Mesmo dentro das paredes do castelo, era possível ouvir a música e os festejos que se agitavam do lado de fora. Rosely sentiu seu corpo sendo puxado em direção à enorme varanda, fitou o príncipe de soslaio, xingando-o mentalmente, mesmo que por fora fingisse um sorriso, e viu a multidão que os encarava.
– Querido povo – anunciou Elandis, segurando os ombros dela, como se quisesse mantê-la perto de si. – Esta é a salvadora da sua princesa, e será minha futura esposa.
E seguido de suas palavras soou uma grande salva de palmas, o povo feliz com aquela união absurda, o que fez a inglesa chegar à conclusão de que estava em terras de loucos. Ainda assim, forçou um sorriso e fez questão de pisar no pé do príncipe antes de retornar ao salão, onde os nobres do reino os aguardavam.
Imediatamente foi bombardeada pelos ol
Rosely, a cada dia, sentia-se mais consumida pela curiosidade, mas o caçador insistia em se manter misterioso. Então, acabou deixando as coisas como estavam. E no fim, foram juntos para o norte, sendo assolados pelo vento gélido assim que trocaram do trem para uma charrete que os levaria para a pequena vila indicada por Carolle. – Nossa! Estamos em pleno inverno? – Rosely indagou, abraçando o próprio corpo, quase batendo o queixo.– Não foi falta de aviso – Eslen resmungou, satisfeito em estar certo.Ela ouviu isso, mas estava muito mais interessada nos olhares que recebiam das pessoas que os rodeavam à distância, cochichando. Era óbvio que não estavam gostando da chegada de forasteiros.– Mais pessoas que não gostam de forasteiros? – Rosely perguntou num sussurro, olhando ao redor. – Ou será que algo está acontecendo?– Algo sempre está acontecendo – resmungou o caçador, acendendo um cigarro.Ela o encarou por alguns segundos, mas foi obrigada a concordar, afinal, não havia vida mai
Ela não queria pensar na cena de Eslen tirando as presas da criatura, seu estômago se revirava somente em imaginar. Contudo, para a sua sorte, nem teve muito tempo para pensar nisso pois ainda tinham dias de viagem pela frente, rumo ao novo destino. Ao chegar àquelas terras novas, se esqueceu completamente de seus pensamentos. Tudo era completamente diferente do que estava acostumada. Pessoas vendiam suas comidas nas ruas, coloridas e com cheiros picantes, crianças dançavam ao som de tambores em frente às suas casas, e chuvas em monções deixavam o clima num misto de umidade e calor. De repente, em meio à caminhada, foram interceptados por um garoto que não devia ter mais de doze anos, mas que possuía um olhar surpreendentemente seguro. – São ingleses? – ele perguntou, se aproximando. – Sou guia e posso mostrar os pontos turísticos.Ambos encararam-se, confusos. Se perguntavam como aquele garoto de grandes olhos negros amendoados não só falava sua língua, como havia reconhecido suas
Depois de vasculhar todo o templo, resolveram retornar para o bangalô. Enquanto caminhavam pela estrada de terra, sob uma leve chuva, Rosely quase podia ouvir as engrenagens do cérebro do caçador funcionando freneticamente.– Sei que tem algo em mente, então desembucha – disse, quebrando o silêncio.– Desembucha? – ele repetiu, com humor.– Culpa sua, contaminou meu vocabulário – ela respondeu num resmungo, e continuou olhando-o séria. – Afinal, o que aconteceu com a estátua?O rosto dele ficou sombrio.– Existem tipos diferentes de possessão maligna – começou a explicar, sentando-se ao lado dela. – Pode ser um espírito que se agarra a uma pessoa ou objeto por não poder seguir em frente, ou um espírito de vingança, feito por bruxaria.Rosely sentiu seus pelos se arrepiando, já podendo imaginar o rumo daquela conversa.– Imagino que seja o segundo caso, então o que devemos fazer? – indagou.– Ah, essa é a parte chata – resmungou o caçador. – Descobrir quem fez o feitiço, procurar por m
