— Oh, você achou o meu celular — o sorriso de Marissa vacilou e ela ergueu o queixo, tentando disfarçar o nervosismo. — É, eu achei… — Damian disse e entregou o aparelho para a mulher. — Deveria ter mais cuidado. Eu quase pisei nele. Marissa engoliu em seco. — Que descuido… bom, obrigada. Eu, eu estou indo embora. Com licença. Ela virou as costas, porém, podia sentir o olhar fuzilante de Damian nas costas dela. Ao sair da sala, Marissa soltou o ar. “Tá tudo bem! Por que ele olharia o seu celular, huh?”, ela se perguntou, sentindo-se mais confiante, e saiu dali com a cabeça erguida. Enquanto isso, Damian estava no escritório, socando a parede. — Como… eu… pude ser… tão idiota?!Ele gritou consigo mesmo. Então, deu-se conta do que estava fazendo: perdendo tempo! Sem mais, ele pegou o próprio celular e tentou ligar novamente para Lauren, esquecendo-se de que ele estava bloqueado. — Que inferno! — ele apertou repetidamente o número que o ligava diretamente à sala de Loui. — Ah, at
Uma sensação estranha se apoderou de Damian. — Lauren. Pode ser o pai dela, também. Evan Everett. A mulher pareceu reconhecer aquele nome e Damian quis revirar os olhos. Quem era aquela mulher, afinal de contas? — O senhor Everett não mora mais aqui! — ela abriu um sorriso, porém, Damian ficou ainda mais sério. — Ele não… — Damian passou a língua pelos lábios ressecados. — Por favor, qual o seu nome? — Oh, meu nome é Jeniffer Gill. Comprei essa casa há uns dias — a mulher parecia muito contente ao contar aquela novidade. — Ela é um sonho! O senhor e a senhora Everett… — Desculpe por interrompê-la — Damian não queria ser indelicado, porém, o cérebro dele não estava sendo capaz de processar as informações. Ele soltou o ar, num sorriso nervoso, e colocou uma perna mais à frente, a cabeça mais para baixo, pressionou os lábios e levou uma mão à cintura. — A senhora está me dizendo que os Everett não moram mais aqui, é isso? A mulher piscou algumas vezes. — Foi exatamente o que eu
Lauren agradeceu por estar com os óculos escuros, ou Damian teria visto o rosto surpreso dela, o pavor em seus olhos. Ela fez um breve sinal, indicando que Oliver deveria voltar para ela. — Até outra vez! — ele disse a Damian e correu para a mãe. Ela segurou em sua mãozinha, falou algo para a criança e os dois se afastaram. Damian ainda estava parado no mesmo lugar. — Senhor? — Loui o chamou. — Precisamos ir. O jatinho… Isso fez com que Damian balançasse a cabeça e seguisse o assistente. Porém, a mente dele estava longe, junto com a tal mulher desconhecida. Algo nela lhe lembrou… — Ela tinha cabelos castanhos… — Perdão? — Loui perguntou e Damian se ajeitou na poltrona. — Nada. O assistente não insistiu, afinal, não seria inteligente da parte dele. A viagem foi silenciosa. Lauren estava escorada no batente da porta, enquanto Emma fuçava na mala dela. Oliver comeu, tomou uma ducha e caiu na cama, morto de cansaço. — Não acredito que não trouxe nada pra mim! — Emma resmungou, s
Damian tinha acabado de voltar de viagem e estava se sentindo um caco. Todas as vezes que ele voltava para casa, ele sentia aquele vazio terrível. Apesar de ser outro apartamento, ele pediu que decorassem como o anterior, em Charlotte. Ainda que doesse não ver Lauren ali, era melhor do que não ter nenhuma lembrança dela. A mulher tinha levado todo e qualquer item dela, impedindo que Damian mantivesse qualquer recordação, exceto as de sua própria mente. Ele mal sentou-se no sofá quando o interfone tocou. Damian revirou os olhos. Quem poderia ser? Ele foi até a cozinha e atendeu o maldito aparelho. — Alô? — ele disse, cansado. — Senhor Lancaster? A senhorita Langston está aqui e diz que precisa muito falar com o senhor. Damian ficou mais sério e a expressão dele tornou-se sombria.— Diga a ela que se precisar falar comigo, basta me ligar. Ela não pode subir. — Senhor, ela… senhorita! Não pode subir! — Damian ouviu o porteiro dizer e amaldiçoou internamente. — Perdão, senhor. — M
