O som do BIP - BIP contínuo ressoou na cabeça de Lauren quando ela estava recobrando a consciência. A luz do ambiente estava baixa e ela sentiu a garganta seca. Ao tentar se mover, sentiu uma dor forte na cabeça.
Lembranças do que houve a invadiram e ela levou a mão imediatamente para a barriga.
“Meu filho!”, ela pensou, começando a entrar em desespero. Não era só a cabeça dela que doía, mas o corpo todo. “Meu bebê”
Depois de cinco anos tentando engravidar, tomando chás e fazendo tratamentos para a fertilidade, Lauren finalmente tinha conseguido dar frutos. Agora, por um deslize, por um momento de distração, ela tinha perdido aquela criança?
“Eu falei, falhei completamente!”, ela se culpou, cobrindo o rosto com as mãos. Não era só um bebê que ela queria tanto, mas também era o filho dela com Damian. “Damian!”, ela torceu a boca, lembrando que ele estava, de fato, traindo-a. E até engravidou outra mulher!
Os aparelho em volta dela começaram a apitar loucamente, enquanto o rosto de Lauren estava molhado pelas lágrimas que escorriam pelos olhos dela.
Aquilo tinha acontecido porque ela descobriu a traição de Damian! Se ele não tivesse sido infiel, ela não teria ido até aquele hotel e não teria sofrido o acidente que arrancou dela a chance de ser mãe!
A porta do quarto se abriu e Lauren sentiu braços segurando-na.
— Não se mova muito — alguém falou e Lauren ficou um pouco mais sóbria, olhando ao redor, ainda que sua visão estivesse um pouco embaçada. O sorriso de um homem foi a primeira coisa que ela viu, junto com olhos esverdeados que brilhavam na meia-luz.
— Meu filho… meu bebê! — Lauren chorou, ainda segurando a barriga.
— O bebê está bem, não se preocupe — o homem de jaleco tentou acalmá-la. — Senhora Lancaster, respire e tente se acalmar. O seu bebê está bem.
Aquelas palavras a fizeram parar de se mexer e inflar os pulmões. Piscando algumas vezes, Lauren encarou o médico. Alguma coisa nele lhe era familiar, mas ela não conseguia lembrar de onde.
— O senhor… o senhor tem certeza?
Ele assentiu com um sorriso gentil.
— Absoluta. A criança está bem. A senhora precisa se acalmar para que isso não afete o pequeno — ao ouvir isso, Lauren enxugou as próprias lágrimas e viu a mão do médico na frente dela, estendida. — Sou o doutor Julian Caldwell.
Julian Caldwell. Aquele nome não era tão estranho a Lauren, porém, a cabeça dela latejava para que ela se forçasse a pensar um pouco mais sobre isso. Ela tinha coisas mais importantes para manter em mente, como o bem-estar do bebê que carregava. O pequeno milagre dela estava vivo e bem.
Será que Damian sabia que ela estava ali? Era o aniversário de casamento deles… teria ele retornado para casa, ou passaria a noite com a amante?
— Doutor, meu marido…
A expressão de Julian ficou um pouco menos feliz.
— A senhora sofreu um acidente de carro. Eu estava por ali e a socorri. Quanto ao seu esposo… nós tentamos contactá-lo através do seu telefone, mas não conseguimos.
Na realidade, Damian estava no banheiro, colocando a roupa e se penteando, para poder chegar em casa apresentável para Lauren. Aquele era o aniversário de casamento deles e ele não queria chegar desleixado, mesmo que tivesse toda a intenção de não ficar vestido por muito tempo.
A questão é que ele deixou o celular em cima da mesinha de cabeceira e, quando a tela acendeu, Marissa viu o nome de Lauren ali e atendeu a chamada. Ao ouvir um homem falando, e avisando que a esposa do homem tinha sofrido um acidente, Marissa respondeu que tinham ligado para o número errado, pois a esposa de Damian Lancaster era ela mesma!
Julian não diria aquilo para Lauren. Ainda mais depois de ela sofrer um acidente e quase perder o bebê que carregava.
Lauren não sabia se eram os hormônios, ou o fato de ter pego o marido traindo, ou as duas coisas, mas a sensação de desamparo e tristeza profundos a tomou e ela não conseguiu segurar as lágrimas, que agora escorriam por seu belo rosto.
