Capítulo 5
Helena sabia muito bem que, ao dizer a verdade, não haveria mais possibilidade de convivência pacífica entre ela e Bruno.

Mas, quando a decepção de uma pessoa se acumulava até o limite, chegava um momento em que ela já não se importava mais com nada e só desejava deixar tudo para trás.

Ela ergueu a cabeça e encarou o marido que um dia amou profundamente. Com crueldade, expôs sua própria ferida, rasgando ela sem piedade diante de Bruno. Ao falar, sentiu seu coração doer tanto que quase ficou dormente.

— Bruno, você não precisa mais considerar nada. Não só o cargo no Grupo Glory, mas até o título de sua esposa... Eu também não quero mais, porque eu não posso...

A palavra "engravidar" nunca chegou a ser dita por completo.

O celular de Bruno tocou.

Ele manteve o olhar fixo no rosto de Helena enquanto atendeu a ligação. Do outro lado da linha, a voz aflita da secretária Juliana soou apressada:

— Sr. Bruno, a situação da Srta. Camila é muito grave. O senhor precisa vir agora.

— Entendido.

Bruno desligou o telefone e disse a Helena:

— Falamos disso outra hora.

Depois de dizer isso, caminhou em direção ao carro preto estacionado ao lado e se preparou para partir.

Helena continuou parada no mesmo lugar. Uma rajada de vento frio soprou, fazendo seu corpo inteiro estremecer.

Primeiro, ela sussurrou o nome dele. Depois, sua voz ficou mais alta, até que, por fim, gritou com toda a tristeza que carregava em sua alma.

— Bruno, você não pode me dar nem um minuto do seu tempo? Depois de quatro anos de casamento, eu não valho ao menos isso para você?

Bruno segurou a maçaneta do carro e respondeu com frieza:

— Falamos depois que a Camila sair de perigo.

Pisando no acelerador, partiu sem hesitar.

...

A noite era desoladora, mas ainda assim não chegava nem perto da dor que Helena sentia.

Ela permaneceu imóvel, olhando na direção por onde Bruno desapareceu. Então, murmurou, completando a frase que não conseguira terminar antes:

— Bruno, eu não posso engravidar.

O vento da noite era forte, mas mesmo assim, ela repetiu:

— Bruno, eu não posso engravidar!

...

Cada vez que dizia aquelas palavras, era como se chicoteasse cruelmente o amor que um dia sentiu por Bruno, como se zombasse impiedosamente de sua própria insistência no passado.

Ela entregou sua juventude, deu tudo de si, e, no coração de Bruno, isso não tinha o menor peso.

Sua tristeza e dor nunca tiveram nada a ver com ele.

De repente, Helena sentiu vontade de se libertar, de se livrar das correntes que o título de esposa de Bruno lhe impôs nos últimos quatro anos.

Depois desta noite, ela não seria mais a esposa de Bruno.

Ela seria apenas Helena.

E viveria apenas para si mesma.

Helena baixou a cabeça e olhou para aquele traje ridículo.

No mundo dos negócios, Bruno precisava dela vestida assim, mas, fora dele, achava ela monótona e sem graça. Agora, até ela mesma sentia que aquela roupa era uma prisão absurda. Como pôde um dia acreditar que, ao se moldar para agradar um homem, conquistaria seu amor?

Que piada patética!

...

Quando Ana chegou, Helena já havia tirado o blazer. A camisa de seda por baixo estava com dois botões abertos, revelando uma pequena porção de pele alva. Os longos cabelos negros, antes presos, agora deslizavam soltos por suas costas finas, conferindo-lhe um ar de sensualidade indescritível.

Encostada no carro, suas pernas longas e pálidas se estendiam de maneira despreocupada.

Ela virou o rosto para Ana e perguntou, em um tom suave:

— Tem um cigarro? Quero fumar um.

O peito de Ana se apertou.

Como assistente pessoal de Helena, ela trabalhou ao seu lado por quatro anos. Conhecia melhor do que ninguém o amor profundo que Helena sentia por Bruno e, mais do que isso, sabia o quão humilhada ela estava agora.

Ana não tinha cigarros consigo, mas deu um jeito de comprar um maço.

Helena nunca havia fumado antes.

A primeira tragada fez com que engasgasse, lágrimas brotavam em seus olhos.

No meio daquela fumaça sufocante, ela riu enquanto chorava, desfazendo seu amor por Bruno em mil pedaços, transformando cada fragmento em ódio, cravando-os em seus próprios ossos e coração...

...

Pela primeira vez, Helena se permitiu o descontrole.

A penumbra das luzes, a atmosfera entorpecente, tudo ao redor exalava decadência.

Ela bebeu até perder os sentidos. Já não se importava mais. A opinião de Bruno, as regras da família Lima... Nada disso tinha significado agora.

