Meia hora depois, Maria estava sentada dentro de um táxi, com os olhos fixos no Mercedes G-Class cor-de-rosa parado à distância. Ela viu quando Petrus abriu o teto solar do carro. Em menos de um minuto, o veículo começou a balançar de forma evidente. Algumas pessoas que passavam pelo local pararam para observar, murmurando entre si.— Sexo ao ar livre. Isso sim é adrenalina.— Só gente rica mesmo. Lago, Mercedes G, uma mulher deslumbrante… Essa noite ele está vivendo o sonho.Maria, com os olhos vermelhos, encarava o carro em movimento. O frio que sentia parecia vir de dentro. Suas mãos, trêmulas, seguraram o celular para gravar um vídeo de cinco minutos da cena. Assim que terminou, ela enviou o vídeo para sua secretária e, com a voz rouca, deu instruções:— No dia do casamento, quero que você exiba esse vídeo.Depois de enviar a mensagem, Maria ligou para sua mãe, Joana Ramos.— Mãe, daqui a sete dias vou para a Noruega encontrar você e o papai.Do outro lado da linha, Joana percebeu
Os olhos de Nina estavam vermelhos de emoção. Ela assentiu repetidamente, sem conseguir conter suas palavras:— Eu aceito! É claro que aceito! Casar com você é tudo o que eu quero!Ao redor, a equipe de filmagem e fotografia começou a comemorar animadamente:— Felicidades ao casal! Vocês merecem!Dentro do carro, Maria observava a cena com o rosto pálido e uma expressão fria. Todo o calor que ela um dia sentiu parecia ter desaparecido. Cinco anos atrás, Petrus havia se ajoelhado diante dela da mesma forma, com a mesma expressão apaixonada.Na época, ele também vestia um terno preto impecável, segurava um buquê de rosas vibrantes e apresentava um anel de noivado cuidadosamente escolhido. Ele até chorou quando pediu sua mão.— Maria, você é a única mulher que amarei em toda a minha vida. Nenhuma outra jamais terá espaço no meu coração. Eu imploro, case comigo. Eu juro, se algum dia eu trair você, que eu morra imediatamente.Maria soltou duas risadas curtas e amargas. Riu até que as lágri
Petrus ficou ligeiramente surpreso. Ele estava jantando com os pais de Nina quando recebeu a ligação do hospital. No momento em que soube do acidente de Maria, sentiu um frio na espinha e deixou Nina e sua família para trás, correndo para o hospital. Por sorte, Maria não havia sofrido ferimentos graves.— Eu estava jantando com um cliente importante. Tínhamos um grande contrato para fechar. Assim que o hospital me avisou sobre o acidente, vim direto para cá. — Petrus explicou.Maria estreitou os olhos e o encarou fixamente.— Veio direto do cliente?— Sim, Maria. Estou exausto. — Petrus respondeu, apertando a testa com os dedos, como se estivesse realmente cansado.Maria fechou os olhos lentamente e não disse mais nada.Petrus se sentou ao lado dela, acompanhando-a em silêncio. Não demorou muito para o celular dele tocar. Ele rejeitou a chamada imediatamente, mas o aparelho voltou a tocar insistentemente. Petrus, visivelmente incomodado, colocou o celular no modo silencioso e começou a
No dia seguinte, restavam apenas três dias para Maria partir.Logo pela manhã, Petrus chegou ao hospital com uma tigela de canja nas mãos:— Pedi ao chef que preparasse especialmente para você. É a sua canja favorita. Experimente.— Tudo bem. — Maria não recusou e começou a comer, devagar, uma pequena colherada de cada vez.Depois que Petrus saiu, meia hora se passou. Maria abriu o monitoramento das câmeras de segurança. No sofá da sala, Nina fazia birra, insistindo que queria sair para fazer compras.A chuva caía lá fora, e o chão estava escorregadio. Petrus, preocupado que ela pudesse cair e machucar o bebê, entrou em contato com marcas de luxo para irem até a casa. Ele deixou que Nina escolhesse o quanto quisesse. Além disso, ele ainda trouxe representantes de marcas de roupas infantis para recém-nascidos, para que Nina pudesse escolher os primeiros itens do bebê.Naquela noite, o advogado Dr. Diogo visitou o quarto de Maria.— Senhora, o acordo de divórcio entre você e o Sr. Petrus
