Capítulo 6
Petrus ficou ligeiramente surpreso. Ele estava jantando com os pais de Nina quando recebeu a ligação do hospital. No momento em que soube do acidente de Maria, sentiu um frio na espinha e deixou Nina e sua família para trás, correndo para o hospital. Por sorte, Maria não havia sofrido ferimentos graves.

— Eu estava jantando com um cliente importante. Tínhamos um grande contrato para fechar. Assim que o hospital me avisou sobre o acidente, vim direto para cá. — Petrus explicou.

Maria estreitou os olhos e o encarou fixamente.

— Veio direto do cliente?

— Sim, Maria. Estou exausto. — Petrus respondeu, apertando a testa com os dedos, como se estivesse realmente cansado.

Maria fechou os olhos lentamente e não disse mais nada.

Petrus se sentou ao lado dela, acompanhando-a em silêncio. Não demorou muito para o celular dele tocar. Ele rejeitou a chamada imediatamente, mas o aparelho voltou a tocar insistentemente. Petrus, visivelmente incomodado, colocou o celular no modo silencioso e começou a digitar uma mensagem rapidamente.

Um minuto depois, ele parecia ansioso. Levantou-se abruptamente e, com uma desculpa apressada, deixou o quarto.

Assim que Petrus saiu, Carolina entrou no quarto de Maria. Mas seu semblante estava sombrio.

— Você não vai acreditar em quem eu acabei de cruzar no elevador. — Carolina disse, claramente irritada.

Maria se apoiou na cama, ficando meio sentada. Ela pensou por alguns segundos antes de arriscar um palpite.

— O Petrus?

— Sim, ele mesmo. — Carolina bufou e revirou os olhos com desdém. — Essa história não para de piorar. Adivinha onde ele estava? No terceiro andar, na ala de obstetrícia. Quando o elevador abriu, dei de cara com ele e Nina. Ela estava segurando uma ficha de exame de gravidez, com um sorriso tão grande que quase rasgava o rosto. E ele? Ele estava radiante, murmurando que finalmente seria pai.

Maria ficou em silêncio, olhando para baixo como se estivesse em um pensamento profundo. Seu rosto não demonstrou nenhuma reação de tristeza. Ela apenas disse calmamente:

— Então, ela está grávida.

Carolina ficou perplexa com a tranquilidade de Maria. Algo parecia fora do normal. Ela se inclinou para tocar a testa de Maria, como se quisesse verificar se ela estava com febre.

— Você não está brava? Não é possível. Será que bateu a cabeça no acidente e está confusa?

— Você não sabe, mas Petrus tem um problema de saúde. — Maria sorriu levemente, seus lábios pálidos mal se movendo. — Ele não pode ter filhos.

Carolina arregalou os olhos, chocada.

Três anos atrás, Maria e Petrus tentaram ter um filho durante um ano inteiro, mas sem sucesso. Inicialmente, Maria achou que o problema era com ela, então marcou uma consulta médica. Petrus, preocupado com o impacto emocional que isso poderia causar nela, decidiu fazer o exame também.

O resultado revelou que Petrus tinha infertilidade. Maria passou aquela noite sem dormir, tentando aceitar o fato de que nunca teriam filhos. Ela se convenceu de que o amor deles era suficiente. Ainda assim, para proteger o orgulho e a carreira de Petrus, pediu ao médico para manter o diagnóstico em sigilo e dizer às outras pessoas que o problema era dela.

Agora, vendo Petrus tão animado com a gravidez de outra mulher, Maria sentiu que todos os seus sacrifícios haviam sido em vão.

— Meu Deus, isso é um escândalo! — Carolina exclamou, quase pulando da cadeira. Ela esfregou as mãos e arqueou as sobrancelhas, claramente com uma ideia na cabeça. — Já sei! Maria, daqui a cinco dias você vai para a Noruega. Vamos fingir que não sabemos de nada. Quando a Nina tiver o bebê, enviamos os resultados dos exames de Petrus para ele. Quero ver se ele vai enlouquecer de arrependimento!

Na manhã seguinte, Petrus não apareceu no hospital.

À tarde, a secretária de Maria a visitou para atualizar o progresso dos preparativos do casamento. Depois de terminar o relatório, ela hesitou, olhando para Maria com certo desconforto.

— Se você tem algo a dizer, diga logo. — Maria disse, franzindo ligeiramente as sobrancelhas.

A secretária olhou para ela com cuidado e falou com a voz baixa:

— Hoje, ao meio-dia, o Sr. Petrus pediu que eu entregasse alguns documentos na casa de vocês. Quando cheguei, vi a Srta. Nina sentada no sofá da sala, de pijama. Senhora, sei que você sempre foi muito gentil comigo, e eu realmente não consegui ficar calada. Achei que deveria te avisar.

Maria sentiu um calafrio subir pela espinha. Seu rosto ficou frio como gelo. Nina já estava tão confortável que havia se mudado para a casa deles enquanto ela ainda estava no hospital?

Não era à toa que Petrus havia insistido para que Maria o avisasse antes de receber alta.

— Entendi. Obrigada por me avisar.

Maria pegou o celular e acessou o aplicativo de câmeras de segurança da casa. No entanto, a tela estava completamente escura. Petrus havia bloqueado as câmeras anteriormente.

Frustrada, Maria estreitou os olhos e olhou para a secretária, que ainda estava no quarto.

— Hoje à noite, quero que você arrume uma desculpa para afastar Petrus e Nina da casa. Contrate alguém para reinstalar as câmeras, mas seja discreta.

— Sim, senhora.

Por volta das dez horas da noite, Petrus apareceu no hospital. Ele entrou no quarto com uma expressão de culpa, seus olhos escuros cheios de remorso:

— Maria, você pediu para eu vir. Estava com saudade, não é? Desculpe por hoje. Eu estava tão ocupado…

Maria franziu a testa e o interrompeu antes que ele pudesse continuar, dando-lhe uma saída fácil:

— Eu sei. Você estava preparando minha festa de aniversário. É por isso que demorou a vir me ver.

Petrus ficou surpreso, mas logo sorriu e segurou a mão de Maria, acariciando-a suavemente:

— Só você para me entender tão bem.

Maria o encarou diretamente e, com um tom enigmático, disse:

— Sim, eu te entendo. Sei exatamente tudo o que você faz.

O coração de Petrus pareceu parar por um instante. Ele balbuciou:

— Maria…

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, uma enfermeira entrou no quarto com um carrinho para trocar o soro de Maria.

No dia seguinte, Maria verificou o monitoramento das câmeras reinstaladas. As imagens mostraram Nina e Petrus almoçando juntos.

Nina estava sentada na cadeira que Maria costumava usar. Ela fazia manha, dizendo que estava grávida e se recusava a comer. Petrus, com paciência, alimentava-a com uma colher:

— Seja boazinha. Cuide bem do seu corpo. Quando o bebê nascer, vou convencer Maria a ser madrinha dele.

Depois de comer demais, Nina subiu as escadas com um sorriso satisfeito.

Petrus, por sua vez, chamou os empregados da casa e deu ordens claras.

— A Nina está grávida e tem estado sensível. Paciência com ela. E lembrem-se: ninguém deve contar para Maria que ela está morando aqui.

— Sim, senhor. — Responderam os empregados.

Maria assistiu a tudo com calma, sem demonstrar nenhuma emoção. Depois, afastou o olhar do monitor e começou a organizar a lista de convidados para o casamento.

— Quero que todas as pessoas da lista recebam o convite hoje mesmo. — Disse ela à secretária.
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