Dois dias depois, Marissa estava olhando-se no espelho e verificando se estava tudo certo com a maquiagem dela. Ela olhou pela janela do carro e sorriu. O ateliê de René contava com dois seguranças na porta e um hall de entrada, onde as pessoas primeiro precisavam colocar seus nomes e serem autorizadas a entrar. Isso garantia um senso de exclusividade muito maior entre os clientes. A loira desceu do carro, passou as mãos pelo vestido bem alinhado ao corpo e praticamente desfilou até a entrada do Ateliê. Lá dentro, ela foi até a recepção e disse o nome dela, certa de que René não a rejeitaria. Por mais que Damian não saísse com Marissa para os lugares, ela plantava aqui e ali a semente de que eles namoravam por baixo dos panos, afinal, ele era um homem muito discreto. No meio de Marissa, a maioria das pessoas cochichavam e a reconheciam como a futura senhora Lancaster. E, todas as vezes que a pergunta sobre o motivo do casamento ainda não ter saído surgia, a resposta estava sempre n
— Eu peço que a senhorita se abstenha de me falar dessa maneira. Eu não a conheço. Nunca fui casada! — Lauren inspirou fundo. — Peço que, por gentileza, retire-se do meu estabelecimento. — Ah, sim, seu estabelecimento? — Marissa começou a rir de maneira debochada, mas colocando a mão na frente da boca, para não parecer escandalosa. Ela olhou para as outras mulheres. — Senhoras, eu conheço essa mulher. Ela é uma mulher sem vergonha, que traiu o marido, arranjou filho de outro homem! As mulheres suspiraram, chocadas, e olharam para Lauren como se ela fosse a escória da terra. “E você era a amante do meu marido!”, Lauren queria dizer, no entanto, ela não o fez. Ela não podia, não ainda, ou confirmaria que ela era quem Marissa dizia que ela era e as coisas iriam escalar para algo muito feio, além de destruir a imagem que Lauren construiu por aqueles anos. — Como eu disse, nunca fui casada. Falar é fácil — Lauren fez um leve biquinho com a boca. — Mas onde estão as provas? A senhorita
Depois que Marissa a reconheceu tão facilmente, Lauren sentiu um vacilo na sua determinação e confiança. Se Damian a reconhecesse… ela conseguiria sair pela tangente como fez com Marissa? E se ele a visse com o pequeno Oliver? Ela lembrou-se que eles já tinham se encontrado, no aeroporto e, por sorte, o homem não a reconheceu. “O que Damian faria se soubesse que tivemos um filho?”, ela se perguntou. Lauren sacudiu a cabeça. Ele não poderia saber. Nunca! Porque se ele soubesse, era capaz de querer a criança para ele. — Lauren? — Emma a sacudiu de leve e isso despertou Lauren do devaneio dela. — Amiga, no que tá pensando? — Eu… Emma, preciso pensar no que fazer. Não sabia que Damian tinha se mudado pra cá. Como eu fui burra em não pesquisar sobre isso! Emma fez uma massagem nos ombros de Lauren e apertou os lábios. — Talvez… talvez ele não cause problemas. Quer dizer, você disse que ele não foi hostil com Olie quando o viu no aeroporto, não é? Lauren torceu o nariz ao lembrar qu
O sorriso no rosto de Marissa vacilou, porém, o cérebro pensou antes que o corpo dela empurrasse Damian e o fizesse enxergar quem era a mulher com ele! “Não, a prioridade é conseguir dormir com ele!”Ela não afirmou que era Lauren, porém, enfiou o rosto no pescoço dele, beijando-o ali. Marissa nunca tinha conseguido um contato tão íntimo com Damian e, obviamente, ela não cabia em si de felicidade e excitação! — Hmmm! — ela gemeu, movendo-se no colo dele.Primeiro, Damian a abraçou, cheio de esperanças e pronto para fazer amor com Lauren como nunca. Ele não a deixaria sair do lado dele nunca mais! No entanto, assim que ele deu uma boa inspirada, tentando sentir o cheiro da amada, ele torceu o nariz. Aquele não era o perfume de Lauren! E ela nem mesmo gostava daquele tipo de essência! — Oh, Damian! — a voz de Marissa chegou aos ouvidos dele, deixando-o sóbrio imediatamente. Ele a segurou pelo ombro e a afastou, a fim de olhar-lhe no rosto. Marissa estava com as faces vermelhas e os o