Às seis e meia da noite, Petrus já estava na entrada do Hotel Continental, esperando ansiosamente. Os convidados começaram a chegar pontualmente, e a maioria eram amigos próximos dele e de Maria.No entanto, Maria ainda não havia aparecido. Petrus pegou o celular e ligou para ela. A voz fria da gravação automática respondeu:— O número que você chamou está desligado.Ele franziu as sobrancelhas com força, sentindo uma sensação ruim crescer dentro de si:“Maria... Será que ela ficou chateada e decidiu não vir à festa de aniversário?”Segurando o celular com força, ele começou a relembrar os acontecimentos da tarde.Na hora do almoço, Petrus recebeu a mensagem de Nina sobre o sangramento. Preocupado, deixou Maria para levar Nina ao hospital. Lá, o médico explicou que o problema havia sido causado por estresse emocional e recomendou que ele cuidasse mais do humor da gestante.Era o aniversário de Maria, e Petrus tinha a intenção de deixar Nina internada e voltar para passar o dia com Mari
Petrus finalmente voltou sua atenção para o presente à sua frente. Com a mente em um turbilhão, ele abriu o "Presente para um traidor" quase de forma mecânica.A primeira coisa que viu foi uma pilha de pedaços de tecido, cortados em tiras. Eram as camisas de casal que ele e Maria tinham. No topo, havia a gola de uma das camisas, com a palavra [wife] bordada à mão por Maria.Petrus pegou a gola com cuidado, como se estivesse segurando algo extremamente frágil. Seu corpo vacilou, quase o fazendo cair.— Isso é o presente da Maria para mim hoje? Não pode ser... Deve ser alguma brincadeira de mau gosto. Ela nunca cortaria nossas camisas de casal...Um ano antes, no aniversário de quatro anos de casamento, Maria havia entregue a ele a versão masculina das camisas de casal. Naquela noite, ela olhou para ele com um sorriso doce, seus olhos brilhando de amor ao dizer:— Petrus, para mim, você é meu marido. Eu sou sua esposa. Amo cada dia que passamos juntos. Mas, se algum dia você me decepcion
A mente de Petrus ficou em branco por alguns segundos. Ele nem soube como conseguiu entrar no salão. Quando finalmente chegou ao local da cerimônia, sentiu como se tivesse sido atingido por um raio. A cena diante de seus olhos tirou qualquer capacidade de raciocínio.No enorme telão, as imagens se alternavam. Primeiro, o acordo de divórcio assinado entre ele e Maria. Depois, as noventa e nove fotos do ensaio de casamento com Nina. Por fim, fotos dele jantando com os pais de Nina.Petrus cambaleou, completamente atordoado, e se deixou cair em uma cadeira próxima. Sua mente começou a revisitar os últimos dias, relembrando cada detalhe de suas interações com Maria.Foi então que ele percebeu. Maria provavelmente já sabia da existência de Nina há muito tempo. Caso contrário, naquela manhã, quando ele saiu apressado, ela não o teria olhado com tamanha frieza.Aquele "adeus" de Maria agora soava mais como um adeus definitivo, e ele, tolo, pensou que tinha escondido tudo muito bem.Mas Petrus
Abaixo do áudio provocativo de Nina, havia fotos enviadas por "Petrus". Uma delas mostrava Nina e ele na cama, outra exibia Nina vestindo a camisa de casal masculina enquanto tirava uma selfie no espelho.A segunda captura de tela mostrava uma foto de Petrus jantando com Nina à luz de velas, no mesmo dia do quinto aniversário de casamento dele com Maria.A terceira captura exibia a localização de um encontro íntimo no carro, perto do lago.Já a quarta mostrava três fotos do ensaio de casamento de Petrus e Nina, acompanhadas de mensagens que provocavam Maria, insinuando que ela deveria aceitar dividir o marido.O salão foi tomado por um burburinho. Todos começaram a sussurrar, confusos, tentando entender as mensagens. Afinal, os textos enviados por "Petrus" pareciam ter a voz de Nina.Foi então que alguém, com olhar atento, percebeu o detalhe crucial e disse em voz alta:— Quer apostar que foi Nina quem pegou o celular de Petrus para enviar essas mensagens para Maria?Aquela frase foi c