— Não fui um bom marido? Fora afeto, eu dei tudo a ela! Tudo! — o nome de Marissa apareceu na hora na mente dele. Teria ela decidido se vingar dele por sempre estar perto da outra mulher? Mas ele… ele não tinha traído Lauren!
O casamento deles se deu porque Lauren conseguiu convencer Elliot a obrigar Damian a casar. Isso fez com que Damian nunca realmente confiasse ou aceitasse Lauren como mulher dele. Além disso, mesmo ela dizendo que gostava dele, Damian sabia que o objetivo dela era puramente econômico: enquanto casada com os Lancaster, ela teria o apoio financeiro para a empresa dos Everett e o tratamento que o irmão dela, Logan, precisava devido a um problema cardíaco.
Claro que essas questões não impediram Damian de consumar o casamento. Ele foi relutante, no início, mas a beleza e o charme de Lauren eram irresistíveis e ele, mesmo que buscasse ficar longe dela, nem sempre conseguia. Bastava que ela lhe desse uma brecha, ou que estivesse perto demais, Damian se rendia aos desejos e, por Lauren ser receptiva a ele, em todas as vezes, ele não se refreava nos momentos de paixão. Em realidade, a vida conjugal deles, nesse aspecto, era perfeita para ele.
Damian pensou melhor. Lauren estava casada com ele há cinco anos, o tratava bem e era uma boa esposa. Ele daria a ela uma última chance, permitindo que ela se explicasse. Ele procurou o nome de Lauren nos contatos dele e clicou em “ligar”. Na primeira tentativa, ninguém atendeu. Na segunda vez, já no terceiro toque, finalmente a ligação foi acionada.
— Onde diabos…?
— Alô? — uma voz masculina soou e Damian trincou os dentes. — Alô?
A pessoa do outro lado da linha parecia que iria dizer mais alguma coisa, porém, Damian finalizou a ligação, enquanto olhava para o chão como se pudesse perfurá-lo daquele jeito!
— Argh! — ele gritou. Lauren estava mesmo com outro homem! Ela… ela cuidava bem do celular dela, porém, deixou que o outro homem ficasse com ele? Deixou que o homem atendesse a ligação dele!
Com as mãos ainda trêmulas, Damian decidiu ligar para o assistente. A tela no telefone mudou e Damian viu que era o hospital ligando.
— Alô! — ele não foi muito gentil.
— Alô, senhor Lancaster? Aqui é do Hospital Pasteur. Encontramos um coração compatível com o senhor Logan Everett. Precisamos apenas da sua autorização para prosseguir com os preparativos e, finalmente, a operação!
Sim, Logan, irmão de Lauren, tinha uma doença cardíaca e, mesmo com os tratamentos, ele ainda precisaria de um transplante de coração. Transtornado com a infidelidade que tinha acabado de descobrir, Damian agiu sem pensar nas consequências.
— Eu não autorizo! Na verdade, eu não vou mais ser o responsável pelos custos do tratamento do senhor Logan Everett! Fale diretamente com a família dele!
Damian desligou. Lá no fundo, uma voz interior lhe dizia que ele deveria ligar para o hospital e desfazer o que tinha dito, no entanto, a raiva e o ressentimento falaram mais alto e ele ignorou a própria consciência.
“Eu não vou ter mais nada a ver com essa mulher!”
Já era tarde, mas Damian resolveu que em vez do Assistente, ele ligaria para o Advogado! Sim, porque ele não continuaria casado com uma traidora!
Quando eles casaram, houve um contrato. Em cinco anos, a união seria desfeita, a não ser que Lauren gerasse pelo menos uma criança. Damien soltou uma risada de escárnio dele mesmo. Naquela viagem, ele tinha resolvido que seria mais presente, daria mais atenção a Lauren e, mesmo que eles não tivessem tido um bebê, ele não via motivos para se divorciar. A vida deles era boa, Lauren era uma esposa dedicada e quando ele estava em casa, tudo era calmo. E, como mencionado antes, as noites — e às vezes durante o dia, se ele estivesse em casa — eram mais do que prazerosas.
