A noite já estava evidente quando Helena dirigiu de volta para casa. Assim que estacionou o carro e soltou o cinto de segurança para sair, seu olhar congelou por um instante. O carro de Bruno estava parado sob uma árvore do outro lado da rua. Ele vestia preto da cabeça aos pés e se apoiava contra a lataria, a cabeça levemente inclinada para trás enquanto fumava. O pomo-de-Adão, bem marcado, se movia de forma absurdamente sedutora. A fumaça azulada subia, envolvendo seu rosto esculpido antes de ser suavemente dissipada pelo vento noturno. A escuridão era densa, e ele parecia fazer parte dela. Ao vê-la, Bruno a encarou com um olhar profundo. Depois de alguns segundos, jogou o cigarro no chão, apagando ele com o sapato, e começou a caminhar em sua direção. Helena não queria vê-lo. Assim que saiu do carro, se apressou em direção ao elevador, ouvindo os passos dele atrás de si, calmos, sem pressa. No final, ele a encurralou na porta do apartamento. — Helena, podemos conversa
Agora, Helena não gostava mais dele. Em que momento, afinal, ele havia perdido o amor de Helena? ... Três dias depois, na sala da presidência do Grupo Glory. Bruno estava claramente de mau humor. Sobre sua mesa repousava uma intimação judicial. A autora da ação era sua esposa, Helena, que havia solicitado o divórcio e a partilha dos bens conjugais. Recostado no sofá, com as longas pernas cruzadas, Bruno pegou a intimação com uma das mãos. Ele perguntou em voz baixa à secretária Juliana, que estava ao seu lado: — Ela já contratou um advogado? Juliana respondeu com sinceridade: — Sim, ela contratou o Roberto Leite, um nome renomado no meio jurídico. Ele é extremamente competente... Se for ele a assumir o caso, temo que nem mesmo o advogado Manuel consiga vencer essa disputa. Bruno lançou um olhar para ela e, com um tom indiferente, disse: — Quem disse que eu vou disputar esse caso com a Helena? Esse é um desejo unilateral dela. Eu, por minha vez, não tenho intençã
Manuel estava vestido de maneira extremamente formal. Uma camisa azul-escura, um terno preto impecável e uma gravata preta que complementava sua aparência elegante. Ele olhou para Helena e sorriu levemente. — Posso me sentar para tomar um café? Depois de um longo momento, Helena também sorriu suavemente. — Claro. Manuel colocou a pasta sobre a mesa e, assim que se sentou, um garçom se aproximou educadamente. — Que café o senhor deseja? Com os dedos longos e bem definidos, Manuel tocou levemente a mesa para indicar seu pedido. O garçom assentiu e se retirou. Quando ficou sozinho com Helena, Manuel se recostou na cadeira. Por hábito, levou a mão ao bolso em busca de um cigarro, mas ao se lembrar do ambiente em que estavam, franziu levemente a testa e desistiu, voltando seu olhar para ela. Fazia alguns dias que não a via, e Helena parecia ter mudado bastante. Usava um vestido longo de lã branca, que delineava suas curvas esguias e delicadas. Os cabelos longos e neg
A roupa de sua esposa também estava diferente de antes. Ela havia abandonado os ternos rígidos e agora vestia algo com um toque mais suave, como se tivesse escolhido o traje com esmero para um encontro. Bruno se sentia extremamente desconfortável. Pegou o celular e começou a ligar para Helena. Assim que atendeu, a voz fria de Bruno soou do outro lado da linha: — Onde você está? Helena demorou alguns instantes antes de responder: — Preciso mesmo prestar contas a você sobre onde vou? Bruno, nós já estamos nos divorciando. Bruno retrucou: — Esse é apenas o seu ponto de vista. Helena soltou uma risada irônica, tomada pela indignação. — Ah, é mesmo? Ela não queria mais discutir com ele. Engolindo a frustração, tentou manter um tom sereno: — Para você, eu já não tenho mais utilidade alguma! Por que não podemos simplesmente nos divorciar em paz? Bruno, na verdade, eu já não posso mais... — Helena Santos! Bruno a interrompeu de repente. Sua voz foi rápida e urgente.
