Capítulo 2 - Milena Duarte

Aquele sentimento chegou a me embrulhar o estômago, eu sei que o dia teve muitas emoções mas não esperava sentir essa angustia dentro da minha própria casa.

Resolvo tirar aquela roupa já que não vou mais trabalhar hoje e depois fazer um chá para acalmar os animos, depois vou ligar para Rodrigo para contar o que aconteceu, coloco minha bolsa em cima do balcão e sigo rumo a escada para subir para o quarto, enquanto faço aquele caminho sinto meu coração apertar, quase como se estivesse me preparando para algo.

É bom ressaltar que nada me prepararia para o que eu vi quando abri a porta do meu quarto, meu quarto, o quarto que eu dormia todos os dias, onde conversava com meu noivo todos os dias, onde ouvi as juras de amor e faziamos planos para o futuro, meu quarto, onde estão minhas coisas, onde meu cheiro paira no ar, meu quarto, onde eu deveria sentir total conforto, mas agora, com a porta do quarto escancarada e vendo meu noivo com outra na nossa cama, a última coisa que eu sinto é conforto.

Ainda ouço o último gemido deles antes que percebam que a porta se abriu, estou com os pés pregados no chão, não consigo me mover, não consigo tirar os olhos daquela cena.

- Milena! - Rodrigo me vê primeiro e puxa o lençol sobre o próprio corpo, a minha vontade é dizer "ótimo, ajudou muito" - Amor, olha, eu não... eu não... - ele se cala, não tem o que dizer, não tem como se defender.

Eu continuo parada, tenho certeza que minha boca está aberta, pra não dizer queixo caído, as palavras não me vem, estou completamente muda, estarrecida, ele faz menção em abrir a boca de novo e eu só consigo levantar o dedo, em sinal de silêncio.

Meu olhar é duro em sua direção, se tem uma coisa que eu não perdoo é traição, e ele sabe disso, já conversamos sobre isso, ele sabe que seria nosso fim, e o fez mesmo assim, sem a menor consideração, sem o menor pudor, dentro da nossa própria casa, eu quero mata-lo ao mesmo tempo que só quero nunca o ter conhecido.

- Querida qual seu nome? - Pergunto com toda elegância que consigo ter, sem sequer piscar, já ela, arregala os olhos, acho que não esperava que eu fosse falar com ela, deve estar com medo de apanhar, eu também estaria.

- Sofia - Ela responde, chega a estar pálida

- Hum, muito bem Sofia, você tem - olho o relógio - exatos 2 minutos para sair da minha casa, não me interessa se você vai se vestir na rua, no carro ou na porta no inferno, mas essa educação toda que você esta vendo - aponto para mim mesma - está limitada e com prazo de validade correndo, então eu se fosse você iria enquanto eu ainda quero manter meu réu primário.

Ela assente com a cabeça e engole seco, pegando suas roupas do chão e correndo escada abaixo, sem sequer olhar para Rodrigo, ou para o estrago que eles deixaram para trás.

Rodrigo permanece sentado na cama, sua cara chega a ser hilária, ele com certeza está esperando uma cena, a pobre mulher traída, ele espera por palavrões, choro, uma grande briga, mas tudo que ele terá de mim agora é o que ele merece, total e absoluta indiferença.

Respiro fundo com a pouca sanidade que me resta depois desse dia de merda, e sigo para o armário, pego todas as malas que guardamos e começo a colocar minhas coisas, Rodrigo acompanha a movimentação e dá um pulo da cama, graças a Deus se lembra de colocar sua roupa antes de vir em minha direção já com as mãos na cabeça.

- Mila, por favor, o que você está fazendo? Vamos conversar

Hilário, sequer respondo, continuo a reparar as peças e colocar na mala, não piso mais nessa casa nem por um decreto ou seja, tenho que levar tudo agora.

- Mila, por favor, olha pra mim! - Ele não desiste - Mila! Mila - Ele pega no meu braço e eu subo um olhar mortífero para ele.

- Não me toque

- Mila, por favor! Fala comigo

- O que você tem a dizer Rodrigo? 

Ele coça a cabeça, acho que nunca me viu tão fria, está ficando desesperado.

- Olha me perdoa ta bom, eu errei, fiz merda, sei disso, por favor, não desiste de nós Mila, vamos resolver

Continuo calada, olhando para ele.

- Mila, qual é, 6 anos?! No lixo por um erro? Vamos conversar! Por favor

- É só isso Rodrigo? É o máximo que consegue fazer? - Ele me olha confuso, então continuo - Sabe, eu esperava um pouco mais de atuação depois de tanto tempo me enganando, queria choro e tal, mas não dá pra esperar muito de você não é mesmo?

Ele engole seco.

Essa é uma versão minha que eu mantenho escondida a sete chaves, a versão ferida e com muros altos, daqui de dentro ninguém consegue me alcançar ou me ferir, aqui estou segura, ele que lide com a merda que fez.

- Mila, não faz assim, vamos conversar

Passo as mãos pelos cabelos, vamos acabar logo com isso.

- Rodrigo, olha só, vamos esclarecer as coisas, não tem nada para conversar, eu não tenho nada a dizer, e você tem? Porque se for pra me pedir desculpa, eu não vou te desculpar, você sabe disso, se for pra me pedir pra ficar, não vai rolar, se for pra me dizer que vamos consertar as coisas, saiba que eu não quero - olho profundamente para ele, e continuo - sejamos sinceros, não fui eu que desistiu de nós, foi você - aponto para cama - não fui eu que jogou 6 anos no lixo, foi você, e eu não mereço isso, mesmo

- Mila...

- Calado, não acabei - ele arregala os olhos, mas permanece em silêncio - Estou indo embora, e você vai ficar aqui e lidar com a merda que fez, lidar com a vida que te resta agora, você não vai mais olhar pra mim, não vai mais pensar em mim, não vai mais falar comigo, não vai me procurar mais, e sequer vai lembrar da minha existência, você terá o respeito de atravessar para o outro lado da rua se me ver por ai, entendido?!

- Mila eu não posso fazer isso! EU TE AMO 

- Jura? Imagina se não amasse...

Paro de olhar para ele e sigo abarrotando tudo nas malas, com pouquissima paciência, bufo, essa semana será longa.

Continue lendo no Buenovela
Digitalize o código para baixar o App

Capítulos relacionados

Último capítulo

Digitalize o código para ler no App