Ivy congelou, sentindo a mente girar em confusão. O ar parecia mais denso, carregado com a intensidade das palavras de Alaric. Ele deu um passo à frente, e ela quase recuou, mas parou a si mesma, incapaz de mostrar fraqueza. – Minha... companheira? – repetiu ela, como se as palavras fossem fragmentos de um idioma estranho que precisasse decifrar. – Você tem ideia do que está dizendo? Alaric inclinou ligeiramente a cabeça, sua postura uma mistura de autoridade e vulnerabilidade. – Não estou aqui para pedir permissão, Ivy. Estou aqui para te mostrar a verdade que eles tentaram esconder. A revelação pendurou-se no ar, deixando Ivy congelada. Seus olhos buscaram os dele, tentando decifrar o que significavam aquelas palavras, mas Alaric parecia completamente sério, suas feições tensas e concentradas. Ela buscou alguma resposta, mas só conseguiu balbuciar uma pergunta que soava mais como um sussurro. – O que... você está dizendo? Como assim, sua companheira? – perguntou Ivy, a vo
Ivy encarou o rosto da mulher, que esperava sua resposta ansiosa. Com os corações aos pulos e temendo fraquejar e desistir de tudo em questões de instantes, Ivy proferiu: – Por favor, informe que eu já estou chegando. No mesmo instante, Alaric a encarou, havia decepção e fúria em seu olhar. – Você não pode fazer isso – disse Alaric, a voz carregada de urgência. Ivy cruzou os braços, tentando recuperar o controle da situação. – E por que não, Alaric? Por que não seria possível? Ele hesitou, como se cada palavra tivesse que atravessar uma barreira interna antes de ser pronunciada. – Porque se Lucian te marcar, você vai quebrar o equilíbrio. Você é minha, Ivy. Sempre foi. O silêncio que se seguiu foi cortante, preenchido apenas pela respiração ofegante de ambos. A luz pálida que atravessava as janelas lançava sombras delicadas no rosto de Alaric, que estava sério e intensamente focado nela. Ivy sabia que precisava se afastar, mas a raiva estampada nos olhos dele segura
A marca ainda ardia na pele de Ivy enquanto os murmúrios de celebração tomavam conta do salão. Todos se moviam, sorrindo, brindando, e pareciam ignorá-la completamente. Ela era invisível, ou assim parecia. "Como posso ser Luna de uma alcateia que sequer me enxerga?" A pergunta ecoava em sua mente enquanto dava passos incertos em direção à saída. Ao passar perto de uma mesa repleta de taças e vinhos caros, ninguém se virou para ela, nem mesmo para oferecer um brinde. Talvez fosse melhor assim. Mas antes que pudesse dar mais um passo, sentiu uma mão firme em seu braço. – Ivy. – A voz grave de Lucian era inconfundível. Ele a virou suavemente para que o encarasse. Seus olhos pareciam duros, mas havia algo mais ali, um traço de preocupação. – Por que você está saindo assim? Ivy respirou fundo, tentando compor seu tom. O sarcasmo foi sua armadura. – Talvez porque seja estranho me celebrar sozinha, enquanto todos parecem estar em uma festa que não me inclui? – Ela ergueu uma s
Enquanto corria Ivy ainda conseguia enxergar aquela cena terrível girando em sua mente; agora com mais clareza.Ela relembra perfeitamente tudo que ocorreu antes do momento que ela começou a fugir.Ivy aperta os punhos enquanto, ainda de longe, observava os dois no pequeno quarto. Lucian estava de costas para a porta, mas Flora o encarava com um olhar carregado de intenções.A postura dela era relaxada, quase casual, mas havia algo no sorriso dela que Ivy achou insuportavelmente familiar — o mesmo sorriso que ela já vira em várias ocasiões quando alguém estava tentando conquistar o alfa.A voz de Flora era suave, mas afiada, como uma lâmina envolta em seda.A de Lucian era baixa, mas firme o suficiente para mostrar que Flora o afetava.Antes que Ivy pudesse assistir tudo que estava ocorrendo entre eles, o rangido da porta ecoou pelo quarto, revelando-a.E naquele instante, o mundo de Ivy pareceu parar quando seus olhos focaram a cena à sua frente. O riso suave de Flora parecia ecoar
