Capítulo 3
Petrus olhava para Maria com carinho, e o sorriso em seus lábios parecia impossível de conter.

— Quando for para acontecer, vai ser perfeito. Talvez até o fim do ano. Menino ou menina, tanto faz. Se for seu filho, eu já vou amar.

Maria abaixou os olhos para o bolo à sua frente. Ela ficou em silêncio por alguns segundos e não disse nada.

Petrus, com sua habitual gentileza, começou a cortar o bolo. De repente, um homem entrou na confeitaria e avisou que o carro de Petrus havia sido arranhado por outro veículo no estacionamento.

Petrus franziu o cenho, e sua expressão imediatamente escureceu:

— Vou lá resolver isso. Maria, coma sem mim. Prometo que volto rápido. Peça algo para beber, mas nada gelado, hein? Depois de amanhã é o dia da sua menstruação.

Mais uma vez, as palavras atenciosas de Petrus despertaram a admiração dos outros clientes na confeitaria.

— Meu Deus, ele até sabe o dia da menstruação dela. Sr. Petrus é o homem perfeito. Não existe defeito nesse homem!

— Não consigo imaginar. Se eu fosse a Sra. Maria, seria a mulher mais feliz do mundo.

A dona da confeitaria, que observava Maria em silêncio, sorriu de forma calorosa:

— Sra. Maria, você tem muita sorte. Encontrar um homem tão dedicado e fiel assim é algo raro na vida de uma mulher.

Maria soltou um sorriso amargo:

— É verdade, a sorte é rara mesmo.

No fundo, Maria sabia que não era uma mulher de sorte. Ela não queria continuar aquela conversa, então desviou o olhar para a janela. Do lado de fora, ela viu Petrus saindo da confeitaria com o homem. O desconhecido se aproximou dele e começou a falar algo em voz baixa.

Petrus ouviu atentamente, assentiu com a cabeça e deu passos largos até um Mercedes-Benz G-Class cor-de-rosa estacionado ao lado do Bentley. Maria estreitou os olhos. O carro parecia estranhamente familiar.

Ela logo se lembrou. Era o mesmo carro que Nina havia dirigido no último evento social, quando fez uma entrada escandalosa. A placa era idêntica. Diziam que o carro havia sido um presente de Petrus para Nina quando ela voltou ao Brasil, um presente de três milhões de reais. O valor era quase o mesmo do Maybach que ele havia dado a Maria naquela manhã.

Petrus era um mestre em equilibrar relações. Ex-namorada e esposa, primeira paixão e atual mulher, ele sempre mantinha as balanças perfeitas.

Maria não conseguia ver o que acontecia dentro do carro, então desviou o olhar. Nesse momento, o celular dela começou a vibrar. Era uma ligação de um número desconhecido. Ela hesitou por um instante, mas decidiu atender.

A voz que veio do outro lado era familiar:

— Minha Nina está ficando esperta. Sabia que me chamar pelo outro cara ia funcionar?

A voz de Petrus tinha um tom rouco, carregada de desejo e afeição. Ele continuou:

— Pediu a localização para o meu assistente, foi? Eu disse que ia esperar ela dormir para ir te ver.

Nina respondeu em um tom manhoso, cheio de charme:

— Estou me sentindo mal. Só de pensar que você está comemorando o aniversário de casamento com ela, que vocês vão fazer amor mais tarde, eu fico com o corpo todo arrepiado.

Petrus riu levemente, como se já soubesse que ela estava com ciúmes. Ele tentou acalmá-la:

— Calma, amor. Hoje eu não vou encostar nela. E, além disso, faz só duas horas que transamos três vezes. Você ainda não está satisfeita?

— Não estou, não! Quero mais. Volta logo, manda ela para casa e vem me encontrar.

— Sua diabinha. Espera só um pouco. Já te disse, me segue de carro depois. A gente pode continuar na estrada, dentro do carro.

— Seu safado!

Depois disso, Maria ouviu o som de beijos molhados e apaixonados pelo telefone. Suas mãos tremiam enquanto ela desligava a chamada.

Maria olhou para o bolo à sua frente, mas, de repente, sentiu um enjoo insuportável. Era como se algo apertasse seu coração com força, deixando-a tonta e com o corpo inteiro desconfortável.

Ela pegou o garfo e começou a destruir a plaquinha de chocolate que dizia "Feliz cinco anos de casamento".

Meia hora depois, Petrus voltou à confeitaria. Ele olhou para o bolo na mesa, que estava praticamente intacto, e para o rosto pálido de Maria. Seu coração apertou de preocupação.

— Você está tão pálida. Está se sentindo mal? Vamos ao médico agora.

A preocupação na voz dele parecia sincera, mas Maria virou o rosto, incapaz de encarar aquela expressão hipócrita.

— Ouvi algumas coisas nojentas. Perdi o apetite.

— Que coisas? O que você ouviu? — Petrus franziu as sobrancelhas, claramente confuso e ansioso.

— Você não vai querer saber. — Maria respondeu com os olhos vermelhos.

Petrus não entendeu. Ele tentou abraçá-la, mas Maria se afastou, recusando o contato.

Ela se levantou abruptamente e saiu da confeitaria. Do lado de fora, Maria entrou em um táxi e pediu ao motorista que a levasse para casa.

— Maria, espera!

Petrus tentou impedi-la, mas o táxi já havia partido. Ele entrou no Bentley e começou a seguir o táxi.

Maria, sentada no banco de trás, olhava pelo retrovisor. A cena era quase cômica. O Bentley de Petrus seguia o táxi, e, logo atrás, o Mercedes cor-de-rosa de Nina seguia o Bentley.

Quando chegaram ao condomínio, Maria saiu do táxi e Petrus desceu do Bentley, correndo até ela. Ele segurou sua mão com firmeza:

— Maria, por que você está brava? Foi porque eu precisei sair para resolver o problema do carro e não fiquei com você na confeitaria?

Maria ergueu o rosto e o encarou diretamente. O homem estava cheio de preocupação e culpa, mas não havia o menor traço de medo por estar sendo infiel.

— Foi isso. — Maria respondeu friamente.

Petrus suspirou:

— Foi erro meu. Da próxima vez, não importa o que aconteça, até se o carro for destruído, eu não saio do seu lado.

Ele fez uma pausa, segurou a mão dela com cuidado e acrescentou:

— Meu assistente acabou de ligar. Um cliente importante sofreu um acidente e está entre a vida e a morte. Preciso ir ao hospital agora. Você me dá permissão?

Maria franziu o cenho. Ela notou a leve excitação nos olhos de Petrus, escondida sob uma máscara de preocupação. Ele não conseguia esperar para ir ao encontro de Nina, ao ponto de inventar uma mentira absurda como aquela.

Maria sorriu de canto, cansada demais para confrontá-lo. Ela simplesmente respondeu:

— Claro.

Ela caminhou até a entrada da casa, mas não entrou. Em vez disso, seguiu para a garagem e viu o Mercedes rosa. Lá dentro, Nina estava nos braços de Petrus, e os dois se beijavam intensamente.

— Sabia que você ainda gosta de meia-calça preta. Estou sem nada por baixo, sabia? — Disse Nina, com os olhos cheios de malícia.

Petrus parecia em êxtase. Ele deslizou a mão pela perna dela e respondeu com a voz rouca:

— Vai me deixar sem dormir hoje?

Nina segurou a mão dele e sorriu provocante:

— Não aqui. Você prefere o lago, não é?

O carro deu partida e saiu da garagem. Minutos depois, o celular de Maria vibrou. Era uma mensagem de Petrus no Line.

Ela abriu. Era uma localização. O lago.
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