Enquanto Rowan visitava a delegacia, Faith ia visitar sua irmã. Acordara bem cedo para não perder mais horas de trabalho do que já havia perdido.
Tatianna a recebeu, e as duas se abraçaram. Ficaram daquela maneira por algum tempo, tentando transmitir segurança e força uma para a outra. Daquela vez, a dor não iria separá-las, mas sim mantê-las unidas por Cailey, que precisava das duas equilibradas e lúcidas para que lhe passassem segurança.
— Como ela está?
— Ainda está dormindo, eu a fiz tomar um calmante ontem à noite. Estava muito nervosa e teve um pesadelo que a deixou à beira da histeria.
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Faith esquecera-se de como era maravilhosa a sensação de dormir aconchegada nos braços de um homem depois de fazer amor por vezes consecutivas durante a madrugada. Rowan fora delicado e carinhoso como nem mesmo Henry nunca fora. Ao mesmo tempo, fora intenso e cheio de paixão, uma mistura perfeita de desejo e amor. E era exatamente esse o problema: não estava mais apaixonada por aquele homem, amava-o e já tinha medo de perdê-lo. Ainda estava sonolenta quando foi acordada com beijos no rosto e uma linda bandeja de café da manhã. Na verdade, aquela cena mal parecia real. Rowan ainda estava usando apenas shorts, sem camisa, lindo e deliciosamente elegante, mesmo naqueles trajes íntimos. Além disso, sorria como nunca. — Rowan! Está querendo me tornar uma
Exatamente como prometera, Faith passou o dia inteiro com Rowan. Claro que não deixou de ligar para Tatianna para perguntar sobre Cailey e para avisar onde iria ficar todo aquele tempo. Ficou abalada por saber que a irmã ainda não tinha saído do quarto, que comera muito pouco e que ainda não queria conversar. Passava horas e horas apenas escrevendo, e Tatianna disse que daria tudo para ler seus textos e descobrir o que se passava em sua cabeça. Quando desligou o telefone, Faith sentiu-se um pouco culpada por estar tão feliz enquanto a irmã passava por um sofrimento tão grande. Entretanto, lembrou que há alguns meses era ela quem sofria e, apesar de estarem sempre por perto, as outras duas seguiram com suas vidas. Entendia que sua dor e a de Cailey eram completamente diferentes, mas, ainda assim, terríveis.&nb
Quando a mais jovem foi se deitar, ela parecia muito mais conformada, e, algumas horas depois, quando Tatianna chegou, Faith lhe contou tudo o que havia acontecido. Era um alívio saber que mais um problema estava sendo resolvido. Cailey, contrariando o que ela achava de si mesma, era uma mulher forte e mais cedo ou mais tarde acabaria superando tudo aquilo. Faith decidiu que queria passar a noite na casa da avó, mas mal conseguiu dormir. Em cada canto pelo qual passava naquele lugar, sua mente e seu coração se enchiam de recordações. Tivera uma boa infância e uma ótima adolescência, apesar de ter perdido os pais muito cedo. Lolla sempre fizera de tudo para que elas não sentissem falta de nada. Deu-lhes tanto amor, que, apesar da saudade que sentiam do pai e da mãe, foram felizes e superaram as perdas. Admirava a vida que sua avó
Já fazia alguns dias que Jayce entregara o disquete de Melinda para o departamento de informática da polícia. Ele sabia que os recursos eram escassos, que os casos pareciam se multiplicar e que os rapazes que ali trabalhavam ocupavam boa parte do seu dia em redes sociais e em joguinhos. Estava ficando impaciente e tinha certeza que não estavam dando muito crédito àquela evidência. Na verdade, nem ele mesmo estava muito esperançoso em relação aos arquivos que poderia encontrar ali dentro, mas em um caso difícil como aquele, não podiam se dar ao luxo de descartar nada. Como se tivesse algum poder de telepatia, Debra chamou seu ramal, exatamente no momento em que ele estava pensando no disquete. Ela queria avisar que estavam sendo chamados na sala de informática, pois um dos operadores havia finalmente descoberto como abrir
Todo o jantar correu muito bem, Faith e Odeth conversaram sobre várias coisas como duas velhas amigas. Para Rowan, aquilo era mais do que especial, afinal, Faith era a primeira mulher que levava em casa, a primeira que ele tencionava mesmo levar a sério. Por mais que nunca tivesse sido um Don Juan, tivera algumas namoradas, mas todas passageiras. Jamais sentira por alguém o que sentia por Faith e a aprovação de sua mãe era importante. Robert Allers não almoçava à mesa. Ele precisava da ajuda de uma enfermeira e várias vezes ficava entediado e agressivo quando contrariado. Como ele preferia ficar sozinho em seu quarto, Odeth geralmente fazia suas refeições sozinha e era exatamente por ter companhia que ela estava tão feliz. Em um certo momento, estr
Com quinze minutos de atraso, o contato de Rowan chegou. Era um homem gordinho, calvo, na faixa dos quarenta anos. Nervoso, ele olhava de um lado para o outro com medo de ser visto. Sentou-se à mesa com eles, ainda tenso, e logo colocou uma pasta sobre a mesa. — Não posso demorar! Nesta pasta vocês vão encontrar tudo o que precisam saber — o homem ainda não tinha olhado nem para Rowan nem para Faith, e quando o fez, arregalou os olhos afobado. — Você esteve na delegacia outro dia! — lembrou, apontando para Faith. — Como se lembra disso? — perguntou desconfiada. — Ora, não é todo dia que uma moça bonita aparece por lá — era praticamente uma cantada bar
Foi como em um passe de mágica que o policial foi trazido de volta à realidade. Um dos médicos legistas que estava trabalhando no caso do “Assassino das Noivas” tinha algo a lhe falar e fez questão de telefonar pessoalmente para eles. Jayce e Debra, portanto, foram até o necrotério que ficava convenientemente próximo dali e procuraram pelo médico, que lhes recebeu bastante sério, mas com satisfação. Normalmente não gostava de policiais, mas aqueles dois eram uma exceção à regra. Eram educados e não lhe pressionavam. — Então, o que descobriu? — Jayce estava um pouco ansioso. — Penelope Ayburn tinha ferimentos à faca que não batem com o momento da morte. Pelas minhas análi
A dor de cabeça era tão intensa que ela podia jurar que tinha bebido muito na noite anterior. Não era apenas aquilo, porém, algo muito mais grave. Alguém ia morrer, não havia dúvidas, não era apenas um pesadelo. Instintivamente sabia que não iria mais encontrar Rowan em sua cama nem em sua casa. Tinha certeza que o tinha assustado o suficiente para mantê-lo bem longe. Talvez fosse melhor daquela maneira, antes que acabasse estragando tudo. Iria sofrer, mais do que poderia suportar, mas pelo menos ele estaria bem. A família DeWitt era muito complicada e cheia de suas próprias tragédias, o que acabava prejudicando terceiros. E ela não queria isso, ainda mais para alguém que passara a amar tanto. Entretanto, não estava sozinha. Tat