— De-desculpe por isso! — ela falou e Julien colocou a mão nas costas dela, dando ali tapinhas.
— Tudo bem, senhora Lancaster. Melhor pra fora do que pra dentro — ela levantou o rosto e o homem lhe sorria tão suavemente, tão bondosamente, que ela só queria chorar mais. Por que Damian não podia ser daquele jeito? Por que sempre frio e distante com ela, como se ela tivesse arruinado a vida dele? Lauren chorou ainda mais.
Naquele momento, ela decidiu que cuidaria bem da criança em seu ventre. Se Damian preferia a amante e a criança da mesma, era a escolha dele. Mas Lauren protegeria o filho dela, não importava o quê!
Julian apertou os lábios em uma linha fina e a abraçou. Primeiro, um abraço desajeitado e incerto, mas conforme ela não o afastou, ele usou um pouco mais de força e permitiu que a mulher chorasse em seu peito.
Assim que chegou em casa, Damian já notou que algo não estava certo ainda do carro: as luzes estavam apagadas! Lauren sempre mantinha a luz da sala ligada até que ele chegasse em casa. Damian saiu do veículo, pegou a caixa de jóias do porta-lucas e entrou em casa.
— Lauren? — ele chamou, sem sucesso. Após rodar pela casa, ele constatou que a esposa não estava. Na cozinha, havia pratos de comida, indicando que ela havia cozinhado para a data especial. Em cinco anos, aquele era o primeiro aniversário de casamento que ele passaria com ela.
Ele tirou o celular do bolso do paletó a fim de ligar para Lauren, porém, uma mensagem de Marissa apareceu. Ele remexeu a boca e clicou na mensagem.
MARISSA: Damian! Eu espero que a sua esposa esteja bem… Ela está?
Damian franziu o cenho e digitou a resposta.
DAMIAN: Por que ela não estaria? E o que houve? Por que me mandou mensagem? Eu não disse que hoje eu não poderia conversar com você?
MARISSA: Ué, ela estava no hospital… Damian, eu sei que você e ela não se casaram por amor, porém, mandá-la abortar um filho não é algo que se faça!
Damian leu novamente a mensagem e piscou algumas vezes.
DAMIAN: Do que está falando, Marissa? Que aborto?
MARISSA: (emoji de surpresa) Damian, Lauren estava na ala de ginecologista. Eu fiquei preocupada e perguntei sobre ela… me falaram que ela se internou para abortar. E ela estava acompanhada. Olha!
Uma foto chegou logo em seguida e Damian clicou para baixar a mesma, porém, a expressão de puro desinteresse dele mudou completamente. Na foto, Lauren estava nos braços de outro homem. O rosto do que parecia ser um médico, pois estava de jaleco, não era visível, mas Damian sabia que aquela mulher era Lauren, sem sombra de dúvidas!
Lauren não era o tipo de pessoa que abraçava qualquer um, menos ainda um homem! Então… quem era aquele suposto médico? E aborto?
As mãos de Damian se fecharam ao redor do aparelho e ele o jogou longe, com raiva. Ele respirou fundo, caminhou até onde o celular tinha caído, pegou-o e leu a mensagem de Marissa de novo. Aborto? Lauren tinha abortado o bebê deles? Ele nem sabia que ela estava grávida!
“Então é por isso que ela não está aqui? Ela resolveu se encontrar com o amante e abortar?”
Damian estava tão avariado das ideias que nem mesmo levou em consideração a comida que Lauren tinha deixado pronta. Se ela tivesse intenção de sair com outro homem, ou de abortar uma criança, ela não teria preparado nada para o aniversário de casamento deles!
A ideia de Lauren com outro homem era tão inconcebível na cabeça de Damian, que ele ficou cego de ciúmes — ciúmes que ele jurava não sentir. O casamento era apenas uma conveniência inconveniente! Ele não a amava! Mas ainda assim, ela era a esposa dele, certo?
— Lauren, como se atreve?! — ele estava pronto para ligar para o assistente, Loui Jarvis, e fazer Lauren se arrepender de tê-lo traído e, ainda por cima, abortar o filho que eles esperaram por cinco anos!
