinheiro. Não criei uma filha tão venenosa.

Que piada absurda.

Ele só tinha o que tinha por causa da minha mãe.

Se tirassem o título de pai, ele não passaria de um pobre diabo volúvel e ingrato.

Nesse momento, era mais do que isso.

Era um assassino.

O mordomo obedeceu a ordem imediatamente.

Juntou alguns empregados e correram para a garagem.

O cheiro que antes já era ruim, agora era insuportável.

Todos taparam os narizes e alguns, incapazes de suportar, vomitaram ali mesmo.

— Que diabo de cheiro é esse?!

— Puta merda, isso não é normal!

Meu pai e Adriana vieram por último.

Mesmo incomodados com o odor, torceram o nariz de nojo.

Mas ao ver os empregados perdendo o controle na frente deles, sua arrogância entrou em cena.

— Parem com essa gritaria! Que falta de postura é essa?!

O olhar frio e impaciente.

— Isso deve estar vindo da Taiane.

— Presa aí dentro por tantos dias, sem banho, sem escovar os dentes, sem banheiro… óbvio que estaria fedendo.

— Depois que ela sair, joguem esse carro fora. Não quero mais ver essa coisa no meu caminho.

Os empregados se entreolharam.

O pavor subindo.

Meu pai estreitou os olhos.

— Abram logo essa merda! Ou estão todos demitidos!

Os empregados se enrijeceram.

E então, com mãos trêmulas, foram até o porta-malas.

O abriram.

E sob a luz fraca da garagem subterrânea…

… dentro do carro rosa brilhante…

… jaziam os restos apodrecidos de um cadáver.
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