Por todo aquele tempo, Lauren dizia que o amava, mesmo que ele não acreditasse. Agora, quando ele resolveu dar uma chance a ela, a ruiva o traiu! Não só isso como abortou o bebê deles!
— Senhor Lancaster? — o advogado atendeu do outro lado.
— Lewis, cuide do meu divórcio com Lauren Everett — Damian disse entre dentes e o advogado, que estava já deitado, pronto para dormir, se remexeu desconfortavelmente.
— Claro, senhor Lancaster. Tudo estará pronto pela manhã.
Damian não estava com cabeça para se dar conta de como estava sendo mal-educado e desligou o telefone. O advogado olhou para o próprio aparelho e resmungou baixinho, antes de desligar as luzes e fechar os olhos. Damian, no entanto, permaneceu acordado.
O CEO da Lancaster & Co. não era do tipo que ficava acordada por mulher. No entanto, Lauren Everett conseguiu aquele feito! Ali estava Damian, alternando entre gritar, xingar, sentar e pensar nos últimos cinco anos de união, se questionar se Lauren realmente tinha feito aquilo e bater o pé, certo de que ela era uma traidora sem-vergonha!
Marissa tentou ligar para ele, porém, Damian recusou todas as tentativas dele. Ele sabia, lá no fundo, que aquela mulher era um dos motivos de Lauren não estar satisfeita com ele. Ele não a traia, ela era quem era ciumenta e via o que não existia, na cabeça dele. Mas não era necessário pensar muito para que ele imaginasse que o contato dele com Marissa tenha sido estopim para o comportamento da dócil e obediente Lauren.
— Esse casamento foi um erro desde o início! — ele torceu a boca em desgosto, bebendo mais um copo de uísque.
— Deve ter brigado com a senhora Lancaster — um cochichou para o outro.
Pela manhã, Damian acordou com uma dor de cabeça miserável, porém, ele tinha que ir trabalhar. Tomou um banho gelado e, ao sair do quarto, viu que as roupas dele não estavam em cima da cama. Mais um sinal de que Lauren não estava de volta. Ele inspirou fundo, com raiva e foi para o closet.
Assim que chegou na empresa, os empregados notaram o mau-humor do chefe imediatamente. Damian só ficava daquele jeito quando ou um projeto dava errado, ou quando ele e Lauren discutiam. Não era comum, mas acontecia. Ainda que o CEO fosse um homem frio, ninguém ali desacreditava dos sentimentos que ele tinha por Lauren. Se ela aparecesse ali com um sorriso, Damian Lancaster virava outro, mais dócil. Mas se ela não estivesse contente, ele ficava uma fera.
Loui Jarvis engoliu em seco ao ver o estado do chefe. Ele detestava quando Damian ficava assim, principalmente porque na maioria dos casos, quem mais sofria era ele, o assistente.
— Senhor Lancaster, bom dia. Em cima da mesa, estão os papéis…
— São do advogado?
Loui abriu a boca e negou.
— N-não, senhor. Mas são…
— Então ligue para o Lewis! — Damian o interrompeu, tirando o paletó e o colocando com rudeza no encosto da cadeira. — Diga que eu quero ele aqui imediatamente! Vá!
— S-sim, senhor!
Loui quase tropeçou em si mesmo quando saiu da sala de Damian.
“Deus! Que humor!”
Olhando pela janela panorâmica do escritório, Damian não conseguia deixar de pensar em Lauren. Ele não a amava, fingia acreditar nas bajulações dela porque era conveniente, mas traição? Traição era a gota d’água para acabar com qualquer relacionamento, fosse romântico ou apenas comercial.
TOC-TOC!
— Senhor Lancaster, o Advogado Lewis está aqui!
Inspirando fundo, Damian deu a ordem para que o homem entrasse e virou a cadeira a fim de encará-lo. Aquele era o fim da história dele com Lauren.