— Não fui um bom marido? Fora afeto, eu dei tudo a ela! Tudo! — o nome de Marissa apareceu na hora na mente dele. Teria ela decidido se vingar dele por sempre estar perto da outra mulher? Mas ele… ele não tinha traído Lauren! O casamento deles se deu porque Lauren conseguiu convencer Elliot a obrigar Damian a casar. Isso fez com que Damian nunca realmente confiasse ou aceitasse Lauren como mulher dele. Além disso, mesmo ela dizendo que gostava dele, Damian sabia que o objetivo dela era puramente econômico: enquanto casada com os Lancaster, ela teria o apoio financeiro para a empresa dos Everett e o tratamento que o irmão dela, Logan, precisava devido a um problema cardíaco. Claro que essas questões não impediram Damian de consumar o casamento. Ele foi relutante, no início, mas a beleza e o charme de Lauren eram irresistíveis e ele, mesmo que buscasse ficar longe dela, nem sempre conseguia. Bastava que ela lhe desse uma brecha, ou que estivesse perto demais, Damian se rendia aos dese
Mais tarde, quando Lauren acordou e se deu conta de que já era de dia, ela se sentou abruptamente na cama, olhando ao redor. Damian, claro, não estava ali. “Por favor, deve ter passado a noite com aquela…”, Lauren apertou os lábios. Ela viu o celular em cima da mesinha de cabeceira e o pegou, mas ele estava sem bateria. Lauren queria falar com Damian, perguntar por que ele não a queria. Se ela o tocasse e desse indícios de que o desejava, ele não a recusava. Às vezes, ele a abordava, incluindo durante o banho — na verdade, era um lugar que ele adorava colocar as mãos em Lauren. Ela suspirou e lembrou que o casamento deles estava fadado a terminar. A cláusula que ainda poderia salvá-la, sobre a criança, parecia não fazer mais muito sentido. Por mais que Damian nunca tenha deixado Marissa de lado, Lauren ainda se convencia de que ele amoleceria o coração e, quando eles tivessem um bebê, tudo mudaria. Ela nunca tinha visto evidências reais da traição de Damian, até a noite anterior. “
Com o coração pesado, ela saiu do prédio do advogado. Cinco anos jogados fora! Ela então se lembrou do pequeno milagre dentro dela e levou instintivamente a mão à barriga. Não, não foram jogados fora. Ela tinha aquela pequena criança. Mesmo que Damian tenha errado muito, traindo-a, ao menos lhe deu um bebê. No escritório, Damian estava tendo dificuldades de concentração. Todas as vezes que pegava algum documentos, ou mesmo a caneta, ele se lembrava do acordo de divórcio. Além disso, Lauren esteve algumas vezes ali e, claro, Damian não se refreou em tornar aquele também um ninho de amor com ela por perto. “Maldição!”, ele reclamou. O telefone tocou e Damian o atendeu, irritado, no entanto, assim que ouviu de Loui que era o advogado, o humor de Damian pareceu melhorar um pouco sem que ele percebesse. Com um sorriso, Damian recebeu Edward. Este segurava uma pasta e Damian já esperava que o advogado tivesse ido ali para informar como Lauren tinha sido difícil, ao recusar o divórcio. El
Damian apertou a ponte do nariz entre o polegar e o indicador. Quando Elliot falava daquele jeito, ele sabia que o idoso estava pronto para uma briga. — Vovô, Lauren e eu tínhamos um acordo, lembra? — Um acordo! Cinco anos e você não pode esperar nem mesmo um dia a mais? — Elliot vociferou do outro lado da linha. — Como pôde deixar uma boa mulher como ela escapar das suas mãos. Francamente, não entendo como tenho um neto tão tonto! Damian suspirou fundo. Ele sabia o quanto Elliot era parcial quanto à Lauren, sempre dizendo que ela era a mulher perfeita, a mulher que faria o neto feliz e que era a única que ele aceitaria como senhora Lancaster! — Vovô, por favor… — Vá atrás dela! Estou falando para o seu próprio bem, você vai se arrepender! Elliot começou a tossir do outro lado da linha, o que fez Damian ficar alarmado. — Certo, certo. Eu vou falar com ela e… bom, vamos ver se nos resolvemos. Tudo bem? Mas Lauren também não é obrigada a ficar presa a mim. Damian não queria dize
