Para alguns, a festa estava a todo vapor, a musica era a trilha sonora de uma noite de diversão romance e tudo mais o que quisessem, no entanto, para Claire, com os cabelos levemente desalinhados e os olhos marejados de tensão, ficar mais um segundo naquele ambiente era insustentável. Estava correndo entre as pessoas, se camuflando na multidão e escondendo-se dos olhos que ela sabia que buscavam. Sem hesitar, a jovem correu e, com passos apressados, afastou-se da multidão que ainda murmurava confissões e risadas forçadas.Do outro lado do salão, Alexander procurava entre a multidão, mas os cabelos loiros haviam desaparecido tão rápido que ele não pode acompanhar. Seu coração ainda batia desconpassado e havia apenas uma dúvida martelando em sua mente. “Por que você está fugindo?”“Acabou a festa para mim” murmurou Alex para si mesmo, enquanto se endireitava e caminhava com determinação rumo à saída. Agora tinha certeza de uma coisa: não podia mais ignorar o que se passava em seu coraç
A manhã havia chegado num tom frio e acinzentado, como se o céu refletisse a tensão que pairava no ar. No pequeno apartamento de Claire, a luz suave do amanhecer invadia a sala, revelando móveis simples e um clima de cansaço que se misturava à ansiedade. Claire já estava sentada à mesa com uma xícara de café meio fria nas mãos. Seus olhos, ainda marcados pela inquietação da noite anterior, fixavam o vazio enquanto tentava ordenar os pensamentos.Poucos minutos depois, os sons de passos nos degraus atrairam seus olhos e ela viu sua amiga descer, ainda de pijama e com os cabelos meio bagunçados. " Bom dia, amiga "Sarah falou sentando na cadeira ao lado. " Acho que a gente tem que conversar sobre ontem, né?Claire levantou os olhos lentamente, suspirando levemente e tomando um gole do café morno antes de assentir. " Olha, sei que isso não é de todo da minha conta, Claire, mas eu acho que você deveria contar para o Alexsander sobre o Theo antes que ele descubra sozinho " afirmou Sarah,
Alexander saiu de sua casa com um semblante firme e um olhar decidido. A chuva fina da madrugada havia parado, dando lugar a uma manhã cinzenta e silenciosa. O relógio marcava pouco mais de oito horas quando ele chegou à entrada do prédio da empresa. Cada passo no corredor revestido de mármore ecoava o peso das suas preocupações e das últimas informações que tinha recebido.Ao adentrar o saguão, foi imediatamente abordado por Ruby, sua secretária. Assim como todos os dias, Ruby parecia um pouco nervosa e apressada, bastante apressada. Ela, com seu jeito prático e olhar atento, se aproximou com uma expressão que misturava profissionalismo e leve preocupação." Bom dia, Sr. Alexander " disse, já com um tom de voz natural, mas com uma pitada de urgência perceptível. " O detetive Bicalho já está aguardando-o na sala de reuniões.Alexander assentiu sem perder tempo. Seu olhar já se focava no trajeto para o elevador. " Muito bem, Ruby. Por favor,se certifique que ninguém interrompa minha r
Alexander respirou fundo, o semblante endurecendo. Aquele assunto não parecia ser da sua conta, mas, ao mesmo tempo, sentia uma necessidade incontrolável de saber mais." Entendo. E o que mais o senhor descobriu sobre essa questão? " perguntou Alexander, com a voz controlada, mas carregada de uma tensão interna que mal escondia sua inquietação.Bicalho olhou para os documentos novamente, como se cada linha escrita pudesse revelar segredos adicionais." Pelo que apurei, não há nenhuma solicitação oficial de alteração ou inclusão de dados que remeta ao pai do Theo. Todo o processo foi concluído de forma rápida, quase sem contestação, como se a informação tivesse sido intencionalmente omitida. Alexander olhou fixamente para o detetive, medindo as palavras que escolheria. Ele sentia uma necessidade intensa de descobrir cada detalhe, mas também sabia que, naquele momento, confrontar Claire diretamente não seria prudente." Esse assunto não é da minha conta, tecnicamente… Mas quero que con
