Ao entardecer, um carro preto parou em frente à casa de Nina, dentro do condomínio de luxo. Um homem jovem desceu do banco do passageiro, enquanto o carro rapidamente deixava o local.O homem acendeu um cigarro e entrou na casa com passos despreocupados. Ele usava um conjunto de jeans azul, e seus traços eram marcantes, com uma expressão de desdém que beirava a arrogância. De perto ou de longe, parecia um típico playboy: um herdeiro mimado que não tinha nada de útil para fazer na vida.Quando Nina viu Ivo Costa, levantou-se rapidamente do sofá, franzindo o cenho com força:— Você está louco? Mandou o motorista entrar aqui assim, tão descaradamente?Ivo aproximou-se dela, soltando uma nuvem de fumaça em seu rosto. Seus lábios se curvaram em um sorriso provocador.— E daí? Você acha que o Petrus não sabe do nosso passado?A fumaça fez Nina tossir levemente. Ela deu dois passos para trás, tentando evitar o cheiro do cigarro.Ivo, sem se preocupar, jogou-se no sofá como se fosse o dono da
Maria ficou imóvel por um instante ao ouvir as palavras de Carolina. Ela rapidamente entendeu a intenção da ligação: Carolina queria alertá-la para que tomasse cuidado. Mais uma vez, Maria sentiu como sua melhor amiga era leal.— Eu vou ficar atenta.Depois de desligar o celular, Maria decidiu não contar aos pais sobre a possibilidade de Petrus ir para a Noruega. Nas últimas semanas, Enzo e Joana já haviam se preocupado muito com ela. Os dois estavam até planejando anunciar publicamente que Maria assumiria os negócios da família Ramos, preparando-a para ocupar uma posição de destaque.No final da tarde, Joana voltou do trabalho e bateu suavemente na porta do quarto de Maria:— Maria, amanhã à noite você pode nos acompanhar para jantar? Eu e seu pai queremos apresentar alguém a você.Maria levantou os olhos do computador e respondeu docilmente com um "sim". Nos últimos tempos, ela havia aprendido a decifrar o comportamento dos pais. Sempre que eles organizavam jantares privativos, era p
Pelo impacto da força que a empurrou, Maria tinha certeza: era um homem.Arthur levantou-se e disse, com um tom atencioso:— Vou levar você para falar com o gerente do restaurante.Algum tempo depois, na sala de monitoramento, os funcionários do restaurante exportaram as gravações do momento em questão e, com uma expressão de pesar, informaram:— Antes de agir, a pessoa cobriu a câmera de segurança, Srta. Maria. Não conseguimos captar o momento em que empurraram você.Maria franziu a testa:— E as câmeras? Alguma delas conseguiu registrar o rosto desse homem?Quatro funcionários começaram a revisar as gravações, um por um. Meia hora depois, todos balançaram a cabeça em sinal de desculpa:— Lamentamos, mas ele estava usando máscara e chapéu. Não conseguimos identificar o rosto dele.Maria ficou séria, com o semblante carregado:— Enviem todas as gravações em que ele aparece para mim.No caminho de volta para casa, Maria repassou os vídeos para Carolina.— Preciso que você investigue ess
— Sim. — Maria confirmou com um aceno de cabeça e explicou, mantendo a calma. — Se eu fingir minha morte, Petrus certamente virá para o meu velório. Assim, posso ativar a cláusula do contrato e tirar todos os bens dele. Quem mandou ele querer bancar o homem arrependido? Além disso, com a minha "morte", Nina não precisará mais mandar Ivo atrás de mim. Ser vigiada por ela o tempo todo é um incômodo. E o melhor de tudo: se Petrus vier para o meu velório, Nina, que só pensa em dinheiro, não vai ficar com nada!Era o plano perfeito, um método que resolveria vários problemas ao mesmo tempo. No entanto, para executar a ideia de fingir sua morte, Maria precisava de ajuda.Depois de pensar muito, ela decidiu procurar Arthur.— Você quer que eu te ajude a encontrar uma maneira de fazer alguém tentar te matar, mas sem que isso realmente aconteça? — Arthur perguntou, com um tom curioso e um brilho diferente no olhar.Maria assentiu. Ela não escondeu nada de Arthur, explicando calmamente tudo o que