Mais tarde, quando Lauren acordou e se deu conta de que já era de dia, ela se sentou abruptamente na cama, olhando ao redor. Damian, claro, não estava ali. “Por favor, deve ter passado a noite com aquela…”, Lauren apertou os lábios. Ela viu o celular em cima da mesinha de cabeceira e o pegou, mas ele estava sem bateria. Lauren queria falar com Damian, perguntar por que ele não a queria. Se ela o tocasse e desse indícios de que o desejava, ele não a recusava. Às vezes, ele a abordava, incluindo durante o banho — na verdade, era um lugar que ele adorava colocar as mãos em Lauren. Ela suspirou e lembrou que o casamento deles estava fadado a terminar. A cláusula que ainda poderia salvá-la, sobre a criança, parecia não fazer mais muito sentido. Por mais que Damian nunca tenha deixado Marissa de lado, Lauren ainda se convencia de que ele amoleceria o coração e, quando eles tivessem um bebê, tudo mudaria. Ela nunca tinha visto evidências reais da traição de Damian, até a noite anterior. “
Com o coração pesado, ela saiu do prédio do advogado. Cinco anos jogados fora! Ela então se lembrou do pequeno milagre dentro dela e levou instintivamente a mão à barriga. Não, não foram jogados fora. Ela tinha aquela pequena criança. Mesmo que Damian tenha errado muito, traindo-a, ao menos lhe deu um bebê. No escritório, Damian estava tendo dificuldades de concentração. Todas as vezes que pegava algum documentos, ou mesmo a caneta, ele se lembrava do acordo de divórcio. Além disso, Lauren esteve algumas vezes ali e, claro, Damian não se refreou em tornar aquele também um ninho de amor com ela por perto. “Maldição!”, ele reclamou. O telefone tocou e Damian o atendeu, irritado, no entanto, assim que ouviu de Loui que era o advogado, o humor de Damian pareceu melhorar um pouco sem que ele percebesse. Com um sorriso, Damian recebeu Edward. Este segurava uma pasta e Damian já esperava que o advogado tivesse ido ali para informar como Lauren tinha sido difícil, ao recusar o divórcio. El
Damian apertou a ponte do nariz entre o polegar e o indicador. Quando Elliot falava daquele jeito, ele sabia que o idoso estava pronto para uma briga. — Vovô, Lauren e eu tínhamos um acordo, lembra? — Um acordo! Cinco anos e você não pode esperar nem mesmo um dia a mais? — Elliot vociferou do outro lado da linha. — Como pôde deixar uma boa mulher como ela escapar das suas mãos. Francamente, não entendo como tenho um neto tão tonto! Damian suspirou fundo. Ele sabia o quanto Elliot era parcial quanto à Lauren, sempre dizendo que ela era a mulher perfeita, a mulher que faria o neto feliz e que era a única que ele aceitaria como senhora Lancaster! — Vovô, por favor… — Vá atrás dela! Estou falando para o seu próprio bem, você vai se arrepender! Elliot começou a tossir do outro lado da linha, o que fez Damian ficar alarmado. — Certo, certo. Eu vou falar com ela e… bom, vamos ver se nos resolvemos. Tudo bem? Mas Lauren também não é obrigada a ficar presa a mim. Damian não queria dize
— Oh, você achou o meu celular — o sorriso de Marissa vacilou e ela ergueu o queixo, tentando disfarçar o nervosismo. — É, eu achei… — Damian disse e entregou o aparelho para a mulher. — Deveria ter mais cuidado. Eu quase pisei nele. Marissa engoliu em seco. — Que descuido… bom, obrigada. Eu, eu estou indo embora. Com licença. Ela virou as costas, porém, podia sentir o olhar fuzilante de Damian nas costas dela. Ao sair da sala, Marissa soltou o ar. “Tá tudo bem! Por que ele olharia o seu celular, huh?”, ela se perguntou, sentindo-se mais confiante, e saiu dali com a cabeça erguida. Enquanto isso, Damian estava no escritório, socando a parede. — Como… eu… pude ser… tão idiota?!Ele gritou consigo mesmo. Então, deu-se conta do que estava fazendo: perdendo tempo! Sem mais, ele pegou o próprio celular e tentou ligar novamente para Lauren, esquecendo-se de que ele estava bloqueado. — Que inferno! — ele apertou repetidamente o número que o ligava diretamente à sala de Loui. — Ah, at