— Oh, você achou o meu celular — o sorriso de Marissa vacilou e ela ergueu o queixo, tentando disfarçar o nervosismo. — É, eu achei… — Damian disse e entregou o aparelho para a mulher. — Deveria ter mais cuidado. Eu quase pisei nele. Marissa engoliu em seco. — Que descuido… bom, obrigada. Eu, eu estou indo embora. Com licença. Ela virou as costas, porém, podia sentir o olhar fuzilante de Damian nas costas dela. Ao sair da sala, Marissa soltou o ar. “Tá tudo bem! Por que ele olharia o seu celular, huh?”, ela se perguntou, sentindo-se mais confiante, e saiu dali com a cabeça erguida. Enquanto isso, Damian estava no escritório, socando a parede. — Como… eu… pude ser… tão idiota?!Ele gritou consigo mesmo. Então, deu-se conta do que estava fazendo: perdendo tempo! Sem mais, ele pegou o próprio celular e tentou ligar novamente para Lauren, esquecendo-se de que ele estava bloqueado. — Que inferno! — ele apertou repetidamente o número que o ligava diretamente à sala de Loui. — Ah, at
Uma sensação estranha se apoderou de Damian. — Lauren. Pode ser o pai dela, também. Evan Everett. A mulher pareceu reconhecer aquele nome e Damian quis revirar os olhos. Quem era aquela mulher, afinal de contas? — O senhor Everett não mora mais aqui! — ela abriu um sorriso, porém, Damian ficou ainda mais sério. — Ele não… — Damian passou a língua pelos lábios ressecados. — Por favor, qual o seu nome? — Oh, meu nome é Jeniffer Gill. Comprei essa casa há uns dias — a mulher parecia muito contente ao contar aquela novidade. — Ela é um sonho! O senhor e a senhora Everett… — Desculpe por interrompê-la — Damian não queria ser indelicado, porém, o cérebro dele não estava sendo capaz de processar as informações. Ele soltou o ar, num sorriso nervoso, e colocou uma perna mais à frente, a cabeça mais para baixo, pressionou os lábios e levou uma mão à cintura. — A senhora está me dizendo que os Everett não moram mais aqui, é isso? A mulher piscou algumas vezes. — Foi exatamente o que eu
Lauren agradeceu por estar com os óculos escuros, ou Damian teria visto o rosto surpreso dela, o pavor em seus olhos. Ela fez um breve sinal, indicando que Oliver deveria voltar para ela. — Até outra vez! — ele disse a Damian e correu para a mãe. Ela segurou em sua mãozinha, falou algo para a criança e os dois se afastaram. Damian ainda estava parado no mesmo lugar. — Senhor? — Loui o chamou. — Precisamos ir. O jatinho… Isso fez com que Damian balançasse a cabeça e seguisse o assistente. Porém, a mente dele estava longe, junto com a tal mulher desconhecida. Algo nela lhe lembrou… — Ela tinha cabelos castanhos… — Perdão? — Loui perguntou e Damian se ajeitou na poltrona. — Nada. O assistente não insistiu, afinal, não seria inteligente da parte dele. A viagem foi silenciosa. Lauren estava escorada no batente da porta, enquanto Emma fuçava na mala dela. Oliver comeu, tomou uma ducha e caiu na cama, morto de cansaço. — Não acredito que não trouxe nada pra mim! — Emma resmungou, s
Damian tinha acabado de voltar de viagem e estava se sentindo um caco. Todas as vezes que ele voltava para casa, ele sentia aquele vazio terrível. Apesar de ser outro apartamento, ele pediu que decorassem como o anterior, em Charlotte. Ainda que doesse não ver Lauren ali, era melhor do que não ter nenhuma lembrança dela. A mulher tinha levado todo e qualquer item dela, impedindo que Damian mantivesse qualquer recordação, exceto as de sua própria mente. Ele mal sentou-se no sofá quando o interfone tocou. Damian revirou os olhos. Quem poderia ser? Ele foi até a cozinha e atendeu o maldito aparelho. — Alô? — ele disse, cansado. — Senhor Lancaster? A senhorita Langston está aqui e diz que precisa muito falar com o senhor. Damian ficou mais sério e a expressão dele tornou-se sombria.— Diga a ela que se precisar falar comigo, basta me ligar. Ela não pode subir. — Senhor, ela… senhorita! Não pode subir! — Damian ouviu o porteiro dizer e amaldiçoou internamente. — Perdão, senhor. — M