22/01 à 22/02
Depois de vasculhar todo o templo, resolveram retornar para o bangalô. Enquanto caminhavam pela estrada de terra, sob uma leve chuva, Rosely quase podia ouvir as engrenagens do cérebro do caçador funcionando freneticamente.– Sei que tem algo em mente, então desembucha – disse, quebrando o silêncio.– Desembucha? – ele repetiu, com humor.– Culpa sua, contaminou meu vocabulário – ela respondeu num resmungo, e continuou olhando-o séria. – Afinal, o que aconteceu com a estátua?O rosto dele ficou sombrio.– Existem tipos diferentes de possessão maligna – começou a explicar, sentando-se ao lado dela. &n
E novamente, estavam a bordo de um barco, navegando rumo a terras que Rosely desconhecia. Quando ancoraram, foi impactada pelo pensamento de que aquele era o lugar mais estranho em que já haviam estado. A vegetação era diferente de tudo o que já haviam visto, o clima era quente e mesmo estando no litoral podiam sentir a secura do deserto próximo.Não havia cais, mostrando que o contato com o resto do mundo era um tanto escasso, e assim, um bote foi lançado à água. Dali, estariam à própria sorte.– Estaremos de volta em dois dias, por volta das 5h00, não se atrasem. – disse o capitão em seu tom rude. Em seguida, voltou seus olhos à Rosely. – Não se envolvam em problemas.Ela o encar
Chegaram ao seu último destino sentindo que o tempo estava se esgotando. Assim que desembarcaram, os olhos de Rosely se fixaram imediatamente no povo que alí vivia. Era a primeira vez que via pessoas andando com seus corpos desnudos sem se importar com qualquer pudor.– Incrível, não é – disse uma voz masculina ao seu lado.Ela virou-se e deparou-se com um homem branco, pela compleição física e o sotaque britânico, inferiu que fosse um inglês também.Vendo que ela apenas o encarava, o homem continuou:– Sou Fillipe Johanson – apresentou-se, estendendo a mão em cumprimento. – Professor pesquisar de botânica e biologia.– Entendi… – ela murmurou ainda impressionada. – Sou Rosely O’Neel, e este é Eslen, meu companheiro.– Oh… imagino que estejam aqui para ver Raoni – Fillipe disse, virando-se para cumprimentar o caçador. – Posso levá-los, estou indo para lá.O caçador observou o outro homem de cima a baixo, como se estivesse analisando, mas apertou sua mão de volta.Ambos concordaram e
Quando chegaram à Itália, onde Carolle já os aguardava, adentraram sua gigantesca mansão – ainda maior do que a que visitaram anteriormente. Entregaram os ingredientes coletados, e depois de encará-la por longos minutos, Carolle explicou que ela mesma precisaria fazer a poção.A inglesa devolveu seu olhar com certa preocupação, mas não retrucou. Encarou o caldeirão, pensando consigo mesma que era um clássico de histórias de bruxa, e começou a adicionar os ingredientes de acordo com a ordem dita por Carolle.– Isso não impedirá sua morte – a xamã explicou parecendo satisfeita em vê-la seguindo suas ordens corretamente. – Sendo honesta, somente a conectará com suas ancestrais bruxas.A inglesa apenas concordava, movendo a colher de pau no líquido que, aos poucos, começava a mudar de cor. Desviou os olhos somente ao ouvir a última frase, surpresa, mas mesmo assim, nada disse, sentindo que aquilo explicava muita coisa. Ou talvez, apenas estivesse entorpecida demais para pensar em qualque
