Bruno assentiu levemente. Manuel esboçou um sorriso indiferente e se retirou, deixando espaço para o casal cuja relação estava em frangalhos. Assim que Manuel saiu, Bruno lançou um olhar para a roupa de Helena e franziu ligeiramente a testa antes de dizer: — Por que você está vestida assim? Volte e troque de roupa. Daqui a pouco vamos juntos para a mansão da família Lima jantar. Helena sabia muito bem que "jantar", no dicionário de Bruno, significava encenar uma demonstração de afeto. Tudo por causa das ações nas mãos de Diogo. Às vezes, Helena sentia que Bruno era um homem contraditório. Sempre mantendo uma postura arrogante e distante, mas, na realidade, mais interessado em lucro do que qualquer um. Um verdadeiro filho do mundo dos negócios. Ela não se opunha a jogar o jogo. Antes da divisão dos bens, os interesses vinham em primeiro lugar. Com isso em mente, voltou ao escritório e trocou de roupa, vestindo um conjunto elegante antes de descer pelo elevador privativo
Às nove da noite, os dois deixaram a mansão da família Lima. Enquanto Bruno afivelava o cinto de segurança, perguntou como quem não quer nada: — O que você estava conversando com o Eduardo? Pareciam bem animados. Helena respondeu com indiferença: — Ah, estávamos falando sobre sua amiga de infância. Bruno ficou sem palavras. Depois de um tempo, ele segurou delicadamente a mão de Helena. Sua voz, pela primeira vez em muito tempo, trazia um traço raro de ternura. — Eu nunca tive nada com ela. Helena se recostou no banco, os olhos úmidos, refletindo um brilho contido de lágrimas. Ela sabia bem que essa súbita gentileza de Bruno não passava de um reflexo do seu período fértil. Ele queria que ela engravidasse. Não tinha nada a ver com amor. E muito menos com ela! Ela se perguntava: se Bruno descobrisse que ela não podia mais ter filhos, será que ainda tentaria mantê-la ao seu lado? Ou assinaria o divórcio sem hesitar, ansioso para encontrar a próxima mulher ideal para s
Helena sabia muito bem que, ao dizer a verdade, não haveria mais possibilidade de convivência pacífica entre ela e Bruno. Mas, quando a decepção de uma pessoa se acumulava até o limite, chegava um momento em que ela já não se importava mais com nada e só desejava deixar tudo para trás. Ela ergueu a cabeça e encarou o marido que um dia amou profundamente. Com crueldade, expôs sua própria ferida, rasgando ela sem piedade diante de Bruno. Ao falar, sentiu seu coração doer tanto que quase ficou dormente. — Bruno, você não precisa mais considerar nada. Não só o cargo no Grupo Glory, mas até o título de sua esposa... Eu também não quero mais, porque eu não posso... A palavra "engravidar" nunca chegou a ser dita por completo. O celular de Bruno tocou. Ele manteve o olhar fixo no rosto de Helena enquanto atendeu a ligação. Do outro lado da linha, a voz aflita da secretária Juliana soou apressada: — Sr. Bruno, a situação da Srta. Camila é muito grave. O senhor precisa vir agora.