Depois de vasculhar todo o templo, resolveram retornar para o bangalô. Enquanto caminhavam pela estrada de terra, sob uma leve chuva, Rosely quase podia ouvir as engrenagens do cérebro do caçador funcionando freneticamente.– Sei que tem algo em mente, então desembucha – disse, quebrando o silêncio.– Desembucha? – ele repetiu, com humor.– Culpa sua, contaminou meu vocabulário – ela respondeu num resmungo, e continuou olhando-o séria. – Afinal, o que aconteceu com a estátua?O rosto dele ficou sombrio.– Existem tipos diferentes de possessão maligna – começou a explicar, sentando-se ao lado dela. &n
E novamente, estavam a bordo de um barco, navegando rumo a terras que Rosely desconhecia. Quando ancoraram, foi impactada pelo pensamento de que aquele era o lugar mais estranho em que já haviam estado. A vegetação era diferente de tudo o que já haviam visto, o clima era quente e mesmo estando no litoral podiam sentir a secura do deserto próximo.Não havia cais, mostrando que o contato com o resto do mundo era um tanto escasso, e assim, um bote foi lançado à água. Dali, estariam à própria sorte.– Estaremos de volta em dois dias, por volta das 5h00, não se atrasem. – disse o capitão em seu tom rude. Em seguida, voltou seus olhos à Rosely. – Não se envolvam em problemas.Ela o encar
Chegaram ao seu último destino sentindo que o tempo estava se esgotando. Assim que desembarcaram, os olhos de Rosely se fixaram imediatamente no povo que alí vivia. Era a primeira vez que via pessoas andando com seus corpos desnudos sem se importar com qualquer pudor.– Incrível, não é – disse uma voz masculina ao seu lado.Ela virou-se e deparou-se com um homem branco, pela compleição física e o sotaque britânico, inferiu que fosse um inglês também.Vendo que ela apenas o encarava, o homem continuou:– Sou Fillipe Johanson – apresentou-se, estendendo a mão em cumprimento. – Professor pesquisar de botânica e biologia.– Entendi… – ela murmurou ainda impressionada. – Sou Rosely O’Neel, e este é Eslen, meu companheiro.– Oh… imagino que estejam aqui para ver Raoni – Fillipe disse, virando-se para cumprimentar o caçador. – Posso levá-los, estou indo para lá.O caçador observou o outro homem de cima a baixo, como se estivesse analisando, mas apertou sua mão de volta.Ambos concordaram e
Quando chegaram à Itália, onde Carolle já os aguardava, adentraram sua gigantesca mansão – ainda maior do que a que visitaram anteriormente. Entregaram os ingredientes coletados, e depois de encará-la por longos minutos, Carolle explicou que ela mesma precisaria fazer a poção.A inglesa devolveu seu olhar com certa preocupação, mas não retrucou. Encarou o caldeirão, pensando consigo mesma que era um clássico de histórias de bruxa, e começou a adicionar os ingredientes de acordo com a ordem dita por Carolle.– Isso não impedirá sua morte – a xamã explicou parecendo satisfeita em vê-la seguindo suas ordens corretamente. – Sendo honesta, somente a conectará com suas ancestrais bruxas.A inglesa apenas concordava, movendo a colher de pau no líquido que, aos poucos, começava a mudar de cor. Desviou os olhos somente ao ouvir a última frase, surpresa, mas mesmo assim, nada disse, sentindo que aquilo explicava muita coisa. Ou talvez, apenas estivesse entorpecida demais para pensar em qualque
Charlotte suspirou, pensando em como estaria a patroa. De repente, havia ficado sozinha naquela fazenda enorme, Eleonore ainda havia sugerido que dormisse em sua casa, mas não queria atrapalhar o casal, então, no fim, acabou ficando. Assim, sua companhia acabou sendo Sebastian, e seu habitual silêncio.Mas nada podia ser mais perturbador do que tê-lo seguindo-a com os olhos por todo canto, como se pudessem ver o espírito que a acompanhava.– Olha, sei que é estranho, mas você não está ajudando fazendo isso – ela resmungou quando não aguentava mais.Ele retribuiu o olhar, mas não parecia entender o porquê daquela bronca.– Ou será que você a reconhece? – Charlotte resmungou, mais para si do que para ele. – Ancestral – ele respondeu, pela primeira vez, surpreendendo-a.Sua voz era baixa e muito grave, como a de um tenor. O que a fazia se arrepiar, mas ao mesmo tempo, pensava consigo mesma que combinava com eles, com seus olhos pretos quase vazios.– Então você fala! – exclamou, quase g