Charlotte suspirou, pensando em como estaria a patroa. De repente, havia ficado sozinha naquela fazenda enorme, Eleonore ainda havia sugerido que dormisse em sua casa, mas não queria atrapalhar o casal, então, no fim, acabou ficando. Assim, sua companhia acabou sendo Sebastian, e seu habitual silêncio.Mas nada podia ser mais perturbador do que tê-lo seguindo-a com os olhos por todo canto, como se pudessem ver o espírito que a acompanhava.– Olha, sei que é estranho, mas você não está ajudando fazendo isso – ela resmungou quando não aguentava mais.Ele retribuiu o olhar, mas não parecia entender o porquê daquela bronca.– Ou será que você a reconhece? – Charlotte resmungou, mais para si do que para ele. – Ancestral – ele respondeu, pela primeira vez, surpreendendo-a.Sua voz era baixa e muito grave, como a de um tenor. O que a fazia se arrepiar, mas ao mesmo tempo, pensava consigo mesma que combinava com eles, com seus olhos pretos quase vazios.– Então você fala! – exclamou, quase g
A companhia de Sebastian depois daquele tempo juntos, estranhamente, havia passado a se tornar algo pelo que ansiava. Ficava feliz em vê-lo pelos corredores ou no campo, perdido em seu próprio mundo. Naquela manhã, como de costume, iniciou os afazeres na fazenda, estranhando não encontrá-lo em lugar nenhum, mas tentou não pensar muito nisso, até porque, havia algo mais urgente acontecendo: o bebê de Millan e Eleonore havia nascido.No fim do dia, arrumou uma cesta com frutas e pães para a recente mamãe, seguindo para a pequena casa que não ficava muito longe. Como encontrou a porta aberta, entrou, apenas avisando de sua presença, e caminhou pelos poucos cômodos procurando pelo casal. Quando entrou no quarto, ainda estranhando o silêncio, encontrou Eleonore recostada à janela, apenas olhando a criança de longe.– Aconteceu alguma coisa? – Charlotte perguntou se aproximando.– Posso estar exagerando… Millan disse que é coisa da minha cabeça – murmurou a outra.– Do que está falando? –
Rosely encarava Eslen com uma expressão que misturava pânico e preocupação. Não podia acreditar que praticamente havia o envenenado enquanto tentava produzir uma das poções do grimório, e para piorar, ainda estavam em alto mar. “Porque você bebeu aquilo?”, se perguntava, observando-o dormir.O medo de nunca mais vê-lo acordar a apavorava. Então, qual foi sua alegria quando, no segundo dia, ele acordou, bocejando como se tivesse tido uma revigorante e longa noite de sono.– Que cara é essa ? – perguntou ao ver a expressão de choro no rosto dela.– Eu tive tanto medo – Rosely murmurou, xingando e então lançou-se em seus braços, beijando-o. – Você dormiu por um dia inteiro.– Deveria entrar em coma mais vezes – ele brincou.E como ela continuou em silêncio, completou:– Não se preocupe, é preciso muito mais que isso pra me matar – sussurrou, devolvendo o beijo.Ela nada disse, apenas continuou agarrada ao seu braço.– Acho que vi um fantasma – contou, chamando sua atenção.E como ele a
Estar naquelas terras havia sido o castigo por sua desobediência, por isso nunca imaginou que sentiria tanta falta daquele lugar, como estava sentindo naquele momento. Quando desceu da charrete, e seus olhos se encontraram aos de Charlotte, sentiu que algo estranho estava acontecendo.Teve um mau-pressentimento.– O que aconteceu? – perguntou, o rosto se fechando de mal-humor.E como a moça não respondeu, resolveu descobrir por si mesma. Adentrou a casa, olhando ao redor e então, se deparou com o homem sentado aguardando-a. Qual foi sua raiva ao reconhecê-lo.– O que faz aqui? – perguntou entre dentes, quase rosnando.– Rosely – o homem disse, erguendo-se do sofá para tentar alcançá-la.– Não ouse tocar em mim – ela sussurrou, parecendo prestes a ter um ataque, tamanho era seu estresse.– Rose, não seja assim – ele disse, fazendo questão de usar seu apelido ao vê-la acompanhada por outro homem.– Saia da minha casa, agora! – Rosely gritou, apontando para a porta. – Você não tem esse d