Manuel estava vestido de maneira extremamente formal. Uma camisa azul-escura, um terno preto impecável e uma gravata preta que complementava sua aparência elegante. Ele olhou para Helena e sorriu levemente. — Posso me sentar para tomar um café? Depois de um longo momento, Helena também sorriu suavemente. — Claro. Manuel colocou a pasta sobre a mesa e, assim que se sentou, um garçom se aproximou educadamente. — Que café o senhor deseja? Com os dedos longos e bem definidos, Manuel tocou levemente a mesa para indicar seu pedido. O garçom assentiu e se retirou. Quando ficou sozinho com Helena, Manuel se recostou na cadeira. Por hábito, levou a mão ao bolso em busca de um cigarro, mas ao se lembrar do ambiente em que estavam, franziu levemente a testa e desistiu, voltando seu olhar para ela. Fazia alguns dias que não a via, e Helena parecia ter mudado bastante. Usava um vestido longo de lã branca, que delineava suas curvas esguias e delicadas. Os cabelos longos e neg
A roupa de sua esposa também estava diferente de antes. Ela havia abandonado os ternos rígidos e agora vestia algo com um toque mais suave, como se tivesse escolhido o traje com esmero para um encontro. Bruno se sentia extremamente desconfortável. Pegou o celular e começou a ligar para Helena. Assim que atendeu, a voz fria de Bruno soou do outro lado da linha: — Onde você está? Helena demorou alguns instantes antes de responder: — Preciso mesmo prestar contas a você sobre onde vou? Bruno, nós já estamos nos divorciando. Bruno retrucou: — Esse é apenas o seu ponto de vista. Helena soltou uma risada irônica, tomada pela indignação. — Ah, é mesmo? Ela não queria mais discutir com ele. Engolindo a frustração, tentou manter um tom sereno: — Para você, eu já não tenho mais utilidade alguma! Por que não podemos simplesmente nos divorciar em paz? Bruno, na verdade, eu já não posso mais... — Helena Santos! Bruno a interrompeu de repente. Sua voz foi rápida e urgente.
No outono, o chão estava coberto de folhas caídas. Na cidade D, uma mansão recebeu a chegada de uma fileira de carros pretos. O comboio, composto por nada menos que oito veículos, exalava imponência. Os empregados da mansão tentaram impedir a entrada, mas como poderiam conter vinte homens vestidos de preto? O mordomo idoso foi agarrado à força e levado até Helena. Seu corpo inteiro tremia de medo. Com um olhar gélido, Helena perguntou: — A Camila está em casa? O velho mordomo se fingiu de desentendido, tentando mudar de assunto. Helena não se importou. Passou por ele sem hesitar e seguiu para o grande salão da mansão, acompanhada por Ana e os vinte seguranças. Camila estava relaxada no sofá, desfrutando de uma máscara facial, quando, de repente, percebeu que estava cercada. Ela se sobressaltou e, num instante, começou a gritar: — O que vocês pensam que estão fazendo? Eu aviso que invadir minha casa é crime! — Crime? — Helena saiu do meio da multidão, fitando Camil
Os seguranças arrastaram Camila sem a menor delicadeza. Em pouco tempo, os braços e as coxas alvas e delicadas da Camila estavam cobertos de hematomas azul-arroxeados, uma visão aterradora. Por toda a mansão, seus gritos desesperados ecoavam em colapso absoluto. — Sua bruxa maldita! Você não consegue ter filhos, então tem inveja de mim porque estou grávida. O Bruno nunca vai te perdoar por isso, ele vai sentir pena de mim... Vai me tratar ainda melhor! As palavras perfuraram o coração de Helena como agulhas finíssimas, espalhando uma dor sufocante. Ela se aproximou de Camila e ergueu a mão, pronta para dar um tapa implacável. Mas não conseguiu. Bruno chegou. O crepúsculo da tarde tingia seu rosto sombrio de tons ocres e enevoados, uma expressão que fazia o sangue gelar. Ele varreu a mansão com o olhar, viu o caos espalhado pelo salão, o rosto inchado de Camila, os hematomas em seus braços e pernas... Ela soluçava de maneira frágil, enquanto uma tempestade se formava nas