Uma sensação estranha se apoderou de Damian. — Lauren. Pode ser o pai dela, também. Evan Everett. A mulher pareceu reconhecer aquele nome e Damian quis revirar os olhos. Quem era aquela mulher, afinal de contas? — O senhor Everett não mora mais aqui! — ela abriu um sorriso, porém, Damian ficou ainda mais sério. — Ele não… — Damian passou a língua pelos lábios ressecados. — Por favor, qual o seu nome? — Oh, meu nome é Jeniffer Gill. Comprei essa casa há uns dias — a mulher parecia muito contente ao contar aquela novidade. — Ela é um sonho! O senhor e a senhora Everett… — Desculpe por interrompê-la — Damian não queria ser indelicado, porém, o cérebro dele não estava sendo capaz de processar as informações. Ele soltou o ar, num sorriso nervoso, e colocou uma perna mais à frente, a cabeça mais para baixo, pressionou os lábios e levou uma mão à cintura. — A senhora está me dizendo que os Everett não moram mais aqui, é isso? A mulher piscou algumas vezes. — Foi exatamente o que eu
Lauren agradeceu por estar com os óculos escuros, ou Damian teria visto o rosto surpreso dela, o pavor em seus olhos. Ela fez um breve sinal, indicando que Oliver deveria voltar para ela. — Até outra vez! — ele disse a Damian e correu para a mãe. Ela segurou em sua mãozinha, falou algo para a criança e os dois se afastaram. Damian ainda estava parado no mesmo lugar. — Senhor? — Loui o chamou. — Precisamos ir. O jatinho… Isso fez com que Damian balançasse a cabeça e seguisse o assistente. Porém, a mente dele estava longe, junto com a tal mulher desconhecida. Algo nela lhe lembrou… — Ela tinha cabelos castanhos… — Perdão? — Loui perguntou e Damian se ajeitou na poltrona. — Nada. O assistente não insistiu, afinal, não seria inteligente da parte dele. A viagem foi silenciosa. Lauren estava escorada no batente da porta, enquanto Emma fuçava na mala dela. Oliver comeu, tomou uma ducha e caiu na cama, morto de cansaço. — Não acredito que não trouxe nada pra mim! — Emma resmungou, s
Damian tinha acabado de voltar de viagem e estava se sentindo um caco. Todas as vezes que ele voltava para casa, ele sentia aquele vazio terrível. Apesar de ser outro apartamento, ele pediu que decorassem como o anterior, em Charlotte. Ainda que doesse não ver Lauren ali, era melhor do que não ter nenhuma lembrança dela. A mulher tinha levado todo e qualquer item dela, impedindo que Damian mantivesse qualquer recordação, exceto as de sua própria mente. Ele mal sentou-se no sofá quando o interfone tocou. Damian revirou os olhos. Quem poderia ser? Ele foi até a cozinha e atendeu o maldito aparelho. — Alô? — ele disse, cansado. — Senhor Lancaster? A senhorita Langston está aqui e diz que precisa muito falar com o senhor. Damian ficou mais sério e a expressão dele tornou-se sombria.— Diga a ela que se precisar falar comigo, basta me ligar. Ela não pode subir. — Senhor, ela… senhorita! Não pode subir! — Damian ouviu o porteiro dizer e amaldiçoou internamente. — Perdão, senhor. — M
Dois dias depois, Marissa estava olhando-se no espelho e verificando se estava tudo certo com a maquiagem dela. Ela olhou pela janela do carro e sorriu. O ateliê de René contava com dois seguranças na porta e um hall de entrada, onde as pessoas primeiro precisavam colocar seus nomes e serem autorizadas a entrar. Isso garantia um senso de exclusividade muito maior entre os clientes. A loira desceu do carro, passou as mãos pelo vestido bem alinhado ao corpo e praticamente desfilou até a entrada do Ateliê. Lá dentro, ela foi até a recepção e disse o nome dela, certa de que René não a rejeitaria. Por mais que Damian não saísse com Marissa para os lugares, ela plantava aqui e ali a semente de que eles namoravam por baixo dos panos, afinal, ele era um homem muito discreto. No meio de Marissa, a maioria das pessoas cochichavam e a reconheciam como a futura senhora Lancaster. E, todas as vezes que a pergunta sobre o motivo do casamento ainda não ter saído surgia, a resposta estava sempre n