Primeiro Hospital da Cidade DDe madrugada, Helena estava deitada em um quarto limpo de hospital, ainda inconsciente. Seu rosto e corpo estavam cobertos de arranhões, e na região da cintura havia uma grande área roxa e inchada.Felizmente, não havia ferimentos internos graves.O médico disse que era um milagre.Bruno organizou tudo e ficou ao lado da cama, esperando Helena acordar.Diogo entrou apoiado em uma bengala. Ao ver Bruno naquela situação, não conseguiu conter um sorriso sarcástico, dizendo:— Fazendo essa cara de apaixonado aí, pena que ninguém está vendo! Vem aqui fora, anda!Bruno olhou para Helena, passou a mão no rosto e saiu atrás de Diogo.Lá fora, Diogo olhou para o seu neto mais querido, dizendo com uma expressão séria:— Bruno, como presidente do Grupo Glory, você realmente não fez nada de errado. Se tivesse desistido de assinar, milhares de pessoas teriam perdido o emprego. Mas Bruno, além de ser o presidente do Grupo Glory, você é também o marido da Helena. Eu sei
Ele saiu da prisão escura, com seu coração apertado de dor. Do lado de fora, uma sombra escarlate estava parada no canto da parede.Era Yasmin.Diogo já estava preparado.Ele se aproximou e, com a voz baixa e rouca, disse:— Quero agradecer por ter salvado toda a família Lima. Sem a sua ligação, a Helena teria perdido a vida, e a reputação da família Lima teria sido destruída.Tomás lhe entregou um documento de propriedade.Diogo pegou o documento e, com cautela, disse:— O Eduardo já está condenado. Quanto ao seu futuro, você decide. Mas, como um dos responsáveis do Eduardo, esta é minha forma de agradecimento.Diogo deu a Yasmin um apartamento de luxo na Cidade D, no valor de centenas de milhões.Yasmin recusou. Com lágrimas nos olhos, ela disse:— Eu realmente amo o Eduardo, e estou disposta a esperar por ele.Diogo estava visivelmente triste. Depois de um longo silêncio, ele falou com a voz rouca:— Esse desgraçado não merece tanto sacrifício da sua parte.Mas, em questões de senti
Com apenas quatro anos de casamento, Bruno já tinha outra mulher fora de casa. Na entrada de uma mansão luxuosa, na Cidade D, Helena estava sentada no banco traseiro de um carro de luxo, observando silenciosamente seu marido se encontrando às escondidas com outra mulher. A garota era muito jovem, vestia um vestido branco, pura e encantadora. Eles caminharam de mãos dadas, como amantes íntimos, e o rosto de Bruno exibia uma suavidade que Helena nunca havia conquistado. A jovem levantou a cabecinha e, com um tom doce, se aproximou dele. — Meus pés estão tão doloridos, Bruno, me pegue no colo! Helena achou que Bruno não aceitaria, pois ele sempre foi muito orgulhoso e de temperamento difícil. Mesmo que tivesse grande afeição por essa mulher, ele dificilmente suportaria tamanha fragilidade. Mas, no instante seguinte, os pensamentos de Helena se mostraram errados. Seu marido tocou suavemente o delicado nariz da garota, com uma ternura fria e cuidadosa, e em seguida a ergueu
Helena agarrou os lençóis com força, os dedos deixando marcas de dobras desordenadas no tecido. Numa hora dessas, ela ainda se perguntava se a mulher lá fora não tinha conseguido satisfazer Bruno? Hoje, ele não foi direto ao ponto como de costume, teve a paciência de beijá-la primeiro. Mas Helena não sentiu absolutamente nada. Além de repulsa, não havia outra emoção dentro dela. Decidiu, então, se deitar como um peixe morto, deixando Bruno fazer o que quisesse. No fim das contas, por mais que ele a usasse, ela não poderia engravidar. No início, o jeito dela ao mesmo tempo ousado e tímido sempre o deixava excitado. Mas agora, vendo ela deitada como um pedaço de madeira... Qualquer homem perderia o interesse. Foi um verdadeiro balde de água fria. O brilho do suor escorria pelos fios negros de Bruno, seu rosto levemente avermelhado. A voz, rouca e grave, soou impaciente: — Por que você não quer mais? Eles nunca tiveram uma vida íntima muito ativa, mas algumas vezes por
