Não se apaixone por mim CEO
Não se apaixone por mim CEO
Por: Eloise Grey
Capítulo 1 - Milena Duarte

Mas que droga de dia, ao sair de casa naquela manhã eu sabia que algo parecia errado, era quase como uma sirene tocando no fundo da minha mente "tem alguma coisa errada", mas eu não ouvi, ou melhor, fingi que não ouvi.

Comecei minha manhã normalmente, fiz o café da manhã pra mim e para o Rodrigo, meu noivo, que também já estava pronto para o trabalho.

Eu e ele estamos juntos a quase 6 anos, no ano passado ele me pediu em casamento e eu prontamente disse sim, é claro, nós já morávamos juntos, nos dávamos muito bem, era o passo óbvio, casamento, fiquei animada com a ideia, marcamos a data para novembro, ou seja, daqui 6 meses, como planejamos uma comemoração pequena, não precisaríamos de tanto tempo assim para planejar, tudo ia dar certo.

Estou me servindo de café, sentada à mesa quando Rodrigo sai do quarto esbaforido.

- Perdi a hora amor...

É claro que perdeu, ficou enrolando na cama, no celular enquanto o despertador gritava atrás dele, pedindo pelo amor de Deus que ele levantasse.

- Sei... Se atrasou com calma? - respondo em brincadeira.

Ele ri.

- Pois é

Ele se senta e come tão rápido que eu tenho absoluta certeza que ele não sentiu o gosto de nada, e muito provavelmente ainda queimou a lingua com o café, se tivesse levantado no horário...

- Que horas você chega hoje? - Ele pergunta de boca cheia, já se levantando da mesa e colocando seu prato na pia.

- No horário de sempre eu acho, lá pelas 18, se nada atrasar

- Tudo bem, nos vemos a noite então - ele dá um beijo em meu rosto e eu sorrio para ele, ele sai com sua maleta correndo porta a fora.

Continuo mastigando minha torrada com tédio, agora tomando café sozinha, já que Rodrigo acha que é normal engolir a comida sem mastigar, mas tudo bem, acontece, ele se atrasou, a noite jantamos com mais calma.

Termino meu café da manhã e arrumo minha bolsa para ir trabalhar, coloco um pouco de café no meu copo térmico, para ir tomando no caminho e saio pela porta.

Como trabalho aqui perto, geralmente vou a pé, sou secretária executiva de uma companhia, e adoro meu trabalho, infelizmente a empresa não anda muito bem financeiramente, mas tenho convicção de que tudo dará certo no fim das contas, não é como se meu salário de secretária fosse quebrar a empresa, então acho que estou salva por enquanto.

O pensamento me deixa distraida, tão distraida que nem percebo quando um adolescente dirigindo uma bicicleta como um perfeito desgovernado se aproxima de mim, ele passa tão perto que no susto, acabo derrubando todo meu café no chão.

- Mas que droga!

"Foi mal tia!" Escuto o garoto gritar, já longe, era só o que me faltava, pego meu copo do chão e bufo ao ver todo o líquido esparramado pela calçada, verifico minha roupa e por um milagre não caiu café nela, menos mal.

Sigo meu caminho até a empresa, agora com o dobro de atenção, com a sorte que eu estou hoje é capaz de ser atropelada por um skate até o fim do quarteirão.

"Tem alguma coisa errada" o pensamento me volta, mas eu o espanto rapidamente e continuo andando, trabalhar vai me distrair e esse dia vai acabar logo.

*

*

*

- Mila, eu sinto muito mesmo - Diz Sr. Vicente, com o olhar derrotado - Quero que saiba que eu lutei muito por seu emprego

- Tudo bem Sr. Vicente, eu entendo, sei como essas coisas funcionam - Digo tentando parecer neutra e racional, mas tenho que usar toda minha energia para não chorar.

- Sabe, a verdade é que não posso mentir pra mim mesmo, isso é questão de tempo, estamos quase fechando as portas - Ele parece cansado, e eu entendo a situação, Vicente foi um bom chefe enquanto pode, mas isso está fora da sua alçada.

Ele estica a mão por cima da mesa para um útimo aperto de mãos e eu o cumprimento.

- Estou torcendo por você garota, espero que tenha um futuro incrível 

Eu saio de sua sala e me dirijo a passos largos para o banheiro, lá as lágrimas escorrem sem medo pelo meu rosto, agora estou desempregada, limpo o nariz com um lenço de papel enquanto tento me recompor.

Bom, não é como se eu precisasse trabalhar, Rodrigo ganha muito bem em seu emprego, mas como eu disse eu amo o que faço, sou boa nisso, e não me imagino sendo a esposa que fica exclusivamente em casa, não me vejo assim, mas pelo menos sei que posso contar com meu noivo até conseguir um novo emprego, é, tudo bem, vai dar certo.

Um pouco mais calma deixo o banheiro e sigo para minha mesa, agora minha antiga mesa, para recolher minhas coisas, coloco tudo em minha bolsa e sigo para sala do RH.

- Isso tudo é uma merda Mila - Diz Regina, ela trabalha no RH desde que o mundo é mundo, quase uma das fundadoras da empresa - Estão todos chateados e com medo

Concordo com a cabeça, a verdade é que não tenho forças agora para socializar, só quero que isso acabe, vou assinar esses malditos papéis e correr para casa.

Regina termina de me passar algumas orientações sobre a rescisão do meu contrato e depois de tudo assinado, sigo para fora do prédio, ao colocar meus pés na calçada não posso deixar de me virar e dar uma última olhada no prédio que passei os últimos anos, onde fiz amigos e quase me sentia em casa, suspiro profundamente, deixo o ar encher meus pulmões, verifico as horas, não é nem meio dia e eu já vivi o bastante pra uma semana, então começo o caminho de volta para casa.

Assim que pego minhas chaves na mãos elas caem no chão e eu me abaixo para pegar.

- Mas que droga de dia! O que mais pode dar errado? - Digo externalizando aqueles sentimentos.

Pergunta errada Milena, o universo pode entender isso como um desafio.

Coloco minhas chaves na fechadura e abro a porta, ao entrar em casa está um silêncio absoluto, mas um arrepio percorre meu corpo e o pensamento me volta a mente "tem alguma coisa errada".

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