— Ivo pediu para esperarmos o próximo dia de chuva. Quando o carro da Srta. Maria estiver estacionado no estacionamento da empresa, devemos mexer no veículo. — William, o mais velho, fez uma pausa antes de continuar, com a voz ainda mais sombria. — Ele deixou bem claro: quer que façamos o serviço de forma definitiva, garantindo que ela não sobreviva. Se conseguirmos, ele prometeu nos pagar um adicional de cinquenta mil dólares.Arthur parou de girar a caneta entre os dedos. Uma frieza tomou conta de seu rosto, e seus olhos ganharam um brilho gelado.— Ele é generoso. — Disse Arthur com ironia, o tom carregado de desdém.William percebeu a mudança no tom de voz de Arthur e ficou surpreso. Era raro ver Arthur demonstrar emoções tão claras, mas desta vez ele não escondeu sua irritação.— E como devo proceder? — William perguntou, cauteloso.Arthur pensou por alguns segundos antes de responder:— Faça apenas um ajuste leve no carro. O resto, deixe comigo.Ele já tinha tudo planejado: coloc
Nina observava Petrus, que parecia à beira da loucura, completamente devastado. Seus olhos estavam carregados de uma escuridão difícil de decifrar.Petrus parecia uma fera que havia perdido sua companheira, um leão ferido que abaixava a cabeça, deixando o orgulho de lado. Quando Nina decidiu deixá-lo anos atrás, ele jamais reagiu assim. Mas agora, por Maria... O que Maria tinha de tão especial?Nina caminhou até Petrus e segurou a mão dele com força. Sua voz saiu em um tom histérico, como se quisesse desabafar todas as suas mágoas:— Você vai para a Noruega? Maria está morta! De que adianta você ir agora? Se você for, vai voltar sem nada! Vai perder tudo, Petrus!Petrus levantou a cabeça bruscamente e, com um olhar furioso, afastou a mão de Nina com um movimento agressivo. Ele se levantou, com o rosto sombrio e o olhar fixo nela, aproximando-se devagar.Nina se assustou com a expressão fria e ameaçadora dele. Ela recuou instintivamente até sentir suas costas tocarem a parede. Nesse mom
— Sim, senhora. — Respondeu Dr. Diogo.Uma semana depois, Dr. Diogo chegou à mansão de Petrus. Ele encontrou um homem irreconhecível, magro e abatido, como se tivesse perdido quase trinta quilos. Por um breve instante, Dr. Diogo demonstrou surpresa, mas logo voltou à sua expressão habitual:— Sr. Petrus, a Sra. Ramos instruiu que eu colocasse a mansão à venda. O contrato com o novo proprietário foi assinado hoje, então preciso que o senhor...Antes que ele pudesse terminar, Petrus levantou a cabeça de repente e soltou uma risada amarga:— Querem que eu vá embora, não é? Maria morreu. Esta casa já não tem mais nada dela. Não faz diferença eu ficar ou sair.Petrus saiu cambaleando em direção ao jardim, enquanto seu assistente o seguia, preocupado. Nos últimos tempos, Petrus vinha abusando do álcool, consumido por uma saudade sufocante de Maria, dormindo apenas uma ou duas horas por noite. Em seus momentos mais sombrios, ele até tentou cortar os pulsos.Antes mesmo de alcançar o portão, P
— Essa será sua punição pelas atitudes recentes. A tradição da família Marques exige lealdade e respeito no casamento. Só existe prosperidade onde há harmonia no lar! — Mestre Marques continuou, firme.Petrus abaixou a cabeça, abatido. A decisão de seu avô de afastá-lo dos negócios da família Marques por cinco anos era devastadora. Ele sabia que, nesse período, seus irmãos, que já eram competitivos, o ultrapassariam facilmente. Era provável que ele nunca mais recuperasse o posto de herdeiro. Mas, agora que ele havia perdido Maria, que valor a fortuna da família Marques ainda tinha para ele?— Entendido, vovô.Mestre Marques balançou a cabeça, decepcionado, e saiu do quarto apoiado em sua bengala.Ao anoitecer, Nina soube da decisão de Mestre Marques de proibir Petrus de se envolver nos negócios da família Marques pelos próximos cinco anos. Sentada sozinha na sala de estar, ela estava completamente perdida em pensamentos.Alguns dias atrás, Nina havia ligado para Ivo, prometendo prepara