Capítulo 4
Meia hora depois, Maria estava sentada dentro de um táxi, com os olhos fixos no Mercedes G-Class cor-de-rosa parado à distância. Ela viu quando Petrus abriu o teto solar do carro. Em menos de um minuto, o veículo começou a balançar de forma evidente. Algumas pessoas que passavam pelo local pararam para observar, murmurando entre si.

— Sexo ao ar livre. Isso sim é adrenalina.

— Só gente rica mesmo. Lago, Mercedes G, uma mulher deslumbrante… Essa noite ele está vivendo o sonho.

Maria, com os olhos vermelhos, encarava o carro em movimento. O frio que sentia parecia vir de dentro. Suas mãos, trêmulas, seguraram o celular para gravar um vídeo de cinco minutos da cena. Assim que terminou, ela enviou o vídeo para sua secretária e, com a voz rouca, deu instruções:

— No dia do casamento, quero que você exiba esse vídeo.

Depois de enviar a mensagem, Maria ligou para sua mãe, Joana Ramos.

— Mãe, daqui a sete dias vou para a Noruega encontrar você e o papai.

Do outro lado da linha, Joana percebeu algo estranho na voz da filha. Havia um leve tremor, como se ela estivesse segurando as lágrimas. Joana franziu a testa, preocupada:

— Petrus vai com você?

— Não. Vou sozinha.

— Tudo bem. Não fique triste. — Joana suspirou, imaginando o que poderia ter acontecido, e tentou confortá-la. — Eu estarei no aeroporto esperando por você.

Era madrugada quando Petrus chegou em casa. Ele entrou fazendo barulho, tropeçando nos móveis, e acabou acordando Maria. O cheiro de álcool era forte, e ele estava claramente bêbado. Sem se importar com isso, ele segurou o rosto de Maria com ambas as mãos e começou a beijá-la repetidamente.

Talvez por causa da estranheza na atitude de Maria naquela noite, Petrus parecia inquieto. Ele murmurava, quase suplicando:

— Amor, eu te amo. Você pode brigar comigo, me xingar, até me bater, mas, por favor, nunca me deixe. Prometa que nunca vai me abandonar, tá? Amor, você não precisa se preocupar. Eu nunca vou te trair.

Na grande cama, Maria o encarava com um olhar frio. Ela percebeu que Petrus, provavelmente por estar bêbado, havia esquecido de apagar o batom vermelho marcado em seu pescoço. Ainda assim, a expressão nos olhos dele era de puro amor, sem nenhum traço de falsidade.

Na manhã seguinte, Maria acordou com Petrus já ao seu lado, cuidando de tudo. Ele havia espremido pasta de dente para ela, preparado água morna para enxaguar a boca e escolhido a roupa que ela usaria naquele dia.

Quando Maria terminou de se arrumar, os dois desceram juntos para o café da manhã. Durante a refeição, o celular de Petrus vibrou. Ele deu uma olhada na mensagem e, em seguida, lançou um olhar levemente apologético para Maria:

— Maria, hoje à noite eu não vou voltar para casa. Tenho um evento para ir.

Maria pausou o que estava fazendo. Ela sabia que esse "evento" era, na verdade, um encontro com Nina. Mas ela estava cansada demais para confrontá-lo:

— Tudo bem.

Depois que Petrus saiu, Maria pegou um táxi e o seguiu.

Vinte minutos depois, Petrus entrou em um condomínio luxuoso. Maria observou de longe quando Nina apareceu. Ela trajava um conjunto branco elegante e usava um cachecol combinando. Estava perfeitamente arrumada, com um ar sofisticado. Quando Nina avistou o Bentley de Petrus, acenou animadamente e correu para entrar no carro.

Eles provavelmente ficaram trocando carícias por alguns minutos dentro do carro, até que Petrus deu a partida e saiu do condomínio. Meia hora depois, o Bentley parou em frente a um estúdio especializado em fotos e vídeos de casamento.