A manhã já estava quase no fim naquele dia quando o telefone de Claire tocou com urgência, interrompendo a calma relativa do seu apartamento. Ao atender, a voz da escola de Theo, firme e sem rodeios, anunciou:"Alô, é da casa do Theo?”“Sim, algum problema? Aconteceu algo com meu filho?”“Precisamos que venha aqui imediatamente, senhorita Claire. Recebemos uma reclamação de que o Theo se envolveu numa briga e mordeu um coleguinha.”Claire engoliu em seco e, logo após desligar a ligação, num instante, chamou Sarah."Sarah, é urgente. A escola ligou, pode ir lá comigo? " disse, a voz embargada e com um tremor que ela não conseguia esconder.Sem perder tempo, as duas se arrumaram rapidamente. Poucos minutos depois, estavam no carro, o coração batendo acelerado com a incerteza do que aguardava.Ao chegarem à escola, foram imediatamente recebidas por uma funcionária na portaria. O ambiente no corredor era tenso, com vozes abafadas e olhares de preocupação. Logo, foram encaminhadas para a s
“Senhor…”, Ruby entrou na sala do CEO com passos inseguros enquanto olhava para seu chefe. “Sua mãe ligou.”A palavras ditas com cuidado eram estrategicamente faladas num tom bem baixo, afinal, Ruby jã sabia que a relação de Alexander com a mãe não era das melhores. “Seja lá o que for, diga que nãi estou disponível hoje”, respondeu, sem sequer desviar os olhos da tela de seu notebook. “Senhor, ela foi bem insistente”, Ruby continuou, vendo o homem a sua frente suspirar. “Disse que era urgente e que o senhor precisaria ir para casa, ela fez questão de deixar bem claro que era muito urgente.”Claro, Ruby omitiu o fato de que Cora berrou diversas vezes na ligação que se o filho não aparecesse em casa, ela quem seria demitida, além de chamá-la de inútil algumas vezes. Alex suspirou levemente movendo os ombros e tentando não se irritar mais que o que deveria. Encarou sua secretária por alguns instantes, sabia que a culpa não era dela, assim como sabia que as palavras de Cora não foram s
O caminho de volta para casa foi silencioso, no rádio tocava uma musica infantil e Theo estava brincando com um de seus bonecos em sua cadeirinha, enquanto Sarah dirigia e Claire olhava pela janela. A tristeza de seu filho naquele dia ainda fazia seu coração doer, e memso que o menino estivesse melhor agora, ela sabia que Theo não esqueceria aquilo. Quando chegaram ao apartamento, Claire levou Theo no colo até o banheiro e encheu a banheira com água quente colocando patinhos de borracha na água e fazendo bastante espuma, como o garotinho gostava. Quando ele já estava na água, com os cabelos negros molhados, Theo pegou um dos patinhos, brincando enquanto olhava para a espuma. “Sabe, mama”, começou, apertando o patinho na água. “Aquele moço chique… Ele podia ser meu papai… Thewo gostou dele.”Aquelas palavras, simples e diretas, atingiram Claire com uma força avassaladora. Ela congelou por um instante, sentindo o peso da culpa invadir seu peito. Sem saber o que dizer, apenas olhou pa
Alguns dias se passaram desde que os acontecimentos anteriores abalaram a rotina de Claire. Agora, havia retornado ao seu trabalho no escritório de arquitetura, retomando as atividades com a mesma determinação que sempre a caracterizou. Diferente de antes, quando precisava frequentar a empresa de Alexander, agora a rotina é mais tranquila – ela atua na sua própria firma, sem a constante presença do “homem chique”.No escritório, o ambiente era de uma correria moderada. Claire caminhava pelos corredores, atendendo ligações e supervisionando projetos, quando Logan, se aproximou de sua mesa com um sorriso. Ele sempre foi um homem galante com ela, muito gentil e, bem, era bonito o bastante para atrair olhares e com uma personalidade que a fazia rir. "Ei, Claire,tem um minuto?" perguntou, já com o tom descontraído que usava com frequência, mas com um olhar mais intenso direcionado a loira.Claire olhou para ele, ajeitou alguns papéis e respondeu: " Claro, algum problema?”O rapaz se incl