Com o rosto apoiado na mesa, deu leves batidinhas no copo, sinalizando ao garçom que queria outra dose.

O atendente estava prestes a atender seu pedido quando uma mão masculina, de dedos longos e elegantes, pousou sobre o copo, interrompendo o gesto.

Em seguida, uma figura de aura fria se sentou ao lado dela.

Era Manuel, do Escritório de Advocacia Mosaic.

Os olhos negros do homem carregavam um olhar profundo e contemplativo enquanto analisava Helena.

Desta vez, ela parecia ainda mais sedutora e indomável do que da última vez. Seu corpo frágil se apoiava na mesa, e a camisa, com os botões soltos, deixava à mostra relances de sua pele macia e íntima.

A pele dela era absurdamente branca...

Os olhos de Manuel escureceram.

Após alguns segundos, ele tirou seu paletó e o colocou gentilmente sobre os ombros de Helena.

A mulher estremeceu e ergueu o rosto, surpresa.

Sob as luzes tremeluzentes, seus olhares se encontraram.

Helena se sentiu sugada para dentro daqueles olhos escuros, como se estivesse caindo em um abismo sem fim.

A atitude de Manuel trazia um toque de distância.

— Você está bêbada. Eu vou te levar para casa.

Helena se apoiou no balcão do bar, encarando Manuel com um olhar direto. Para sua surpresa, ele notou um traço de sedução irresistível no canto interno dos olhos dela, uma feminilidade sutil que, no dia a dia, ficava escondida sob suas roupas sempre discretas...

A voz de Helena oscilava, desprovida da habitual compostura.

— Quem é você? Por que eu deveria ir com você?

Não havia lógica ao lidar com uma mulher embriagada.

Manuel pegou a carteira, retirou um maço de dinheiro e o pressionou contra o balcão. Em seguida, se inclinou e a ergueu nos braços sem o menor esforço. Helena se debateu instintivamente, mas ele segurou suas pernas com firmeza. Seu tom de voz era severo, como se estivesse lidando com uma criminosa.

— Se não quiser estar nos jornais amanhã, saia daqui comigo agora.

Helena foi forçada a permanecer nos braços dele.

Seu rosto roçou o pescoço de Manuel, e a pele quente do homem pareceu queimar seu rosto. Incomodada, ela se mexeu, deslizando o rosto até o ombro dele. Com a fina camada de tecido da camisa entre eles, se sentiu um pouco mais confortável, mas ainda insistia, resmungando:

— Manuel, me ponha no chão.

No estacionamento.

As luzes de néon pintavam o céu noturno, mas apenas algumas estrelas ousavam brilhar.

Manuel baixou o olhar para a mulher em seus braços, e algo diferente cintilou em seus olhos. Helena sabia que era ele.

Mas, rapidamente, ele reprimiu qualquer emoção que pudesse ter surgido. Não podia esquecer que Helena era a esposa de Bruno, uma mulher que não cabia sequer a ele desejar.

Cinco minutos depois, ele a jogou no banco do carro.

Encostada no estofado de couro, Helena fechou os olhos levemente. Seu rosto pálido transmitia uma vulnerabilidade absoluta...

Manuel a observou por alguns instantes antes de pegar o celular e discar o número de Bruno.

Ambos os telefones estavam desligados.

Ele suspeitou que tinha algo a ver com Camila. Do contrário, Helena não estaria nesse estado. Estava prestes a ligar para a secretária Juliana quando Helena, de súbito, despertou.

Com um movimento brusco, ela estendeu a mão e derrubou o celular dele.

— Eu não quero voltar para casa.

A cabeça inclinada para trás, o peito subindo e descendo com intensidade. O tecido fino da camisa acompanhava o ritmo da respiração, impregnado pelo perfume dela, um misto de doçura e perdição.

A garganta de Manuel oscilou enquanto ele engolia em seco.

Desviou o olhar para a escuridão lá fora, tentando se controlar. Um instante depois, voltou a encará-la.

Helena parecia ter adormecido outra vez.

Manuel a observou em silêncio por alguns segundos antes de abrir a porta do carro e sair.

A noite estava deslumbrante...

Encostado no capô do veículo, sua silhueta esguia e imponente se fundia à escuridão. O preto de suas roupas se tornava indistinguível do breu ao redor.

Com um gesto tranquilo, ele retirou um cigarro e o prendeu entre os lábios. Abaixando o rosto, protegeu a chama do isqueiro com as mãos, acendendo o cigarro.

A fumaça azulada subiu delicadamente, mas logo foi dissipada pelo vento noturno, suavizando os traços austeros de seu rosto.

Depois de fumar metade cigarro, Manuel se voltou para olhar a mulher dentro do carro.

Sob a luz prateada da lua, a pele dela parecia ainda mais alva, os traços serenos, e no canto dos olhos repousava um toque de languidez...
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