Capítulo 7
Logo pela manhã, Helena despertou com uma dor de cabeça latejante.

A empregada da casa, sempre atenciosa, trouxe um comprimido para ela.

Depois de tomar o remédio, Helena se sentiu muito melhor. Justo quando se preparava para tomar um banho, ouviu a empregada resmungar irritada:

— O Sr. Bruno foi seduzido por aquela mulher de fora. Ontem à noite, ele voltou para casa, viu a Sra. Lima nesse estado de embriaguez e, ainda assim, pegou o carro e foi embora.

Foi assim que Helena soube que Bruno havia voltado na noite anterior.

A empregada, se lembrando de outro assunto, acrescentou:

— Sra. Lima, o Sr. Bruno mandou lavar o paletó do Advogado Manuel e pediu que fosse entregue diretamente a ele. No fim das contas, ele ainda tem um pouco de consciência e sabe cuidar da senhora.

A empregada, sem conhecer os verdadeiros pensamentos de Bruno, acreditava que ele apenas queria demonstrar consideração por Helena.

Mas Helena sabia a verdade: Bruno tinha medo de que ela o traísse.

Se sentindo indisposta, decidiu descansar em casa por dois dias, aproveitando para visitar sua avó.

...

Na segunda-feira, uma grande reviravolta aconteceu no Grupo Glory.

Um dos principais projetos da empresa apresentou problemas, e todas as evidências apontavam para uma negligência de Helena. Após uma reunião dos acionistas, ficou decidido que todas as suas funções seriam suspensas, e naquele dia mesmo, ela teria que desocupar a sala da vice-presidência.

No 32º andar, dentro do espaçoso escritório da vice-presidente, Helena permanecia imóvel diante da janela panorâmica, observando em silêncio o esplendor da Cidade D.

Atrás dela, Ana entrou apressada e sussurrou, indignada:

— Presidente Helena, o Plano Mia foi entregue à Camila!

Ana estava à beira de um ataque de raiva, enquanto Helena, por outro lado, se mantinha serena.

Naquele momento, ela já não queria mais Bruno.

Fama e status também haviam perdido a importância. Ela pegaria apenas o que lhe era de direito e sairia de cena com dignidade, deixando para trás o mundo de Bruno. Se o que ele sentia por Camila era amor verdadeiro ou apenas uma forma de compensação, isso já não lhe dizia respeito.

Quando Helena estava prestes a responder, o celular sobre a mesa de trabalho tocou.

Ela caminhou até lá e atendeu. Era o pai de Bruno, que a convidava para uma conversa em seu escritório.

Helena aceitou.

À tarde, ela pegou um carro e foi até o local onde Tomás trabalhava.

Tomás não fazia parte do Grupo Glory. Ele possuía seu próprio império empresarial, uma fachada de sofisticação que, na realidade, servia para preparar o caminho para a carreira de seu filho.

Era o fim de outubro.

Uma rajada de vento outonal soprou, espalhando no ar o perfume das flores.

Assim que desceu do carro, a secretária particular de Tomás veio recebê-la. Era uma mulher de beleza impressionante. Com um sorriso educado nos lábios, conduziu Helena até a entrada de uma elegante cafeteria.

A secretária abriu a porta e anunciou com respeito:

— Sr. Tomás, a esposa do Bruno chegou.

Tomás estava saboreando seu café quando ouviu a notícia. Ele ergueu os olhos e lançou um olhar gentil na direção de Helena, dizendo com naturalidade:

— Helena, você veio. Entre e tome uma xícara de café comigo.

Helena, em respeito ao sogro, se curvou ligeiramente em reverência ao entrar na cafeteria.

Tomás, ao que parecia, já estava ciente das mudanças internas no Grupo Glory. Em silêncio, serviu uma xícara de café para Helena e conversou longamente sobre os assuntos da empresa. Ele sempre admirou muito Helena, pois com ela ao lado de Bruno, a posição de seu filho permanecia sólida.

No entanto, às vezes, a competência podia ser uma arma de dois gumes.

Uma fera, quando fortalecida, poderia se tornar uma ameaça.

Nesse ponto, Tomás e Bruno compartilhavam a mesma visão, embora Bruno fosse mais impetuoso em sua abordagem.

Tomás, por outro lado, era sempre afável e cordial.

— Helena, sempre admirei você. Você e o Bruno estão enfrentando algum problema? Se for por causa daquela garota, Camila, não precisa se preocupar. Ela não passa de uma jovem inexperiente.

Helena sorriu levemente.

— Não há problema algum.

Ela jamais cometeria a tolice de escancarar suas desavenças com Bruno. Na família Lima, ninguém era excessivamente compassivo.

Tomás ficou surpreso por um instante.

Sua admiração por Helena cresceu ainda mais. Aquela mulher era, de fato, incrivelmente equilibrada.

Após refletir por um momento, ele decidiu expressar sua preocupação.