Maria, ainda dentro do táxi, viu Nina sair do carro pelo lado do passageiro. Petrus se juntou a ela, e os dois entraram no estúdio de braços dados.

Um atendente veio recebê-los com entusiasmo:

— Sr. Petrus e Sra. Nina! Já preparamos tudo. O local está reservado exclusivamente para vocês. Vou mostrar os estilos de fotos de casamento que planejamos para hoje.

Dentro do táxi, Maria observava a cena com uma expressão inabalável. Mas, por dentro, sentia uma onda de frio percorrer todo o seu corpo.

De repente, o celular dela tocou. Era Carolina Chico, sua melhor amiga.

Maria atendeu, e a voz alegre de Carolina ecoou no telefone:

— Maria! Onde você está? Vamos tomar um chá da tarde juntas!

Maria respondeu com a localização do estúdio de casamento. Do outro lado da linha, Carolina ficou em silêncio por alguns segundos antes de gritar:

— O quê? Vocês estão casados há cinco anos e agora vão tirar novas fotos de casamento? Assim você me mata de inveja!

Maria sorriu amargamente e respondeu com a voz baixa:

— Ele não está tirando fotos comigo.

Carolina ficou confusa por alguns instantes, mas logo entendeu o que estava acontecendo. Sua voz ficou séria:

— Com outra mulher? Você está dizendo que Petrus está te traindo? Não pode ser! Espere aí, estarei aí em vinte minutos!

Vinte minutos depois, Maria entrou no carro de Carolina. As duas ficaram no estacionamento enquanto Maria explicava tudo o que havia acontecido desde que Nina voltou ao Brasil. Ela mostrou para Carolina a mensagem de áudio que Nina havia enviado um mês atrás, usando o celular de Petrus, e então apontou para o estúdio.

— Carolina, como você pode ver, hoje é o aniversário de Nina. E Petrus decidiu comemorar tirando fotos de casamento com ela.

Carolina seguiu o olhar de Maria e viu Petrus ajustando o decote do vestido de Nina. Ele parecia cuidadoso, quase reverente, como se estivesse lidando com uma obra de arte.

Carolina rangia os dentes de raiva:

— Isso é demais para mim. Eu vou entrar lá e dar uma surra nos dois!

Ela começou a arregaçar as mangas, mas Maria a segurou antes que pudesse sair do carro:

— Espere. Quero ver até onde eles vão.

Meia hora depois, Petrus e Nina saíram do estúdio. Ele estava vestido com um terno preto impecável, enquanto ela usava um vestido de noiva branco, ajustado perfeitamente ao corpo. Os dois entraram no Bentley e partiram.

O carro os levou até a margem de um lago, onde uma área havia sido isolada para evitar olhares curiosos. O fotógrafo já os aguardava, com tudo preparado.

— Sr. Petrus e Srta. Nina, vocês são o casal mais bonito que eu já fotografei. Um verdadeiro par perfeito.

Nina se agarrou ao braço de Petrus e riu:

— Claro, meu marido é o homem mais lindo. Eu tenho bom gosto, não é?

Durante a sessão, eles trocaram de roupa três vezes, experimentando diferentes estilos de ternos e vestidos de noiva. Apesar do frio do inverno, Petrus foi atencioso o tempo inteiro. Ele cobriu Nina com um xale quente quando ela começou a tremer e a incentivou pacientemente quando ela parecia hesitante em frente às câmeras.

Quando as fotos terminaram, Petrus não saiu imediatamente. Ele se ajoelhou de repente, surpreendendo Nina. Com um enorme buquê de rosas e um anel de noivado nas mãos, ele disse:

— Você sempre quis tirar fotos de casamento, mas eu achava que algo estava faltando. Agora eu entendo. Faltava um pedido. Nina, você foi tão compreensiva, sempre dizendo que não precisava disso. Mas eu não posso deixar você sem um pedido oficial. Case-se comigo.
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