Ivy não olhou para trás.Em vez disso, subiu no carro ao lado de Alaric, o coração disparado, ainda que tomada pela determinação.Enquanto se jogava no assento do passageiro, fechou a porta com um baque decisivo. Sua respiração vinha em arfadas curtas, e seu coração disparava. Alaric a observou por um instante antes de virar a chave na ignição. O motor rugiu, ecoando na floresta silenciosa.– Tem certeza disso? – perguntou, a voz baixa, mas carregada de preocupação.Ivy assentiu, olhando pela janela para a silhueta de Lucian que começava a emergir ao longe. – Não pare. Só... vá.Alaric pressionou o acelerador, e o carro saiu em disparada pela trilha estreita. A aflição entre Alaric e Ivy era notável enquanto o carro avançava pelas estradas escuras. O cheiro de terra úmida e madeira invadia o interior, mas Ivy sentia algo ainda mais sufocante no ar: culpa misturada com alívio.– Eu imaginei que acabaria assim, sabia? – Alaric quebrou o silêncio, mantendo os olhos na estrada. – Tão rá
A aflição no quarto parecia insuportável enquanto Ivy ouvia cada palavra da conversa entre Alaric e Lucian. O tom ameaçador de Lucian soava como uma corrente invisível tentando puxá-la de volta ao que mais temia.Ela não conseguia mais suportar ficar ali, esperando passivamente.Respirou fundo e saiu do quarto, movendo-se silenciosamente pelo corredor até encontrar Alaric de costas, ainda segurando o telefone com força, os ombros tensos.– Eu não vou negociar com você, Lucian. Acabou – dizia ele, a voz baixa mas carregada de determinação.Sem hesitar, Ivy deu um passo à frente, os olhos fixos no telefone.– Me dá isso – ordenou, a voz firme.Alaric girou, surpreso, mas não teve tempo de responder antes que Ivy simplesmente arrancasse o aparelho da mão dele. Ele tentou segurá-la pelo braço, mas sua determinação o paralisou por um instante.– Ivy, não... – Alaric começou, mas era tarde demais.Ivy pressionou o telefone contra o ouvido e falou com a intensidade de um trovão.– Lucian, sou
O vento soprava frio através da janela quando Alaric, com expressão séria, encarou Ivy depois do aviso do sentinela.– Fique aqui, Ivy. Vou ver o que está acontecendo. – Ele mal tinha terminado a frase quando já se virou para sair.– Não. – A voz dela foi firme, uma ordem mais do que uma resposta.Alaric parou e olhou para ela por sobre o ombro, uma mistura de cansaço e impaciência.– Não é um pedido. É mais seguro você ficar aqui.– Estou farta de ouvir isso! – Ivy retrucou, aproximando-se dele, os olhos brilhando de frustração. – Farta de ser tratada como se fosse fraca ou inútil. Se isso tem algo a ver com Lucian, eu preciso estar lá.Ele cruzou os braços, o tom baixo, mas intenso.– Você não entende o que está em jogo, Ivy. Minha prioridade agora é proteger você.– E minha prioridade é sobreviver e lutar, Alaric! – Ivy rebateu, sua voz cortante como uma lâmina. – Se eu for ficar parada e esperando por proteção o tempo todo, quem vai enfrentar os monstros da minha própria vida?Alar
Os olhos de Alaric se estreitaram, seu corpo inteiro parecia tenso como uma corda prestes a partir.– Se você tocou naquele baú, Ivy, você precisa me dizer exatamente o que fez. Agora. Alaric não respondeu a pergunta anterior de Ivy, e ela olhava para ele com o terror tomando conta de sua expressão.– Por que isso importa? Por que ele mexe tanto comigo? E como diabos você sabe sobre isso? – Ivy gritou, a dor em sua cabeça ainda a consumindo. Alaric virou-se abruptamente, socando a parede com tanta força que ela recuou, assustada. Ele respirou fundo, mas sua voz saiu afiada como uma lâmina.– Porque se o baú escolheu você, isso significa que não estamos lidando apenas com Lucian ou os rebeldes. Estamos lidando com algo muito pior.Ivy segurou a borda da mesa, os dedos tensos como se aquilo pudesse conter a tempestade de emoções em sua mente.Alaric estava parado à sua frente, sombrio, o olhar fixo em algum ponto indefinido no chão.– Você vai me contar tudo o que sabe, Alaric. – Sua