— O Plano Mia envolve uma parceria com o David Cunha. O Eduardo tem um temperamento explosivo, e temo que, caso ele assuma, possa causar sérios problemas para o grupo.

Helena captou imediatamente a intenção nas palavras do sogro.

Com uma calma inabalável, respondeu:

— Não se preocupe. Oficialmente, o projeto está nas mãos da assistente Camila, mas, na realidade, é o Bruno quem está no comando. O Eduardo não terá espaço para causar confusão.

Tomás se viu momentaneamente desconcertado por ter sido desmascarado. Ainda assim, manteve a compostura e fez alguns comentários amenos para dissipar a tensão.

Quando Helena deixou o local, o céu já estava tingido pelo dourado do entardecer.

O sol poente se fragmentava em tons quentes no horizonte.

A secretária de Tomás, se inclinando ligeiramente, aguardava ao lado do carro para se despedir de Helena. Seu sorriso era impecável, quase artificial, como uma boneca perfeitamente manipulada.

De repente, Helena teve a sensação de que já havia visto aquela mulher antes...

...

Antes que a noite caísse por completo, Helena retornou ao escritório.

Ela começou a organizar suas coisas, delegando algumas tarefas a outras pessoas e descartando o que não tinha mais utilidade.

Ana, indignada, praguejava contra Bruno, prometendo que, quando voltassem ao topo, fariam questão de punir todos aqueles que agora as estavam menosprezando.

Helena apenas sorriu, sem responder.

De repente, se ouviu uma batida na porta.

Bruno estava impecavelmente vestido à porta, um homem tão bonito e charmoso que poderia facilmente rivalizar com um astro de cinema. Ele chamou Ana para fora, e, ao sair, ela resmungou um xingamento contra ele em voz baixa.

Assim que Ana partiu, Bruno entrou, seus olhos profundos pousaram sobre Helena.

O reencontro dos dois já não era mais o mesmo.

Por consideração ao passado, Bruno amenizou o tom de voz:

— A Camila nunca foi o nosso problema. Helena, se você quiser, convocarei uma assembleia de acionistas no próximo mês para que volte ao Grupo Glory.

Ao ouvir isso, Helena soltou uma risada baixa.

Que piada!

A ruptura entre eles, o colapso emocional que ela teve naquela noite, as horas da madrugada em que se afogou na bebida... Na visão do marido, tudo isso não passava de birra e impulsividade. Ele nem sequer percebia que, ao lhe oferecer essa "oportunidade", acreditava estar lhe concedendo uma dádiva, algo pelo qual ela deveria ser grata.

Que pena... Nada do que ele dizia importava mais para ela.

Como ele podia achar que ela ainda estaria disposta a servi-lo, a compartilhar uma vida ao lado dele? Só de lembrar do carinho e da proteção que ele destinava a Camila, Helena sentia que havia desperdiçado a própria juventude.

Ela se aproximou de Bruno e ergueu a mão para ajeitar a gola da camisa dele.

No passado, sempre era Helena quem o ajudava a se arrumar antes dos eventos. Esse gesto, ela já havia repetido incontáveis vezes.

Naturalmente, Bruno se inclinou ligeiramente para facilitar o movimento dela. Os dois estavam muito próximos, tão próximos que a respiração quente do homem roçou na pele de Helena...

Ao encarar de perto os traços delicados dela, Bruno não pôde evitar a lembrança daquela noite. A forma como Helena se entregou a ele na cama... Durante os quatro anos de casamento, eles já haviam feito amor inúmeras vezes, mas nunca daquela maneira. Aquela versão dela, ele jamais havia visto antes.

A garganta de Bruno se moveu em um engolir em seco, e seu pomo-de-Adão, proeminente, exalava uma sensualidade indescritível.

Helena terminou de ajeitar a roupa dele. Seus dedos deslizaram suavemente pelo tecido refinado da camisa, carregando um traço de nostalgia.

Seis anos de amor, quatro anos de casamento... Tudo chegava ao fim.

Essa era a última vez, Bruno!

Ela ergueu o rosto,encarando ele em silêncio antes de murmurar suavemente:

— Não precisa. Eu não quero voltar.

Bruno ficou atônito.

Helena já havia passado por ele, segurando uma pequena caixa enquanto caminhava para fora. Depois de quatro longos anos, percebeu que, do Grupo Glory, não havia muito que pudesse levar consigo.

Ao chegar à porta, ergueu levemente o rosto e, com a voz carregada de algo contido, disse:

— Bruno, eu estou indo embora.

O coração de Bruno se apertou. Algo nela havia mudado.

Mas... O que exatamente? Ele não sabia dizer.

Parado ali, dentro da sala de Helena, ele a viu se afastar, entrar no elevador, desaparecer pouco a pouco de sua vista.

Naquele momento, Bruno ainda não havia percebido...

Aquela tinha sido a despedida final.

Helena estava deixando o Grupo Glory. Deixando ele.

E nunca mais voltaria.
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