Capítulo 2
Helena agarrou os lençóis com força, os dedos deixando marcas de dobras desordenadas no tecido.

Numa hora dessas, ela ainda se perguntava se a mulher lá fora não tinha conseguido satisfazer Bruno? Hoje, ele não foi direto ao ponto como de costume, teve a paciência de beijá-la primeiro.

Mas Helena não sentiu absolutamente nada.

Além de repulsa, não havia outra emoção dentro dela.

Decidiu, então, se deitar como um peixe morto, deixando Bruno fazer o que quisesse. No fim das contas, por mais que ele a usasse, ela não poderia engravidar.

No início, o jeito dela ao mesmo tempo ousado e tímido sempre o deixava excitado. Mas agora, vendo ela deitada como um pedaço de madeira...

Qualquer homem perderia o interesse.

Foi um verdadeiro balde de água fria.

O brilho do suor escorria pelos fios negros de Bruno, seu rosto levemente avermelhado. A voz, rouca e grave, soou impaciente:

— Por que você não quer mais?

Eles nunca tiveram uma vida íntima muito ativa, mas algumas vezes por mês, Bruno se certificava de cumprir o necessário para que ela engravidasse.

Helena estava deitada sobre o travesseiro branco como neve, a cabeça inclinada para trás enquanto o encarava. Observou aquele homem a quem perseguiu por quatro anos.

Mas agora, ela estava exausta. Cansada.

Pela primeira vez, queria viver para si mesma.

Bruno, no entanto, não fazia ideia. Continuava insistindo, tentando entender por que ela não queria mais se deitar com ele, por que se recusava a lhe dar um herdeiro legítimo e ajudá-lo a consolidar ainda mais seu poder.

Helena ergueu a mão e acariciou suavemente o rosto do marido. Sua voz soou baixa, mas firme:

— Bruno, vamos nos divorciar.

A expressão de Bruno se fechou na hora, mas ele conteve a irritação ao responder:

— Por causa da Camila? Já disse que ela é apenas filha de um conhecido da família. Se você não gosta que ela fique na mansão, já providenciei outro lugar para ela morar.

...

Helena soltou um riso frio.

— A filha de um conhecido precisa ser criada sozinha na mansão? Precisa andar abraçada com você?

Ela nem sequer se deu ao trabalho de verbalizar essas palavras. Seria se rebaixar demais.

Sem pressa, abriu a gaveta do criado-mudo, pegou os papéis do divórcio e os colocou na mão de Bruno. Sua voz se manteve tranquila ao declarar:

— Além das economias e dos imóveis, quero metade das ações do Grupo Glory.

Bruno franziu a testa e disse:

— Metade das ações do Grupo Glory? Seu apetite é um pouco grande demais, Sra. Lima.

Havia um tom de sarcasmo em sua voz, exatamente como quando negociava nos negócios.

Helena sentiu um frio cortante no coração.

Bruno nunca saberia que, por ter tomado aquele chute em seu lugar, ela quase não teve mais chances de ser mãe. Mas não disse nada melodramático.

Amor e ódio... Helena nunca se arrependeu. Soube dar e soube deixar ir.

Encostada na cabeceira da cama, seu rosto parecia ainda mais delicado e pálido. Mas, mesmo assim, ela pensou sob a perspectiva de Bruno e disse, com calma:

— Com o divórcio, você pode finalmente dar um status legítimo à pessoa que ama, e eu saio com as ações. Será benéfico para ambos.

Seu tom era sério, sem a menor intenção de provocação.

Bruno, então, percebeu que ela não estava fazendo birra. Ela já havia planejado isso há muito tempo.

Ele a encarou, os olhos negros tão profundos que pareciam querer devorar sua alma.

Depois de um longo silêncio, sua voz fria e incisiva ecoou pelo quarto:

— Tire essa ideia da cabeça o quanto antes! Helena, nós não vamos nos divorciar. Somos uma aliança de interesses, e você sabe disso muito bem.

Sim, ela sabia!

Mas agora... Não queria mais jogar esse jogo.

Diante do silêncio dela, Bruno começou a se irritar. Levantou-se, pegou um robe e preparou-se para dormir no quarto de hóspedes. Helena precisava de um tempo para se acalmar. Depois desta noite, ele tinha certeza de que ela voltaria a gostar de ser sua esposa e de segurar as rédeas do Grupo Glory.

Ele soltou um riso frio. Helena sempre foi assim.

Porém, antes que ele saísse, uma voz quase inaudível soou atrás dele, como um eco da Helena ingênua de quatro anos atrás:

— Bruno... Vamos nos divorciar de forma pacífica. Eu realmente não quero mais viver assim.

O corpo de Bruno ficou tenso.

Ficou parado por um longo tempo, depois voltou para a cama e, com a voz mais baixa, murmurou:

— Helena, quando você se casou comigo, já sabia que não existia amor na família Lima. Eu nunca te amei, e é melhor que você também não deseje isso. Não tornaria sua vida mais fácil.

Então, com um único movimento da mão, espalhou pelo chão os papéis do divórcio, que flutuaram como flocos de neve.

...

Oito da manhã.

Bruno desceu apressado as escadas, vestindo um clássico terno preto e branco. O corte impecável do tecido se ajustava perfeitamente ao seu corpo alto e elegante, criando uma visão agradável.

Ele estava de bom humor. Ou melhor, estava... Até ver a sala de jantar vazia.

De repente, seu humor azedou completamente.

Bruno ergueu a xícara de café e tomou um gole, perguntando casualmente à empregada ao seu lado:

— E a Sra. Lima?