Ana respirou fundo. Se engasgando em meio às palavras, continuou: — A Camila quase matou a avó da Presidente Helena! Ela mentiu para a avó da Presidente Helena, dizendo que estava grávida do seu filho. A senhora ficou tão indignada que quase morreu por causa dela. E você, por causa dessa mulher, ainda teve a coragem de bater na Presidente Helena! Bruno ficou atônito. Camila... Grávida? Como isso era possível? Seu olhar se voltou para Camila, se tornando sombrio. — Você disse à avó da Helena que estava grávida? Camila ficou apavorada. Com um ar de súplica, fez manha para Bruno: — Eu só fiquei com raiva! Ela sempre fazia questão de se exibir na minha frente, então acabei dizendo isso... Bruno, eu não fiz por mal. Bruno a soltou bruscamente e saiu apressado, ignorando os chamados irritados de Camila. — Bruno... Mas ele nem sequer olhou para trás. Camila ficou paralisada. Era a primeira vez que não conseguia segurar Bruno. Ela se recusava a acreditar que Helen
Bruno ficou parado ali, sem qualquer expressão no rosto, tornando impossível adivinhar o que se passava em sua mente. Ele estava na porta. Os pais de Camila chegaram apressados e, ao verem o caos dentro da mansão, a Sra. Fernandes soltou um grito agudo: — O que aconteceu aqui?! Quem teve a ousadia de destruir a casa do presidente do Grupo Glory?! Camila cobriu o rosto ao responder: — Foi a Helena. O ímpeto da Sra. Fernandes esmoreceu na mesma hora, mas logo ela soltou uma risada fria: — Ela não vai continuar se achando por muito tempo! Assim que o Bruno se divorciar dela, aquela órfã não vai passar de um joguinho em nossas mãos. Seu marido, Marco, ainda conservava um pouco de consciência e franziu o cenho: — Não fale assim. Ela e o Bruno são um casal legal, afinal de contas! A Sra. Fernandes não gostou nada daquilo. — Que casal legal! Para mim, esse casamento é uma farsa. Se não fosse por aquela época... Marco a interrompeu com um grito severo. Somente então e
Helena não queria enfrentá-lo e, como desculpa, foi até o banheiro.Encostada na parede, ela ficou em silêncio, perdida em seus próprios pensamentos, esperando que Bruno tivesse a sensatez de ir embora.Cerca de dez minutos depois, a porta do banheiro se abriu, e uma luz branca e suave se infiltrou pela fresta da porta, seguida pela entrada de Bruno.No espaço sombrio, estavam apenas os dois.Helena não o olhou, se recusando a estabelecer qualquer comunicação.Bruno se aproximou dela, sua silhueta alta a envolveu, e ele estendeu a mão, tocando levemente seu rosto. Sua voz, rouca e suave, soou como um sussurro:— Ainda dói?Helena virou bruscamente o rosto para o lado.Ela detestava o toque dele, deixando isso claro de maneira incontestável.Mas Bruno nunca foi um homem que desistia facilmente. Seu corpo se posicionou entre ela e a parede, enquanto uma de suas mãos segurava suavemente seu queixo, acariciando seu rosto com um gesto de grande afeto, mas, para Helena, aquilo tudo não passa
Helena voltou para casa depois de sair do hospital, e Bruno a seguiu de perto.Quando ela estacionou o carro, viu Bruno parado do lado de fora. O carro dele já estava estacionado debaixo da árvore.Assim que Helena saiu do carro, Bruno bloqueou o caminho dela.— Precisamos conversar.Helena tentou contornar o corpo dele e seguiu em direção ao elevador.— Bruno, não temos nada a conversar. Nos vemos no tribunal.Ela subiu, e ele foi atrás...Helena não deixou que ele entrasse.Depois de fechar a porta, Helena ficou com as costas apoiadas na madeira. Bruno foi a sua juventude inteira, deixá-lo para trás doía muito... Realmente muito...Ela levou um tempo para se recompor e, então, foi pegar um pijama, tomar um banho e descansar. Quanto a saber se Bruno iria embora ou não, ela já não se importava mais.A noite foi se aprofundando.As luzes das janelas, uma a uma, se apagavam.Dentro do carro preto, estacionado no andar inferior, uma luz fraca ainda iluminava o ambiente. Um homem vestido d