No outono, o chão estava coberto de folhas caídas. Na cidade D, uma mansão recebeu a chegada de uma fileira de carros pretos. O comboio, composto por nada menos que oito veículos, exalava imponência. Os empregados da mansão tentaram impedir a entrada, mas como poderiam conter vinte homens vestidos de preto? O mordomo idoso foi agarrado à força e levado até Helena. Seu corpo inteiro tremia de medo. Com um olhar gélido, Helena perguntou: — A Camila está em casa? O velho mordomo se fingiu de desentendido, tentando mudar de assunto. Helena não se importou. Passou por ele sem hesitar e seguiu para o grande salão da mansão, acompanhada por Ana e os vinte seguranças. Camila estava relaxada no sofá, desfrutando de uma máscara facial, quando, de repente, percebeu que estava cercada. Ela se sobressaltou e, num instante, começou a gritar: — O que vocês pensam que estão fazendo? Eu aviso que invadir minha casa é crime! — Crime? — Helena saiu do meio da multidão, fitando Camil
Os seguranças arrastaram Camila sem a menor delicadeza. Em pouco tempo, os braços e as coxas alvas e delicadas da Camila estavam cobertos de hematomas azul-arroxeados, uma visão aterradora. Por toda a mansão, seus gritos desesperados ecoavam em colapso absoluto. — Sua bruxa maldita! Você não consegue ter filhos, então tem inveja de mim porque estou grávida. O Bruno nunca vai te perdoar por isso, ele vai sentir pena de mim... Vai me tratar ainda melhor! As palavras perfuraram o coração de Helena como agulhas finíssimas, espalhando uma dor sufocante. Ela se aproximou de Camila e ergueu a mão, pronta para dar um tapa implacável. Mas não conseguiu. Bruno chegou. O crepúsculo da tarde tingia seu rosto sombrio de tons ocres e enevoados, uma expressão que fazia o sangue gelar. Ele varreu a mansão com o olhar, viu o caos espalhado pelo salão, o rosto inchado de Camila, os hematomas em seus braços e pernas... Ela soluçava de maneira frágil, enquanto uma tempestade se formava nas
Ana respirou fundo. Se engasgando em meio às palavras, continuou: — A Camila quase matou a avó da Presidente Helena! Ela mentiu para a avó da Presidente Helena, dizendo que estava grávida do seu filho. A senhora ficou tão indignada que quase morreu por causa dela. E você, por causa dessa mulher, ainda teve a coragem de bater na Presidente Helena! Bruno ficou atônito. Camila... Grávida? Como isso era possível? Seu olhar se voltou para Camila, se tornando sombrio. — Você disse à avó da Helena que estava grávida? Camila ficou apavorada. Com um ar de súplica, fez manha para Bruno: — Eu só fiquei com raiva! Ela sempre fazia questão de se exibir na minha frente, então acabei dizendo isso... Bruno, eu não fiz por mal. Bruno a soltou bruscamente e saiu apressado, ignorando os chamados irritados de Camila. — Bruno... Mas ele nem sequer olhou para trás. Camila ficou paralisada. Era a primeira vez que não conseguia segurar Bruno. Ela se recusava a acreditar que Helen
Bruno ficou parado ali, sem qualquer expressão no rosto, tornando impossível adivinhar o que se passava em sua mente. Ele estava na porta. Os pais de Camila chegaram apressados e, ao verem o caos dentro da mansão, a Sra. Fernandes soltou um grito agudo: — O que aconteceu aqui?! Quem teve a ousadia de destruir a casa do presidente do Grupo Glory?! Camila cobriu o rosto ao responder: — Foi a Helena. O ímpeto da Sra. Fernandes esmoreceu na mesma hora, mas logo ela soltou uma risada fria: — Ela não vai continuar se achando por muito tempo! Assim que o Bruno se divorciar dela, aquela órfã não vai passar de um joguinho em nossas mãos. Seu marido, Marco, ainda conservava um pouco de consciência e franziu o cenho: — Não fale assim. Ela e o Bruno são um casal legal, afinal de contas! A Sra. Fernandes não gostou nada daquilo. — Que casal legal! Para mim, esse casamento é uma farsa. Se não fosse por aquela época... Marco a interrompeu com um grito severo. Somente então e