A discussão da noite passada havia sido intensa, e todas as empregadas da casa estavam cientes disso. A funcionária respondeu com cautela:

— A Sra. Lima saiu cedo para a empresa.

A xícara de café bateu pesadamente contra o pires na mesa.

Bruno perdeu completamente o apetite.

...

Meia hora depois, ele chegou ao Grupo Glory. A secretária Juliana já o aguardava no estacionamento.

Assim que o carro preto parou, ela abriu a porta e começou a repassar os compromissos do dia. Bruno caminhava enquanto abotoava o paletó, cada gesto exalava uma masculinidade arrebatadora. Muitas funcionárias desviavam o olhar discretamente, furtivamente atraídas por sua presença.

Ao entrarem no elevador privativo, Juliana baixou a voz e lhe informou:

— No Plano Mia, a Presidente Helena inseriu alguém dela.

Bruno ergueu o rosto, observando os números vermelhos do painel digital.

Após um longo silêncio, ele soltou uma risada fria:

— Ela está aprendendo direitinho.

...

Durante a reunião, Bruno e Helena entraram em conflito.

Eles eram marido e mulher, mas, acima de tudo, Helena havia aprendido as estratégias de negócios com o próprio Bruno. Agora, vê-los em desacordo era um verdadeiro espetáculo. Os executivos do Grupo Glory tiveram uma oportunidade rara de testemunhar um embate entre iguais.

Quando a reunião terminou, já era quase o entardecer.

De volta ao escritório, Helena se jogou no sofá de couro legítimo e massageou levemente as têmporas.

A cabeça latejava de dor, um incômodo persistente. Então, soltou os cabelos, deixando-os cair livremente sobre os ombros.

Ana entrou trazendo um copo de água e, ao pousá-lo sobre a mesa, avisou em um tom baixo e respeitoso:

— O advogado particular do Sr. Bruno ligou. Ele quer marcar um encontro com a senhora na cafeteria do primeiro andar. A senhora deseja recebê-lo?

Helena ergueu o olhar, surpresa:

— O Manuel?

Manuel Rocha. O advogado mais renomado do país.

Seu escritório, Mosaic, havia alcançado o topo do setor jurídico. Mas, além disso, ele possuía um outro papel crucial: era o braço direito de Bruno, seu agente nos bastidores.

O que Bruno não podia fazer diretamente, Manuel fazia por ele.

A relação entre os dois era sólida, pautada por confiança e interesses comuns.

Não era exagero dizer que, ainda que Bruno e Helena se divorciassem, seu vínculo com Manuel jamais seria rompido.

Se Bruno havia acionado Manuel desta vez, certamente queria evitar que a notícia do divórcio se espalhasse.

Helena pensou por um momento e, no final, concordou.

Dez minutos depois, ela desceu até a cafeteria no térreo pelo elevador exclusivo.

Manuel estava sentado perto da janela.

O terno de três peças envolvia perfeitamente seu corpo, e seus traços marcantes e bem definidos carregavam a habitual expressão austera.

Ao ouvir os passos de Helena, Manuel ergueu o olhar.

Em seus olhos negros, sempre tão serenos, surgiu um leve traço de surpresa.

Ele nunca tinha visto Helena assim antes.

Nas memórias de Manuel, Helena sempre usava ternos sofisticados, se mantendo firme ao lado de Bruno, acompanhando ele nas batalhas do mundo dos negócios. Mas todos sabiam que Bruno não a amava. O coração dele pertencia a outra mulher.

Hoje, Helena estava diferente.

Ela vestia uma camisa leve e confortável, que delineava suavemente suas curvas. Os cabelos negros e lisos, levemente ondulados nas pontas, caíam de maneira despretensiosa sobre os ombros. Os fios pareciam incrivelmente macios...

Enquanto Manuel se perdia por um breve instante nesses detalhes, Helena se sentou à sua frente e, com um semblante tranquilo, perguntou:

— O Bruno mandou você vir falar comigo?

Manuel rapidamente recuperou sua postura habitual.

Ele pegou um documento da pasta e o deslizou suavemente na direção dela.

— De acordo com este acordo pré-nupcial, caso insista no divórcio, Sra. Lima, você não terá nenhum benefício.

Helena pegou o documento e o folheou com calma.

Ao chegar à última página, ela ficou ligeiramente surpresa.

Quatro anos atrás, Bruno já havia se resguardado.

Helena permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de dizer, em voz baixa:

— Mesmo sem ganhar nada, eu quero o divórcio. Manuel, não me chame mais de Sra. Lima. Me chame de Helena.

Manuel já estava acostumado com divórcios de celebridades. Seu coração há muito se tornou impenetrável a esse tipo de drama.

Ele tomou um gole de café antes de perguntar:

— Por que você quer o divórcio de repente? Você não amava o Bruno? No nosso meio, essas coisas são bem comuns.

Helena virou o rosto para o lado e esboçou um sorriso amargo.

O mundo inteiro sabia que ela amava Bruno. O único que parecia ignorar isso era o próprio Bruno. Ou talvez soubesse, mas simplesmente não se importava.

Naquele instante, havia algo de vulnerável em Helena, um tipo de beleza frágil que, sob a ótica de Manuel, era ainda mais instigante para um homem do que a presença de Camila.

Ele ainda ponderava sobre essa sensação quando a porta da cafeteria se abriu.

Uma silhueta esguia e imponente avançou na direção deles...

Não era outro senão Bruno.

Assim que entrou, a primeira coisa que viu foi Manuel encarando sua esposa com uma expressão contemplativa.

De repente, uma sensação incômoda tomou conta de Bruno...
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