Bruno assentiu levemente. Manuel esboçou um sorriso indiferente e se retirou, deixando espaço para o casal cuja relação estava em frangalhos. Assim que Manuel saiu, Bruno lançou um olhar para a roupa de Helena e franziu ligeiramente a testa antes de dizer: — Por que você está vestida assim? Volte e troque de roupa. Daqui a pouco vamos juntos para a mansão da família Lima jantar. Helena sabia muito bem que "jantar", no dicionário de Bruno, significava encenar uma demonstração de afeto. Tudo por causa das ações nas mãos de Diogo. Às vezes, Helena sentia que Bruno era um homem contraditório. Sempre mantendo uma postura arrogante e distante, mas, na realidade, mais interessado em lucro do que qualquer um. Um verdadeiro filho do mundo dos negócios. Ela não se opunha a jogar o jogo. Antes da divisão dos bens, os interesses vinham em primeiro lugar. Com isso em mente, voltou ao escritório e trocou de roupa, vestindo um conjunto elegante antes de descer pelo elevador privativo
Às nove da noite, os dois deixaram a mansão da família Lima. Enquanto Bruno afivelava o cinto de segurança, perguntou como quem não quer nada: — O que você estava conversando com o Eduardo? Pareciam bem animados. Helena respondeu com indiferença: — Ah, estávamos falando sobre sua amiga de infância. Bruno ficou sem palavras. Depois de um tempo, ele segurou delicadamente a mão de Helena. Sua voz, pela primeira vez em muito tempo, trazia um traço raro de ternura. — Eu nunca tive nada com ela. Helena se recostou no banco, os olhos úmidos, refletindo um brilho contido de lágrimas. Ela sabia bem que essa súbita gentileza de Bruno não passava de um reflexo do seu período fértil. Ele queria que ela engravidasse. Não tinha nada a ver com amor. E muito menos com ela! Ela se perguntava: se Bruno descobrisse que ela não podia mais ter filhos, será que ainda tentaria mantê-la ao seu lado? Ou assinaria o divórcio sem hesitar, ansioso para encontrar a próxima mulher ideal para s
Helena sabia muito bem que, ao dizer a verdade, não haveria mais possibilidade de convivência pacífica entre ela e Bruno. Mas, quando a decepção de uma pessoa se acumulava até o limite, chegava um momento em que ela já não se importava mais com nada e só desejava deixar tudo para trás. Ela ergueu a cabeça e encarou o marido que um dia amou profundamente. Com crueldade, expôs sua própria ferida, rasgando ela sem piedade diante de Bruno. Ao falar, sentiu seu coração doer tanto que quase ficou dormente. — Bruno, você não precisa mais considerar nada. Não só o cargo no Grupo Glory, mas até o título de sua esposa... Eu também não quero mais, porque eu não posso... A palavra "engravidar" nunca chegou a ser dita por completo. O celular de Bruno tocou. Ele manteve o olhar fixo no rosto de Helena enquanto atendeu a ligação. Do outro lado da linha, a voz aflita da secretária Juliana soou apressada: — Sr. Bruno, a situação da Srta. Camila é muito grave. O senhor precisa vir agora.
Era tarde da noite, e o carro estava aquecido. Helena sentiu o cheiro fresco de tabaco no homem ao seu lado. O cigarro que Manuel fumava era o mesmo que Bruno costumava fumar. Por um instante, sua mente ficou confusa, e, atordoada, ela pensou que o homem ao seu lado fosse Bruno... Seus olhos se fecharam suavemente, e ela segurou a mão dele, chamando em um sussurro: — Bruno. Seus pensamentos estavam uma bagunça, e, por um momento, ela sentiu como se tivesse voltado ao passado. Ao passado que compartilhou com Bruno... Manuel não afastou a mão, nem disse nada. Apenas virou o rosto, encarando a escuridão à frente do carro. A noite estava tão densa e escura quanto uma noite chuvosa, macia e úmida, semelhante ao que ele sentia naquele momento. Manuel já teve mulheres antes. Mas eram relações baseadas apenas em necessidade mútua, sem qualquer carga emocional. Ele nunca havia experimentado sentimentos tão intensos quanto os de Helena. De repente, se sentiu curioso... Como seria