capítulo 2
Vinte anos atrás, Adriana terminou com meu pai. Seguiu o que sua família queria e se casou com um homem rico e influente.

Mas o tempo passou.

O homem perdeu tudo.

Enquanto isso, meu pai, que antes era só um pobretão, casou-se com minha mãe e deu a volta por cima.

O destino brincou com todos.

Depois, minha mãe morreu.

Adriana se divorciou.

Para o meu pai, foram duas boas notícias.

E foi assim que eles reataram.

E Adriana, junto com sua filha, roubou tudo de mim.

Minhas roupas. Meu quarto. Meu pai.

Sete dias atrás, Mafalda chegou em casa radiante. Tinha acabado de tirar a carteira de motorista.

Meu pai, todo orgulhoso, disse que compraria um carro para ela.

Mas ela hesitou por um instante, fingiu timidez e murmurou:

— Aquele carro rosa na garagem é tão bonito…

Meu tom foi frio.

— Esse carro foi presente do meu pai para mim. Se quiser um, peça para o seu. Você não tem um pai, Mafalda?

Aquele carro foi um presente do meu pai quando tirei minha carteira.

Um presente especial.

Eu achava que ele entendia isso.

Mas a resposta dele despedaçou minhas ilusões.

— É só um carro. Se Mafalda gostou, deixe para ela. Você tem vários. Por que brigar por um?

Naquele instante, percebi.

Meu pai não era mais o mesmo.

Mas não queria ceder.

Então, peguei as chaves e as joguei fora.

Meu pai ficou furioso. Mandou trocar a fechadura do carro.

E entregou o veículo a ela.

Mas, ironicamente…

Mafalda acabou se trancando dentro dele.

Não sei como aconteceu.

Só sei que era pleno verão.

A temperatura beirava os quarenta graus.

Sem ar-condicionado, o carro virou um forno.

Antes de desmaiar, Mafalda pegou o celular e ligou primeiro para o meu pai.

— Pai… estou com medo. Está tão quente aqui… Espero que, na próxima vida, eu possa ser sua filha de verdade.

Do outro lado da linha, o silêncio caiu.

Depois, o caos.

Meu pai saiu do escritório como um louco.

Usando o rastreador do carro, a encontrou e a salvou.

Felizmente, ela só teve uma leve insolação.

Mas assim que recobrou a consciência, sua primeira frase foi:

— A culpa foi minha. Eu não devia ter pegado o carro da Taiane. Papai, por favor, não a culpe.

Com isso, meu pai nem precisou investigar nada.

Acreditou de imediato que eu a tranquei no carro propositalmente.

Eu ainda nem sabia o que estava acontecendo.

Mas, de repente, a porta do meu quarto foi arrombada.

Dois tapas me deixaram atordoada.

E antes que eu pudesse reagir, ele me arrastou para a garagem.

— Te mimei demais! Agora já se acha no direito de matar?!

Caída no chão, meu rosto encostado no piso frio, não entendia nada.

— Se Mafalda tivesse ficado mais tempo, poderia ter morrido! Você já é adulta, como pode fazer uma idiotice dessas?!

Sem me dar chance de falar, chamou os seguranças.

Homens fortes me imobilizaram.

Me amarraram.

Meus gritos ecoavam no estacionamento.

Mas ele não queria ouvir.

— Tranque-a no porta-malas. Quando se ajoelhar e pedir desculpas, poderá sair.

Eu lutei.

Eu implorei.

Mas nada disso importava.

— Calem essa garota. Coloquem algo na boca dela. Deixem-a aí por alguns dias. Quero ver se ainda terá essa arrogância depois disso.

A temperatura dentro do carro passou de 40°C.

Após apenas uma hora, meu corpo já não suportava mais.

Agora, se passaram sete dias.

Morri há quatro.

Com o calor sufocante, meu corpo já deve estar apodrecendo.

E de fato, o líquido da decomposição já escorria pelas frestas.

O motorista, ao passar pelo estacionamento, sentiu um cheiro estranho.

Mas não disse nada.
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