Era tarde da noite, e o carro estava aquecido. Helena sentiu o cheiro fresco de tabaco no homem ao seu lado. O cigarro que Manuel fumava era o mesmo que Bruno costumava fumar. Por um instante, sua mente ficou confusa, e, atordoada, ela pensou que o homem ao seu lado fosse Bruno... Seus olhos se fecharam suavemente, e ela segurou a mão dele, chamando em um sussurro: — Bruno. Seus pensamentos estavam uma bagunça, e, por um momento, ela sentiu como se tivesse voltado ao passado. Ao passado que compartilhou com Bruno... Manuel não afastou a mão, nem disse nada. Apenas virou o rosto, encarando a escuridão à frente do carro. A noite estava tão densa e escura quanto uma noite chuvosa, macia e úmida, semelhante ao que ele sentia naquele momento. Manuel já teve mulheres antes. Mas eram relações baseadas apenas em necessidade mútua, sem qualquer carga emocional. Ele nunca havia experimentado sentimentos tão intensos quanto os de Helena. De repente, se sentiu curioso... Como seria
Logo pela manhã, Helena despertou com uma dor de cabeça latejante. A empregada da casa, sempre atenciosa, trouxe um comprimido para ela. Depois de tomar o remédio, Helena se sentiu muito melhor. Justo quando se preparava para tomar um banho, ouviu a empregada resmungar irritada: — O Sr. Bruno foi seduzido por aquela mulher de fora. Ontem à noite, ele voltou para casa, viu a Sra. Lima nesse estado de embriaguez e, ainda assim, pegou o carro e foi embora. Foi assim que Helena soube que Bruno havia voltado na noite anterior. A empregada, se lembrando de outro assunto, acrescentou: — Sra. Lima, o Sr. Bruno mandou lavar o paletó do Advogado Manuel e pediu que fosse entregue diretamente a ele. No fim das contas, ele ainda tem um pouco de consciência e sabe cuidar da senhora. A empregada, sem conhecer os verdadeiros pensamentos de Bruno, acreditava que ele apenas queria demonstrar consideração por Helena. Mas Helena sabia a verdade: Bruno tinha medo de que ela o traísse. Se
Helena estava no estacionamento quando encontrou Manuel. Ele parecia um pouco surpreso também. Após pensar por um instante, caminhou até ela, os olhos profundos e insondáveis. — Você vai mesmo deixar o Grupo Glory? Helena respondeu com um aceno sutil. — Sim, estou me preparando para sair. Ela jogou no porta-malas do carro a mala que segurava. Depois de fechar a tampa, se virou para Manuel e disse com indiferença: — Obrigada pelo que fez naquela noite. Manuel a observou atentamente. A expressão serena, o olhar frio... Era a Helena que ele conhecia. Naquela noite, sua beleza frágil foi como um sonho passageiro. Os olhos de Manuel se obscureceram. Comedidamente, ele assentiu. — Não há de quê. Seu tom era distante, mas, quando o carro de Helena se afastou lentamente, ele permaneceu ali, imóvel, olhando por um longo tempo, com um semblante carregado de pensamentos. ...Às oito da noite, Helena chegou à Mansão Belezas. Assim que saiu do carro, uma brisa carregada
Aquele pedaço de papel, cada palavra impressa nele Bruno leu e releu incontáveis vezes, até que seus olhos ficaram ardendo de cansaço. De repente, ele compreendeu a dor de Helena, as lágrimas de Helena. De repente, ele entendeu por que, naquela noite no estacionamento, Helena desmoronou e o questionou desesperadamente: "Bruno, você não pode me dar nem um minuto do seu tempo? Depois de quatro anos de casamento, eu não valho ao menos isso para você?" Sua Helena não podia mais ter filhos! Ele não amava Helena. Mas Helena era uma pessoa importante para ele. Ela esteve ao seu lado por quatro anos, acompanhando ele durante os momentos mais sombrios de sua vida, testemunhando sua ascensão ao topo do poder. Quando se casaram, prometeram ter dois filhos, depositando neles seus mais belos desejos. Um se chamaria Sofia Lima. O outro, Gonçalo Lima. Bruno se sentou lentamente na beira da cama. Seu rosto, sempre tão marcante e imponente, naquele instante carregava uma rara expressão
O desejo de Bruno foi despertado por ela. Helena estava um pouco irritada. Não queria vê-lo; os advogados cuidariam do divórcio. Ela tentou fechar a porta, mas Bruno foi mais rápido. Com um simples movimento do pé, impediu que ela se fechasse e, sem esforço algum, entrou no apartamento... Assim que a porta se fechou, Helena foi envolvida pelos braços do homem. Bruno a segurou pela cintura fina, puxando ela com força contra si. Ele a beijava com uma intensidade quase insana, e Helena não conseguia se desvencilhar. Entre tropeços e suspiros entrecortados, os dois acabaram diante do sofá. No macio estofado, Bruno claramente tinha vantagem. Ele nunca havia sido assim! A luz intensa iluminava a sala, e a voz suave e ofegante de Helena parecia incapaz de trazê-lo de volta à razão. Só quando Bruno avistou uma pequena pinta avermelhada é que seu ímpeto cego arrefeceu um pouco. Com a respiração pesada, ele aproximou os lábios quentes da orelha de Helena e perguntou, com a voz ro